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Seminar 21 Jacques Lacan

Seminar 21 Jacques Lacan

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Seminário 21 - Jacques-Lacan

spaltungen


unbegriffen


Eu recomeço. Eu recomeço porque havia pensado que pudesse terminar. Eu recomeço, inclusive, porque eu pensei que pudesse terminar.


E eu pensei que tinha passado. Mas então, esta afirmação, “eu pensei que havia passado”, deu-me a oportunidade de me dar conta de algo. É mesmo assim, o que eu chamo o passe. Isso dá a oportunidade, de repente, de sentir um certo alívio, um alívio do que tenho feito até aqui.


o inconsciente é um saber no qual o sujeito pode ser decifrado.
É a definição do sujeito, esta que dou aqui. Do sujeito tal como o constitui o inconsciente. O decifra aquele que por ser falante está em condições de realizar esta operação, o que é ainda, em certa medida, forçado, até atingir um sentido. E é aí que para, porque…
porque se tem que parar. Não se pede senão isso mesmo. Não se pede senão isso porque não se tem tempo. Então, se para num sentido, mas o sentido no qual se deve parar, em ambos os casos, embora seja o mesmo saber, não é o mesmo sentido. O que é curioso.


colmatação


Devo dizer: para mim, não há nada mais penoso do que dar-lhes trabalho. Mas no final, este é o meu papel.


tripalium


Então eu disse: nenhuma objeção a este eu que imagino.
Não disse me imagino. São vocês que se imaginam compreender. É dizer que neste vocês se, vocês imaginam que são vocês que compreendem, mas eu não disse que era eu, eu disse eu imagino.
Enquanto o que vocês imaginam, eu trato de pôr temperança na coisa. Eu faço o que posso, em todo caso, para impedi-lo a vocês.
Porque não se deve compreender muito rapidamente, como já várias vezes se assinalou.


O imaginário é sempre uma intuição do que há para simbolizar. Como acabo de dizer, algo para mastigar, para pensar, como se diz.


Como isto não é imediatamente acessível, vou tentar mostrá-lo pra vocês


A ideia de γένησις, de desenvolvimento, como se costuma dizer, de algo que seria de não sei que norma, pelo qual um ser que não se especifica senão por ser falante, em tudo o que tem a ver com seus afetos, seria regido, precisamente, por não sei o que, conforme o que seja incapaz de definir, que se chama desenvolvimento. E para o qual, querendo reduzir a análise, faz falta (manque), produz o erro completo, o erro radical quanto ao que tem a ver com o fato de que eu descubro o inconsciente.


O que Freud indica pelo surgimento do inconsciente? Que em qualquer ponto que se esteja nessa pretendida viagem, a estrutura, mesmo que eu esboce aqui de qualquer maneira, pouco importa… a estrutura, quer dizer, a relação com um certo saber, a estrutura não dá seu braço a torcer. E o desejo, como impropriamente se traduz, é estritamente, ao longo da vida, sempre o mesmo. Simplesmente, relações de um ser particular em sua emergência, na sua emergência em um mundo onde reina esse discurso; este sujeito está perfeitamente determinado, quanto a seu desejo, do começo ao fim. No qual, não é senão por … por não se querer tolo da estrutura, que um se imagina da maneira mais louca, que a vida está tecida de não sei quais contrariedades entre pulsões de vida e pulsões de morte; pelo menos, isto já é flutuar um pouquinho mais alto, enfim, que a noção, que a noção de sempre, da viagem.
Nascimento Estrutura Morte


Aqueles que não são tolos do inconsciente, quer dizer os que não realizam todos os seus esforços para se ajustarem a ele - não é? - que não vêem a vida senão desde o ponto de vista do viator: é assim, além do que, como têm surgido … bem … toda uma etapa da lógica, só-depois, sem dúvida, e com não sei que consequências, apareceram essas coisas, das quais nem sequer se vê até que ponto é um paradoxo - não é mesmo? todos os homens são mortais. Quer dizer o que eu disse, viajantes.


Mas é certo que não haja mais que uma via? Ou mesmo que não haja mais do que a noção da via, do método antigo, qualquer que seja?
Não seria esta, ao forjarmos, uma ética muito diferente, uma ética que se fundaria na recusa de ser não-tolo, na maneira de ser cada vez mais fortemente tolo desse saber, desse inconsciente que, no final é nosso único patrimônio de saber?
Sei que esta é a sagrada questão da verdade, não? Depois do que lhes foi dito e voltando a ele e retornando a ele, não vamos nos pôr a aderir à verdade sem saber que é uma escolha, já que ela não pode senão se meio-dizer. E que, depois de tudo, por trás do que nós escolhemos dizer dela, sempre há um desejo, uma intenção, como se diz. Nisto se funda, finalmente, toda a fenomenologia. Falo de Husserl. Então, que vocês variem as dicas de dizer da verdade, desde logo, vejam o que isso dá: coisas muito curiosas.


