
The 120 Days of Sodom Marquis de Sade
Os 120 dias de Sodoma - Marquês de Sade (Highlight: 464; Note: 0.
───────────────
Introdução
As guerras consideráveis que Luís XIV teve de travar durante todo o seu reino, exaurindo as finanças do Estado e as faculdades do povo, trouxeram consigo o segredo de enriquecer uma multidão de sanguessugas sempre à espreita das calamidades públicas que eles mesmos provocam, em vez de apaziguar, e isso justamente para lucrar tirando mais vantagens.
duque de Blangis
seu irmão
Durcet
De Curval
Constance
Julie
— Sei tudo o que se pode saber — retrucou o duque. — Mas será que essas coisas nos inibem, na nossa idade e com nosso modo de pensar? Acredita que eu queira uma mulher para ser minha amante? Quero-a para servir aos meus caprichos, para esconder, encobrir uma infinidade de debochezinhos secretos que o manto do hímen oculta maravilhosamente. Em suma, quero-a assim como você quer minha filha: pensa que ignoro seu objetivo e seus desejos? Nós, libertinos, pegamos mulheres para serem nossas escravas; a qualidade delas de esposas as torna mais submissas que as amantes, e você sabe como o despotismo é precioso nos prazeres que saboreamos.
Adélaïde
Aline
Portanto, desse arranjo resultou — o que convém recapitular para facilidade do leitor — que o duque, pai de Julie, tornou-se esposo de Constance, filha de Durcet; que Durcet, pai de Constance, tornou-se marido de Adélaïde, filha do presidente; que o presidente, pai de Adélaïde, tornou-se marido de Julie, filha mais velha do duque; e que o bispo, tio e pai de Aline, tornou-se marido das três outras, cedendo essa Aline aos amigos e ressalvando os direitos que continuava a se reservar sobre ela.
dois milhões por ano eram atribuídos unicamente aos prazeres da boa mesa e da lubricidade.
A primeira dessas ceias, destinada apenas aos prazeres da sodomia, só admitia homens. Ali se viam regularmente dezesseis jovens de vinte a trinta anos cujas imensas faculdades permitiam a nossos quatro heróis saborear, vestidos de mulher, os prazeres mais sensuais. Esses jovens eram escolhidos apenas em função do tamanho do membro, e tornava-se quase necessário que esse membro sublime fosse de tal magnificência que jamais tivesse conseguido penetrar numa mulher. Era uma cláusula essencial, e, como nada se poupava em matéria de despesas, só raramente não era cumprida. Mas, para provar ao mesmo tempo todos os prazeres, juntava-se a esses dezesseis maridos igual número de rapazes muito mais moços e que deviam fazer as vezes de mulheres. Estes eram escolhidos tendo de doze a dezoito anos e deviam ter frescor, aparência, graças, presença, inocência e candura bem superiores a tudo o que nossos pincéis conseguiriam pintar. Nenhuma mulher era aceita nessas orgias masculinas, em que se realizava tudo o que de mais luxurioso Sodoma e Gomorra um dia inventaram
de nossos quatro libertinos só dois estavam em condições de proceder a esse ato, pois um dos dois outros, o banqueiro, já não sentia nenhuma ereção, e o bispo só conseguia gozar de um jeito que, admito, pode desonrar uma virgem mas sempre a deixa bastante inteira.
Nascido falso, duro, imperioso, bárbaro, egoísta, igualmente pródigo nos prazeres como avaro quando devia ser útil, mentiroso, guloso, bêbado, medroso, sodomita, incestuoso, assassino, incendiário, ladrão, nem uma só virtude compensava tantos vícios.
Há um monte de gente — dizia o duque — que só se inclina para o mal se for movido por sua paixão; quando se recupera da perdição, a alma, tranquila, retoma calmamente o caminho da virtude, e assim, passando a vida entre combates e erros, entre erros e remorsos, essa gente termina seus dias sem que se possa dizer exatamente que papel representou na Terra. Essas criaturas — continuava — devem ser infelizes: sempre pairando, sempre indecisas, toda a sua vida detestando de manhã o que fizeram de noite. Certas de se arrepender dos prazeres que saboreiam, estremecem ao praticá-los, de modo que se tornam ao mesmo tempo virtuosas no crime e criminosas na virtude. Meu caráter mais firme — acrescentava nosso herói — jamais se desmentirá assim. Nunca hesito em minhas escolhas, e, como sempre tenho a certeza de encontrar o prazer no que faço, nunca o arrependimento vem atenuar seu atrativo. Firme nos meus princípios porque neles me formei solidamente desde meus mais tenros anos, sempre ajo de acordo com eles. Fizeram-me conhecer o vazio e o nada da virtude; odeio-a, e jamais me verão retornar a ela. Convenceram-me de que o vício só servia para levar o homem a sentir essa vibração moral e física, fonte das mais deliciosas volúpias; a elas me entrego. Muito cedo pus-me acima das quimeras da religião, absolutamente convencido de que a existência do criador é um absurdo revoltante em que nem as crianças mais acreditam. Não tenho a menor necessidade de constranger meus instintos a fim de agradar a um criador. Foi da natureza que os recebi, e eu a irritaria se a eles resistisse; se me deu os maus, é que, a seu ver, tornavam-se assim necessários. Em suas mãos sou apenas uma máquina que ela mexe conforme sua vontade, e não há nenhum de meus crimes que não a sirva; quanto mais me aconselha a praticá-los, mais precisa deles; eu seria um idiota se resistisse. Portanto, contra mim só tenho as leis, mas as desafio; meu ouro e meu prestígio colocam-me acima desses flagelos vulgares que só devem atingir o povo.
Aos vinte e três anos, fez com seus três companheiros de vício, a quem inculcara sua filosofia, a brincadeira de irem assaltar uma diligência no meio da estrada, violar igualmente os homens e as mulheres, assassiná-los depois, se apoderarem do dinheiro que com certeza não lhes fazia falta e ir os três, na mesma noite, ao baile da Opéra para ter um álibi
De fato, esse colosso assustador dava ideia de um Hércules ou de um centauro: o duque media mais de um metro e oitenta, tinha membros de muita resistência e energia, articulações vigorosas, nervos elásticos… Juntem a isso um rosto másculo e orgulhoso, grandes olhos pretos, belas sobrancelhas castanhas, o nariz aquilino, belos dentes, ar saudável e viçoso, ombros largos, um peito compacto embora perfeitamente torneado, lindos quadris, nádegas sublimes, as mais belas coxas do mundo, um temperamento de ferro, uma força de cavalo e o membro de um verdadeiro jumento, espantosamente peludo, dotado da faculdade de perder esperma sempre que assim desejasse, mesmo com a idade de cinquenta anos que tinha então, uma ereção quase contínua naquele membro cujo tamanho era de vinte centímetros de circunferência por trinta de comprimento — e terão o retrato do duque de Blangis como se vocês mesmos o tivessem desenhado
Mas se essa obra-prima da natureza era violenta em seus desejos, como é que ficava, santo Deus., quando se juntava a embriaguez da volúpia? Não era mais um homem, era um tigre em furor. Ai de quem, então, servisse suas paixões: gritos pavorosos, blasfêmias atrozes se soltavam de seu peito dilatado, chamas pareciam sair de seus olhos, ele babava, relinchava, poderia ser confundido com o próprio deus da lubricidade. Então, fosse qual fosse a maneira de gozar, suas mãos necessariamente sempre se perdiam, e mais de uma vez o viram nitidamente estrangular uma mulher no instante de sua pérfida descarga
Na juventude, o duque chegara a gozar dezoito vezes num dia, sem que o vissem, na última perda, mais esgotado que na primeira.
Fazia vinte e cinco anos que se habituara à sodomia passiva e aguentava os ataques com o mesmo vigor com que ele mesmo os praticava, ativamente, no instante seguinte, quando lhe aprouvesse mudar de papel. Suportara numa aposta até cinquenta e cinco investidas num só dia
Fazia regularmente três refeições, e as três, muito longas e muito fartas, e sua dose corrente era sempre dez garrafas de vinho de bourgogne; chegara a beber trinta e apostava com quem quisesse alcançar cinquent
Mantendo exatamente os mesmos traços morais, adaptando-os a uma constituição física infinitamente inferior à que acaba de ser descrita, temos o retrato do BISPO DE …, irmão do duque de Blangis. Mesma negritude na alma, mesmo pendor para o crime, mesmo desprezo pela religião, mesmo ateísmo, mesma velhacaria, mas o espírito mais flexível e mais hábil, e mais arte em derrubar vítimas, e uma compleição mais esguia e leve, corpo pequeno e franzino, saúde instável, nervos muito delicados, maior requinte nos prazeres, faculdades medíocres, um membro muito ordinário, pequeno até, mas se poupando com tanta arte e perdendo sempre tão pouco, que sua imaginação permanentemente inflamada o habilitava a sentir prazer com a mesma frequência do irmão; aliás, sensações de tamanha sutileza e uma excitação tão prodigiosa, no gênero nervoso, que ele costumava desfalecer no momento da descarga e quase sempre desmaiava ao soltá-la. Tinha quarenta e cinco anos, feições muito delicadas, olhos bem bonitos, mas uma boca feia e dentes feios, o corpo branco; sem pelo, bunda pequena mas bem-feita, e o membro, de doze centímetros de circunferência por quinze de comprimento. Idólatra da sodomia ativa e passiva, mais ainda desta última, passava a vida a ser enrabado, e esse prazer, que nunca exige grande dispêndio de força, combinava muito bem com a modéstia de seus meios. Falaremos mais adiante de seus outros gostos. Com respeito aos da mesa, levava-os quase tão longe quanto o irmão, mas conferia-lhes um pouco mais de sensualidade. O reverendíssimo, tão celerado quanto o irmão mais velho, tinha aliás, como ele, traços que decerto o igualavam às famosas façanhas do herói que acabamos de retratar. Vamos nos contentar em citar um; bastará ler o que se segue para mostrar ao leitor do que um homem desses era capaz e o que sabia e podia fazer.
Infelizmente, o segredo continua muito bem guardado, e não há libertino um pouco entranhado no vício que não saiba a influência que o assassinato exerce sobre os sentidos e como determina voluptuosamente um orgasmo
No meio de tudo isso exibia, sem que fosse preciso afastar as nádegas, um orifício imenso cujo diâmetro enorme, cheiro e cor mais lembravam um buraco de latrina do que um olho do cu; e, para cúmulo dos atrativos, um dos pequenos hábitos desse porco de Sodoma era deixar sempre aquela parte em tal estado de imundície que em torno dela se via o tempo todo uma rodinha de sujeira de duas polegadas de espessura
Toda a pessoa do presidente era igualmente suja, pois a isso juntava gostos para lá de imundos, e ele se tornava um personagem cuja proximidade, um bocado fedorenta, poderia não agradar a todos: mas seus colegas não eram gente de se escandalizar por tão pouco e nem sequer lhe falavam disso
Tendo nascido tão guloso quanto beberrão, só ele tinha condições de enfrentar o duque
a fortuna imensa de que dispunha se devesse só a dois ou três assassinatos execráveis
sofria do ridículo de ter sentimentos
o pobre carregador foi condenado a morrer na roda, sem jamais ter cometido outro crime além de querer manter a honra e conservar a da filha.
uma delícia bem mais picante receber o que desejava sem ser obrigado a respeitar nada
os anos doentios da infância”, continue assim
DURCET tem cinquenta e três anos, é pequeno, baixo, gordo, muito corpulento, tem um rosto agradável e fresco, a pele muito alva, todo o corpo, e principalmente os quadris e as nádegas, idênticos aos de uma mulher; sua bunda é empinada, gorda, firme e roliça, mas incrivelmente aberta pelo hábito da sodomia; seu membro é extraordinariamente pequeno: mal chega a cinco centímetros de circunferência por dez de comprimento; endurecê-lo, já não consegue; seus orgasmos são raros e muito difíceis, pouco abundantes e sempre precedidos de espasmos que o jogam num certo furor que o leva ao crime; tem peito de mulher, uma voz doce e agradável, e é muito decente em sociedade, embora sua cabeça seja pelo menos tão depravada quanto a dos confrades; colega de escola do duque, ainda se divertem juntos, diariamente, e um dos grandes prazeres de Durcet é ter o ânus coçado pelo membro enorme do duque.
eram suscetíveis ao gosto pela sodomia, que os quatro se faziam enrabar regularmente e que os quatro idolatravam os cus
CONSTANCE
ADÉLAÏDE, mulher de Durce
JULIE, mulher do presidente e filha mais velha do duque
Mas Curval era louco por isso: seus mais divinos prazeres eram colhidos naquela boca fedorenta, ele entrava em delírio quando fodia com ela, e quanto à sujeira natural, longe de ser reprovada, ao contrário o excitava, pois, afinal, obtivera de Julie um absoluto divórcio com a água.
por um efeito ainda mais bizarro da libertinagem, é corrente que uma mulher com nossos defeitos nos agrade bem menos em nossos prazeres do que uma que tem apenas virtudes: uma se parece conosco, não a escandalizamos; a outra se aterroriza, o que é um autêntico atrativo a mais.
ALINE, irmã caçula de Julie
É aceito entre os verdadeiros libertinos que as sensações comunicadas pelo órgão do ouvido são as que mais deleitam e que deixam as impressões mais profundas. Por isso, nossos quatro celerados, que queriam a volúpia entranhada em seu coração tão forte e profundamente quanto ela conseguisse penetrar, tinham imaginado algo muito peculiar para alcançar esse objetivo. Tratava-se do seguinte: depois de se cercarem de tudo o que melhor satisfizesse pela lubricidade os outros sentidos, ouviriam contar, nos mínimos detalhes e por ordem, todos os diferentes excessos da orgia, todas as suas ramificações, todas as suas conveniências, em suma, o que se chama, em linguagem libertina, todas as paixões. Não se imagina a que ponto o homem as inventa quando sua imaginação se inflama
todas as devassidões mais extraordinárias do deboche
MADAME DUCLOS
MADAME CHAMPVILLE
A MARTAINE
Quanto à DESGRANGES
Incendiária, parricida, incestuosa, sodomita, tríbade, assassina, envenenadora, culpada de estupros, roubos, abortos e sacrilégios, podia-se afirmar, de verdade, que não havia um só crime no mundo que aquela safada não tivesse cometido ou mandado cometer. Sua ocupação atual era a cafetinagem; era uma das fornecedoras titulares da sociedade e, como juntava à grande experiência um linguajar bastante agradável, fora escolhida para representar o quarto papel de historiadora, isto é, aquele em cujo relato devia haver mais horrores e infâmias.
não se queria nada abaixo de vinte e cinco ou trinta centímetros de comprimento por vinte de circunferência
o menor defeito logo se tornava motivo de exclusão
A primeira chamava-se AUGUSTINE: tinha quinze anos, era filha de um barão do Languedoc e fora sequestrada de um convento de Montpellier.
A segunda chamava-se FANNY: era filha de um conselheiro do Parlamento da Bretanha e fora sequestrada no próprio castelo do pai.
A terceira chamava-se ZELMIRE: tinha quinze anos, era filha do conde de Terville, que a idolatrava. Ele a levara à caça numa de suas terras da Beauce e a deixara sozinha um instante, na floresta, onde logo foi sequestrada. Era filha única e, com quatrocentos mil francos de dote, devia se casar no ano seguinte com um nobre muito ilustre. Foi a que mais chorou e se entristeceu com o horror de sua sorte.
A quarta chamava-se SOPHIE: tinha catorze anos e era filha de um fidalgo muito rico que vivia em sua propriedade no Berry. Fora sequestrada durante um passeio ao lado da mãe, que, querendo defendê-la, foi atirada num rio em que a filha a viu expirar, diante de seus olhos.
A quinta chamava-se COLOMBE: era de Paris e filha de um conselheiro do Parlamento; tinha treze anos e fora sequestrada à noite ao voltar com uma governanta para o convento, na saída de um baile infantil. A governanta foi apunhalada.
A sexta chamava-se HÉBÉ: tinha doze anos, era filha de um capitão de cavalaria, nobre que vivia em Orléans. A jovem fora seduzida e sequestrada no convento onde a educavam; duas freiras tinham sido subornadas em troca de dinheiro. Era impossível ver algo mais sedutor e gracioso.
A sétima chamava-se ROSETTE: tinha treze anos, era filha do tenente-general de Chalon-sur-Saône. Seu pai acabara de morrer; ela estava no campo, na casa da mãe, perto da cidade, e foi sequestrada por falsos ladrões, diante dos próprios olhos dos parentes.
A última chamava-se MIMI ou MICHETTE: tinha doze anos, era filha do marquês de Sénanges e fora sequestrada nas terras do pai, no Bourbonnais, durante um passeio de caleche que a deixaram fazer em companhia de apenas duas ou três mulheres do castelo, que foram assassinadas
Chegou a hora do exame dos jovens rapazes. Sendo mais fácil consegui-los, o número deles foi maior. Os alcoviteiros apresentaram cento e cinquenta, e com certeza não exagero ao afirmar que eles, no mínimo, igualavam as meninas tanto pelo delicioso rosto como pelas graças infantis, candura, inocência e nobreza. Receberam trinta mil francos por cada um, o mesmo preço das meninas, mas os contratadores nada arriscavam pois, como essa caça era mais delicada e bem mais ao gosto de nossos sequazes, ficara decidido que não se deixaria de reembolsar nenhuma despesa, e que na verdade mandariam embora aqueles com quem não se arranjassem mas, como se serviriam deles, seriam igualmente pagos. O exame foi como o das meninas. Inspecionaram dez por dia, com a precaução muito sábia e um pouco negligenciada com as meninas, com a precaução, eu ia dizendo, de sempre ejacularem graças aos dez apresentados, antes de se proceder ao exame. O presidente quase foi excluído, pois desconfiavam da depravação de seus gostos; na escolha das meninas, pensaram ter sido enganados por sua maldita tendência à infâmia e à degradação. Ele prometeu se controlar e, se cumpriu a palavra, não foi sem dificuldade, pois quando a imaginação danificada ou depravada se habituou a tais ultrajes ao bom gosto e à natureza, ultrajes que lhe agradam tão deliciosamente, é muito difícil reconduzi-la ao bom caminho: parece que o desejo de servir a esses gostos lhe tira a faculdade de ser dona de seus julgamentos. Desprezando o que é de fato bonito e só apreciando o que é horroroso, a imaginação se expressa assim como pensa, e o retorno a sentimentos mais verdadeiros lhe parece um erro cometido contra princípios dos quais se afastaria a contragosto. Cem jovens foram unanimemente aceitos desde que se encerraram as primeiras sessões, e foi preciso rever cinco vezes esses julgamentos para se chegar aos poucos que deviam ser aprovados.
Chegou a hora de escolher os fodedores. Os rejeitados dessa categoria não se preocuparam; apanhados numa idade razoável, tinham a garantia de ser recompensados pela viagem, pelas dificuldades, e voltariam para casa.
Entre os vinte mais bem equipados, foram escolhidos os oito mais jovens e bonitos
HERCULE, realmente constituído como o deus cujo nome lhe deram, tinha vinte e seis anos e era dotado de um membro de vinte e um centímetros de circunferência e quarenta de comprimento. Nunca tinha se visto nada mais bonito e majestoso do que esse instrumento quase sempre duro e que, com oito esguichos, como ficou provado, enchia até a beira um recipiente de meio litro. Aliás, ele era muito meigo e com uma fisionomia muito interessante.
ANTÍNOO, assim chamado porque, a exemplo do efebo de Adriano, juntava à mais bela pica do mundo a bunda mais voluptuosa, o que é muito raro, era dono de um instrumento de vinte centímetros de circunferência por trinta de comprimento. Tinha trinta anos e o mais lindo rosto do mundo.
REBENTA-CU tinha uma pica tão agradavelmente torneada que para ele se tornava quase impossível enrabar sem arrebentar o cu, e daí lhe vinha o nome que usava. A cabeça de seu caralho parecia um coração de boi, tinha vinte e um centímetros de circunferência; o membro tinha apenas vinte,mas era tão torto que, rigorosamente, rasgava o ânus quando penetrava, e essa qualidade, preciosíssima para libertinos tão enfastiados como os nossos, o fez singularmente procurado.
PICA-PRO-CÉU, assim chamado porque sua ereção, por mais que ele fizesse, era eterna, tinha um instrumento de vinte e oito centímetros de comprimento por dezenove de circunferência. Tinham recusado uns maiores que o dele porque dificilmente endureciam, ao passo que este, por mais esporros que soltasse num dia, ficava empinado ao menor toque.
Os outros quatro eram mais ou menos do
não espanta que, depois disso, muita gente prefira para o gozo uma velha, feia e até fedorenta a uma moça fresca e bonita, e também pouco espanta, eu ia dizendo, que um homem prefira para seus passeios o sol árido e feroz das montanhas às trilhas monótonas das planícies. Todas essas coisas dependem de nossa constituição, de nossos órgãos, da maneira como são afetados, e não temos controle para mudar nossos gostos a esse respeito, assim como não o temos para variar as formas de nosso corp
durante toda a sua vida, dizia ela, Thérèse não limpara a bunda, daí que ficasse perfeitamente demonstrado que ainda havia ali merda de sua infância
FANCHON era o nome da quarta. Seis vezes tinha sido condenada ao enforcamento, à revelia, e não existia um só crime na Terra que não tivesse cometido. Aos sessenta e nove anos, era baixinha e gorda, nariz achatado, vesga, quase sem testa, não tendo na goela fedorenta mais que dois dentes velhos prestes a cair; uma erisipela lhe cobria o traseiro, e hemorroidas do tamanho de um punho lhe pendiam do ânus; um cancro pavoroso devorava sua vagina e uma de suas coxas era toda queimada. Vivia embriagada três quartos do ano, e na sua bebedeira, com o estômago se enfraquecendo, vomitava por todo lado. O olho do seu cu, apesar do monte de hemorroidas que o guarnecia, era tão largo que naturalmente ela bufava, peidava, e volta e meia fazia mais que isso, sem se dar conta.
Esse curioso capricho da natureza é uma fenda de mais de sessenta metros no topo da montanha, entre as vertentes setentrional e meridional, de modo que sem recorrer a muito engenho é impossível escalar a montanha e tornar a descê-la. Durcet mandou juntar essas duas partes, que abrem um precipício de mais de trezentos metros de profundidade, com uma belíssima ponte de madeira, derrubada assim que as últimas bagagens chegaram; e a partir de então já não havia a menor possibilidade de comunicar-se com o castelo de Silling
REGULAMENTOS
A hora de levantar será, todo dia, dez da manhã. Nesse momento, os quatro fodedores que não estiveram de plantão durante a noite irão fazer uma visita aos amigos e cada um levará um menino; passarão sucessivamente de um quarto a outro. Agirão conforme a vontade e os desejos dos amigos, mas no início os meninos que levarem deverão apenas ser vistos, pois está decidido e combinado que as oito virgindades das bocetas das meninas só serão rompidas no mês de dezembro, e as de seus cus, assim como dois dos cus dos oito meninos, só o serão no mês de janeiro, e isso a fim de deixar que a volúpia se exacerbe com o aumento de um desejo sempre inflamado e nunca satisfeito, estado que deve necessariamente levar a certo furor lúbrico, que os amigos se empenham em provocar como uma das situações mais deliciosas da lubricidade.
Todos estarão nus: historiadoras, esposas, meninas, meninos, velhas, fodedores, amigos, todos misturados, todos espojados sobre o chão de ladrilhos, e, a exemplo dos animais, farão trocas, incestos, adultérios, sodomizações e, sempre à exceção das deflorações, se entregarão a todos os excessos e deboches mais capazes de inflamar as cabeças.
Às duas em ponto da madrugada, as orgias cessarão. Cada fodedor destinado ao serviço da noite irá buscar, trajando elegantes roupões, o amigo com quem se deitará, e que levará uma das esposas, ou um dos deflorados, quando for o caso, ou uma historiadora, ou uma velha, para passar a noite entre a esposa e seu fodedor, e tudo isso a seu bel-prazer e preso apenas à cláusula de se submeter a arranjos sensatos, que poderão variar de uma noite para outra.
Todo homem flagrado com uma mulher será punido com a perda de um membro, quando não tiver recebido a autorização de desfrutar dessa mulher. O menor ato religioso por parte de um dos sujeitos, seja qual for, será punido com a morte. É rigorosamente imposto aos amigos só empregar em todas as assembleias as palavras mais lascivas e debochadas, e as expressões mais sujas, fortes e blasfematórias.
O nome de Deus nunca será pronunciado senão acompanhado de xingamentos ou imprecações, que serão repetidos com a maior frequência possível. Quanto ao tom, será sempre o mais brutal, duro e imperioso com as mulheres e os meninos, mas submisso, canalha e depravado com os homens; os amigos, fazendo com eles o papel de mulheres, devem olhá-los como seus maridos. Um cavalheiro que desrespeitar essas regras, ou decidir ter o menor lampejo de razão e, sobretudo, passar um só dia sem se deitar bêbado, pagará dez mil francos de multa.
Seres fracos e acorrentados, destinados unicamente aos nossos prazeres, espero que não tenham tido a ilusão de que esse império tão ridículo como absoluto que podem ter em sociedade lhes fosse conferido neste local. Mil vezes mais submissas do que escravas, só devem esperar a humilhação, e a obediência deve ser a única virtude que lhes aconselho praticar: é a única que convém à situação em que se encontram. Não pensem, sobretudo, em fazer nenhum comércio com seus encantos. Demasiado indiferentes como somos a tais armadilhas, bem devem imaginar que conosco essas iscas não funcionam. Lembrem-se incessantemente de que nos serviremos de todas vocês, mas nem uma única deve se vangloriar de conseguir, sequer inspirar, o sentimento de piedade. Indignados com os altares capazes de nos arrancar alguns grãos de incenso, nosso orgulho e nossa libertinagem os quebram tão logo a ilusão satisfaz os sentidos, e em nós o desprezo quase sempre seguido de ódio substitui no mesmo instante o prestígio da imaginação. Aliás, o que vocês oferecem que já não saibamos de cor? O que oferecem que não pisoteamos, em geral no próprio instante do delírio? É inútil esconder que seu serviço será rude, penoso e rigoroso, e as menores faltas serão no mesmo instante castigadas com penas corporais e dolorosas. Portanto, devo recomendar-lhes o esmero, a submissão e uma abnegação total de si mesmas para escutar apenas os nossos desejos: que eles sejam as suas únicas leis, que acorram ao encontro deles, antecipem-se e os façam nascer. Não porque tenham muito a ganhar com esse comportamento, mas apenas porque teriam muito a perder ao não observá-lo. Examinem sua situação, o que são, o que somos, e que estas reflexões as façam tremer. Eis que vocês estão fora da França, na profundeza de uma floresta inabitável, mais para lá de montanhas escarpadas cujas passagens logo foram interrompidas depois que as transpuseram. Estão trancadas numa cidadela inexpugnável; ninguém sabe que estão aqui; foram subtraídas aos seus amigos, aos seus pais, já estão mortas para o mundo e só para nosso prazer é que respiram. E quais são os seres a quem agora estão subordinadas? Criaturas profunda e reconhecidamente nefandas, que só têm como deus a lubricidade, e como leis a depravação, e como freio a libertinagem; uns devassos sem deus, sem princípios, sem religião, dos quais o menos criminoso está conspurcado por mais infâmias do que vocês seriam capazes de mencionar e aos olhos de quem a vida de uma mulher, que digo, de uma mulher?, de todas as que habitam a superfície do globo é tão indiferente quanto a destruição de uma mosca. Haverá poucos excessos, com certeza, que não praticamos: que nenhum as repugne, prestem-se a eles sem pestanejar e enfrentem todos com paciência, submissão e coragem. Se infelizmente alguma sucumbir à intempérie de nossas paixões, que aceite bravamente a decisão; não estamos neste mundo para existir para sempre, e o que pode acontecer de mais venturoso a uma mulher é morrer jovem. Lemos para vocês regulamentos muito sensatos e muito adequados à sua segurança e aos nossos prazeres; escutem-nos cegamente, e esperem tudo de nossa parte se nos irritarem com seu mau comportamento. Algumas têm laços conosco, eu sei, que as orgulham talvez e pelos quais esperam indulgência. Cometeriam um grande erro se contassem com isso: nenhum laço é sagrado aos olhos de pessoas como nós, e quanto mais eles assim lhes parecer mais o seu rompimento excitará a perversidade de nossa alma. Portanto, é a vocês, filhas, esposas, que me dirijo neste momento, não esperem nenhuma prerrogativa de nossa parte; avisamos que serão tratadas até com mais rigor que as outras, justamente para fazê-las ver como são desprezíveis aos nossos olhos os laços com que nos
consideram talvez acorrentados a vocês. De resto, não esperem que sempre especifiquemos as ordens que queremos fazê-las cumprir: um gesto, um olhar, muitas vezes um simples sentimento interno de nossa parte as advertirão, e serão tão punidas por não os terem adivinhado e pressentido quanto seriam se, depois de notificadas, tivéssemos sentido uma desobediência de sua parte. Cabe-lhes interpretar nossos gestos, olhares, movimentos, decifrar sua expressão, e sobretudo não se enganar quanto aos nossos desejos. Pois suponhamos, por exemplo, que nosso desejo fosse ver uma parte de seu corpo e que viessem desajeitadamente oferecer outra: sintam a que ponto o equívoco desarranjaria nossa imaginação e considerem os riscos que há em esfriar a cabeça de um libertino que, imaginemos, esperasse apenas uma bunda para esporrar e a quem viessem imbecilmente apresentar uma boceta. De modo geral, sempre ofereçam muito pouco a parte da frente; lembrem-se de que essa parte infecta que a natureza só criou por insensatez é sempre a que mais nos dá nojo. E até quanto às suas bundas há precauções a tomar, tanto para dissimular, ao oferecê-las, o antro odioso que as acompanha, como para evitar fazer-nos ver em certos momentos esse cu num estado em que outros desejariam sempre encontrá-lo. Devem me ouvir e receberão, aliás, das quatro aias, instruções posteriores que acabarão de lhes explicar tudo. Em suma, tremam, adivinhem, evitem, e com isso, se não forem pelo menos muito afortunadas, talvez não serão totalmente infelizes. Aliás, nada de chamego entre vocês, nenhuma ligação, nada dessa imbecil amizade de moças que, amolecendo de um lado o coração, torna-o de outro mais intratável e menos disposto à simples humilhação para a qual as destinamos. Pensem que não é propriamente como criaturas humanas que as olhamos, mas apenas como animais alimentados para o serviço que esperamos, e que esmagamos aos pontapés quando se negam a isso. Viram a que ponto proibimos a vocês tudo o que pode aparentar um ato religioso; previno-as de que haverá poucos crimes mais severamente punidos do que esse. Sabemos muito bem que ainda há entre vocês algumas idiotas que não conseguem admitir a ideia de abjurar esse deus infame e abominar sua religião: estas serão cuidadosamente examinadas, não escondo, e não haverá extremos de que as pouparemos se, infelizmente, forem apanhadas em flagrante. Que se convençam, essas tolas criaturas, que se convençam, portanto, de que a existência de Deus é uma loucura que hoje não tem na terra inteira vinte seguidores, e que a religião que ele invoca não passa de uma fábula ridiculamente inventada por velhacos cujo interesse em nos enganar é atualmente mais que visível. Em suma, vocês mesmas poderão decidir: se houvesse um deus, e se esse deus tivesse poder, permitiria que a virtude que o honra e que professam fosse sacrificada como vai ser ao vício e à libertinagem? Permitiria, esse deus todo-poderoso, que uma fraca criatura como eu, que diante dele não seria mais do que um ácaro aos olhos do elefante, permitiria ele, digo, que essa fraca criatura o insultasse, ridicularizasse, desafiasse, enfrentasse e ofendesse, como faço com prazer a todo instante do dia?
Feito esse pequeno sermão, o duque desceu do púlpito e, com exceção das quatro velhas e das quatro historiadoras que bem sabiam que ali estavam mais como sacrificadoras, e sacerdotisas do que como vítimas, com exc
E agora, amigo leitor, prepare o seu coração e o seu espírito para o relato mais impuro que jamais foi feito desde que o mundo existe, pois livro semelhante não se encontra nem entre os antigos nem entre os modernos. Imagine que todo prazer honesto ou aconselhado por essa besta de que você fala incessantemente sem conhecê-la, e a que você chama de natureza, imagine que esses prazeres, digo eu, serão rigorosamente excluídos desta coletânea e que, quando porventura aqui estiverem, serão sempre acompanhados de algum crime ou coloridos por alguma infâmia. Sem dúvida, muitos desses desvios que você verá pintados lhe desagradarão, sabemos, mas haverá alguns que o inflamarão a ponto de lhe custar a porra, é disso que precisamos. Se não tivéssemos dito tudo, analisado tudo, não poderíamos imaginar o que é de seu agrado. Cabe a você pegar o que lhe agrada e deixar o resto; outro fará o mesmo; e aos poucos tudo terá encontrado o seu devido lugar. Aqui está a história de um magnífico banquete em que seiscentos pratos diferentes se oferecem ao seu apetite. Acaso você vai comer todos? Não, provavelmente, mas esse número prodigioso amplia os limites de sua escolha e, radiante com esse aumento de possibilidades, você não se atreve a ralhar com o anfitrião que o regala. Faça o mesmo aqui: escolha o que quiser e deixe o resto, sem reclamar desse resto só porque não tem o dom de agradar-lhe. Pense que agradará a outros, e seja filósofo. Quanto à diversidade, esteja certo de que é autêntica; estude bem a diversidade das paixões que parecem se assemelhar a outras, sem nenhuma diferença, e verá que essa diferença existe e que, por menor que seja, só ela tem, justamente, esse requinte, esse tato que distingue e caracteriza o gênero de libertinagem de que tratamos. Aliás, fundimos essas seiscentas paixões no relato das historiadoras: é mais uma coisa de que o leitor deve estar avisado. Teria sido muito monótono pormenorizá-las de outra maneira, uma a uma, sem fazê-las entrar no corpo do relato. Mas, como um leitor pouco versado nessas matérias poderia talvez confundir as paixões descritas com uma aventura ou um simples acontecimento da vida da narradora, diferenciamos com cuidado cada paixão com uma anotação à margem, acima da qual consta o nome que é possível lhe dar. Essa
marca mostra a linha exata em que começa o relato da paixão, e sempre há uma alínea onde ela termina. Mas como há muitos personagens em ação nessa espécie de drama, apesar do cuidado que tivemos de, nesta introdução, descrever e designar todos eles, vamos fazer um índice com o nome e a idade de cada ator e um leve esboço de seu retrato. Quando o leitor encontrar um nome que lhe seja desconhecido nos relatos, poderá recorrer a esse índice e, mais acima, aos retratos extensos, caso o leve esboço não baste para relembrar o que terá sido dito.
celerada
aias
Pariu e matou catorze filhos.
Harém dos meninos
ZÉLAMIR, treze anos, filho de um fidalgo do Poitou.
CUPIDON, mesma idade, filho de um fidalgo de perto de La Flèche.
NARCISSE, doze anos, filho de um homem bem colocado de Rouen, cavaleiro de Malta.
ZÉPHIRE, quinze anos, filho de um oficial-general de Paris; está destinado ao duque.
CÉLADON, filho de um magistrado de Nancy; tem catorze anos.
ADONIS, filho de um presidente de tribunal superior de Paris, destinado a Curval.
HYACINTHE, catorze anos, filho de um oficial de reserva da Champagne.
GITON, pajem do rei, doze anos, filho de um fidalgo do Nivernais.
Primeira Parte
Além da cláusula de escolher desconhecidas para ele, observei também aquela que me recomendou expressamente, relativa à idade: não tinha que ser abaixo dos quatro anos nem acima dos sete.
Desculpe — disse a Duclos —, vou já reparar meus erros e prestar atenção no futuro. O padre Louis tinha um membro muito comum, mais comprido que grosso e, no geral, de aspecto banal. Lembro até que custava para endurecer, e só ganhou certa consistência no instante da crise. Não masturbou minha boceta, contentou-se em alargá-la tanto quanto pôde com os dedos para que a urina escorresse melhor. Aproximou o caralho, pertinho, duas ou três vezes, e seu gozo foi denso, curto, e sem outras palavras depravadas a não ser: “Ai. Porra, mije logo, minha filha, mije logo; lindo chafariz, mije logo, mije logo, não vê que estou gozando?”. E entremeava tudo isso com beijos na minha boca que nada tinham de muito libertino.
Tudo parou: o gozo era visto como importante demais para que tudo não fosse suspenso quando alguém o desejasse e para que tudo não concorresse para torná-lo delicioso
há mil ocasiões em que a gente não quer um cu de mulher
agruras
Fazia muito frio; meu narizinho estava pingando, como é bastante comum em crianças. Quis assoá-lo. “Ah. Não, não”, disse Henri, se opondo, “sou eu que vou fazer essa operação, minha filha.” E me deitou na cama com a cabeça meio inclinada, sentou ao meu lado e puxou minha cabeça para o seu colo. Até parecia que nessa posição ele devorava com os olhos a secreção do meu nariz. “Ah. Que ranhosinha bonita”, disse meio extasiado, “que eu vou chupar.” Então, curvando-se sobre a minha cabeça e metendo na boca todo o meu nariz, não só devorou aquele monco que me cobria, como até dardejou, lúbrico, a ponta da língua nas minhas narinas, alternadamente, e com tanta arte que provocou dois ou três espirros que redobraram o ranho escorrendo, que ele desejava e devorava tão ávido
Vinte entradas os substituíram e logo foram, por sua vez, substituídas por vinte outras entradas finas, compostas apenas de peitos de aves, caças apresentadas de todas as formas. Sucedeu-se um serviço de assado em que foi servido tudo o que se pode imaginar de mais raro. Em seguida, chegou a vez da pastelaria fria, que logo deu lugar a vinte e seis pratos de todos os aspectos e formas. Estes foram retirados e se substituiu o que acabava de sair por uma seleção completa de doces frios e quentes. Por fim chegou a sobremesa, que ofereceu uma quantidade prodigiosa de frutas, apesar da estação, e depois os sorvetes, o chocolate e os licores, que foram tomados à mesa. Quanto aos vinhos, variaram a cada serviço: no primeiro, o bourgogne, no segundo e no terceiro, duas diferentes espécies de vinhos da Itália, no quarto, o vinho do Reno, no quinto, vinhos do Ródano, no sexto, o champanhe espumante e vinhos gregos de duas qualidades com dois diferentes serviços
O duque, embriagado, disse que agora só queria beber a urina de Zelmire e engoliu dois grandes copos que a mandou encher depois de mandá-la subir na mesa e ficar de cócoras sobre o seu prato.
O bispo, cujas paixões eram cruelmente excitadas pelos obstáculos que antes encontrara, apoderou-se do cu sublime de Antínoo enquanto era enrabado por Hercule, e, vencido por essa sensação e pelo serviço importante e tão desejado que Antínoo certamente lhe prestou, descarregou enfim torrentes de sêmen tão precipitadas e acres que desmaiou de êxtase. Os vapores de Baco acabaram de acorrentar os sentidos embotados pelo excesso de luxúria, e nosso herói passou do desmaio a um sono tão profundo que foram obrigados a levá-lo para a cama
SEGUNDO DIA
narração
Hoje um, amanhã outro, é preciso ser puta, minha filha, puta na alma e no coração.
Isso tem a ver com a história do coração humano, e é disso particularmente que tratamos.
Acaso ela nos dá a felicidade ao nos dar à luz?… Pois sim. Joga-nos num mundo repleto de escolhos, e cabe a nós safarmo-nos como for possível.
Dispam-na
Mas dispa-se; dispa-se logo
despem
O homem com quem ia ficar não tinha mais que vinte e seis ou trinta anos. Assim que ela entrou, ele a pôs sentada num banquinho muito alto, destinado a essa cerimônia. Mal sentou, ele soltou todos os grampos que prendiam sua cabeleira e deixou flutuando até o chão uma floresta de cabelos louros magníficos que ornavam a cabeça dessa bela moça. Pegou no bolso um pente, penteou-os, desembaraçou-os, mexeu neles, beijou-os, entremeando cada gesto com um elogio à beleza daquela cabeleira que o ocupava tão exclusivamente. Por fim, tirou das calças um caralhinho franzino e muito duro, que ele enrolou prontamente nos cabelos de sua dulcineia e, masturbando-se com as madeixas, gozou passando a outra mão em volta do pescoço de Rosalie, e, prendendo-lhe a boca nos seus beijos, desembrulhou seu instrumento morto. Vi os cabelos da minha colega todos pegajosos de porra; ela os limpou, prendeu-os de novo e nossos amantes se separaram.
Então examinou meu traseiro com a atenção mais escrupulosa, sempre tapando, com a mão, a boceta à vista, que ele parecia temer mais que o fogo.
Quadro dos projetos para o resto da temporada
Que delícia inundar de porra uma bunda dessa.’. Levantou-se assim que terminou e deu o fora, sem sequer demonstrar o menor desejo de saber com quem tivera relação.
uma fita nos cabelos a indicar a quem pertenciam
basta tão pouco para desagradar a um libertino
uma mulher grávida os divertia
Agarrou este último e, jogando-o de costas sobre um sofá, meteu nele, xingando, seu membro enorme entre as coxas, por trás, e como o enorme instrumento ultrapassava mais de seis polegadas pelo lado da frente, mandou que o rapazinho tocasse punheta com toda a força nessa parte saliente, e começou ele mesmo a masturbar o menino em torno do pedaço de carne pelo qual o mantinha espetado. Enquanto isso, apresentava à assistência um cu tão sujo como largo, cujo olho impuro acabou tentando o duque. Vendo aquele cu ao seu alcance, cravou ali dentro seu nervoso instrumento, continuando a chupar a boca de Zéphire, operação que iniciara antes que lhe ocorresse a ideia que executava. Curval, que não esperava um ataque desses, blasfemou de alegria. Sapateou, abriu-se, prestou-se àquilo. Nesse instante, a jovem porra do menino encantador que ele masturbava começa a pingar na cabeça enorme de seu instrumento em furor. A porra quente com que ele se sente molhado, as reiteradas metidas do duque que também começava a esporrar, tudo o arrasta, tudo o determina, e torrentes de um esperma espumoso vão inundar o cu de Durcet, que fora se postar ali, bem na frente dele, para que, conforme dizia, nada se perdesse, e cujas nádegas alvas e roliças foram suavemente encharcadas por um leite mágico que ele teria preferido sentir nas entranhas.
pintar o vício com as mais belas cores
Sem voltar para ver o resultado de seu trabalho?
— Não, excelência, ele tinha certeza do resultado; nunca havia falhado com nenhuma.
Este não queria ver, queria ser visto. E, sabendo que havia homens cuja fantasia era flagrar as volúpias dos outros, pediu à Guérin para esconder um homem com esse gosto, que lhe oferecesse o espetáculo de seus prazeres. A Guérin avisou ao homem que eu acabava de divertir, dias antes, junto ao buraco; e, sem lhe dizer que o outro sabia muito bem que seria visto, o que perturbaria suas volúpias, o levou a crer que ele ia flagrar, muito à vontade, o espetáculo que iriam lhe oferecer. O espião foi trancado no quarto do buraco, com minha irmã, e fui encontrar o outro. Era um rapaz de vinte e oito anos, belo e vigoroso. Instruído sobre o lugar do buraco, instalou-se sem dissimulação bem em frente e me pôs ao seu lado. Masturbei-o. Assim que ficou de pica empinada, levantou-se, mostrou-a ao espião, virou-se, mostrou a bunda, arregaçou minhas roupas, mostrou a minha, ajoelhou-se diante dela, esfregou o meu ânus com a ponta do nariz, abriu-o bem, mostrou tudo, deliciado e rigoroso, e gozou se masturbando, enquanto me mantinha de bunda de fora, na frente do buraco, de tal maneira que quem o ocupasse visse ao mesmo tempo, nesse instante decisivo, tanto minhas nádegas como o caralho em fúria do meu amante. Se este se deliciou, Deus sabe o que o outro sentiu. Minha irmã disse que ele estava nas nuvens, e confessava nunca ter tido tanto prazer, e depois disso as nádegas dela ficaram encharcadas, pelo menos tanto quanto as minhas.