Não gostaria de comprometer demasiado a Deus neste assunto, todos sabem que eu considero que … ele é muito mais da ordem da superamada (super-chéri) trapaça (supercherie); então, por que diria ele sempre a verdade, ao passo que a coisa anda tão bem se ele é totalmente malandro? Admitindo que ele tenha feito o real, ele está tanto mais submetido quanto o que … ele é quem o fez, então, por que não?


e assim vai a coisa, quanto pior, melhor. Então, por isso, há que ser tolo. Há de ser tolo, é dizer, ajustar-se a estrutura.
Bem, escutem: estou farto.


sou suficientemente tolo para não errar?
Errar no sentido que lhes assinalei da última vez, o que significa:
será que me ajusto o suficiente ao … ao discurso analítico? o que no entanto não deixa de implicar uma espécie de horror frio? É que eu me colo o suficiente para não … para distrair-me dele, isto é, para não seguir realmente seu barbante, ou mesmo, usando um termo que vai me servir mais tarde - lá onde me espera, nos espaços


die Grenzen der Deutbarkeit


Gesammelte Schriften


Die okkulte Bedeutung des Traumes


Como vocês sabem, não era inteiramente novo, claro, que Freud se preocupava com o oculto. Ele fez isso, por … por errar.
Por errâncias relativas ao discurso científico. Sim, porque ele imaginou que o discurso científico devia levar em conta todos os fatos. Foi uma errância pura. E uma errância mais grave ainda:
uma errância levado até o erro. O discurso científico não tem em conta fatos que não se ajustam a sua estrutura, a saber, lá onde ele começou a antecipar, sua relação com sua própria matemática.
Assim que ele tem em conta todos os fatos que constituem um furo em sua, digamos, e vou muito rápido, porque é uma palavra que não vale a pena …, que constituem furo, porque é mais sensível, imediatamente, dizer assim, que constituem um furo em seu sistema. Mas o que não é de seu sistema totalizante, disso, nada quer saber. Então, ao se preocupar assim, sobre os fenômenos ocultos, isso não quer dizer para nada que eles estão, que eles estão escondidos, porque o que está oculto é o que está oculto pela forma do próprio discurso, mas que não tem absolutamente nada a ver com a maneira como o discurso não está escondido, ele está alhures.


não há passado a partir do momento em que se trata dessa função espacial, o cruzamento da linha com essa rede da estrutura, que se move ao longo da linha, mas ao mesmo tempo, pode-se dizer, que não se move, já que a linha não varia. É em relação à jornada da vida, que se pode dizer que há uma parte que passou e uma estrutura que é remanescente, assim, por consumir, que se chama o futuro. Essas inscrições do desejo indestrutível seguem o deslizamento. Mas, ao seguir os deslizes ao mesmo tempo, ela para, congela, não é? Porque todo movimento é relativo, não é mesmo? E se a escorregada lá dentro não é mais que um deslizamento, não constitui um ponto de referência.


Die Frage, ob man von jedem Produkt des Traumlebens eine vollständige und gesicherte Übersetzung in die Ausdrucksweise des Wachlebens (Deutung) geben kann, soll nicht abstrakt behandelt werden, sondern unter Beziehung auf die Verhältnisse, unter denen man an der Traumdeutung arbeitet


Unsere geistigen Tätigkeiten streben entweder ein nützliches Ziel an oder unmittelbaren Lustgewinn


queria dizer gozar o menos possível, porque o prazer nos enfastia, e era justamente por isso que eles tratavam de porcos, porque, na verdade, os porcos, meu deus, não gozam tanto como nós imaginamos,eles permanecem em sua pequena pocilga bem tranqüilos… bem, eles gozam o mínimo.


Pensem nisso, no entanto, não são senão os escravos que gozam. É sua função. E por isso, se os isola, inclusive não se tem o menor escrúpulo em transformar homens livres em escravos, já que ao transformá-los em escravos se lhes permite não dedicar-se a outra coisa senão a gozar. Os homens livres não aspiram mais do que isso. E como são altruístas, consequentemente, fazem escravos. Isso aconteceu na história, na nossa própria história. Obviamente, havia lugares onde éramos mais civilizados. Na China não havia escravidão. Mas o resultado é que, apesar de tudo o que é dito, os chineses não chegaram a fazer ciência. Agora que Marx lhes tocou um pouquinho, eles despertam.
Como dizia Napoleão: acima de tudo, não os acordem. Eles estão agora despertos. Eles não tiveram necessidade de passar pela coisa dos escravos. O que, no entanto, prova que há transplantes, - não é? -, e que isto não é o pior a ser evitado. Pode se evitar o melhor.
E, claro, chegar.


A linguagem é feita assim. É algo que, por mais que vocês ampliem sua cifração, nunca se chegará a liberar o que tem a ver com o sentido, porque a cifração está no lugar do sentido, porque ele está lá, nesse lugar.