Há poucas mais deliciosas que esta: falo das duas coisas, pois é tão bonito flagrar como querer sê-lo.
E, agarrando o rapazinho, deitou-o de bruços, enfiou-lhe o caralho nas coxas. O libertino estava nas nuvens, os pentelhos de sua pica roçavam no olho lindinho que ele adoraria perfurar; uma de suas mãos apertava as nádegas do delicioso amorzinho, a outra masturbava seu caralho. Grudava a boca na do belo menino, chupava o ar de seu peito, engolia a saliva. O duque, para excitá-lo com o espetáculo de sua libertinagem, colocou-se na frente dele, lambendo o olho do cu de Cupidon, o segundo dos meninos que serviam o café nessa noite. Curval foi, diante de seus olhos, ser masturbado por Michette, e Durcet lhe ofereceu a bunda aberta de Rosette. Todos trabalhavam para lhe proporcionar o êxtase a que ele aspirava; aconteceu, seus nervos estremeceram, os olhos se esfoguearam; pareceria assustador para qualquer outro que não conhecesse os efeitos terríveis de sua volúpia. Finalmente a porra escapou e escorreu pelas nádegas de Cupidon, que no último instante alguém teve o cuidado de colocar debaixo do seu coleguinha para receber as provas de virilidade que, no entanto, não lhe eram devidas.
Fiquei diante dos olhos dele, bem pertinho do buraco, batendo punheta nesse bom campônio, ciente de tudo e que achava muito agradável ganhar assim um dinheirinho.
um caralho bem comprido mas meio magro, que ele sacudia vigorosamente fazia mais de uma hora sem nenhum resultado, resolve arrebitar a cabeça. A moça toma posição, o financista vem por trás lhe meter sua cobrinha debaixo do sovaco, ela aperta o braço, formando naquele local, tive a impressão, um cantinho bem apertado. Enquanto isso, naquela pose ele desfruta da visão e do odor da outra axila; agarra-a, enterra ali o seu focinho inteiro e esporra lambendo, devorando essa parte que lhe dá tanto prazer.
aromas fortes, melhor despertava nele os órgãos do prazer.
cheirando o cu
um velho devasso verruguento que, com cara de bêbado, perguntou grosseiramente à madame se a puta estava bem suja
proibido limpar até mesmo o traseiro
quanto mais aquele líquido parecia estragado por causa das imundícies, mais agradava ao nosso libertino
agarrado ao pé repugnante de Fanchon
— Pois eu entendo tudo isso — disse Durcet. — É preciso tomar distância para ouvir todas essas infâmias; a saciedade as transforma em libertinagem, que as executa na mesma hora. Estamos fartos de coisa simples, a imaginação se ressente, e a modéstia de nossos meios, a fraqueza de nossas faculdades, a corrupção de nosso espírito nos conduzem a abominações.
Em suma, recebia apenas caolhas, cegas, mancas, corcundas, pernetas, manetas, desdentadas, mutiladas de alguns membros ou flageladas e marcadas a ferro ou claramente aviltadas por algum outro ato de justiça; e sempre, além disso, de idade mais madura. Na cena que flagrei, tinham lhe dado uma mulher de cinquenta anos, marcada a ferro como ladra pública e, além do mais, caolha. Essa dupla degradação pareceu-lhe um tesouro. Tranca-se com ela, manda-a ficar nua, beija embevecido em seus ombros os sinais inequívocos do aviltamento, chupa com ardor cada sulco daquela ferida que ele chamava de honrosa. Feito isso, toda a sua chama se concentrou no olho do cu, e ele entreabriu as nádegas, beijou deliciosamente o buraco murcho ali no meio, chupou-o muito tempo e, voltando a se postar escanchado sobre a moça de bruços, esfregou o caralho nas marcas a ferro que ela trazia da Justiça, elogiando-a por ter merecido esse triunfo; e, debruçado sobre o seu traseiro, consumou o sacrifício beijando de novo o altar em que acabava de prestar, assim, uma longa homenagem, e derramou uma porra abundante sobre aquelas marcas lisonjeiras que tão bem o tinham excitado.
quase morria de bebedeira
gostamos de encontrar num menino o que o torna parecido com uma menina; e a menina é bem mais interessante quando exibe, para agradar, o sexo que gostaríamos que ela tivesse
essa boca adorável tinha o defeito de deixar escapar a todo instante uma chuva de arrotos;
Há razão em dizer que não existe defeito que não tenha um admirador
Vê que estou de estômago revirado e fica em êxtase: ‘Coragem, menina’, exclama, ‘coragem. Não vou perder nem uma gota
lanço-lhe à queima-roupa, na boca, toda a digestão imperfeita de um jantar que o emético me fez vomitar. Nosso homem está nas nuvens, extasia-se, engole, vai ele mesmo buscar em meus lábios a ejaculação impura que o embriaga, não perde uma gota, e, quando pensa que a operação vai terminar, me provoca novo engulho fazendo cócegas com sua língua; e seu caralho, que eu mal toco, de tão destruída que estou com minha crise, esse caralho que talvez só se excite com essas infâmias, incha, ergue-se sozinho e deixa, chorando entre meus dedos, a prova insuspeita das impressões que aquela imundície lhe proporciona.”
só estimo a volúpia pelo que tem de mais imundo e repugnante.
os dois vomitam um na boca do outro, os dois engolem e devolvem mutuamente o que pegam do outro
O sujeito pega os pedaços com a mão, enfia-os na boceta aberta de sua dulcineia, vira-os e revira-os e só os come depois de estarem completamente impregnados dos sais que a vagina produz.”
Ninguém quer a sua boceta, nem o seu regaço; aqui só se precisa do seu cu
Logo depois agarra minhas nádegas, abre-as, põe a boca aberta no buraquinho, colando-a hermeticamente, e em seguida, conforme a ordem que recebi e a necessidade urgente que eu sentia, solto-lhe no fundo da goela o peido mais sonoro que ele deve ter recebido na vida. Retira-se, furioso: ‘Como assim, sua insolentezinha’, me diz, ‘tem o atrevimento de peidar na minha boca?’ E logo a recoloca ali: ‘Sim, senhor’, digo, largando um segundo petardo, ‘é assim que trato quem beija o meu cu.’ ‘Pois bem. Peide, então peide, safadinha. Já que não consegue se segurar, peide tanto quanto quiser e tanto quanto puder.’ A partir daí, já não me contenho, nada é capaz de expressar a necessidade que a droga que engoli me deu de soltar aqueles traques; e que nosso homem, em êxtase, recebe ora na boca, ora nas narinas. Depois de uns quinze minutos desse exercício, ele enfim se deita num sofá, me puxa, sempre com o nariz enfiado na minha bunda, me manda bater-lhe punheta nessa posição, continuando um exercício que lhe provoca prazeres tão divinos. Eu peido, masturbo, sacudo um caralho mole e nem mais comprido nem mais gordo que o dedo; de tanto sacudir e peidar, finalmente o instrumento endurece. O auge do prazer de nosso homem, no instante da crise, me é anunciado por uma perversidade redobrada. É sua própria língua que, agora, provoca meus peidos; é ela que ele espeta no fundo do meu ânus para provocar os traques, é sobre ela que quer que os solte, e fica desvairado, perde a cabeça, percebo, e o instrumento feiosinho vai regar tristemente meus dedos com sete ou oito gotas de um esperma claro e amarronzado que afinal lhe devolve a razão.
Eu, que lhes falo, fiquei de pica retesada ao roubar, ao assassinar, ao incendiar, e estou absolutamente certo de que não é o objeto da libertinagem que nos anima, mas a ideia do mal; que, por conseguinte, é só pelo mal que sentimos tesão, e não pelo objeto, de tal modo que, se esse objeto for desprovido da possibilidade de nos fazer praticar o mal, já não sentiremos tesão por ele.
— Há apenas dois ou três crimes a cometer no mundo — disse Curval — e, cometidos estes, tudo está dito; o resto é inferior e não nos faz sentir mais nada. Quantas vezes, diachos, não desejei que se pudesse atacar o sol, privar dele o universo, ou dele se servir para incendiar o mundo? Isso, sim, seriam crimes, e não os pequenos desmandos a que nos entregamos, que se limitam a metamorfosear, ao fim de um ano, uma dúzia de criaturas em montes de terra.
Tínhamos na casa de Madame Fournier um velho cliente a quem chamávamos de cavaleiro, não sei por que nem como, cujo costume era ir regularmente toda noite à casa para uma cerimônia tão simples quanto bizarra: desabotoava a cueca e cada uma de nós, por sua vez, tinha de ir defecar ali dentro. Ele logo a reabotoava e saía muito depressa, levando aquele fardo. Enquanto o abastecíamos, masturbava-se um pouco, mas nunca o víamos gozar e também não sabíamos aonde ia com aquele cagalhão dentro das calças.
Empurrando brutalmente a menina para longe, o padre, mal termina, ajeita-se, diz que o enganaram ao lhe afirmarem que mandariam aquela criança cagar, mas que com toda a certeza ela não cagara e ele tivera que engolir a metade de seu cocô. Convém observar que o senhor padre só queria mesmo era o leite. Esbraveja, blasfema, xinga, diz que não vai pagar, que nunca mais vai voltar; indaga se valeu mesmo a pena deslocar-se de casa por umas fedelhazinhas como aquela. E vai embora soltando mil outros palavrões, que terei ocasião de lhes contar durante uma outra paixão em que eles são o essencial, em vez de contá-los aqui, quando seriam apenas um insignificante acessório.
— “Olhe aqui”, me disse um dia a pequena Eugénie, que começava a se familiarizar conosco e que seis meses de bordel tinham deixado ainda mais bonita, “olhe, Duclos”, ela me disse enquanto se arregaçava, “como Madame Fournier quer que eu fique com a bunda o dia todo.” E, ao dizer isso, mostrou-me uma camada de merda de uma polegada de espessura que cobria inteiramente seu lindo buraquinho. “E o que ela quer que você faça com isso?”, perguntei. “É para um velho que vem esta noite”, ela disse, “e quer me encontrar com merda no cu.” “Pois então”, eu disse, “ele vai ficar contente, já que é impossível ter mais que isso.”
Levanta-se, beija de novo a menina, expõe-lhe um cu sujo, enorme e horroroso que manda ela apertar e sodomizar; a operação torna a deixá-lo com tesão, ele agarra a bunda de minha colega, cobre-a de mais beijos e, como o que fez depois não é da minha conta, nem entra nestas narrações preliminares, os senhores hão de concordar que eu deixe por conta de dona Martaine a função de lhes falar dos desregramentos de um celerado que ela conheceu muito bem, e até para evitar todas as perguntas dos senhores, às quais eu não poderia, de acordo com suas próprias leis, responder, vou passar a outros pormenores.
Gostava muito pouco dos homens e tive apenas um relacionamento. Em mim, só a cabeça era de libertina, mas o era extraordinariamente, e, depois de ter lhes descrito meus atrativos, é muito justo que fale um pouco de meus vícios. Amei as mulheres, senhores, não escondo. Não tanto, porém, como minha querida colega, Madame Champville, que com certeza lhes dirá que se arruinou por causa delas; mas sempre as preferi aos homens para os meus prazeres, e os que me proporcionaram sempre tiveram sobre meus sentidos um domínio mais forte que as volúpias masculinas. Além disso, tive o defeito de gostar de roubar: é inacreditável a que ponto levei essa mania. Absolutamente convencida de que todos os bens devem ser iguais na terra, e que só a força e a violência se opõem a essa igualdade, primeira lei da natureza, tentei corrigir o destino e restabelecer o equilíbrio da melhor forma possível. E sem essa maldita mania talvez ainda estivesse com o mortal benfeitor de quem vou lhes falar.
Ao que eu saiba, nunca na vida chorei, nem por meus males, menos ainda pelos dos outros. Amei minha irmã e a perdi sem a menor dor: os senhores foram testemunhas da indiferença com que acabo de saber de sua morte. Eu veria, graças a Deus, o universo perecer e não derramaria nem uma lágrima.
— Assim é que se deve ser — disse o duque —; a compaixão é a virtude dos idiotas, e, bem examinando, vemos que é sempre ela que nos faz perder volúpias. Mas, com esse defeito, deve ter cometido crimes, pois a insensibilidade leva direto a isso, não é?
Apesar de todos esses defeitos e, mais que tudo, de desconhecer totalmente o sentimento humilhante da gratidão, que eu só admitia como um peso injurioso à humanidade e que degrada por completo o orgulho que recebemos da natureza, apesar de todos esses defeitos, dizia, minhas companheiras gostavam de mim e, de todas, eu era a mais procurada pelos homens
Então, instalando-se muito à vontade diante do objeto de seu culto, cola a boca e lhe deposito quase de imediato um pedaço de cocô do tamanho de um ovinho. Ele o chupa, vira-o e revira-o mil vezes na boca, mastiga-o, saboreia-o, e, dois ou três minutos depois, vejo-o claramente engoli-lo.
Nunca comi merda mais deliciosa, vou reconhecer isso diante de toda a terra. Dê, dê, meu anjo, me dê esse belo cu para eu chupar, para devorá-lo de novo
minha única ocupação seria comer muito e sempre o que me serviriam, porque fazendo o que ele fazia era essencial que me mandasse comer segundo seus preceitos, comer bem, digo eu, dormir bem, para que as digestões fossem fáceis, me purgar regularmente todos os meses e lhe cagar na boca duas vezes por dia; que esse total não devia me assustar porque, me entupindo de comida como ele ia receitar, talvez eu tivesse mais vontade de fazer três do que duas vezes.
Estava condenada a fazer quatro refeições, das quais se excluía uma infinidade de coisas que, porém, eu adorava, como peixe, ostras, produtos salgados, ovos e laticínios de todo tipo; mas eu era tão bem recompensada com outras coisas que, na verdade, queixar-me teria sido birra de minha parte. A base do meu cardápio corrente consistia numa imensidão de peitos de aves, caça desossada servida de todas as maneiras, pouca carne vermelha, nenhuma espécie de gordura, muito pouco pão e fruta. Tinha de comer esses tipos de carnes mesmo de manhã, no pequeno almoço, e à noite, como lanche;
Desse regime resultavam, como ele previra, duas evacuações por dia, muito brandas, muito moles e com um gosto mais delicioso, ele afirmava, o que não podia acontecer com uma alimentação corrente; e eu devia acreditar, pois ele era um especialista
ele sempre começava chupando muito tempo minha boca, que eu sempre tinha de apresentar no estado natural, sem nunca estar lavada; só depois é que podia enxaguá-la
Quanto ao padre, era o mais orgulhoso ateu que se podia ver: as blasfêmias voavam de seus lábios quase a cada palavra
emprestamos de tão bom grado nossas amantes como nossas bolsas
ele examinava escrupulosamente o cocô sair do meu traseiro, espetáculo delicioso que o inebriava de prazer, como dizia.
perguntei que necessidade tinha de eu lhe beijar o cu. ‘A maior, meu coração’, respondeu, ‘pois meu cu, o mais caprichoso de todos os cus, jamais caga a não ser quando o beijam.’ Obedeço, mas sem me arriscar, e ele, ao se dar conta: ‘Mais perto, porra. Mais perto, senhorita’, diz-me imperiosamente. ‘Então está com medo de um pouco de merda?’ Afinal, por condescendência, levei os lábios às imediações do buraco; mas, mal os sentiu, começou a despejar, e a irrupção foi tão violenta que uma de minhas faces ficou toda borrada
Ele confiava plenamente, dizia, em minha honestidade; eu devia ver o perigo a que o exporia maltratando minha saúde, e ele me deixava senhora de tudo
já que graças a isso minha noite terminou, pois já estava se alongando muito
E que objeto ele escolhia, santo Deus. Tinha ela então sessenta e oito anos feitos; uma erisipela comia toda a sua pele e oito dentes podres que enfeitavam sua boca lhe davam um cheiro tão fétido que era impossível estar perto dela. Mas eram esses próprios defeitos que encantavam o amante com quem ficaria.
o médico bebe, sem dúvida algum cocô se mistura ao líquido, tudo passa, o libertino esporra e cai para trás, morto de bebedeira. Era assim que esse debochado satisfazia ao mesmo tempo duas paixões: a embriaguez e a lubricidade
O bispo oficiou, uniram-se os noivos e permitiram-lhes fazer, um diante do outro e na frente de todos, o que bem entendessem. Mas quem acreditaria? A ordem já estava sendo executada, e o rapazinho, que se instruía muito bem, embevecido com o corpo de sua mulherzinha e não conseguindo enfiar nela, ia, porém, desvirginá-la com os dedos se o deixassem fazer. Opuseram-se a tempo, e o duque, agarrando-a, fodeu-a nas coxas imediatamente, enquanto o bispo fazia o mesmo com o noivo
cuja pica turbulenta começava a gesticular.
Fanchon se aproxima da vítima; o coração dessa pobrezinha miserável se sobressalta de antemão. Curval ri, aproxima o traseiro feio e sujo daquele rostinho mimoso e nos dá a ideia de um sapo que vai destruir uma rosa. Masturbam-no, a bomba parte. Sophie não perde uma migalha, e o crápula vai de novo mamar o que expeliu e engole tudo em quatro bocados, enquanto o masturbam em cima do ventre da pobrezinha desgraçada que, feita a operação, vomita tripas e bofes no nariz de Durcet, que, entusiasmado, vai receber aquilo e se masturbar sendo coberto de vômito.
Solte um peido, ande.
a linda bocetinha o mais aberta possível, e tão na altura do traseiro do nosso homem que ele pode usá-la como um penico
Depois de encher a menina e a linda bocetinha de merda, de enfiá-la e reenfiá-la ali, essa foi sua delícia suprema. Tira da braguilha, sempre se agitando, uma espécie de caralho; por mais mole que esteja, sacode-o e consegue, ocupando-se de sua tarefa repugnante, jogar no chão gotas de um esperma escasso e murcho, cuja perda ele devia lastimar pois só decorria daquelas infâmias.
Era um velho conselheiro de tribunal superior. Eu tinha não só de olhá-lo cagar, como de ajudá-lo, facilitar com meus dedos o escoamento da matéria apertando, abrindo, comprimindo de propósito o ânus, e, feita a operação, limpar com minha língua e todo o cuidado a parte que acabava de se sujar.”
nunca lhe agradamos mais do que com esmolas
mal ele virou as costas, bani de meu coração todos esses sentimentos fúteis de gratidão que teriam detido uma alma fraca, afastei qualquer arrependimento e fraqueza e, considerando apenas meu ouro, o doce encanto de possuí-lo e as cócegas deliciosas que sentimos sempre que projetamos uma má ação, prognóstico certo do prazer que ela propiciará, me concentrando apenas nisso, digo eu, despejei de imediato as duas doses num copo de água e apresentei a bebida à minha doce amiga, que as engoliu com firmeza e logo encontrou a morte que eu tentava lhe dar. Não consigo descrever o que senti quando vi minha missão dar certo. Cada vômito com que sua vida se exalava produzia uma sensação de fato deliciosa em todo o meu organismo: eu a escutava, observava, me sentia totalmente inebriada. Ela me estendia os braços, me dirigia um último adeus, e eu gozava, e já fazia mil planos para aquele ouro que ia possuir. Não demorou muito; a Fournier morreu na mesma noite e me vi dona da bolada.
os tormentos que infligem são deleites.
a malícia de ter dado o pontapé final numa vítima que antes você só tinha acidentalmente esfolado
não deixo nada debaixo de véus
Que corpo. Como descrevê-lo, senhores? Não era mais que uma úlcera, pingando pus sem parar, dos pés à cabeça, cujo cheiro fétido se sentia até no quarto vizinho, onde eu estava. Essa era, porém, a bela relíquia que se devia chupar
será que está com nojo de mim? Mas tem que me chupar, sua língua tem que lamber todas as partes do meu corpo. Ah. Não se faça de enojada. Outras além de você o fizeram; vamos, ande, nada de não me toques.”
nunca imaginei que as tetas pudessem realmente servir para outra coisa além de limpar bundas.
é verdade, é certo que as mamas são uma coisa muito infame. Sempre que as vejo, fico furioso; ao vê-las sinto um certo fastio, uma certa repugnância… Só a boceta me faz sentir algo pior.
Entregou-me um traseiro gordo e feio cujas peles eram como pergaminho; eu tinha de amassar aquela bunda, manuseá-la, apertá-la com toda a força, mas, quando cheguei ao buraco, nada parecia violento o suficiente para ele; tinha de pegar as peles dessa parte, esfregá-las, beliscá-las, apertá-las fortemente entre os dedos, e só com o vigor dessa operação é que ele espalhava sua porra
Nas orgias, largaram umas fezes em cima das tetas e fizeram muitos cus cagar; o duque comeu na frente de todo mundo o cocô da Duclos, enquanto essa bela moça o chupava e as mãos do devasso se perdiam por vários lados; sua porra saiu em abundância, e, depois que Curval o imitou com a Champville, falaram enfim de ir se deitar.
Estavam então no almoço, no aposento das meninas; ela recebeu ordem de ir lá, o presidente cagou no meio do quarto e a instaram a ir de gatinhas devorar o que aquele homem cruel acabava de fazer. Ela se jogou de joelhos, pediu desculpas, nada o comoveu; pois a natureza pusera bronze naquelas entranhas, em vez de um coração.
Não — disse Durcet, manipulando o cocô —, não é verdade: fezes de indigestão são moles, e isto é um cocô muito saudável.
O duque disse que não entendia como as leis na França castigavam a libertinagem, já que a libertinagem, ao ocupar os cidadãos, os distraía das cabalas e revoluções; o bispo disse que as leis não eram contra propriamente a libertinagem, mas contra seus excessos. Então os analisaram, e o duque provou que nenhum deles era perigoso, não havia nenhum que pudesse ser suspeito para o governo, e que portanto era não só cruel como absurdo querer criticar essas minudências. Das palavras passaram aos atos.