Na verdade, se vocês pensam bem o que acontece quando se produz reunião entre duas tropas chamadas armadas, e que também são discursos, discursos ambulantes, enfim, quero dizer que cada um se detém apenas porque se acredita que o capitão é S1. Bem … É também bastante claro que, se a vitória de um exército em detrimento de outro é estritamente imprevisível, é porque não é possível calcular o gozo do combatente. De qualquer forma, tudo está aqui: se há aqueles que gozam com fazer-se matar, eles têm vantagem. Esta é uma breve passada de olhos ao que pode ocorrer com o contingente, quer dizer, com o que se define pelo incalculável…


Psicanálise e Telepatia, Sonho e Telepatia


a relação do inconsciente do ocultista com o da cartomante, é relação com o sujeito do inconsciente. Em outras palavras, ele nega todo fenômeno telepático em relação a isto, o nega com respeito a isto: que não há senão identificação do desejo.
Ele considera que a localização do desejo, é sempre possível, o que quer dizer… o que quer dizer, em relação com a minha inscrição do outro dia, da vida como viagem e a estrutura que se move ao mesmo tempo que a viagem, desenhada, desenhada linearmente.

---- Aqui

não é impensável que o corpo enquanto que o acreditamos vivo, seja algo muito mais difícil do que aquilo que sabem os anatomo-fisiologistas.


Por um longo tempo eu quebrei minha cabeça tentando descobrir por que vocês eram excessivamente numerosos… enfim, quebrando-a com força, alguma luz sobre o assunto foi jogada? Precisamente, sua demanda, a que os aglomera aqui, é esta: como ter alguma possibilidade de deixar a estupidez


Então, o que encontra o discurso analítico é isto: o que vocês fazem, longe de ser obra de ignorância, é sempre determinado, determinado por alguma coisa que é saber e que chamamos de inconsciente. O que vocês fazem, sabe, sabe, s-a-b-e, o que vocês são, sabe vocês. O que … vocês … não sentem o suficiente - não posso crer em uma assembléia tão numerosa - é até que ponto este enunciado é novo. Nunca os… os grands guignols se ocuparam da questão do saber. E Deus sabe que não é sem desconforto que coloco Pascal entre eles, pois ele é … é o maior de todos, de todos os grands guignols. Ninguém jamais ousou este veredicto, e, portanto, observem o seguinte: a resposta do inconsciente não implica o perdão e nem mesmo circunstâncias atenuantes.
O que vocês fazem é saber, saber perfeitamente determinado. E o fato de que esteja determinado por uma articulação suportada pela geração anterior não os desculpa de nada, pois o dizer, o dizer desse saber, não é mais que fazer saber mais endurecido. Saber de sempre, até o limite. Extraí de Freud este sentido, porque ele o disse, o disse com toda a sua obra.Mas eu não posso fazer que ouçam o dizer de Freud, porque não há nada, nada a fazer senão deixar que isso siga. Quando eu rezo para que vocês não me entendam,vocês vêem que não é o suficiente. Uma vez enunciado, isto funda um novo discurso. Quer dizer, uma estrutura conjunta que se confirma ser tudo o que existe de ligação entre os seres falantes. Não há outras ligações senão o vínculo do discurso. Naturalmente, isso não significa que possamos imaginar senão outra coisa.


é o que um escritor recente, peço desculpas a ele, não tive ainda tempo de lê-lo, é o que ele chama Le Singe d’or.


Seria benéfico ver que, se cabe dizer, imaginário e simbólico não são senão modos de acesso?


eu não posso falar com ele na minha língua, ou seja, se ele me compreende, é que já na sua, ele está fodido.


O tempo é, pode ser, a eternidade do espaço, que nasce de uma interferência irremediável.


Por agora, é só uma coisa a dizer. Eu não posso dizer que é a data de batismo desse Real: ” Eu batizo, Real, a ti, enquanto terceira dimensão … ““; eu já fiz isso, há muito tempo, inclusive aqui, no começo de meu ensino. Só que adicionei, do fundo do meu coração: “Eu te batizo, real, porque se você não existisse, teria que te inventar”. Por isso, o inventei. Não, por certo, em virtude do que desde muitíssimo tempo não haja sido denominado…


este não cessará de se escrever


No mínimo, vale a pena se interessar por isto, talvez, só para ver no que dá. Mas nada do que eu diga o fará. Eu digo: a verdade só pode ser semi-dita. Isto significa que só há verdade matematizada:

  • Isto é, escrita - Isto é, que ela não é suspensível, como verdade, senão de axiomas.

Isto é, que não há verdade senão naquilo que não possui nenhum sentido - Isto é, daquilo que não há que sacar outras conseqüências que as de seu registro, o registro da dedução matemática.


Se aceitarem recordar algumas das coisas que eu escrevi no quadro na época em tinha a força para ele, a linguagem é um efeito do seguinte: de que há significante 1.
Mas saber, não é a mesma coisa. O saber é a consequência de que não há um outro. Com o qual se faz 2, aparentemente. Porque este segundo obtém seu estatuto, justamente, do fato de que:

  • Não tem nenhuma relação com o primeiro, - De que não formam cadeia Ainda que eu tenha dito, em alguma parte de minhas garatujas, as primeiras, Função e Campo, isso não era, lá, tão estup…Disse em Função e Campo que formavam cadeia. É um erro, porque para decifrar, foi preciso que eu fizesse algumas tentativas, daí essa estupidez. Mesmo quando o deciframento é adequado.
    Quando se decifra, se embaralha

quando uma das dimensões lhes arrebenta, por qualquer razão, vocês devem ter, verdadeiramente, enlouquecido


era tolo do Real.Era tolo do Real ainda que não acreditasse nele. E é disto que se trata. Para o bom tolo, ele, que não era, é preciso que haja em alguma parte um Real de que se seja tolo.