Nem reverá — disse Desgranges —; a orgia que lhe propuseram foi a última de sua vida
Depois que esse bom padre masturbava a boceta com a língua e chupava bem a boca, ela devia chicoteá-lo ligeiramente com umas varas, só no caralho e nos colhões, e ele gozava sem endurecê-lo, só com ela esfregando, só com a aplicação das varas nessas partes
Aí está uma bunda, presidente, que pode competir com a sua.
gostaria que desentupisse em cima de mim a latrina de suas tripas, que seu cu fedesse bastante a merda e que sua boceta cheirasse a peixe
Fazia mais de quarenta e cinco minutos que eu o espancava com toda a força, ora com as varas, ora com o chicote, e não via minha tarefa avançar. Nosso devasso, imóvel, não se mexia mais do que se estivesse morto; parecia saborear calado os movimentos internos da volúpia que recebia dessa operação, mas nenhum vestígio externo, nenhuma aparência de que ela se manifestasse, quando nada, em sua pele. Afinal, bateram duas horas, e eu estava na labuta desde as onze; de repente, vejo-o levantar os quadris, afastar as nádegas; passo e repasso as varas por certos lugares, continuo a espancá-lo; ele solta um cagalhão, eu o açoito, minhas chicotadas vão fazer a merda voar e cair no chão.
imite-me, preciso que me dê merda para que eu lhe dê porra
Constance e Zelmire voltaram chorando
Aqui estão cem luíses — ele disse, ao recebê-los —, que me servirão para pagar uma multa a que temo em breve ser condenado.
Esta é mais uma coisa que pedimos ao leitor que nos permita explicar apenas quando acontecer, mas que ele se limite a ver como esse celerado previa de antemão seus erros e como se importava com a punição que deviam merecer, sem se dar ao menor trabalho de preveni-los ou evitá-los.
De feminino, esse homem singular só queria a roupa; de fato, queria mesmo é que fosse um homem e, me explicando melhor, era por um homem vestido de mulher que o devasso queria ser espancado. Só vendo de que arma se servia. Não imaginem os senhores que fossem varas; era com um molho de caniços de vime que se devia dilacerar barbaramente suas nádegas
é irreplicável que um rapaz vale mais que uma moça.
Incontestavelmente — retrucou Curval —, mas eu poderia lhe dizer que há certas objeções a esse sistema e que, para prazeres de determinado tipo, como, por exemplo, aqueles de que nos falarão Martaine e Desgranges, uma moça vale mais que um rapaz.
ine e Desgranges, uma moça vale mais que um rapaz.
— Nego — disse o bispo —; e até para esses a que você se refere o rapaz vale mais que a moça. Considere-o pela perspectiva do mal, que é quase sempre o verdadeiro encanto do prazer, e o crime lhe parecerá maior com uma criatura totalmente da sua espécie do que com outra de espécie diferente, e a partir daí a volúpia é dupla
— Até isso continua a existir — respondeu o bispo. — Se a vítima é mesmo sua, esse domínio que, em tais casos, você acredita mais certo existir com uma mulher do que com um homem resulta apenas do preconceito, vem apenas do costume que, comumente, submete mais aquele sexo aos seus caprichos do que o outro. Mas rejeite por instantes esses preconceitos de opinião e veja se o outro sexo está perfeitamente acorrentado a você: nesse caso, terá a sensação de um crime maior, e necessariamente a sua lubricidade deve dobrar.
— Penso como o bispo — disse Durcet —, e, desde que se tenha certeza de que o domínio está bem estabelecido, creio que é ainda mais delicioso exercer o abuso da força com seu semelhante do que com uma mulher.
O duque foi espancado até sangrar por Hercule, Durcet por Pica-Pro-Céu, o bispo por Antínoo e Curval por Rebenta-Cu; o bispo, que não tinha feito nada durante o dia, esporrou nas orgias, dizem, e comendo o cocô de Zélamir, que o conservava fazia dois dias. E foram se deitar.
É muito malvisto dizer que, para provocar prazeres, a boca de uma mulher ou de um rapaz deva ser absolutamente saudável. Deixemos as manias de lado, e admito que quem deseja uma boca fedorenta age apenas por depravação, mas admita, por sua vez, que uma boca sem o menor cheiro não dá nenhum prazer ao ser beijada: sempre deve haver uma pitada de sal, um toque picante em todos esses prazeres, e esse picante só existe num pouco de sujeira. Por mais limpa que seja a boca, o amante que a chupa faz ali, com toda a certeza, uma sujeira, sem desconfiar de que é essa própria sujeira que lhe agrada. Reforçando um pouco esse gesto, vai querer que a boca tenha algo de impuro: é muito bom que não cheire a podridão ou a cadáver, mas que não tenha cheiro de leite nem de criança: afirmo que assim deve ser a boca. Portanto, o regime que faremos ser seguido terá, no máximo, o inconveniente de alterar um pouco a boca, mas sem estragar, e é só disso que se precisa.
— Um homem que ainda não tínhamos visto — disse essa moça amável — veio nos propor uma cerimônia bem esquisita: tratava-se de prendê-lo no terceiro degrau de uma escada de pintor; nesse terceiro degrau amarramos seus pés, e o resto do corpo, na altura onde batia, enquanto as mãos foram amarradas para cima no alto da escada. Para essa cena, ele ficou nu; tínhamos de flagelá-lo com toda a força, e com a parte grossa das varas quando as pontas estivessem gastas. Como estava nu, não era preciso tocá-lo, nem ele mesmo se tocava; mas, ao fim de certa dose de pancadaria, seu instrumento monstruoso tomou impulso, o vimos balançar entre os degraus como o badalo de um sino e pouco depois, impetuoso, lançar sua porra no meio do quarto. Então o soltamos, ele pagou, e assunto encerrado.
“No dia seguinte nos mandou um amigo, cujo caralho e colhões, nádegas e coxas deveríamos espetar com uma agulha de ouro; só gozaria quando estivesse sangrando. Eu mesma me encarreguei dele, e, como ele me mandava ir cada vez mais fundo, foi enfiando quase toda a agulha na glande que vi jorrar sua porra em minha mão. Depois de lambê-la, atirou-se em minha boca, chupou-a prodigiosamente, e ponto final.
“Um terceiro, outro conhecido dos dois primeiros, me mandou flagelá-lo com cardos em todas as partes do corpo, indistintamente. Deixei-o sangrando; ele se olhou num espelho e ao se ver nesse estado largou a porra, sem tocar em nada, sem apalpar nada, sem nada exigir de mim.
chamando-o de libertinozinho, sujeitinho malvado e outras invectivas infantis que o faziam gozar com muita volúpia.
Cinco vezes por semana uma cerimônia dessa devia ser executada em minha casa, mas sempre com uma moça diferente e previamente informada, e em troca eu recebia vinte e cinco luíses por mês.
Ande logo, seu safadinho, seu sujinho. Então é assim que você come merda? Ah. Vou lhe ensinar, pilantrinha, como fazer essas infâmias.’
Nosso homem estremece, tenta de novo: idêntico nojo. Então Lucile, já sem poupá-lo, abaixa suas calças e, vendo uma bunda feia, toda encarquilhada, toda escoriada por operações semelhantes, queima-lhe de leve as nádegas. O devasso xinga, Lucie recomeça e acaba por queimá-lo com força no meio do traseiro; a dor, enfim, decide por ele, e ele dá uma mordida; ela torna a excitá-lo com outras queimaduras, e no final tudo é comido
Um de seus amigos, que ele me mandou no dia seguinte, a levava, porém, a meu ver, bem mais longe; com a única diferença de que, em vez de queimar suas nádegas, era preciso espancá-lo fortemente com tenazes em brasa, com essa única diferença, digo, de que precisava do cocô do mais velho, sujo e nojento de todos os carregadores
E ainda tinha de beliscar-lhe grandes nacos de carne e quase assá-los.
“Um outro pedia para ser espetado nas nádegas, no ventre, nos colhões e na pica com uma grande sovela de sapateiro, e isso mais ou menos com as mesmas cerimônias, ou seja, até que tivesse comido um cocô que eu lhe apresentava dentro de um penico, sem que ele quisesse saber de quem era.
até onde os homens levam o delírio no fogo de sua imaginação
levei-a a compreender como são vis os laços que nos acorrentam aos autores de nossos dias; demonstrei-lhe que a mãe, por ter nos carregado em seu seio, em vez de merecer de nós algum reconhecimento, só merecia ódio, já que, apenas para seu prazer e arriscando-se a nos expor a todas as desgraças que podiam nos atingir no mundo, mesmo assim nos pariu, com o único intuito de satisfazer sua brutal lubricidade
“E o que lhe importa”, acrescentei, “que essa criatura seja feliz ou infeliz?
tanto as delícias da vingança como as que sempre sentimos ao praticar o mal
O conde estava no auge da força de suas paixões, tendo no máximo trinta e cinco anos, e era homem sem fé, sem lei, sem Deus, sem religião, e sobretudo dotado, como os senhores, de invencível horror ao que se chama sentimento de caridade; dizia que compreendê-lo era mais forte que ele e que não admitia ser possível ultrajar a natureza a ponto de perturbar a ordem que ela conferira às diferentes categorias de seus indivíduos, elevando um, graças a auxílios, ao lugar do outro, e gastando nesses auxílios absurdas e revoltantes quantias bem mais agradavelmente gastas com seus prazeres. Imbuído desses sentimentos, ia ainda mais longe; não só encontrava um prazer real na recusa do auxílio como também aperfeiçoava esse mesmo prazer com ultrajes ao infortúnio.
também aperfeiçoava esse mesmo prazer com ultrajes ao infortúnio. Uma de suas volúpias, por exemplo, era mandar localizar com muita atenção esses asilos tenebrosos onde a indigência faminta come um pão regado de lágrimas, ganho com o suor do rosto. Sentia tesão não só em ir desfrutar da amargura dessas lágrimas como até… como até em agravar sua razão de ser e, se pudesse, arrancar o pobre sustento dos dias desses desafortunados
ande, conte os detalhes dos seus sofrimentos.
E você, Lucile, arregace as roupas, mande sua mãe beijar sua bunda, que eu quero ter certeza de que ela vai beijar, e façam as paze
que se me contar todos os seus queixumes vou aliviá-los.’ Os desgraçados acreditam em tudo o que lhes dizem, gostam de se queixar;
Houve outro que queria que eu lhe enfiasse no canal da uretra um pauzinho cheio de nós que ele trazia dentro de um estojo; tinha de sacudir bastante o pauzinho, introduzi-lo três polegadas, e com a outra mão masturbar seu caralho sem cobrir a cabeça; na hora do esporro, eu retirava o pauzinho, arregaçava as saias e ele gozava em cima dos meus pentelhos.
Um padre, que vi seis meses depois, queria que eu o deixasse pingar cera de vela derretida em cima do caralho e dos colhões; gozava só com essa sensação e sem que eu precisasse tocar nele; mas nunca ficava de pica dura, e para que a porra saísse tudo tinha que ser envolto em cera, para que já não se reconhecesse nenhuma forma humana.
“Um grande amigo dele pedia para ter as nádegas crivadas de alfinetes de ouro, e, quando seu traseiro, assim guarnecido, parecia bem mais uma escumadeira do que uma bunda, sentava-se para melhor sentir as espetadas; eu lhe apresentava as nádegas bem abertas, ele mesmo se masturbava e gozava em cima do meu olho do cu.”
Muito mais mistério era necessário para o terceiro. Logo de saída ele mandava meter no cu um imenso consolo; em seguida o retirava; cagava, comia o que acabava de soltar, e então era açoitado. Feito isso, recolocava-se o instrumento no seu traseiro e se retirava de novo. Dessa vez, era a puta que cagava e o chicoteava, enquanto ele comia o que ela acabava de fazer. Enfiava-se pela terceira vez o instrumento; dessa vez, ele largava a porra sem que se tocasse nele e ao acabar de comer a merda da moça.
já não temos controle para abafar os gritos diante desses solavancos terríveis do prazer, assim como não poderíamos controlar as emoções poderosas da dor.
Então a moça, preparada, veio colocar sua linda bundinha sobre a xícara e soltou pelo ânus, dentro da xícara do duque, três ou quatro colheres de um leite muito claro e nem um pouco sujo. Riram muito da brincadeira, e todos pediram leite
Muito bem. — disse ele ao duque —, está vendo que os excessos da noite não causam nenhum prejuízo ao prazer do dia, e eis que o senhor duque ficou para trás.
Durcet, que não tinha como aqueles dois senhores porra na hora que bem entendesse
Parece que para elas o gozo só existe em meio ao opróbrio, só pode estar naquilo que as aproxima da desonra e da infâmia.
Assim que o via entrar, a mulher, como surpresa, logo se jogava para fora da cama. “O que você vem fazer aqui, sem-vergonha”, ela lhe dizia; “quem lhe deu licença, safado, para vir me perturbar?” Ele pedia desculpa, a outra não o escutava e, enquanto o cobria com novo dilúvio de invectivas mais duras e picantes, caía em cima dele aos pontapés na bunda, e era tão mais fácil acertar o alvo na medida em que o paciente, longe de evitá-los, nunca deixava de se virar e apresentar o traseiro, embora aparentando evitar e querer fugir. Ela redobrava, ele pedia piedade; só recebia como resposta pontapés e injúrias; e, logo que ele se sentia excitado o suficiente, tirava de pronto o caralho de uma calça que, até então, mantivera cuidadosamente abotoada, masturbava-se ligeiramente com três ou quatro sacudidelas de mão, gozava e ia embora, enquanto ela continuava os xingamentos e os chutes.
Um terceiro queria entrar naquilo que, numa casa de tolerância, se chama serralho, no momento em que dois homens, pagos ou postos ali de propósito, estivessem brigando. Era acusado de algo, pedia perdão, jogava-se de joelhos, ninguém o escutava; e um dos dois campeões logo caía em cima dele e o cobria de bengaladas até a entrada de um quarto preparado no qual ele se refugiava; ali, uma moça o recebia, consolava, acariciava, como faria com uma criança que vem se queixar, levantava as saias e lhe mostrava o traseiro, no qual o libertino gozava.
assim que as bengaladas começavam a chover nas suas costas, masturbava-se na frente de todo mundo. Então suspendia-se um instante essa operação, embora as bengaladas e injúrias continuassem a chover, e depois, quando o viam se animar e sua porra prestes a sair, abriam uma janela, agarravam-no pela cintura e o jogavam do outro lado, em cima de uma estrumeira preparada especialmente para isso, o que reduzia a queda para no máximo uns dois metros de altura
O cliente, todo atrapalhado, pedia perdão, beijava o chão, beijava os pés do inimigo e jurava que ele podia pegar de volta sua amante, porque não queria brigar por uma mulher. O brigão, agora mais insolente pela frouxidão do adversário, mostrava-se mais imperioso: chamava seu inimigo de poltrão, rasteiro, pé-rapado, e ameaçava lhe cortar o rosto com o gume da espada. E, quanto mais um deles ia ficando mau, mais o outro se humilhava. Por fim, depois de alguns instantes de discussão, o agressor ofereceu um arranjo ao inimigo: ‘Estou vendo muito bem que você é um ordinário’, disse. ‘Está perdoado, contanto que beije a minha bunda.’ ‘Oh. Senhor, tudo o que quiser’, disse o outro, maravilhado. ‘Beijaria mesmo se toda borrada, se quiser, contanto que não me faça nenhum mal.’ O brigão, calando o bico, logo expôs o traseiro; o cliente, radiante, jogou-se em cima dele cheio de entusiasmo, e, enquanto o rapaz lhe largava uma dúzia de peidos no nariz, o velho devasso, no auge da alegria, soltava a porra morrendo de prazer.”
Quando o homem se degradou, se aviltou por excessos, fez sua alma assumir certa aparência depravada da qual mais nada consegue tirá-la. Em qualquer outro caso, a vergonha serviria de contrapeso aos vícios a que seu espírito o aconselharia se entregar, mas aqui isso não é mais possível: ele apagou o primeiro sentimento, o baniu para longe; e desse estado em que se encontra, em que ninguém mais se envergonha, até o estado de amar tudo o que faz sentir vergonha, há exatamente um passo. Então, tudo o que afetava desagradavelmente uma alma preparada de outra maneira metamorfoseia-se em prazer, e a partir daí tudo o que lembra o novo estado que adotamos só pode ser voluptuoso.
A devoção é uma verdadeira doença da alma; por mais que se faça, a gente não se corrige. Fácil de se entranhar na alma dos infelizes, porque os consola, oferece-lhes quimeras para consolá-los de seus males, é bem mais difícil extirpá-la dessas almas do que em outras. Era a história de Adélaïde: quanto mais o quadro de deboche e libertinagem se desenvolvia à sua frente, mais ela se atirava nos braços desse Deus consolador que ela esperava ter um dia como libertador dos males em que via muito bem que sua triste situação a jogaria
Está vendo — disse Durcet a Curval — o erro que cometeu ao deixar sua filha ser instruída sobre religião? Agora já não se consegue fazê-la renunciar a essas imbecilidades. Naquela altura, eu bem que lhe avisei.
— Eu pensava, palavra de honra, que conhecê-las seria uma razão a mais para que ela as detestasse — disse Curval —, e que com a idade ela se convenceria da idiotice dessas doutrinas infames.
Sentimentos? — disse Durcet. — Começo, minha bela esposa, por avisá-la de que nunca os tive por nenhuma mulher, e certamente menos ainda por você, que é a minha, do que por qualquer outra. Professo a religião do ódio, assim como todos os que a praticam, e aviso que da indiferença que sinto por você passarei muito brevemente à mais violenta aversão se continuar a reverenciar infames e execráveis quimeras que desde sempre foram objeto de meu desprezo. Só mesmo tendo perdido o juízo para admitir um Deus e tendo se tornado totalmente imbecil para adorá-lo. Em suma, declaro-lhe, perante o seu pai e estes senhores, que não haverá extremo que não cometerei com você se pegá-la de novo numa falta dessa. Eu deveria tê-la feito freira se você quisesse adorar esse patife do seu Deus; assim poderia rezar para ele à vontade.
Sabe, seus golpes são inúteis; nunca vou me corrigir, sinto demasiada volúpia no crime; se me matasse, continuaria a cometê-lo. O crime é meu elemento, é minha vida, aí vivi e aí quero morrer.
Guardo entre minhas intenções a de morrer assim, em meio ao prazer, e ser servido neste derradeiro momento pelo próprio objeto de minha lubricidade. Vamos’, continuou, com voz fraca e entrecortada, ‘apresse-se, pois estou nas últimas.’ Eu me aproximo, me viro e lhe mostro meu traseiro. ‘Ah. Que bela bunda.’, ele diz, ‘estou felicíssimo em levar para o túmulo a imagem de um traseiro tão bonito.’ E o apalpava, o entreabria, o beijava, como o homem mais saudável do mundo. ‘Ah.’, diz em seguida, interrompendo sua ocupação e virando-se para o outro lado, ‘eu bem sabia que não desfrutaria desse prazer por muito tempo. Estou expirando, lembre-se do que lhe recomendei.’ E, ao dizê-lo, dá um grande suspiro e se enrijece, e representa tão bem seu papel que o diabo me carregue se não pensei que tinha morrido. Não perco a cabeça: curiosa de ver o fim de uma cerimônia tão divertida, trato de o amortalhar. Ele já não se mexia, e tinha um segredo para parecer assim, ou então foi minha imaginação que se impressionou, o fato é que estava rígido e frio como uma barra de ferro; só seu caralho dava alguns sinais de vida, pois estava duro e grudado na barriga, e gotas de porra pareciam exalar, sem que ele percebesse. Logo que está enrolado num lençol, levo-o para o caixão, o que estava longe de ser o mais fácil, pois ele se enrijecia de tal maneira que estava pesado como um boi. No entanto, consigo levá-lo e deitá-lo no caixão; logo em seguida, começo a recitar o ofício dos mortos e, por fim, fecho o caixão batendo os pregos. Era esse o instante da crise: mal ouve as marteladas, exclama como um furioso: ‘Ah. Deus desgraçado, estou gozando. Vá embora, puta, vá embora, pois se eu a agarrar você vai morrer’. O medo me invade, lanço-me pela escada, onde encontro um criado habilidoso e a par das manias do patrão, que me dá dois luíses e entra às pressas no quarto do paciente para libertá-lo do estado em que o deixei.”
trata-se de um homem que me seguiu por mais de cinco anos seguidos pelo único prazer de ter o olho do cu costurado. Deitava-se de bruços numa cama, eu me sentava entre suas pernas e ali, armada de uma agulha e de uns sessenta centímetros de fio grosso encerado, costurava seu ânus em toda a volta; e a pele dessa parte do homem era tão dura e tão habituada às espetadas da agulha que minha operação não provocava uma gota de sangue. Enquanto isso, ele mesmo se masturbava e gozava como um diabo na última picada da agulha. Dissipado o êxtase, eu logo desfazia minha obra e estávamos conversados.
“Um outro pedia para ser esfregado com álcool em todas as partes do corpo onde a natureza colocara pelos, e depois eu acendia aquele líquido espirituoso, que consumia no mesmo instante todos os pelos. Ele gozava ao se ver em fogo, enquanto eu lhe mostrava minha barriga, meus pentelhos e o resto, pois esse aí tinha o mau gosto de só olhar, sempre, as frentes.”
ele quer que o confundam com um asno…
Depois, excelência, é preciso pegá-lo pelo cabresto, passear com ele assim uma hora pelo quarto; ele zurra, é montado, e logo que monto nele tenho que chicoteá-lo em todo o corpo com uma chibata, como para apressar o passo; ele dobra a velocidade, e como, enquanto isso, se masturba, assim que esporra solta uns gritos, dá um coice e joga a moça no ar com as quatro patas para cima.
O bispo, para quem um dos maiores prazeres era chupar a pica dos menininhos, se divertia nessa brincadeira havia alguns minutos com Hyacinthe, quando de repente exclamou, retirando sua boca cheia:
— Ah. Porra, meus amigos, isto sim é uma defloração. Esta é a primeira vez que esse malandrinho goza, tenho certeza.