O estudo do sono, o verdadeiro, desse que se tem quando se dorme e de que vocês são o sino,seja lá o que se diga, demonstra que isso não tem nada a ver com vosso sonho, desperto ou não.
Inclusive é o que os distingue como seres falantes: que há um saber que vocês ouvem no sonho, e que nada tem a ver com o que dele fica quando estão, pretensamente, em vigília. Por isso é tão importante decifrar esse sonho, esse sonho que vocês somente sonham durante algum tempo.


A imaginação de poder, não sou eu quem os faz dizer. Nem lhes faço dizer nada a ninguém. Minha boa função é escutar.
Naturalmente, devolvo, mas o faço porque o que escuto me sai pelas orelhas. Bom. O que eu faço agora, hein? Lhes dou um flash de uma outra resposta.Uma outra resposta, que é que motiva a minha pergunta. Obviamente, eu gostaria que, enfim, há que olhar duas vezes.Porque se o dizer é um evento, Deus sabe o que pode ter de conseqüências.


O amor não é outra coisa que um dizer enquanto um acontecimento. Um dizer de rebarba. E que o amor não tem nada a ver com a verdade. Isto é dizer muito, porque também o que ele demonstra é que esta não se a pode dizer toda. Esse dizer, esse dizer do amor, se endereça ao saber que é este que está aqui, no que é preciso chamá-lo de inconsciente.


Que é imaginável, já que está feito de imagem efetiva - Que é simbólico, já que posso defini-lo como nó - E o que é totalmente real, pelo acontecimento mesmo desse dizer, acontecimento consistente em que, qualquer que seja, cada um de vocês pode lhe dar o sentido que tem


Eu sou aqui o Mestre Jacques, pois é preciso prevenir contra toda interpretação precipitada, nada mais que nisto consiste o que pode haver, nesse dizer, a explorar.


Vida e Reino do Amor, em Kierkegaard


Não há a menor errância ali, tudo é traçado logicamente.


suportar o que em efeito toda a análise nos faz sentir: suportar o gozo.


literatura de Cátulo em A Homenagem a Lesbos


Certamente não é, é claro, tal como seria, em qualquer coisa, o veículo da morte. Nada como os psicanalistas para crer nisso, pobrezinhos, instinto de vida, instinto de morte. La onde estão ocupados com sua interpretação, eles passam ao largo.
Mas não cabe dúvida de que o masoquismo que ali se levantou, a junção, o emprego como um meio …como um meio para unir, para unir o gozo e o corpo… emprego como um meio desta perversão, é certamente o que os une.


que cessa de se escrever


é o fato de que esse discurso não cessa de escrevê-lo (ne cesse pas de l´ecrire)


E esse é o sentido que deve ser dado ao que cessa de se escrever. Seria o sentido mesmo das palavras o que, neste caso, se suspende. Pelo qual emerge dele o modo do possível. Que no fim das contas, algo que se tenha dito, cessa de se escrever. O que demonstra que,enfim, tudo é possível pelas palavras, precisamente por esta condição: que não tenham sentido.


Se a minha maneira de situar o modo é correta, a saber, que não cessa de não se escrever ( ce qui ne cessa pas de ne pas s´écrire), o necessário, é o que necessita o encontro do impossível, quer dizer, o que não cessa de não se escrever, o que só pode ser abordado pelas letras


contingente


Porque esses modos .Possível, impossível, necessário, contingente. são verdadeiros e inclusive definíveis, de fato, por nossa fixação a escrita.Estes esquartejam, por assim dizer, a verificação do amor, e de maneira tal que, por uma de suas faces, é certo, funda o que chamamos sabedoria. Salvo que a sabedoria não pode ser de nenhuma maneira o que resulta dessas considerações sobre o amor. A sabedoria não existe senão em outra parte. Para o amor, ela não serve para nada.


Porque afinal, não poderíamos considerar esse discurso mesmo como contingente, já que parte de um dizer, de um dizer que constitui acontecimento, ele de que eu trato de… de estender diante de vocês.E a questão da contingência desse dizer, e bem, giramos ao redor dessa contingência do discurso. Se esse dizer não é senão contingente, é também, disto que temos que dar conta:
onde se situa o Real? Será que o real nunca é senão suposto?


Suposição que a experiência torna evidentemente insustentável, e que implica que aquilo que sustento como enunciado, por meio de minha enunciação, pela enunciação


de que não sou sujeito senão enquanto que, no discurso analítico, eu trabalho, eu mesmo, é preciso que não ponha um sujeito sob esse x nem sob esse y. Isso requer que o enunciado - e nada do que já tenha escrito no quadro - isso requer que meu enunciado não implique um sujeito. Se alguma coisa, se alguma coisa está escrita lá é que o sujeito é somente questão na função, e justamente que aquilo que eu escrevo é que, sob essa função, justamente por estar ela negada, não há nenhuma existência. Ele não existe, quer dizer isso: não há função. Se trata, se trata pois, de demonstrar que essa função, se não tem existência, não é somente caso contingente, é caso do impossível.


o que é que supõe a topologia?
A topologia não supõe, não supõe naquilo que tem a ver com o espaço, senão uma consistência. Vocês sabem disso ou não sabem, em todo caso, não posso lhes dar um curso de topologia.
Mas nada exclui que se reportem ao texto matemático onde se tem elaborado esta noção, a partir do abandono da medida como tal, a saber, que qualquer que seja a relatividade dessa medida, já que ela só se produz por homotétia, para saber a hora e a altura do sol não


temos mais dada além da relação da sombra com a estaca que a projeta, qualquer que seja essa relatividade é sobre um triângulo que tudo repousa naquilo que concerne à medida.
A topologia elabora um espaço que só parte do seguinte: da identificação de vizinhança, de proximidade, isto tem o mesmo sentido. É uma definição de perto, que parte de um axioma, de que tudo o que forma parte de um espaço topológico deve ser posto em uma vizinhança, implica que qualquer outra coisa esteja na mesma vizinhança. A noção de pura de vizinhança implica, então, já, triplicidade, e não se funda, não se funda em nada que una a cada um dos elementos triplos salvo se pertencerem a mesma vizinhança.É um espaço que só se suporta na continuidade que dele se deduz, porque não há, no topológico, outras relações chamadas contínuas que não estejam fundadas na vizinhança, as que ao mesmo tempo implicam o que chamarei - e isto não se encontra enunciado, formulado com tal na topologia - de maleabilidade. Os matemáticos a chamam de deformação contínua.Vocês vêem que a referência a contínua está na palavra e junta, contígua, à palavra deformação, que, para ser mais correto, se enuncia: transformação contínua


Não se trata aqui de um pensamento, já que em seu caráter de pensamento ele é, se posso dizer, ainda virgem. E, também, o pensamento, com respeito ao que se suporta neste avanço do três, do três como nó e como nenhuma outra coisa, o pensamento não é senão o que chamei a pouco o que se cogita, quer dizer, um sonho negro, aquele no qual, comumente, vocês habitam.Porque se em algo nos inicia a experiência analítica é na circunstancia de que o mais próximo do vivido, como tal, é o pesadelo. Nada há de mais obstaculizador do pensamento, incluído do pensamento que se quer claro e distinto: aprendam vocês a ler Descartes como um pesadelo, isto os fará avançar não pouco. Como assim?Vocês não, podem perceber que esse tipo que se diz, eu penso, logo eu sou, é um sonho ruim?


Em outro tempo havia algo assim como um… um garoto de recados que lançava gritos depois de cada um de meus seminários, gritos que se resumiam em: Porque que ele não diz o verdadeiro sobre o verdadeiro? Este personagem é bem conhecido, lhe foi confiado um Vocabulário…Eu não tenho que dizer o verdadeiro sobre o verdadeiro, pela razão de que dele não posso dizer mais que isto: que o verdadeiro é o que contradiz o falso. Mas, pelo contrário, posso dizer, embora também fosse preciso colocar tempo nele, pois há um tempo para tudo, posso dizer a verdade sobre a verdade.A verdade é que não se a pode dizer, já que ela só pode se semi-dizer. A verdade não se funda, acabo de dizer, senão na suposição do falso: ela é contradição. Não se funda mais que no


não. Seu enunciado é só a denúncia da não verdade. Ela se diz nada mais que pela metade (mi). Digamos a palavra, ela é mi-mética (mi-métique), ela é do Imaginário.E efetivamente por isso nos vemos forçados a passar por lá. Ela é Imaginário enquanto o Imaginário é o falso segundo, com relação ao Real, enquanto que o macho, no ser falante, não é a fêmea, e que não tem outro viés por onde se apresentar. Só que não são esses vieses que podem nos satisfazer. É assim ao ponto de que se pode dizer que o inconsciente se define por isto. E nada mais que por isto: que ele sabe mais do que a verdade, e que o homem não é a mulher


Portanto, esse saber inconsciente não se suporta:

  • Do fato de que insiste, senão pelos traços que essa insistência deixa;
  • Não da verdade, senão de sua repetição enquanto ele se modula como verdade.

que a classe Homem, não é um homem.
Todos os paradoxos se reduzem a isto.
O que isso quer dizer senão que, a rigor, o que podemos designar como Homem é um conjunto aberto, o que salta aos olhos?


  • A verdade tem um limite por um lado e, por isso, ela é semi-dizer -Mas, por outro, é sem limite, é aberta.
    E, por isso, pode habitá-la o saber inconsciente, porque o saber inconsciente é um conjunto aberto.

ele sabe que fala para não dizer senão para obter efeitos, imagina, com todas as suas forças, que esses efeitos são efetivos ainda que girem em círculo, e que supõe o Real, como convém, já que supô-lo não compromete nada, nada mais que conservar sua saúde mental.


te peço que recuses o que te ofereço, porque isso não é isso. Não é isso que eu desejo que tu aceites, nem consigas qualquer coisa desse tipo, porque não me encontro senão ante esse mesmo nó


Aristóteles - quem? - mostra que o verdadeiro não é em absoluto o que está em jogo. Graças ao fato de que ele se abre, que ele abre a questão dessa ciência que chamo o Real - do Real, quer dizer, do três - ao mesmo tempo demonstra que não chega ao três senão abrindo as coisas por meio do escrito, a saber, desde os primeiro passos no silogismo, e é esvaziando esses termos de todo sentido ao transformá-los em letras - quer dizer, em coisas que por si mesmas não querem dizer nada - que desde os primeiros passos faz aquilo que chamei de ciência do Real.