E de fato ninguém jamais tinha visto Hyacinthe gozar; até o consideravam jovem demais para já consegui-lo; mas tinha catorze anos feitos, era a idade em que a natureza costuma nos cobrir com seus favores, e nada era mais real do que a vitória que o bispo imaginava ter tido. Entretanto, quiseram verificar o fato, e todos desejavam ser testemunha da aventura, então se sentaram em semicírculo em volta do rapaz. Augustine, a mais famosa punheteira do harém, recebeu ordem de bater punheta no menino na frente da assembleia, e o jovem foi autorizado a apalpá-la e acariciá-la na parte do corpo que desejasse: nada mais voluptuoso que o espetáculo de uma mocinha de quinze anos, bela como o dia, prestar-se às carícias de um rapazinho de catorze e excitá-lo para gozar com a mais deliciosa polução. Hyacinthe, talvez auxiliado pela natureza, e mais certamente ainda pelos exemplos que tinha diante dos olhos, só tocou, apalpou e beijou a bundinha de sua punheteira, e um instante depois suas belas faces se coloriram, ele deu dois ou três suspiros e seu lindo caralhozinho lançou a um metro cinco ou seis jatos de uma porrazinha suave e branca como creme, que foi cair na coxa de Durcet, sentado bem perto dele, e que era masturbado por Narcisse, observando a operação. Com o fato bem constatado, acariciaram e beijaram a criança por todo lado; todos quiseram recolher uma porçãozinha daquele jovem esperma, e, como pareceu que para sua idade e para um início suas esporradelas não eram demasiadas, às duas que ele acabava de ter os nossos libertinos o fizeram juntar mais uma para cada um, que ele espalhou em cada boca. O duque se excitou com esse espetáculo, agarrou Augustine e a masturbou no clitóris com a língua, até que ela gozasse duas ou três vezes, o que a espertinha, cheia de fogo e apetite, fez sem demora.
homem de sessenta anos, e singularmente indiferente a todos os prazeres da lubricidade, só os despertava em seus sentidos caso fosse queimado com uma vela em todas as partes do corpo e, sobretudo, naquelas que a natureza destina a esses prazeres? Apagávamos com força a vela nas nádegas, na pica, nos colhões e sobretudo no olho do cu; enquanto isso, ele beijava um traseiro e, depois que o fazíamos renovar ardorosamente, quinze ou vinte vezes, essa dolorosa operação, ele esporrava, chupando o ânus que a sua queimadora lhe apresentava.
“Vi outro, pouco depois, que me obrigava a me servir de uma almofaça de cavalo e esfregar todo o seu corpo, exatamente como faria com o animal que acabo de citar. Assim que seu corpo estava todo ensanguentado, eu lhe passava álcool, e essa segunda dor o fazia gozar abundantemente no meu colo: era esse o campo de batalha que ele queria regar com sua porra. Eu me ajoelhava na sua frente, apertava sua pica entre as tetas, e ele espalhava muito à vontade o acre líquido supérfluo de seus colhões.
“Um terceiro me mandava arrancar, um por um, todos os pelos de suas nádegas. Durante a operação, masturbava-se em cima de um cocô quentinho que eu acabava de fazer. Depois, quando uma porra convencional me avisava a proximidade da crise, eu precisava, para determiná-lo, assestar-lhe em cada nádega uma tesourada que o fazia sangrar. Sua bunda era coberta de chagas, e eu mal conseguia encontrar um lugar intacto para fazer meus dois ferimentos; nesse instante, seu nariz mergulhava na merda, com a qual lambuzava toda a cara, e torrentes de esperma coroavam seu êxtase.
“Um quarto me metia o caralho na boca e me mandava mordê-lo com toda a força. Enquanto isso, eu lhe esfolava as duas nádegas com um pente de ferro de dentes pontiagudíssimos, e depois, quando sentia seu instrumento prestes a esporrar, o que me era anunciado por uma ereção muito leve e muito fraca, então, digo, eu abria violentamente suas nádegas e aproximava o olho de seu cu da chama de uma vela colocada no chão para isso. Só a sensação de queimadura dessa vela em seu ânus é que provocava a ejaculação: então eu redobrava minhas mordidas, e minha boca logo se enchia.”
Eu o enforcava, mas a corda arrebentava a tempo, e ele caía em cima de um colchão; logo em seguida, eu o estendia numa cruz de santo André e fingia quebrar seus membros com uma barra de papelão; eu o marcava no ombro com um ferro quase em brasa que deixava uma ligeira vermelhidão; eu o chicoteava nas costas, exatamente como faz o carrasco, e devia entremear tudo isso de injúrias atrozes, críticas amargas aos diferentes crimes, para os quais, durante cada uma dessas operações, de camisa e com uma vela na mão, ele pedia muito humildemente perdão a Deus e à Justiça. Por fim, a sessão se concluía no meu traseiro, em que o libertino ia perder sua porra quando sua cabeça atingia o último grau de afogueamento.
então me considera um homem acabado e imagina que um pouco de porra que vou perder agorinha vai me impedir de ceder e de corresponder a todas as infâmias que passarão pela sua cabeça daqui a quatro horas? Não tenha medo, sempre estarei pronto; mas aprouve a meu irmão dar-me aqui um pequeno exemplo de atrocidade que eu ficaria muito aborrecido se não executasse com Adélaïde, sua querida e amável filha.
Os quatro amigos estavam deitados de barriga para cima, nos sofás, com a cabeça recostada, e os outros iam, um após outro, lhes peidar na boca; a Duclos estava encarregada de contar e anotar, e como havia trinta e seis peidadores ou peidadoras, contra somente quatro engolidores, houve alguns que receberam até cento e cinquenta peidos. Era para essa lúbrica cerimônia que Curval queria que o duque se reservasse, mas isso era perfeitamente inútil; ele era demasiado amigo da libertinagem para que um novo excesso não tivesse sobre ele o efeito máximo, qualquer que fosse a situação que lhe propusessem, e por isso não deixou de esporrar mais uma vez diante dos traques macios da Fanchon.
“Deus que se foda. Quer meu cu? Está cheio de merda”. E aqueles e aquelas que não pronunciassem a blasfêmia e a proposta em voz alta seriam imediatamente inscritos no livro fatal. É fácil imaginar como a devota Adélaïde e sua jovem discípula Sophie custaram a pronunciar essas infâmias, e era o que os divertia enormemente.
Quanto a mim, enquanto operava com ele o mais depressa possível, eu gritava, confesso, como um gato escaldado: minha pele descascou e prometi a mim mesma nunca mais voltar à casa daquele homem.
— Excelência — esta lhe respondeu, humilde —, não sou um porco.
E a franqueza ingênua de sua resposta infantil fez todo mundo rir, e perguntaram à Duclos qual era o segundo e último exemplo no mesmo gênero que ela devia mencionar.
Esse já não era tão penoso para mim — disse a Duclos —: tratava-se apenas de proteger a mão com uma boa luva e, depois, pegar com essa mão o cascalho escaldante dentro de uma assadeira no fogão; e com a mão cheia de cascalho quase em brasa eu devia esfregar meu homem, da nuca aos calcanhares. Seu corpo estava tão singularmente endurecido por esse exercício que parecia de couro. Quando eu chegava ao caralho, tinha de pegá-lo e masturbá-lo com um punhado de cascalho escaldante; entesava-se muito depressa; então, com a outra mão eu punha debaixo de seus colhões a pá bem avermelhada e preparada para isso. A esfregadela, por um lado, o calor com que seus testículos eram devorados, por outro, e talvez mais umas apalpadelas nas minhas nádegas, que durante a operação eu devia sempre deixar à mostra, tudo isso o fazia gozar, e ele esporrava tendo o cuidado de deixar seu esperma escorrer em cima da pá em brasa, vendo-o queimar, deliciado.
Toda a sua volúpia consistia em se aproximar, comigo, o mais perto possível do caixão, se conseguíssemos, e ali eu devia masturbá-lo de modo a que ele ejaculasse sobre o féretro. Assim, íamos correr três ou quatro durante a noite, dependendo de quantos eu descobria, e fazíamos a mesma operação em todos, sem que ele me tocasse em outro lugar além do traseiro enquanto eu o masturbava. Era um homem de seus trinta anos, que foi meu cliente por mais de dez, durante os quais tenho certeza de que esporrou em cima de mais de dois mil caixões.
Ele xingava o morto — disse Duclos —; dizia: “Tome, sem-vergonha. Tome, patife. Tome, devasso. Leve minha porra com você para o inferno.”
Um outro, levando muito mais longe uma fantasia mais ou menos parecida, queria que eu tivesse espiões no campo para avisá-lo toda vez que se enterrasse, e em que cemitério, uma moça morta sem doença perigosa (era o que ele mais me recomendava). Assim que eu encontrava o que ele queria, e ele sempre me pagava muito bem pela descoberta, partíamos à noite, nos introduzíamos no cemitério como podíamos e, indo de imediato para a cova indicada pelo espião, cuja terra fora revolvida recentemente, trabalhávamos depressa, nós dois, para afastar com as mãos tudo o que cobria o cadáver; e, logo que podia tocá-lo, eu o masturbava em cima da defunta, enquanto ele a apalpava toda, e sobretudo as nádegas, se conseguisse. Às vezes voltava a sentir tesão, mas então cagava e me fazia cagar sobre o cadáver, e esporrava por cima, sempre apalpando todas as partes do corpo que conseguia agarrar.
Mal entro, um homem nu se aproxima e me agarra sem dizer uma só palavra; não perco a cabeça, convencida de que tudo aquilo tinha a ver com um pouco de porra e de que, quando esta se espalhasse, eu estaria livre de todo aquele cerimonial noturno; levo imediatamente a mão ao seu baixo ventre, disposta a fazer bem depressa o monstro perder um veneno que o tornava tão perverso. Encontro um caralho muito grande, muito duro e extremamente rebelde, mas no mesmo instante ele afasta meus dedos, parece não querer nem que o toque, nem que verifique nada, e me senta num banquinho. O desconhecido se planta ao meu lado e, pegando minhas tetas, uma depois da outra, as aperta e belisca com tanta violência que lhe digo, brusca: “Está me machucando.”. Então ele para, me levanta, me deita de bruços num sofá alto e, sentado entre minhas pernas, por trás, começa a fazer com minhas nádegas o que acabava de fazer às minhas mamas: apalpa e aperta com uma violência incrível, abre e fecha, amassa e beija, mordiscando, chupa o olho do cu, e, como esses apertões reiterados eram menos perigosos desse lado do que do outro, não me opus a nada e me flagrei, ao deixá-lo agir, adivinhando qual podia ser o objetivo desse mistério em torno de coisas que me pareciam tão simples, quando de repente ouço meu homem dar gritos pavorosos: “Fuja, puta desgraçada. Fuja”, ele me diz, “fuja, vagabunda. Estou gozando e não respondo por sua vida”. Como podem imaginar, meu primeiro gesto foi dar no pé; vejo um tênue clarão à minha frente: era o da luz que vinha pela porta por onde eu entrara; vou para lá, encontro o mordomo que tinha me recebido, jogo-me em seus braços, ele me devolve minhas roupas, me dá dois luíses, eu saio correndo, felicíssima em me safar por tão pouco.
lembre-se uma vez na vida de que você só está aqui para obedecer e se submeter a tudo
Ora, ora, minha querida Duclos, a vida de um homem é tão pouco importante que podemos brincar com ela tanto quanto quisermos, como faríamos com a de um gato ou de um cachorro; cabe ao mais fraco se defender; ele tem, com pequenas diferenças, as mesmas armas que nós. E já que você é tão escrupulosa’, meu homem acrescentava, ‘o que diria então da fantasia de um de meus amigos?’ E os senhores hão de permitir que esse gosto que ele me contou constitua e conclua o quinto relato de minha noite.
“O presidente me disse que esse amigo só queria ter negócio com mulheres que vão ser executadas. Quanto mais próximo está o momento em que vão morrer, mais ele lhes paga; mas tem de ser sempre depois que a sentença lhes foi comunicada. Como está a seu alcance, pelo cargo que ocupa, conseguir essas felizes coincidências, jamais perde uma, e o vi pagar até cem luíses por uns encontros desse tipo. No entanto, não goza com elas, só exige que mostrem o traseiro e caguem; alega que nada iguala o gosto da merda de uma mulher que acaba de receber uma notícia dessa. Não há nada que não tenha imaginado para conseguir esses encontros, e, ainda assim, como os senhores podem imaginar, não quer ser reconhecido. Ora faz-se passar pelo confessor, ora por um amigo da família, e suas propostas sempre se baseiam na esperança de lhes ser útil se elas forem condescendentes. ‘E quando ele termina, quando se satisfaz, por onde imagina que ele acaba a operação, minha querida Duclos?’, dizia-me o presidente… ‘Pela mesma coisa que eu, minha querida amiga: reserva sua porra para o desfecho, e solta-a ao vê-las deliciosamente expirar.’ ‘Ah. Isso é que é ser um celerado.’, eu lhe digo. ‘Celerado?’, ele interrompe… ‘Deixe de lorota, minha filha. Nada que dá tesão é celerado, e o único crime no mundo é recusar algo que possa dar tesão.’”
etc. Ó céus. Ávida por assassinatos e crimes, a natureza impõe sua lei para inspirá-los e fazer com que sejam cometidos, e a única lei que imprime no fundo de nossos corações é nos satisfazer, pouco importa às custas de quem. Mas, paciência, breve terei talvez melhor ocasião de entretê-los amplamente sobre essas matérias; estudei-as a fundo e espero, ao comunicá-las, convencê-los, como eu mesmo estou convencido, de que a única maneira de servir a natureza é seguir cegamente seus desejos, de qualquer espécie que sejam; como o vício lhe é tão necessário como a virtude, para manter suas leis ela sabe nos aconselhar, ora com um, ora com outro, o que é necessário aos seus desígnios. Sim, meus amigos, vou entretê-los sobre tudo isso um outro dia, mas por ora preciso perder porra, pois esse diabo de homem observando as execuções da Place de la Grève me inchou os colhões.
Era dia de um casamento, e a vez de Cupidon e Rosette se unirem pelos laços do hímen, e por uma singularidade ainda mais funesta os dois se viam na situação de ser castigados à noite. Como nessa manhã ninguém foi flagrado em falta, empregaram toda essa parte do dia na cerimônia das núpcias, e logo que ela terminou os reuniram no salão para ver o que fariam juntos. Como os mistérios de Vênus costumavam ser celebrados diante dos olhos dessas crianças, elas tinham teoria bastante, embora nenhuma delas já tivesse servido, para saber mais ou menos executar o necessário nos objetos. Cupidon, que sentia um tremendo tesão, pôs sua pistolinha entre as coxas de Rosette, que se submeteu com toda a candura da mais absoluta inocência; o rapazinho agia tão bem que, tudo indica, estava quase conseguindo, quando o bispo, agarrando-o nos braços, o fez pôr nele aquilo que o menino, creio, teria preferido pôr na sua mulherzinha. Enquanto perfurava o cu largo do bispo, observava-a com olhos que provavam sua tristeza, mas ela mesma logo ficou ocupada, pois o duque a fodeu nas coxas. Curval foi se esfregar lubricamente na bunda do fodedorzinho do bispo e, como aquele lindo cuzinho logo ficou no estado desejado, ele o lambeu e chupou. Quanto a Durcet, fazia com a menina o mesmo que o duque tinha feito pela frente. Mas ninguém gozou, e passaram à mesa; os recém-casados, que foram admitidos ali, serviram o café com Augustine e Zélamir.
Seria impossível contar todas as canalhices que lhe dirigiu; ninguém ousaria dizer outras mais picantes à mais vil e infame criatura. Por fim, o coração explodiu e as lágrimas rolaram: era para esse instante que o libertino, que se poluía com todas as suas forças, reservava o suprassumo de suas ladainhas. É impossível contar todos os horrores que ele lhe dirigiu sobre sua pele, sua silhueta, suas feições, sobre o odor infecto que, ele alegava, seu corpo exalava, sobre sua roupa, sobre sua inteligência: em suma, procurou tudo, inventou tudo para desesperar seu orgulho, e esporrou em cima dela vomitando atrocidades que um carregador não ousaria pronunciar. Dessa cena resultou algo muito divertido: é que, para a moça, foi equivalente a um sermão; ela jurou que nunca mais na vida se exporia a uma aventura dessas e oito dias depois eu soube que tinha entrado num convento para o resto de seus dias. Contei isso ao rapaz, que se divertiu imensamente e que, mais adiante, me pediu outra moça, para mais uma conversão.
“Um outro”, prosseguiu Duclos, “me mandava procurar moças extremamente sensíveis e que estivessem à espera de uma notícia cujo desfecho infeliz pudesse lhes causar uma perturbação e a mais forte tristeza.
Ela morreu? — indagou Curval, que estava sendo fodido com violentas metidas.
— Não — disse Duclos —, mas pegou uma doença que durou mais de dez semanas.
Um outro plantava uma mulher grávida de sete meses num pedestal isolado, a mais de quatro metros e meio de altura. Ela era obrigada a se manter ereta e sem mexer a cabeça, pois se, infelizmente, mexesse, ela e seu fruto seriam para sempre esmagados. O libertino de quem lhes falo, muito pouco sensibilizado com a situação dessa infeliz, a quem pagava para isso, ali a mantinha até gozar, e se masturbava na frente dela gritando: ‘Ah. Que bela estátua, que belo ornamento, que bela imperatriz.’.”
— Conheci um homem — disse a bela moça — cuja paixão consistia em ouvir as crianças dar berros. Precisava de uma mãe que tivesse um filho de três ou quatro anos no máximo; exigia que essa mãe batesse violentamente na criança, na frente dele, e, quando a criaturinha, irritada com o tratamento, começasse a gritar muito, a mãe devia pegar o caralho do devasso e o masturbar fortemente, na frente da criança, na cara de quem ele esporrava assim que a visse aos prantos.
Depois da ceia, o duque e ele disseram que era preciso mandar as mulheres e os meninos dormir, para fazerem as orgias só entre homens. Todos acataram esse plano, trancaram-se com os oito fodedores e passaram quase a noite inteira a se foderem e a beber licores. Foram para a cama às duas horas, quase ao raiar do dia
Há um provérbio (e os provérbios são excelente coisa), há um, digo, que afirma que o apetite vem enquanto se come. Esse provérbio, por mais grosseiro que seja, tem, porém, um sentido muito extenso: quer dizer que, de tanto praticar horrores, deseja-se praticar novos horrores, e que quanto mais se pratica mais se deseja praticar. Era a história de nossos insaciáveis libertinos.
víamos. ‘Ah. Que belo cadáver.’, logo exclamou… ‘que bela morta.… Oh. Meu Deus.’, disse, vendo o sangue e o punhal, ‘acaba de ser assassinada, neste instante… Ah. Diachos, quem praticou esse crime deve estar com um tesão.’ E masturbando-se: ‘Como eu gostaria de tê-lo visto dar a punhalada.’. E passando a mão na barriga dela: ‘Estaria grávida?… Não, infelizmente’. E continuando a apalpar: ‘Que belas carnes. Ainda estão quentes… Que belo seio.’. E então curvou-se sobre ela e beijou-a na boca com inacreditável furor: ‘Ainda está babando’, disse… ‘como gosto dessa saliva.’. E mais uma vez enfiou-lhe a língua até a goela. Era impossível melhor representar seu papel do que essa moça; estava mais imóvel que uma pedra, e, enquanto o duque esteve perto dela, não respirou. Finalmente ele a agarrou e a virou de bruços: ‘Tenho que observar este belo cu’, disse. E logo que o viu: ‘Ai, porra, que lindas nádegas.’. E então as beijou, abriu, e o vimos nitidamente pôr a língua no buraco bonitinho. ‘Esse aí, palavra de honra’, exclamou, todo entusiasmado, ‘é um dos mais fantásticos cadáveres que vi na vida. Ah, feliz de quem privou da vida dessa bela prostituta, e quanto prazer deve ter tido.’ Essa ideia o fez gozar; estava deitado a seu lado, com as coxas apertava suas nádegas, e lhe esporrou no olho do cu dando mostras de prazer inacreditáveis e gritando como um condenado ao perder o esperma: ‘Ah. É foda, foda. Adoraria tê-la matado.’
E o celerado, metendo na greta de Adélaïde, imaginava, assim como o duque, que estava fodendo a própria filha assassinada: inacreditável perdição do espírito do libertino, que não consegue escutar nada, ver nada sem que queira no mesmo instante imitar.
Não havia o que responder, tive de obedecer e, sempre de quatro patas, meti a cabeça na tina; e, como tudo aquilo era muito limpo e muito bom, comecei a comer com os cães, que, muito educados, me deixaram minha parte sem a menor briga. Esse era o instante do êxtase de nosso libertino: a humilhação, o rebaixamento a que reduzia uma mulher excitava inacreditavelmente seus espíritos. “Essa vagabunda.”, ele disse então, masturbando-se, “essa vadia come com os meus cães. É assim que a gente deve tratar todas as mulheres, e se assim fizéssemos elas não seriam tão impertinentes; animais domésticos como os cães, que razão temos para tratá-las de outra maneira? Ah, vaca, ah, puta.”, exclamou então, avançando e me soltando sua porra no traseiro; “ah, vagabunda, pois é, eu mandei você comer com os meus cães.”. Foi só isso; nosso homem desapareceu, vesti-me depressa, encontrei dois luíses no meu mantelete, quantia miserável com que o patife, sem dúvida, costumava pagar seus prazeres.