Há canalículos, coisas que fazem ziguezague, truques onde nos perdemos, mas de maneira tal que isso é propriamente o que constitui a metáfora chamada de labirinto: jamais se chega ao fim.Mas o importante não é isso, senão demonstrar porque nunca se chega ao fim, quer dizer, acercar o que ocorre quando se trata - tudo aquilo pelo que tocamos o Real - do que, sem dúvida, faz que do Real tenhamos, como tal, uma ideia própria e distinta: o Real é o que se determina pelo fato de que, de nenhuma maneira, se possa escrever, nele, a relação sexual.


E dele resulta o que é o dizer verdadeiro. Ao menos, é o que nos demonstra a prática do discurso analítico. É que, com esse dizer verdadeiro - ou seja, estupidez, as que nos ocorrem, as que desta maneira nos taramelam - se chega a abrir o caminho para algo que não é senão inteiramente contingente, que às vezes e por erro, isso cesse de não se escrever, como defino o contingente, a saber, que isso leva, entre dois sujeitos, a estabelecer algo que parece se escrever, como isso: daí a importância que dou a o que disse acerca da carta de amuro.


Jaakko Hintikka fez um livreto que se chama Time and Necessity, com o subtítulo:
Étude sur la théorie des modalités d’Aristote.


eu não descubro a verdade, a invento. Ao que acrescento: isto é o saber.


é pura farsa. O masoquismo é um saber, desde logo.
Um saber, mesmo. Mas se há um saber dele que se pode apalpar e que se inventa, que não está ao alcance de todo o mundo, é esse que faltaria dizer que é o personagem em questão, a quem felicitei ao passar, e que não era um clínico, só que havia lido Sacher Masoch. Se é lá que isso se vê, enfim, que o masoquismo, isso s’inventa, e que não está ao alcance de todo o mundo, que é uma maneira de estabelecer uma relação lá onde não há a menor relação, entre o gozo e a morte, isso fica claramente manifestado pelo fato de que - de qualquer maneira, heim? - no entanto, só podemos encostar a pontinha do dedo mínimo. Não nos deixamos agarrar assim pela máquina. Bom.


Sacher Masoch


Assim o que ao menos permite vislumbrar o alcance do que enuncio, que é o saber, o saber lá onde o apreendemos pela primeira vez, assim, manejável, manejável porque não somos nós que sabemos, não somos nós que sabemos - como disse um de meus alunos, que chama a isso o não-saber, pobre rapaz. Ele imagina que não sabe. Mas que história estranha- mas todos sabemos porque todos inventamos um truque para preencher o buraco do Real.Lá onde não há relação sexual, isso produz um buraco que traumatiza (troumatisme) Nós inventamos. Nós inventamos o que podemos, é claro. Quando não se é esperto, se inventa o masoquismo. Sacher Masoch era um estúpido. Temos também de ver como pinças, enfim, não é, a pessoa que queria jogar a coisa, como isso, para encontrá-la. Com aquelas pinças prendeu Sacher Masoch. Ela não sabia o que fazer com isso. Só tinha Le Figaro para expressar-se, e isto já diz tudo.


faz algumas horas alguém me contou sobre seu encontro com um motorista de taxi – isso é extremamente comum, heim., é o caso de dizer - de que não só lhe era impossível, à pessoa que falava, dizer se era um homem ou uma mulher, senão que, inclusive lhe fez essa pergunta e o motorista não conseguiu responder. (Risos) Isto é algo bem comum. E inclusive foi daí que Freud partiu. Ele parte assim, como num comentário; a experiência não lhe é suficiente, porque é preciso que se engate um pouco por todas as partes da ciência, hein? Desde o momento em que não há nada que se pareça mais a um corpo masculino que um corpo feminino, se se sabe olhar em certo nível, no nível dos tecidos, hein? Isso não impede que um óvulo não seja um espermatozóide, e aqui reside a coisa do sexo. É completamente supérfluo salientar que, para o corpo, isso pode ser ambíguo, como no caso do motorista de há pouco.
É completamente supérfluo. Porque se vê que aquilo que o determina não é sequer um saber, é um dizer. Só é um saber porque é um dizer logicamente inscritível


  • há um pequeno traço, há um lugar onde Aristóteles patina - posso lhes mostrar tão logo queiram - no Περὶ Ἑρμηνείας, como por casualidade, Sobre a Interpretação, para que aqueles que não entendem grego, há um lugar onde se fusiona o seguinte: que a lógica proposicional é tão modal como as outras.