Vinte vezes me jogo a seus pés para lhe pedir que me poupe a humilhação de uma revista dessa: nada o comove, nada o enternece, ele mesmo arranca minhas roupas, colérico, e assim que me dispo ele remexe nos meus bolsos e, como os senhores imaginam, não demora muito a encontrar a caixa. ‘Ah, sem-vergonha.’, diz, ‘agora tenho certeza. Vagabunda. Você vai às casas para roubá-las.’ E logo chamando seu homem de confiança: ‘Ande’, diz-lhe, inflamado, ‘vá me buscar agora mesmo o comissário.’ ‘Oh, senhor’, exclamei, ‘tenha piedade de minha juventude, fiquei seduzida, não fiz por vontade própria, me levaram a fazê-lo…’ ‘Pois bem.’, disse o devasso, ‘você exporá todas essas razões ao homem da Justiça, mas quero me vingar.’ O mordomo sai; ele se joga numa poltrona, sempre com o caralho em riste e às voltas com uma grande agitação, e me dirigindo mil insultos. ‘Essa vadia, essa celerada.’, dizia, ‘e eu que queria recompensá-la como devia, vir assim à minha casa para me roubar.… Ah, porra, vamos já ver isso…’ Nesse mesmo momento, batem à porta e vejo entrar um homem de toga. ‘Senhor comissário’, diz o patrão, ‘esta aqui é uma sem-vergonha que lhe entrego, e a entrego nua, no estado em que mandei ficar para revistá-la; aqui estão tanto a moça como as roupas, e, além disso, o enfeite roubado; e, acima de tudo, enforque-a, senhor comissário.’ Foi então que se jogou na poltrona e esporrou. ‘Sim, enforque-a, caralho. Que eu a veja enforcada, senhor comissário, caralho. Que eu a veja enforcada, é tudo o que exijo do senhor.’ O pretenso comissário me leva, com o enfeite e meus trapos, me faz passar a um quarto contíguo, tira a toga e me deixa ver o mesmo mordomo que me recebera e me incitara ao roubo, e que a perturbação em que eu estava me impediu reconhecer. ‘Pois é.’, ele me diz, ‘ficou com medo, hein?’ ‘Pobre de mim’, respondi, ‘não aguento mais.’ ‘Terminou’, ele me diz, ‘e aqui está o seu pagamento’. E ao mesmo tempo me entrega, da parte do patrão, o próprio enfeite que eu tinha roubado, me devolve as roupas, me faz beber um cálice de licor e me leva de volta à casa de Madame Guérin.”
Como nesta noite os relatos foram muito longos, chegou a hora da ceia sem que tivessem tido tempo de fazer, antes, umas putarias. Portanto, foram para a mesa decididos a compensar depois da comida. Foi então que todos se reuniram e determinaram que se verificasse, enfim, quais meninos e meninas já podiam entrar na categoria de homens e mulheres. Para decidir, iriam masturbar todos aqueles, de um e outro sexo, sobre quem pairava alguma dúvida. Quanto às mulheres, estavam certos em relação a Augustine, Fanny e Zelmire: essas três criaturinhas adoráveis, entre catorze e quinze anos de idade, gozavam aos mais leves toques; Hébé e Michette, que ainda tinham só doze anos, nem sequer estavam em condições de ser testadas. Portanto, entre as sultanas se tratava de experimentar apenas Sophie, Colombe e Rosette, a primeira com catorze anos, as duas outras, com treze. Entre os meninos, sabia-se que Zéphire, Adonis e Céladon soltavam porra como homens feitos; Giton e Narcisse eram jovens demais para ser testados. Só deveriam, portanto, testar Zélamir, Cupidon e Hyacinthe. Os amigos formaram uma roda em torno de uma pilha de almofadas grandes, que eles arrumaram no chão; Champville e Duclos foram designadas para as poluções; uma, em sua qualidade de tríbade, devia masturbar as três meninas, a outra, como mestre na arte de tocar punheta nas picas, devia poluir os meninos. Elas passaram para dentro da roda formada pelas poltronas dos amigos, onde estavam as almofadas, e entregaram-lhes Sophie, Colombe, Rosette, Zélamir, Cupidon e Hyacinthe, e cada amigo, para se excitar durante o espetáculo, pegou uma criança e a sentou no colo. O duque pegou Augustine, Curval pegou Zelmire, Durcet, Zéphire, e o bispo, Adonis. A cerimônia começou com os meninos, e Duclos, de peito e bunda de fora, braço nu até o cotovelo, empregou toda a sua arte para poluir, um após outro, aqueles deliciosos ganimedes. Era impossível empregar mais volúpia; ela sacudia a mão com uma leveza… seus movimentos eram de uma delicadeza e de uma violência… ela oferecia àqueles jovens a boca, o seio ou as nádegas com tanta arte, que era certo que os que não esporrassem é porque ainda não tinham esse poder. Zélamir e Cupidon se encheram de tesão, mas, por mais que ela fizesse, nada saiu. Quanto a Hyacinthe, a reação foi imediata, no sexto vaivém do punho: a porra pulou sobre o seio dela, e a criança desfaleceu bolinando-lhe o traseiro; pormenor que foi mais notado ainda na medida em que, durante toda a operação, ele não imaginou lhe tocar a parte da frente. Passaram às meninas. Champville, quase nua, muito bem penteada e, aliás, muito elegantemente trajada, não parecia ter mais de trinta anos, embora tivesse cinquenta. A lubricidade dessa operação, da qual, como rematada tríbade, ela esperava tirar o maior prazer, animava os grandes olhos negros, que sempre foram muito bonitos. Empregou pelo menos tanta arte em sua sessão como Duclos na dela; poluiu ao mesmo tempo clitóris, entrada da vagina e olho do cu; mas a natureza nada desenvolveu em Colombe e Rosette; não houve sequer a mais leve aparência de prazer. O mesmo não se deu com a bela Sophie: na décima titilação, ela desfaleceu no seio de Champville; suspirozinhos entrecortados, belas faces que se avivaram com o mais doce encarnado, lábios que se entreabriram e se molharam, tudo provou o delírio com que a natureza acabava de cobri-la, e ela foi declarada mulher
Sim, caralho. Queimar você viva, sua rameira, ter o prazer de respirar o cheiro que vai exalar da sua carne queimada.’ E ao dizer isso cai desfalecido na poltrona e esporra, dardejando a porra para cima das minhas roupas que ainda estavam queimando. Toca a campainha, um criado entra, me leva, e encontro, num quarto ao lado, com que me vestir completamente, roupas duas vezes mais bonitas do que as que ele queimara.”
Segunda Parte
Manda embebedar e espancar na sua presença quatro meretrizes, e quer que, quando estiverem assim bem embriagadas, lhe vomitem na boca; escolhe entre as mais velhas e as mais feias.
Fode uma moça na boca, na qual acabou de cagar; uma segunda está embaixo desta, com a cabeça dela entre as coxas, e uma terceira solta as fezes na cara da segunda, e ele, fodendo assim sua merda, que está na boca da primeira, vai comer a merda oferecida pela terceira sobre a cara da segunda, e depois elas trocam de lugar, de maneira que cada uma desempenhe sucessivamente os três papéis.
Mete-se num banho na banheira que trinta mulheres foram encher mijando e cagando ali dentro; esporra nadando no meio de tudo aquilo.
Vai se confessar unicamente para fazer seu confessor ficar de pica dura; diz-lhe infâmias, e enquanto fala se masturba no confessionário.
Compra um confessor, que lhe cede seu lugar para confessar moças do pensionato; recolhe, assim, suas confissões e lhes dá, enquanto as confessa, todos os piores conselhos de que é capaz.
Manda a moça peidar em cima da hóstia, também peida e depois engole a hóstia enquanto fode a puta
É açoitado enquanto beija a bunda de um rapaz, e ao mesmo tempo fode uma moça na boca; em seguida, fode o rapaz na boca, beijando a bunda da moça e sempre recebendo os açoites de outra moça; depois faz-se açoitar pelo rapaz, fode na boca a puta que o açoitava e faz-se açoitar por aquela cuja bunda ele beijava.
uma açoita, uma o chupa, a outra caga
Ele luta com seis mulheres, fingindo que quer evitar o chicote; quer arrancar as varas de suas mãos, mas elas são mais fortes e o fustigam contra a vontade dele; está nu.
Faz-se chicotear na planta dos pés, no caralho, nas coxas, ao mesmo tempo que, deitado num canapé, três mulheres montam em cima dele e lhe cagam na boca.
Está entre seis moças; uma o espeta, outra o belisca, a terceira o queima, a quarta o morde, a quinta o arranha e a sexta o chicoteia: tudo isso indistintamente, no corpo inteiro; ele esporra em meio a tudo isso
Joga-a, como por descuido, assim que ela fica nua, numa bacia de água quase fervendo, e a impede de sair até que lhe tenha esporrado sobre o corpo.
Manda passar cola na latrina de um banheiro preparado para isso e a obriga a ir cagar; mal ela se senta, a bunda fica grudada; enquanto isso, pelo outro lado coloca-se um fogareiro em brasa debaixo do seu traseiro; ela foge e se esfola toda, deixando a pele agarrada na tampa.
Quer uma mulher grávida; manda-a reclinar-se sobre um cilindro em que ela apoia as costas. A cabeça, fora do cilindro e jogada para trás, vai encostar numa cadeira, onde fica presa, com os cabelos soltos; suas pernas estão o mais afastadas possível, e seu ventre grande está extraordinariamente esticado; então, a boceta se arreganha violentamente. É para ali e para o ventre que ele dirige as chicotadas, e, quando vê sangue, passa para o outro lado do cilindro e vai esporrar na cara dela.
Terceira Parte
Ela tem treze anos e o irmão, quinze; vão à casa de um homem que obriga o irmão a foder a irmã e que fode alternadamente no cu ora o menino, ora a menina, enquanto estão agarrados um com o outro.
Enraba o padre enquanto ele reza a missa, e depois da consagração o fodedor se retira um instante; o padre enfia a hóstia no cu e o outro o enraba de novo, em cima dela.
Ele só gosta de enrabar mulheres muito velhas, enquanto é chicoteado.
Só enraba velhos, enquanto alguém o fode.
Tem um relacionamento regular com o filho.
Quer enrabar apenas monstros, ou negros, ou pessoas deformadas.
Para juntar o incesto, o adultério, a sodomia e o sacrilégio, enraba com uma hóstia sua filha casada.
Dez homens o fodem, e ele paga um tanto por metida; aguenta até oitenta metidas sem esporrar
Emprega oito homens em volta dele: um na boca, um no cu, um na virilha direita, outro na esquerda; masturba um com cada mão; o sétimo está entre suas coxas, e o oitavo se masturba em cima da sua cara.
Aperta violentamente o pescoço de uma moça de quinze anos ao enrabá-la, a fim de lhe apertar o ânus; enquanto isso, é chicoteado com um nervo de boi.
Ele fode um peru1 cuja cabeça está metida entre as coxas de uma moça deitada de bruços, de modo que ele parece enrabar a moça. Ao mesmo tempo, é enrabado, e no momento de gozar a moça corta o pescoço do peru.
Fode uma cabra na posição do galgo, enquanto é chicoteado. Faz um filho nessa cabra, que por sua vez ele também enraba, embora seja um monstro
Enraba bodes.
Quer ver uma mulher gozar, masturbada por um cão; mata o cão com um tiro de pistola, em cima da barriga da mulher, sem feri-la.
Enraba um cisne, metendo-lhe uma hóstia no cu, e estrangula pessoalmente o animal, ao gozar.
Fode uma vaca, deixa-a prenhe e fode o monstro
Num cesto igualmente arranjado, manda pôr uma mulher que recebe o membro de um touro; ele se diverte com o espetáculo.
Tem uma serpente domesticada que se introduz no seu ânus e o sodomiza, enquanto ele enraba um gato dentro de um cesto, que, apertado de todos os lados, não pode lhe fazer nenhum mal.
Fode uma jumenta, sendo enrabado por um burro, dentro de máquinas preparadas, as quais detalharemos.
Ele fode uma cabra nas narinas, e ela, enquanto isso, lambe seus colhões com a língua; ao mesmo tempo, alguém lhe dá uma surra e lambe seu cu, alternadamente.
Enraba um carneiro, enquanto um cachorro lhe lambe o olho do cu.
Enraba um cachorro, cuja cabeça é cortada enquanto ele esporra.
Obriga uma puta a masturbar um burro em sua presença, e alguém o fode durante esse espetáculo.
Fode um macaco pelo cu; o animal é fechado dentro de um cesto; durante todo esse tempo atormentam o bicho, a fim de redobrar os apertos de seu ânus.
quer que se ponha sobre um leito de cetim preto um belo cadáver de moça que acabou de ser assassinada; ele a apalpa por todo lado e a enraba.
Outro quer dois cadáveres, um de moça e um de rapaz, e enraba o cadáver do rapaz beijando a bunda da moça e enfiando-lhe a língua no ânus
Amarra-a a um cadáver de verdade, boca contra boca, e nessa posição a chicoteia até sangrar em todo o quarto traseiro.
Manda uma mulher grávida entrar em sua casa e a amedronta com ameaças e injúrias; açoita-a, recomeça os maus-tratos para fazê-la abortar, ou na casa dele ou assim que voltar para a casa dela. Se ela parir na dele, paga em dobro.
Tranca-a num calabouço escuro, entre gatos, ratos e camundongos; convence-a de que está lá para o resto da vida e vai todo dia se masturbar à sua porta, escarnecendo dela.
Enfia-lhe no cu girândolas de foguetes, cujas faíscas, ao se soltarem, assam-lhe as nádegas.
Obriga-a a engolir uma droga que a faz ver um quarto repleto de objetos horríveis. Vê um charco cuja água a cobre e sobe numa cadeira para evitá-la. Dizem-lhe que não tem outra decisão a tomar senão se jogar e nadar; ela se joga mas cai estatelada no chão, e em geral sente muita dor. É o instante do gozo de nosso libertino, cujo prazer, antes, foi beijar muito o traseiro.
Manda-a sentar numa poltrona de molas; seu peso quebra todas as molas que correspondem às argolas de ferro a que está amarrada; outras molas, ao quebrar, se tornam vinte punhais espetados em seu corpo. O homem se masturba ao lhe dizer que, se ela fizer o menor movimento na poltrona, será perfurada, e quando goza faz sua porra jorrar sobre ela.
Traça-lhe nas mamas algarismos e letras com a ponta de uma agulha, mas a agulha está envenenada, o peito incha e ela sofre muito.
Enfia-lhe mil ou dois mil alfinetes nas tetas e goza quando ela já está com o seio todo espetado.
Entufa-a de bebida, depois lhe costura a boceta e o cu; deixa-a assim até vê-la desmaiando de vontade de urinar ou de cagar, sem conseguir, ou até que a descida e o peso de suas necessidades consigam arrebentar os fios.
São quatro num quarto e ficam agredindo a moça com pontapés e socos, até que ela caia. Os quatro se masturbam mutuamente e esporram quando ela está no chão.
Tiram-lhe e devolvem-lhe o ar à vontade, graças a uma máquina pneumática.
Prende a cabeça dela em cima de um fogão com brasas até que ela desfaleça e a enraba nessa posição.
Tosta-lhe levemente, e pouco a pouco, a pele do seio e das nádegas com fósforos de enxofre.
Queima-lhe, com um fósforo, os pelos das pálpebras, o que a impede de ter qualquer repouso de noite ou conseguir fechar os olhos para dormir.
Nesta noite o duque deflora Giton, que sente muita dor porque o duque é enorme, fode muito brutalmente e Giton tem só doze anos.
está guarnecido de ferros pontiagudos, pontas de pregos e cacos de vidro, e há um homem em cada pilastra, com um punhado de varas na mão, que a espanca pela frente ou por trás, dependendo da parte que ela apresenta toda vez que passa perto dele. É obrigada a correr assim e a dar algumas voltas, dependendo de se é mais ou menos jovem e bonita, sendo que as mais belas sempre são as mais humilhadas.
Enfia-lhe na boceta um cilindro de pólvora, a descoberto, sem estar revestido de papelão; ateia-lhe fogo e esporra vendo a chama. Previamente beijou a bunda.
Embebe-a, dos pés à cabeça, exclusivamente em álcool; ateia fogo e se diverte, até esporrar, em ver assim essa pobre moça toda em chamas. Renova duas ou três vezes a operação.
Aplica-lhe uma lavagem de óleo fervendo no cu.
Enfia-lhe um ferro escaldante no ânus e outro na boceta, depois de tê-la previamente açoitado bastante.
Quer pisotear uma mulher grávida, até que aborte. Previamente, açoita-a
Faz de conta que acaricia a moça que o masturba; ela não mostra desconfiança; mas, no instante em que esporra, ele a agarra pela cabeça e a atira contra uma parede. A pancada é tão imprevista e tão violenta que, em geral, ela cai desmaiada.
Dá-lhe uma espetada de alfinete em cada olho, em cada mamilo e no clitóris.
Pinga-lhe lacre nas nádegas, na boceta e no peito.
Faz-lhe uma sangria no braço, só estanca o sangue quando ela desmaia.
Amarram-no de quatro patas, como um animal feroz; é coberto por uma pele de tigre. Nesse estado, é excitado, açulado, açoitado, espancado e masturbado na bunda. À sua frente está uma moça muito gorda, nua, com os pés presos no chão e o pescoço preso no teto, de modo que não possa se mexer. Quando o devasso está bem inflamado, soltam-no e ele se joga como um animal feroz para cima da moça, morde-a em todas as carnes e principalmente no clitóris e no bico dos seios, que em geral arranca com os dentes. Grita, uiva como uma fera e esporra uivando. A moça tem de cagar; ele vai comer sua merda, no chão.
Ele lhe arranca dentes e arranha as gengivas com agulhas. Às vezes, queima-as.
Quebra-lhe um dedo da mão, às vezes vários.
Esmaga-lhe vigorosamente um pé com uma martelada.
Destronca-lhe um punho.
Dá-lhe uma martelada nos dentes da frente, ao gozar. Seu prazer, antes, é chupar muito sua boca.
Quebra-lhe um braço ao enrabá-la.
Quebra-lhe um osso das pernas com uma pancada de barra de ferro e a enraba depois.
Ele lhe corta uma orelha
Fende-lhe os lábios e as narinas.
Fura-lhe a língua com um ferro quente, depois de tê-la chupado e mordido.
Arranca-lhe várias unhas dos dedos das mãos e dos pés.
Corta-lhe a pontinha de um dedo.
E como a historiadora, interrogada, disse que uma mutilação dessas, se tratada na hora, não traz nenhuma consequência desagradável
Destila quinze ou vinte gotas de chumbo derretido fervendo em sua boca e queima-lhe as gengivas com água-forte.
Corta-lhe a ponta da língua, depois de ter essa língua limpado seu cu borrado de merda, e, quando a mutilação está feita, enraba-a.
Tem uma máquina de ferro redonda que entra nas carnes e corta, e, quando é retirada, traz um pedaço redondo de carne tão profundo quanto mais se deixou descer a máquina, que vai perfurando sem parar se não for travada.
Torna eunuco um rapaz de dez a quinze anos.
Aperta e arranca com tenazes o bico dos seios e corta-os com tesoura.
procede-se ao curativo dessa ferida, de modo que, no quarto dia, não há mais nenhum sinal.
Quebra uma garrafa frágil de vidro branco na cara da moça, amarrada e sem defesa; antes, chupa muito a boca e a língua.
Prende suas duas pernas, amarra-lhe a mão nas costas, dá-lhe na outra mão um pau para se defender, depois a ataca a grandes golpes de espada, faz-lhe várias feridas nas carnes e vai esporrar em cima das chagas.
Deita-a sobre uma cruz de santo André, executa a cerimônia como se fosse rompê-la, machuca três membros sem luxação e quebra, decidido, um braço ou uma perna.
Manda-a ficar de perfil e dispara um tiro de pistola carregada de chumbo, que passa raspando por seus dois seios; mira de modo a arrancar um dos mamilos.
Coloca-a agachada a vinte passos e dispara um tiro de espingarda nas nádegas.
Faz abortar aos oito meses, graças a uma beberagem, a mulher, que pare imediatamente seu filho morto. Outras vezes, provoca um parto pelo buraco do cu, mas a criança sai sem vida e a mãe arrisca a sua.
Corta um braço.
Ele lhe corta os dois pulsos e cauteriza com ferro quente.
Corta a língua desde a base e cauteriza com ferro quente.
Corta uma perna, e no mais das vezes manda ser cortada enquanto ele enraba.
Arranca todos os dentes e põe no lugar um prego em brasa, que ele enfia com martelo; faz isso ao acabar de foder a mulher na boca.
Arranca um olho.
Cega-a e faz desaparecer os dois olhos, deixando cair lacre dentro das cavidades.
Corta-lhe uma teta bem rente e cauteriza com ferro em brasa. A Desgranges dirá aqui que foi esse homem que cortou a teta que lhe falta, e ela tem certeza de que ele a comeu grelhada.
Corta-lhe as duas nádegas, depois de tê-la enrabado e chicoteado. Dizem também que as come.
Corta-lhe rente as duas orelhas.
Corta-lhe todas as extremidades, os vinte dedos, o clitóris, o bico dos seios, a ponta da língua.
Arranca-lhe vários nacos de carne de todo o corpo, manda-os assar e a obriga a comê-los com ele. É o mesmo homem dos dias 8 e 17 de fevereiro, de Desgranges.
Corta os quatro membros de um rapaz, enraba o tronco, alimenta-o bem e o deixa viver assim; ora, como os membros não foram cortados muito perto do tronco, ele vive muito tempo. Assim, pode enrabá-lo durante mais de um ano.
Amarra fortemente a mão da moça e a deixa assim, sem alimentá-la; ao lado dela há uma faca imensa e na frente, uma excelente comida: se ela quiser se alimentar, terá de cortar a mão, senão morrerá assim. Anteriormente, ele a fodeu no cu. Observa-a por uma janela.
Amarra a filha e a mãe; para que uma das duas viva e deixe a outra viver, é preciso cortar a mão. Ele se diverte em ver a discussão sobre qual das duas se sacrificará pela outra.
Ela só conta quatro histórias, a fim de celebrar, nesta noite, a festa da décima terceira semana, na qual o duque, no papel de noiva, se casa com Hercule, na qualidade de marido, e também, na qualidade de homem, se casa com Zéphire, que faz o papel de mulher. O jovem puto que, como se sabe, tem a mais bela bunda dos oito meninos, é apresentado vestido de menina e, assim, fica lindo como o Amor. A cerimônia é consagrada pelo bispo e acontece na frente de todos. Só neste dia o rapazinho é deflorado; o duque sente grande prazer e muita dificuldade com isso: deixa-o sangrando. Hercule o fode o tempo todo durante a operação.