Leiam Psicologia das Massa e Análise do Eu, e, especificamente, o capítulo A Identificação, para compreender o que pode haver de genial na distinção formulada lá, das três classes de identificações, quer dizer:

  • As que eu denotei e valorizei como referentes ao traço unário, ao Einzeger Zug;
  • E a maneira como as distingue do amor enquanto que, levado a termo, seguramente, é aquele de que se trata para nós de alcançar, a saber, essa função do Outro enquanto que entregue pelo pai;
  • E, por outro lado, a outra forma, a da identificação chamada histérica, a saber, do desejo com o desejo. Freud distingue precisamente, essas três formas de identificação.

O amor – espero que vocês já se sintam mais confortáveis – o amor é apaixonante. Dizer isso é simplesmente dizer uma verdade da experiência, mas dizê-lo assim, não parece grande coisa, mas é ainda assim, é ainda assim um passo. Porque, para quem tem as orelhas um pouco abertas, não é de forma alguma a mesma coisa que dizer que ele é uma paixão. Primeiramente há muitos casos onde o amor não é uma paixão. Eu digo mais, ainda:
questiono que jamais seja uma paixão. Coloco em dúvida, meu Deus, por causa de minha experiência, por causa de minha experiência – que não deriva unicamente da minha – quero dizer, que minha experiência dentro do discurso analítico me dá material suficiente – por que? – porque em suma eu posso me permitir fazer isso que defini na última vez, o saber, a saber, se inventa. Isso não os coloca em nada seguros – sobretudo se vocês estão em análise comigo – para supor que este saber, como qualquer outra coisa, que eu não o inventaria.


Portanto, o que acabo de dizer, é minha fórmula, aqui: o amor é apaixonante, se eu disse é como estritamente verdadeiro.
Sim, estritamente verdadeiro. Em todo caso há muito tempo que eu fiz a isso algumas reservas, quer dizer, que o estritamente verdadeiro nunca é metade verdadeiro, que nunca pode ser – o verdadeiro – senão meio-dizer. É preciso que mesmo que estejamos a caminho – vamos chegar antes do fim do ano – de formular isso que o contém, e que eu lhes explicarei mais tarde. E que todo meio-dizer, meio-dizer do verdadeiro leva à morte como regra, pois o verdadeiro é, ainda assim, aqui, qualquer coisa cuja experiência analítica pode nos dar o contato… o verdadeiro não tem nenhuma outra forma de poder ser definido que essa que, em suma, faz com que o corpo vá ao gozo, e nisto, pelo qual ele é forçado, não é outra coisa que o princípio, o princípio pelo qual o sexo é muito especificamente ligado à morte do corpo


Só há nos seres sexuados o corpo morto. E este forçamento da reprodução, é bem aqui a que serve o pouco que podemos enunciar de verdadeiro. Eu diria ainda mais, que se trata da morte… mesmo por isso que nunca tivemos mais que verossimilhança, porque esta morte, o princípio do verdadeiro, esta morte no ser falante, no ser enquanto fala, nunca é mais que um engodo … a morte, verdadeiramente, por tê-la diante de si, não está ao alcance do verdadeiro.


círculo do gozo, do corpo e da morte?


Se o Verdadeiro e o Belo não têm agüentado, não vejo porque o Bem faria melhor. A única virtude que vejo sair dessa interrogação - e a indico enquanto há tempo, porque não se a verá mais - a única virtude, se não há relação sexual, como enuncio, é o pudor.


Então, os não-tolos erram, ou pode ser os não-pudendos erram.


se o bem-dizer não é governado senão pelo pudor, que forçosamente choca. Isso choca, mas não viola o pudor.


Se fala de tudo o que se queira, de substância extensa, de substância pensante, mas a primeira ideia que poderia ocorrer, que se há algo que se possa definir como o corpo, não é a vida, já que a vida só a vemos em corpos que, depois de tudo, o que são? Coisas da ordem das bactérias, coisas que abundam, enfim, e rapidamente se tem três quilos quando se se tinha um miligrama, não se vê bem que relação há entre isso e nosso corpo… mas a própria definição de um corpo é que seja uma substância gozante, como é que ninguém jamais o enunciou? É a única coisa, fora de um mito, que é verdadeiramente acessível a experiência. Um corpo goza de si


mesmo, goza bem ou mal, mas está claro que este gozo o introduz numa dialética onde, indiscutivelmente, fazem falta outros termos para que se sustente em pé, a saber: nada menos que esse nó que lhes sirvo, que lhes sirvo como pão coberto de geléia.


unca se sabe senão depois. E é absolutamente certo que aquilo que eu buscava na dissecação era encontrar um nó. Sim.


Me deixo ir um pouco para os parênteses -vocês vão me perdoar, já que perdoam habitualmente - mas é inacreditável que a força do sonho tenha chegado a fazer, de uma função corporal, o dormir, um desejo.Ninguém até agora, jamais pôs em destaque o fato de que, no que diz respeito a algo que é manifestamente um ritmo - já que existe em muitos outros seres que não são seres falantes - o ser falante chegue a fazer dele um desejo. Ocorre que prossegue o sonho como tal, e por isto, deseja não despertar.
Naturalmente, há um momento em que a coisa se afrouxa. Mas ninguém destacou a autonomia, a originalidade do fato que Freud haja podido chegar até lá.