Ele fura seus dois olhos e a deixa trancada num quarto, dizendo-lhe que tem diante de si o que comer e que basta ir buscar. Mas, para isso, tem que passar por cima de uma placa de ferro que ela não enxerga e que está sempre em brasa. Por uma janela, ele se diverte em ver o que ela fará: se vai se queimar ou se prefere morrer de fome. Previamente, foi chicoteada.
Aplica-lhe o suplício da corda, que consiste em ter os membros presos a cordas e, por essas cordas, ser levantada a grande altura; deixa-a cair lá do alto, na vertical: cada queda destronca e quebra todos os membros, porque se faz no ar, e a pessoa só está segura pelas cordas.
Abre-lhe profundas feridas nas carnes, no meio das quais destila pez fervendo e chumbo derretido.
Amarra-a nua e sem socorro, no instante em que ela acaba de parir; amarra na frente dela a criança, que grita e ela não tem como socorrer. Ela tem, assim, de vê-la morrer. Em seguida, açoita violentamente a mãe na boceta, dirigindo os golpes para a vagina. Em geral, é o pai da criança.
Quarta Parte
Ele gostava de se divertir com uma pobre que não comia fazia três dias; e sua segunda paixão é deixar morrer de fome uma mulher no fundo de uma masmorra, sem lhe prestar o menor socorro; observa-a e se masturba enquanto a examina, mas só goza no dia em que ela morre.
2. Sustenta-a por muito tempo, diminuindo cada dia um pouco sua porção; obriga-a antes a cagar e come a merda num prato.
3. Gostava de chupar a boca e engolir a saliva e, como segunda paixão, empareda a mulher numa masmorra, com víveres para apenas quinze dias; no trigésimo dia, entra e se masturba em cima do cadáver.
4. Mandava-a mijar e, como segunda paixão, a fez morrer em fogo brando, impedindo-a de beber e dando-lhe muita comida.
5. Chicoteava, e faz morrer a mulher impedindo-a de dormir.
Nesta mesma noite, Michette é pendurada pelos pés depois de ter comido muito, até que vomita tudo em cima de Curval, que se masturba ali embaixo e engole tudo.
DIA DOIS
6. Mandava cagar em sua boca e comia à medida que ela cagava; sua segunda paixão é alimentá-la só com miolo de pão e vinho. Ela morre ao fim de um mês.
7. Gostava de foder a boceta; provoca na mulher uma doença venérea, por injeção, mas de uma espécie tão ruim que ela acaba morrendo em muito pouco tempo.
8. Mandava vomitar em sua boca e, como segunda paixão, lhe provoca, por meio de uma bebida, uma febre malsã que a faz morrer bem depressa.
9. Mandava cagar e, como segunda paixão, aplica-lhe uma lavagem com ingredientes envenenados em água fervendo ou em água-forte.
10. Um famoso fustigador coloca uma mulher num eixo em torno do qual ela roda sem parar, até morrer.
Gostava de dar bofetadas e, como segunda paixão, torce-lhe o pescoço da frente para trás, de modo a que ela fique com a cara para o lado da bunda.
12. Gostava da bestialidade e, como segunda paixão, gosta de mandar deflorar uma menina, na sua frente, por um garanhão que a mata.
13. Gostava de foder o cu e, como segunda paixão, enterra a mulher até a cintura e a alimenta assim até que a metade do corpo tenha apodrecido.
14. Gosta de masturbar o clitóris e manda um de seus criados masturbar uma moça no clitóris até ela morrer.
15. Um fustigador, aperfeiçoando sua paixão, açoita a mulher até a morte em todas as partes do corpo.
- Ele gostava de apertar o pescoço e, como segunda paixão, amarra a moça pelo pescoço. Na frente dela há um banquete, mas para alcançá-lo ela tem de se estrangular, ou morrerá de fome.
- O mesmo homem que matou a irmã da Duclos, e cujo gosto é maltratar muito tempo as carnes, tritura o colo e as nádegas com uma força tão furiosa que faz a mulher morrer por esse suplício.
- O homem de quem Martine falou no dia 20 de janeiro, e que gostava de sangrar as mulheres, mata-as à custa de repetidas sangrias.
- Aquele cuja paixão era fazer uma mulher nua correr até cair, e de quem falamos, tem como segunda paixão trancá-la numa estufa escaldante, onde ela morre como que asfixiada.
- Aquele de quem Duclos falou, que gostava de ser enrolado em fraldas e a quem a moça dava sua merda em vez de papinha, aperta uma mulher tão estreitamente nos cueiros que a faz morrer assim.
Nesta noite, um pouco antes de passar ao salão de histórias, encontram Curval enrabando uma das criadas da cozinha. Ele paga a multa; a moça recebe a ordem de estar presente nas orgias, em que o duque e o bispo, por sua vez, a enrabam, e ela aguenta duzentas chicotadas da mão de cada um. É uma moça gorda, da Savoia, de vinte e cinco anos, bastante formosa e com uma bela bunda.
DIA CINCO - Como primeira paixão, gosta da bestialidade e, como segunda, costura a moça dentro de uma pele de burro bem recente, com a cabeça de fora, alimenta-a e deixa-a ali dentro, até que a pele do animal a sufoque, ao encolher.
- Aquele de quem Martaine falou no dia 15 de janeiro, e que gostava de enforcar, brincando, pendura a moça pelos pés e a deixa ali até que o sangue a asfixie.
- Aquele do dia 27 de novembro, da Duclos, que gostava de embriagar a puta, faz a mulher morrer entufando-a de água com um funil.
- Gostava de seviciar as tetas e aperfeiçoa isso encaixando as duas tetas da mulher em duas espécies de vasos de ferro; em seguida, colocam a criatura, com suas duas tetas assim protegidas, em cima de dois fogareiros, e a deixam morrer em meio a essas dores.
- Gostava de ver uma mulher nadar e, como segunda paixão, joga-a na água e a retira semiafogada; em seguida, pendura-a pelos pés para ela expelir a água. Logo que recobra os sentidos, é novamente jogada na água, e assim várias vezes, até morrer.
Neste dia, à mesma hora da véspera, encontram o duque enrabando outra criada; ele paga a multa; a criada é requisitada para as orgias, onde todos desfrutam dela, Durcet na boca, os outros no cu e até mesmo na boceta, pois ela é virgem, e é condenada a duzentas chicotadas por cada um. É uma moça de dezoito anos, alta e bem-feita, um pouco ruiva e com uma bunda lindíssima. Nesta mesma noite, Curval diz que é essencial sangrar de novo Constance, por causa da gravidez; o duque a enraba e Curval a sangra, enquanto Augustine o masturba em cima das nádegas de Zelmire e ele é fodido. Ele lhe dá a picada quando esporra, e não erra o alvo.
DIA SEIS - Sua primeira paixão era jogar uma mulher num braseiro dando-lhe um pontapé na bunda, de onde ela logo saía, sofrendo muito pouco. Ele aperfeiçoa essa paixão, obrigando a moça a ficar de pé entre duas fogueiras, sendo que uma a assa pela frente e a outra por trás; deixam-na ali até que suas gorduras derretam.
Desgranges avisa que vai falar de assassinatos que provocam morte rápida e que quase não fazem sofrer. - Gostava de, com as mãos, dificultar a respiração, fosse apertando o pescoço, fosse comprimindo muito tempo a mão da mulher, e aperfeiçoa isso asfixiando-a com quatro almofadões.
- Aquele de quem Martaine falou e que mandava escolher entre três mortes (Ver o dia 14 de janeiro) queima os miolos com um tiro de pistola, sem deixar escolha; enraba, e ao gozar dispara o tiro.
- Aquele de quem Champville falou no dia 22 de dezembro, que mandava pular dentro de um cobertor junto com um gato, precipita a moça do alto de uma torre em cima de pedras e goza ao ouvir sua queda.
- Aquele que gostava de apertar o pescoço enquanto enrabava, e de quem Martaine falou no dia 6 de janeiro, enraba a moça, com um cordão de seda preta passado em seu pescoço, e esporra ao estrangulá-la. (Que ela diga que essa volúpia é das mais requintadas que um libertino possa se proporcionar.)
Originalmente ele gostava de foder uma mulher adormecida, e aperfeiçoa a paixão fazendo-a morrer com uma forte dose de ópio; fornica na boceta durante o sono da morte.
O mesmo homem de quem ela acaba de falar, e que joga várias vezes a moça na água, tem também a paixão de afogar uma mulher com uma pedra amarrada no pescoço.
Gostava de dar tabefes e, como segunda paixão, pinga-lhe chumbo derretido no ouvido enquanto ela dorme.
Gostava de chicotear o rosto. Champville falou dele no dia 30 de dezembro. (Verifique.) Mata imediatamente a moça com uma vigorosa martelada na têmpora.
Gostava de ver queimar até o fim uma vela no ânus da mulher: amarra-a na ponta de um condutor e ela cai fulminada por um raio
Um fustigador. Ele a coloca na posição do galgo, na boca de um canhão; a bala a estraçalha pelo cu.
Gostava de ver o pescoço nu de uma moça, apertá-lo, machucá-lo um pouco: enfia um alfinete na nuca, em determinado ponto, e ela morre imediatamente.
Gostava de queimá-la devagarinho, com uma vela pingando em várias partes do corpo. Aperfeiçoa, jogando a moça numa fornalha em brasas, que é tão violenta que ela é consumida imediatamente.
O mesmo enche uma mulher de pólvora em todos os orifícios, ateia fogo e todos os membros se soltam e se despedaçam ao mesmo tempo.
mencionar os venenos
Um homem, cujo gosto era foder no cu, e nunca de outra forma, envenena todas as mulheres; está na vigésima segunda. Sempre as fodia só no cu e nunca as desvirginava.
Um sujeito convida amigos para um festim, e sempre envenena parte dos pratos que serve.
finge aliviar os pobres; dá-lhes alimentos, mas que estão envenenados.
O devasso faz uso de uma droga que, espalhada no chão, derruba e mata os que andam ali em cima, e recorre a ela com muita frequência.
O libertino faz uso de outro pó que mata entre tormentos inconcebíveis; eles duram quinze dias e nenhum médico é capaz de identificá-los. Seu maior prazer é ir ver as pessoas quando ficam nesse estado.
Um dissoluto emprega, com homens e mulheres, outro pó cujo efeito é privar você do uso dos sentidos e deixá-lo como morto. Acreditam que você morreu, enterram-no e você morre de desespero dentro do caixão, onde, mal entrou, recobra os sentidos. Ele tenta se instalar acima de onde você está enterrado, para ver se não ouvirá uns gritos; se ouvir, ele desmaia de prazer. Fez morrer assim parte de sua família.
Um homem cujo gosto era maltratar o regaço aperfeiçoava essa paixão envenenando crianças no próprio seio das amas de leite.
gostava de atear fogo às casas dos pobres, e sempre o fazia de modo que ficasse muita gente queimada, sobretudo crianças.
provocar a morte de parturientes
Aquele de quem Duclos fala na sua vigésima oitava noite quer ver uma mulher parir; mata o bebê ao sair do ventre da mãe e diante de seus olhos, e isso, fingindo acariciá-lo.
querem uma mulher grávida de oito a nove meses, abrem-lhe o ventre, arrancam a criança, queimam-na diante dos olhos da mãe, recolocam na barriga um embrulho de enxofre misturado com mercúrio e azougue, que acendem, depois tornam a costurar a barriga e a deixam assim morrer diante deles, entre dores inauditas, fazendo-se masturbar pela moça que está com eles.
Gostava de rebentar virgindades, e aperfeiçoa essa paixão fazendo grande quantidade de filhos em várias mulheres; depois, quando eles têm cinco ou seis anos, deflora-os, seja menina ou menino, e joga-os num forno ardente logo que os fodeu, no exato instante em que esporra.
tem em casa uma latrina preparada; tenta pôr ali em cima a pessoa que quer matar, e assim que ela se instala o assento afunda e atira a pessoa num fosso de merda profundíssimo, onde ele a deixa morrer.
Se tem a sorte de chegar à escada, sobe nela, mas um degrau lá no alto, preparado para isso, se quebra sob seus pés quando ela o alcança e a atira num buraco coberto de terra que ela não tinha visto, e que, cedendo sob seu peso, joga-a num braseiro ardente, onde ela morre. O libertino, ao contemplar o espetáculo, se masturba enquanto observa.
Um libertino manda uma moça subir num cavalo indômito que a arrasta e mata jogando-a num precipício.
Logo que ela se deita, a cama afunda num braseiro ardente, mas do qual ela pode sair. Ele está ali, e à medida que a moça quer sair ele a empurra de novo, com espetadas na barriga.
Aquele de quem ela falou no dia 11, e que gostava de incendiar casas de pobres, tenta atraí-los para a sua casa, homem ou mulher, a pretexto de caridade; enraba-os, homem ou mulher, depois quebra seus quadris e os deixa morrer de fome numa masmorra, assim fraturados.
Aquele que gostava de jogar uma mulher pela janela, sobre o estrume, e de quem Martaine falou, executa o que vai se ver, como segunda paixão. Deixa a moça dormir num quarto que ela conhece e cuja janela ela sabe que é muito baixa; dão-lhe ópio; assim que pega no sono, transportam-na para um quarto muito parecido com o dela, mas cuja janela é muito alta e dá para pedras pontiagudas. Em seguida, entram precipitadamente em seu quarto, metendo-lhe um baita medo; dizem que vão matá-la. Ela, que sabe que a janela é baixa, abre-a e se joga muito depressa, mas cai sobre as pedras pontiagudas, a quase dez metros de altura, e se mata, sem que ninguém a tivesse tocado.
Desgranges adverte que vai falar de assassinatos muito dolorosos, e que é a extrema crueldade que será o principal; recomendam-lhe então que conte, mais que nunca, os detalhes.
74. Aquele que gostava de sangrar tira todo dia meia onça de sangue, até que ela morra. Esse aí é muito aplaudido.
colocar uma menina na mão de um colosso, que suspende a criança pela cabeça em cima de um grande braseiro que a queima muito lentamente; as moças têm de ser virgens.
enrolar todo o corpo de uma moça com mechas de enxofre que ele acende uma depois da outra, e a observa morrer assim.
Gostava de torcer um dedo e, como segunda paixão, quebra todos os membros, arranca a língua, fura os olhos e deixa-a viver assim, diminuindo todo dia a comida.
Um sacrílego, o segundo de quem falou Martine no dia 3 de janeiro, amarra um belo rapaz com cordas numa cruz muito alta e o deixa ali, sendo comido pelos corvos
Um que cheirava os sovacos e os fodia, e de quem Duclos falou, pendura uma mulher pelas axilas, amarrada de todo lado, e vai picá-la diariamente em alguma parte do corpo, para que o sangue atraia as moscas; deixa-a assim morrer pouco a pouco.
Gostava de foder em bocas e cus muito jovens: aperfeiçoa a paixão, arrancando o coração de uma moça viva; esburaca-o, fode esse buraco quentinho, repõe no lugar o coração com a porra dentro; recostura a ferida e deixa a moça terminar seus dias sem socorro; o que, num caso desse, não demora.
Um fustigador despela a moça três vezes; ele unta a quarta pele com uma substância cáustica que a devora e a faz morrer entre dores horríveis
Um homem, cuja primeira paixão era cortar um dedo, tem como segunda pegar um pedaço de carne com tenazes em brasa; corta com tesoura esse naco de carne, depois queima a ferida. Fica assim quatro ou cinco dias a tirar pedaços de carne de todo o corpo, aos poucos, e ela morre em meio às dores dessa cruel operação
Enquanto se pratica essa operação, o duque está quase o tempo todo com o caralho no seu cu.
Um devasso a põe para assar no espeto, viva, quando acaba de enrabá-la.
Um homem cuja primeira paixão era mandar caralhos muito grandes enrabarem meninos e meninas na sua frente empala pelo cu e deixa a moça morrer assim, observando suas contorções
Dali passam para Thérèse, queimam-lhe o interior da boceta, as narinas, a língua, os pés e as mãos, e dão-lhe seiscentos golpes com nervo de boi; arrancam o que lhe sobra de dentes e queimam sua goela por dentro da boca
Tinha como primeira paixão escarificar as carnes e, como segunda, manda desmembrar amarrando a moça em quatro árvores
Um fustigador suspende a moça numa máquina que a mergulha num fogo alto, de onde ele logo a retira, e isso dura até que ela fique, assim, toda queimada.
Um libertino arranca as entranhas de um rapazinho e de uma mocinha, põe as do rapaz no corpo da moça e as da moça no corpo do rapaz, depois costura as incisões, prende-os um ao outro, pelas costas, e a uma pilastra que os segura em pé, e, colocando-se entre os dois, os vê morrer assim.
Um libertino que praticava com os dois sexos manda vir o irmão e a irmã. Diz ao irmão que vai fazê-lo morrer num suplício atroz cujos instrumentos lhe mostra, mas que salvará a sua vida se ele quiser, primeiro, foder a irmã e depois, estrangulá-la, na frente dele. O rapaz aceita e, enquanto fode a irmã, o libertino enraba ora o rapaz, ora a moça. Depois, o irmão, com medo da morte que lhe mencionam, estrangula a irmã. E logo em seguida, ao término da operação, abre-se um alçapão preparado e os dois, diante dos olhos do nefando, caem num braseiro ardente.
Um devasso exige que um pai foda a filha na frente dele. Em seguida, enraba a moça, segurada pelo pai; depois diz ao pai que a filha tem de morrer de qualquer maneira, mas que ele tem a escolha de matá-la com as próprias mãos, estrangulando-a, o que não a fará sofrer, ou, se não quiser, ele mesmo vai matá-la, mas diante dos olhos do pai e com suplícios pavorosos. O pai prefere matar a filha com uma corda apertada em seu pescoço a vê-la sofrer tormentos atrozes, mas, quando vai se preparar para fazê-lo, amarram, garroteiam e esfolam viva, na frente dele, sua filha, que em seguida rola sobre espinhos de ferro escaldantes e depois é jogada numa fogueira, e o pai é estrangulado para aprender, diz o libertino, a aceitar estrangular a filha com as próprias mãos. Depois disso, o jogam na mesma fogueira da filha.
Um grande apreciador de bundas e chicotes reúne mãe e filha. Diz à filha que vai matar a mãe se ela não consentir em ter as duas mãos cortadas: a menina consente; ele as corta. Então separa as duas criaturas, amarra uma corda no pescoço da filha, que põe os pés sobre um banquinho; no banquinho há outra corda cuja ponta passa para o quarto onde está a mãe. Dizem à mãe para puxar a corda; ela puxa, sem saber o que está fazendo; levam-na imediatamente para contemplar sua obra, e no auge do desespero cortam-lhe por trás a cabeça com um golpe de espada.
Aquele do dia 5 de dezembro, de Champville, cujo gosto era ver o filho ser prostituído pela mãe, para depois enrabá-lo, aprimora a prática juntando mãe e filho. Diz à mãe que vai matá-la, mas que a perdoará se ela matar o filho. Se não mata, então o filho é degolado na frente dela, e, se mata, amarram-na ao corpo do filho e deixam-na assim morrer aos poucos sobre o cadáver.
Um rematado incestuoso junta as duas irmãs depois de tê-las enrabado; amarra-as numa máquina, cada uma com um punhal na mão; a máquina põe-se em movimento, as moças se chocam uma na outra, e assim se matam mutuamente.
Outro incestuoso quer a mãe e os quatro filhos; tranca-os num lugar de onde possa observar; não lhes dá nenhuma comida, a fim de ver os efeitos da fome naquela mulher e qual criança ela comerá primeiro
Um homem muito dissoluto se diverte da seguinte maneira. Junta o amante e a amante: “Só há um único ser no mundo”, diz ao amante, “que se opõe à sua felicidade; vou entregá-lo em suas mãos”. Leva-o a um quarto escuro onde uma pessoa dorme na cama. Tremendamente excitado, o rapaz vai apunhalar essa pessoa. Logo que o faz, mostram-lhe que foi a própria amante que ele matou; ele se mata, de desespero. Se não se mata, o devasso o mata a tiros de fuzil, não ousando entrar no quarto onde está esse rapaz furioso e armado. Antes, fodeu o rapaz e a moça, na esperança de servi-los e reuni-los, e depois de gozar com eles é que armou esse golpe.
Obriga o rapaz a ver a amante ser mutilada diante de seus olhos e a comer a carne dela, principalmente as nádegas, os seios e o coração. Tem de comer essas iguarias ou morrerá de fome. Assim que come, se essa for sua decisão, ele lhe abre várias feridas no corpo e o deixa morrer assim, perdendo sangue, e, se não a come, morre de fome
Arranca-lhe os colhões e o obriga a comê-los, sem lhe dizer nada, e depois substitui esses testículos por bolas de mercúrio, azougue e enxofre, que lhe causam dores tão violentas que ele morre. Durante essas dores, ele o enraba e as aumenta queimando-o por todo lado com mechas de enxofre, arranhando-o e cauterizando as feridas.
Espeta-lhe no olho do cu uma estaca muito fina e deixa-o findar assim.
Enraba e, enquanto sodomiza, abre-lhe o crânio, tira os miolos e os substitui por chumbo derretido.
Fratura um rapaz, depois o amarra na roda, onde o deixa expirar; ali o rapaz é rodado de modo a lhe mostrar as nádegas de perto, e o celerado que o suplicia manda que a mesa seja servida debaixo da roda, onde vai jantar todo dia até que o paciente tenha expirado.
- Despela um rapaz, esfrega-o com mel e o deixa assim ser devorado pelas vespas.
- Corta-lhe o caralho, os mamilos, e o colocam sobre uma estaca, onde lhe pregam um pé, e ele se apoia em outra estaca, onde lhe pregam a mão; deixa-o assim morrer sua bela morte.
O mesmo homem que fizera a Duclos comer com seus cachorros manda um leão devorar um rapaz, na sua frente, dando-lhe uma vara fina para se defender, o que apenas açula mais ainda a fera. Goza quando tudo foi devorado.
Entrega um rapaz a um garanhão amestrado para isso, que o enraba e o mata. O menino é coberto por uma pele de jumento e tem o olho do cu esfregado com a porra do jumento.
Coloca um rapaz numa máquina que o puxa e vai desmembrando, ora no alto, ora embaixo; quebrado, aos pedaços, é tirado dali e recolocado assim vários dias seguidos, até a morte.
Manda uma bonita moça poluir e extenuar um rapaz; este fica exausto, não o alimentam, ele morre entre convulsões terríveis.
Faz-lhe no mesmo dia a operação da pedra, do trépano, da fístula no olho e a do ânus. Tem o cuidado de falhar em todas, e em seguida ele é abandonado assim, sem socorro, até a morte.
Depois de lhe cortar bem rente o caralho e os colhões, abre uma boceta no jovem com uma máquina de ferro em brasa que faz o buraco e o cauteriza imediatamente; fode-o por essa abertura e o estrangula com as próprias mãos, ao esporrar.
Escova-o com uma almofaça de cavalo; depois de deixá-lo ensanguentado, dessa maneira, esfrega-o com álcool, a que ateia fogo, depois o escova de novo, e torna a esfregá-lo com álcool, que ele inflama, e, assim por diante, até a morte.
O mesmo que, na quarta história do dia 1o de janeiro de Martaine, quer enrabar o pai diante dos dois filhos, esporra com uma das mãos, apunhala um desses filhos e com a outra estrangula o segundo.
Um homem cuja paixão era chicotear no ventre mulheres grávidas tem como segunda reunir seis grávidas de oito meses. Amarra todas elas, de costas uma para a outra, exibindo bem a barriga; rasga o estômago da primeira, fura o da segunda a facadas, dá cem pontapés no da terceira, cem pauladas no da quarta, queima o da quinta e passa a raspadeira no da sexta, e depois mata a golpes de maça no ventre aquela cujo suplício ainda não conseguiu matar.
Um grande libertino gosta de dar bailes, mas o teto está preparado e desaba assim que a sala está cheia, e quase todo mundo morre. Se ele permanecesse sempre na mesma cidade, seria descoberto, mas volta e meia muda; só é descoberto na quinquagésima vez.
O mesmo de Martaine, do dia 27 de janeiro, cujo gosto é fazer abortar, põe três mulheres grávidas em três posições cruéis, de maneira a formar três conjuntos agradáveis. Observa-as parir nessa posição; em seguida, amarra cada filho no pescoço da mãe, até que a criança morra ou seja comida por elas, pois as deixa nessa posição sem alimentá-las.
mandava que duas mulheres parissem na sua frente, lhes vendava os olhos, trocava os bebês, que só ele identificava por uma marca, depois obrigava-as a reconhecê-los. Se não se enganassem, deixava-as viver; caso se enganassem, rachava-as ao meio a golpes de espada em cima do corpo da criança que elas consideravam sua.
Durante a noite, o duque e Curval, escoltados por Desgranges e Duclos, descem com Augustine para o porão. Ela ainda tinha a bunda muito conservada, açoitam-na, depois cada um deles a enraba, sem esporrar; em seguida, o duque lhe abre cinquenta e seis feridas nas nádegas, e em cada uma pinga óleo fervendo. Enfia-lhe um ferro quente na boceta e no cu e a fode nas feridas, com um condom de pele de cão-do-mar,2 que dilacerava ainda mais as queimaduras. Feito isso, descarnam-lhe os ossos e os serram em diferentes lugares. Depois deixam expostos seus nervos em quatro lugares, de modo a formarem uma cruz, prendem num torniquete a ponta de cada nervo e põem a moça para rodar, o que lhe estica essas partes delicadas e a faz sofrer dores inauditas. Fazem uma pausa, para que ela sofra mais, depois recomeçam a operação, e, dessa vez, raspam os nervos com um canivete, à medida que os esticam. Feito isso, abrem-lhe um buraco na goela, pelo qual fazem passar sua língua; queimam a fogo lento a teta que lhe sobra, depois enfiam na boceta uma mão armada de um escalpelo com o qual arrebentam a parede que separa o ânus e a vagina; largam o escalpelo, enfiam de novo a mão, vão buscar suas entranhas e a forçam a cagar pela boceta; em seguida, pela mesma abertura, vão lhe arrebentar o saco do estômago. Depois, voltam-se para o rosto: cortam as orelhas, queimam o interior do nariz, cegam os olhos deixando pingar lacre fervendo dentro deles, apertam o crânio, penduram-na pelos cabelos amarrando pedras aos pés, para que ela caia e o crânio seja arrancado. Quando ela caiu, ainda respirava, e o duque fodeu sua boceta nesse estado; esporrou e ficou mais furioso ainda. Abriram-na, queimaram-lhe as entranhas no próprio ventre, passaram a mão armada do escalpelo, que foi lhe picar o coração lá dentro, em diferentes lugares. Foi aí que ela rendeu a alma. Assim pereceu aos quinze anos e oito meses uma das mais celestiais criaturas que a natureza fizera etc. O seu elogio.
O mesmo que se divertia em jogar uma moça na água e retirá-la tem como segunda paixão a de atirar sete ou oito moças num pântano e vê-las se debater: manda apresentar a elas uma barra em brasa, que elas agarram, mas ele as empurra, e para que morram com toda a certeza ele corta um membro de cada uma, antes de atirá-las.
Tinha como primeiro gosto fazer vomitar: aperfeiçoa-o, usando um segredo pelo qual espalha a peste numa província inteira; é inacreditável o número de pessoas que já fez morrer. Envenenava também as fontes e os rios.
Um homem que gostava do chicote manda pôr três mulheres grávidas numa jaula de ferro, cada uma com seu filho. Esquenta-se a jaula, por baixo; à medida que o ferro aquece, elas dão cambalhotas, pegam os filhos nos braços e acabam caindo e morrendo assim
Já foi feita referência a isso em algum lugar, acima, veja onde
Gostava de furar com uma sovela, e aperfeiçoa a paixão trancando uma mulher grávida num tonel cheio de pontas, e depois manda rolarem fortemente o tonel num jardim.
Um devasso se coloca ao pé de uma torre, num local guarnecido de pontas de ferro. Jogam em cima dele, do alto da torre, várias crianças dos dois sexos que, antes, ele enrabou: diverte-se em vê-las sendo trespassadas e em ser respingado pelo sangue delas.
tem a paixão de trancar seis mulheres grávidas num lugar onde ficam todas amarradas em cima de matérias combustíveis; ele ateia fogo e, se querem se salvar, ele as espera com um espeto de ferro, que enfia nelas, e as joga de novo no fogo. Enquanto isso, com elas semiassadas, o chão afunda; e caem numa grande bacia de óleo fervendo ali embaixo, onde acabam de morrer.
juntar uma família pobre em cima de uma mina e vê-la explodir.
Um incestuoso, grande apreciador de sodomia, para unir esse crime aos de incesto, assassinato, estupro e sacrilégio, e adultério, é enrabado por seu filho com uma hóstia no cu, estupra a filha casada e mata a sobrinha
Um grande partidário de bundas estrangula uma mãe ao enrabá-la; quando ela está morta, vira-a e fode-a na boceta. Ao esporrar, mata a filha em cima do seio da mãe, a punhaladas no peito, depois fode a filha no cu, embora morta; em seguida, com a convicção de que ainda não estão mortas e de que sofrerão, joga os cadáveres ao fogo e esporra ao vê-los queimar. É o mesmo de quem falou Duclos no dia 29 de novembro; aquele que gostava de ver uma moça em leito de cetim preto; é também o mesmo da primeira história que Martaine contou no dia 11 de janeiro.
Aquele cujo gosto era escarificar obriga duas mulheres grávidas a lutarem dentro de um quarto (são observadas sem risco), a lutarem, digo, com punhais. Estão nuas; ele as ameaça com uma espingarda apontada para elas, se não quiserem lutar. Caso se matem, fazem o que ele quer; senão, ele se precipita para o quarto onde estão, de espada na mão, mata uma e esventra a outra, e lhes queima as entranhas com águas-fortes e pedaços de ferro em brasa.
Um homem que gostava de chicotear no ventre mulheres grávidas apura a prática prendendo a moça numa roda; debaixo, amarrada numa poltrona e sem poder se mexer, está a mãe dessa moça, de boca aberta e obrigada a receber na boca todas as sujeiras expelidas pelo cadáver e a criança, se ela parir.
Aquele de quem Martaine falou no dia 16 de janeiro, e que gostava de espetar a bunda, prende uma moça a uma máquina toda guarnecida de pontas de ferro; fode-a ali em cima, de maneira que ela se espete a cada metida que ele der; em seguida, vira-a e fode-a no cu para que ela também se espete do outro lado, e a empurra pelas costas para que ela fure também as tetas. Quando termina, põe em cima dela uma segunda prancha igualmente guarnecida, e depois, com parafusos, aperta as duas pranchas. Ela morre assim, esmagada e furada por todo lado. Esse apertão é feito pouco a pouco; ela tem todo o tempo de morrer em meio às dores.
Um fustigador põe uma mulher grávida sobre uma mesa; prende-a nessa mesa, enfiando primeiro um prego em brasa em cada olho, um na boca, um em cada teta; depois queima o clitóris e os mamilos com uma vela e lentamente serra os joelhos ao meio, quebra os ossos das pernas e acaba por enfiar um prego em brasa e enorme no umbigo, que mata o filho e a ela. Ele quer uma prestes a parir.
Um libertino manda buscar duas boas amigas, amarra-as uma à outra, boca contra boca, e diante delas há uma excelente comida mas elas não podem pegá-la, e ele as observa devorando-se uma a outra quando a fome aperta.
Um homem que gostava de chicotear mulheres grávidas põe seis dessa espécie numa roda formada por círculos de ferro: isso forma uma jaula dentro da qual estão todas, cara a cara. Aos poucos, os círculos se comprimem e encolhem, e assim elas são achatadas e sufocadas, as seis, com seus frutos; mas antes ele cortou de todas uma nádega e uma teta que, em seguida, lhes coloca como uma palatina.
Um homem que também gostava de chicotear mulheres grávidas amarra duas, cada uma a uma percha que, graças a uma máquina, as atira uma contra a outra, entrechocando-as. De tanto se chocar, elas se matam assim, mutuamente, e ele esporra. Tenta conseguir mãe e filha ou duas irmãs.
tem como última paixão pendurar três mulheres acima de três buracos: uma é pendurada pela língua, e o buraco que tem embaixo de si é um poço muito profundo; a segunda é pendurada pelas tetas, e o buraco que tem embaixo de si é um braseiro; a terceira tem o crânio esmagado e é pendurada pelos cabelos, e o buraco que tem embaixo de si é guarnecido de pontas de ferro. Quando o peso do corpo dessas mulheres as arrasta, quando os cabelos são arrancados juntamente com a pele do crânio, quando as tetas se rasgam e a língua é cortada, saem de um suplício apenas para passar a outro. Quando pode, ele põe ali três mulheres grávidas, ou senão uma família, e foi nisso que empregou Lucile, a irmã e a mãe.
Ele precisa de quinze moças para essa orgia, e todas entre quinze e dezessete anos, nem mais nem menos. Seis cafetinas são empregadas em Paris e doze nas províncias para lhe procurar tudo o que é possível encontrar de mais adorável nessa idade, e as moças, à medida que são encontradas, se reúnem num viveiro, dentro de um convento de província sob seu comando; e de lá tiram-se as quinze criaturas para sua paixão, executada regularmente a cada quinze dias. Ele examina em pessoa, na véspera, as criaturas; o menor defeito faz com que sejam excluídas: quer que sejam absolutos modelos de beleza. Elas chegam, conduzidas por uma cafetina, e ficam num quarto vizinho ao salão de volúpia. São mostradas a ele, de início, nesse primeiro aposento, as quinze nuas; ele as toca, apalpa, examina, chupa na boca e manda todas cagarem, uma após outra, em sua boca, mas não engole. Feita essa primeira operação, com uma seriedade assustadora, marca no ombro de todas elas, com um ferro em brasa, o número correspondente à ordem em que quer que lhe sejam apresentadas. Feito isso, passa sozinho ao salão, onde fica por instantes, sem que se saiba em que emprega esse momento de solidão. Em seguida, toca uma sineta; jogam-lhe a moça número 1, mas jogam, literalmente: a cafetina lhe lança a moça, que ele recebe nos braços; está nua. Ele fecha a porta, pega umas varas e começa a açoitá-la na bunda; feito isso, a sodomiza com seu caralho enorme, e nunca precisa de ajuda. Não esporra. Retira o caralho em riste, apanha de novo as varas e açoita as costas, as coxas, pela frente e por trás, da moça, e torna a deitá-la e a deflora pela frente; em seguida, pega de novo as varas e a açoita violentamente no colo, e depois lhe agarra os dois seios e os esmaga com toda a força que tem. Feito isso, abre com uma sovela seis feridas nas carnes, sendo duas nas tetas maltratadas. Em seguida, abre a janela que dá para o subterrâneo, coloca a moça em pé virando-a de bunda, quase no meio do salão, diante da janela; dali, dá-lhe um pontapé tão violento que a faz passar pela janela e cair sobre os colchões. Mas, antes de precipitá-las assim, passa-lhes uma fita no pescoço, e essa fita significa um suplício análogo ao que ele imagina mais apropriado para todas elas, ou o que será mais voluptuoso infligir, e é inacreditável como tem habilidade e conhecimento a esse respeito. Todas as moças vão assim passando, uma depois da outra, e todas são submetidas rigorosamente à mesma cerimônia, de modo que ele tem trinta deflorações num só dia, e tudo isso sem espalhar uma gota de porra. O porão onde as moças caem está equipado com quinze diferentes sortimentos de suplícios atrozes, e um carrasco, com a máscara e o emblema de um demônio, preside cada suplício, vestido da cor atribuída a este. A fita que a moça leva no pescoço corresponde a uma das cores atribuídas a esses suplícios, e, assim que ela cai, o carrasco dessa cor se apossa dela e a leva ao suplício que ele preside; mas os suplícios só começam a ser aplicados a todas depois da queda da décima quinta moça. Logo que esta caiu, nosso homem, num estado de fúria, depois de ter enfrentado trinta deflorações sem esporrar, desce, quase nu e com o caralho retesado contra a barriga, para esse antro infernal. Então, tudo está se iniciando e todos os tormentos são infligidos, e infligidos ao mesmo tempo.
O primeiro suplício é uma roda sobre a qual está a moça, e que gira sem parar roçando num círculo guarnecido de navalhas de barbear, onde a pobre coitada se arranha e se corta em todas as direções, a cada volta; mas, como apenas roça, fica rodando pelo menos duas horas até morrer.
2. A moça está deitada a duas polegadas de uma placa em brasa que derrete lentamente.
3. Ela está presa pelo cóccix a uma peça de ferro em brasa, e cada membro seu é torcido, num destroncamento terrível.
4. Os quatro membros amarrados a quatro molas que se afastam pouco a pouco e os puxam lentamente, até que, por fim, eles se desprendem e o tronco cai sobre um braseiro.
5. Um sino de ferro em brasa lhe serve de boné sem encostar na cabeça, de maneira que seus miolos derretem lentamente e a cabeça assa, aos pedaços.
6. Ela está acorrentada, dentro de uma tina de óleo fervente.
7. Exposta diretamente a uma máquina que lhe lança seis vezes por minuto uma flecha pontiaguda no corpo, sempre num lugar diferente; a máquina só para quando ela está coberta de flechas.
8. Com os pés numa fornalha e uma maça de chumbo sobre sua cabeça que a enterra pouco a pouco, à medida que se queima.
9. Seu carrasco a espeta a todo instante com um ferro em brasa; está amarrada na sua frente; assim, ela se fere pouco a pouco em todo o corpo.
10. Ela está acorrentada a um pilar debaixo de um globo de vidro e vinte serpentes famintas a devoram aos pedacinhos, viva.
11. Ela é pendurada por uma das mãos, com duas balas de canhão nos pés; se cair, é numa fornalha.
12. Ela é empalada pela boca, de cabeça para baixo; um dilúvio de fagulhas ardentes lhe cai sobre o corpo a todo instante.
13. Nervos retirados do corpo e amarrados a cordas, que os esticam; e, enquanto isso, são perfurados por pontas de ferro escaldantes.
14. Sucessivamente atenazada e açoitada na boceta e na bunda com palmatórias de ferro guarnecidas de pedrinhas de aço em brasa, e, de vez em quando, esfolada com unhas de ferro ardentes.
15. Ela é envenenada com uma droga que lhe queima e dilacera as entranhas, causa convulsões pavorosas, a faz soltar uivos atrozes, e que deve levá-la a ser a última a morrer; esse suplício é dos mais terríveis.
todos, foram tão cruéis como variados
No dia primeiro de março, vendo que as neves ainda não tinham derretido, decidem dar cabo de tudo o que sobra. Os amigos formam novos pares em seus quartos e resolvem oferecer uma fita verde a todos os que devem voltar para a França, com a condição de darem uma mão nos suplícios que restavam. Nada é dito às seis mulheres da cozinha, mas decidem supliciar as três criadas que realmente valem a pena e salvar as três cozinheiras, por causa de seus talentos
Por meio de um tubo, introduzem-lhe um camundongo na boceta; o tubo é retirado, costura-se a boceta, e o bicho, não conseguindo sair, lhe devora as entranhas.
Fazem-na engolir uma serpente, que, da mesma maneira, vai devorá-la.
Posfácio — Eliane Robert Moraes
Balzac dizia não haver melhor introdução à atmosfera do romance gótico que Justine; Flaubert afirmava identificar-se com Minski, o antropófago de Juliette; Stendhal se abandonava a tais leituras para compreender os homens de gosto dos Setecentos, “que faziam do prazer sua única ocupação”. A esses se somavam outros tantos nomes como os de Huysmans, Chateaubriand, Lamartine ou Lautréamont, formando uma lista de admiradores que, na França, era encabeçada por Baudelaire e, na Inglaterra, por Swinburne.
Batizado de “divino marquês”, o criador de Justine se tornou referência fundamental na arte de Man Ray, Hans Bellmer e André Masson, na escrita de Georges Bataille, Michel Leiris e Octavio Paz, assim como no teatro de Antonin Artaud e no cinema de Luis Buñuel, além de muitos outros que não se cansaram de exaltar a violência poética de sua imaginação desvairada.
Se a essa altura a fortuna crítica em torno do escritor já era considerável, daí em diante ela só fez crescer. De Simone de Beauvoir a Roland Barthes, de Maurice Blanchot a Michel Foucault, de Albert Camus a Jacques Lacan, o contingente de leitores, tradutores e exegetas excedeu em muito as fronteiras francesas para precipitar a atenção de espíritos como os de Theodor Adorno, Samuel Beckett, Alberto Moravia, Pier Paolo Pasolini, Herberto Helder ou Yukio Mishima. Autorizada por nomes como esses, somados aos de uma legião de scholars internacionais das últimas décadas, a obra sadiana atravessou os anos Novecentos, alcançando a contemporaneidade com um prestigioso lugar de honra entre as publicações da Bibliothèque de la Pléiade e as exposições do Museu d’Orsay.
E agora, amigo leitor, prepare o seu coração e o seu espírito para o relato mais impuro que jamais foi feito desde que o mundo existe, pois livro semelhante não se encontra nem entre os antigos nem entre os modernos. Imagine que todo prazer honesto ou aconselhado por essa besta de que você fala incessantemente sem conhecê-la, e a que você chama de natureza, imagine que esses prazeres, digo eu, serão rigorosamente excluídos desta coletânea e que, quando porventura aqui estiverem, serão sempre acompanhados de algum crime ou coloridos por alguma infâmia.
Digamos que, de um ponto de vista estético, é realmente possível que a atualidade esteja mais preparada para enfrentar o texto do que estava a época de Sade. Afinal, a associação entre o “bem” e o “belo”, que era basilar então, submetendo as artes à moral, perdeu sentido desde que Baudelaire publicou suas Flores do mal, expondo os leitores oitocentistas ao desconforto de imagens que atentavam contra o suposto “bom gosto”. Esse processo se ampliou ainda mais desde que as vanguardas elegeram o poeta como seu principal patrono e levaram à risca sua aposta nos imaginários malditos. Não é difícil deduzir, portanto, que a ficção do Marquês já não deve assustar tanto como pode ter feito em outros momentos.
A volúpia, já ensinava o personagem do Diálogo entre um padre e um moribundo, é “o único modo que a natureza oferece para dobrar ou prolongar nossa existência”. Sem a ilusão de encontrar outro mundo depois de morto, o libertino moribundo transforma seu leito de morte em palco do prazer, onde a sensação de eternidade deixa de ser uma quimera para alcançar o status de experiência. Fantasia soberana que se realiza no corpo devasso, essa experiência cumpre o que a religião mantinha apenas como promessa. Daí também que, mais tarde, a lasciva Madame de Saint-Ange vá lembrar à sua jovem discípula que só o desregramento dos sentidos pode perpetuar o indivíduo no universo. É o que ela sintetiza com singular talento em A filosofia na alcova, quando desafia a aluna em forma de pergunta: “Tens a loucura da imortalidade?”.
Loucura a que Sade deu particular atenção ao redigir seu manuscrito, inclusive por estar, ele também, apartado do mundo nos longos anos de reclusão na Bastilha. Encerrado entre as paredes de uma cela que, por ironia, se localizava numa torre da prisão conhecida como Tour de la liberté, o Marquês ficou entregue aos dias sem fim de uma pena sem duração, que ele fez coincidir com o tempo de sua imaginação. Não estranha, pois, que algumas das descrições mais bizarras desta “antologia de gostos”, para usar uma expressão sua, engendrem temporalidades improváveis, para não dizer absurdas. É o que se comprova, para ficar em apenas dois exemplos, na sumária paixão 31, da classe das criminosas:
Fode uma cabra na posição do galgo, enquanto é chicoteado. Faz um filho nessa cabra, que por sua vez ele também enraba, embora seja um monstro.
Ou ainda na desconcertante paixão 137, que integra a classe das assassinas:
Um incestuoso, grande apreciador de sodomia, para unir esse crime aos de incesto, assassinato, estupro e sacrilégio, e adultério, é enrabado por seu filho com uma hóstia no cu, estupra a filha casada e mata a sobrinha