O que quer que eu diga - e digo eu porque me suponho nele, neste dizer, de que sem dúvida está feito daquilo que é minha voz - o que quer que eu diga, isso fará surgir dois aspectos: um bom e um mau. Daqui provém justamente o que me havia atribuído, minha pretensão de que o Imaginário é caca, bobo, um mal, e que o bem seria o Simbólico. Aqui vocês me têm formulando novamente uma ética. Quero dissipar o mal-entendido desse ano, aquilo que antecipo acerca da estrutura do nó, onde ponho o acento sobre isso: que é de três que se introduz o Real


ética, em particular, com a qual gostaria de romper: a do Bem, precisamente.Mas como fazer se despertar é, neste caso, voltar a dormir, se no Imaginário há qualquer coisa que necessita que o sujeito durma?


que o Imaginário é a prevalência dada a uma necessidade do corpo, a de dormir. Não é que o corpo, o corpo do ser falante, tenha mais necessidade de dormir do que outros animais, o que jamais saberemos, por outro lado, dar seu signo –o que, com os outros animais, opera no dormir. A função do sono, de hipnose, no ser falante, só toma essa prevalência do que falei para identificá-lo ao Imaginário mesmo, só toma essa prevalência do efeito dessa nodalidade, dessa nodalidade que só enoda o Simbólico com o Imaginário - mas também poderiam colocar aqui qualquer outro par dos três - só os enoda pela instância do três, enquanto que eu faço dela a do Real.


aquele que sabe se servir do nó, encontra o seu caso porque é por ali que o dormir se faz desejar - desejar bastante - para que ele encontre neles a cumplicidade do sonho, a saber, o desejo de que isso siga dormindo bem


E, sobressaltados, pois pura e simplesmente lhes estaria dizendo que de um a outro, do Imaginário ao Simbólico, cuja existência justamente não suspeitavam, eles restabeleciam a ordem.


Posso acaso fazê-los entender que a sorte do ser falante é que este não pode dizer, não pode sequer dizer - Eu dormi bem., quer dizer, com um sonho profundo, Eu dormi bem, de tal a tal hora? Isto, pela simples razão de que nada sabe dele, já que, em seus sonhos, ao flanquear este dormir profundo, consentiram ao desejo de dormir.É somente no exterior, a saber, submetido a observação de um eletro encefalograma, por exemplo, que se pode dizer que, efetivamente, de tal a tal hora, o dormir foi profundo, quer dizer, não habitado por sonhos, esses sonhos que lhes digo que são o tecido do Imaginário, que são o tecido do Imaginário enquanto que é por serem tomados nesse nó, esse Real, que sua necessidade principal se converte nessa função predileta: a função de dormir.


Quer isto dizer que a transferência é a entrada da verdade? É a entrada de alguma coisa que é a verdade, mas a verdade a partir da qual, justamente, a transferência é a descoberta: verdade do amor.A coisa é notável: o saber do inconsciente foi revelado, foi construído


E bem, não penso que isto se possa abordar de frente.


por isso, o que é não-homem, não se sente acaso que há uma hiância desse não lógico ao dizer-não?Ao dizer-não proposicional, diria eu, para suportá-lo. A saber, o que faço funcionar, em meus esquemas, acerca da identificação sexual. Quer dizer que todo homem não pode confessar seu gozo, quer dizer em sua essência, fálica, para chamá-la por seu nome, que todo homem não chega senão, ao se fundar sobre esta exceção, de alguma coisa, o pai, enquanto que proposicionalmente ele diz não a essa essência.O desfiladeiro, o desfiladeiro do significante por que passa ao exercício essa alguma coisa que é o amor, é muito precisamente esse Nome do pa


a esse Nome do pai se substitui uma função que não é outra que a de nomear-para. Este nomear-para qualquer coisa, é aqui o que desponta em uma ordem que se vê efetivamente substituir o Nome do pai. Salvo que aqui, a mãe geralmente basta por si só para designar seu projeto, para efetuar seu traçado, para indicar seu caminho. Se defini o desejo do homem como o desejo do Outro, isto é o que o designa na experiência. E mesmo nos casos onde, por azar, enfim, ocorre que por um acidente ela não esteja mais ali, é, no entanto, ela, ela, seu desejo, o que designa a seu fedelho esse projeto que pode ser expresso pelo nomear-para. Esse nomear-para qualquer coisa, é aqui que, para nós, neste ponto da história em que nos falamos, se vê preferir - quero dizer efetivamente preferir, avançar - o que tem que ver com o Nome do pai.


pródromo


um amante próximo a obter o sucesso de seu gozo pensará duas vezes se, diante da porta de sua amante, ver instalada a forca que o enlaçará. Se opõe a isto desde sempre e não se arriscará jamais a coisa parecida, enquanto que pelo contrário, é bem evidente que qualquer um é capaz de fazê-lo, se quiser, simplesmente. Então, o que se opõe a isso? É que - como se fosse isto o signo de uma superioridade - convocado pelo tirano a difamar a outro sujeito, alguém pensará duas vezes antes de emitir um falso testemunho.


do dever moral, a essência, a essência daquilo que é para o bem, é que o corpo força seu gozo, quer dizer, que o recalca, e simplesmente em nome da morte, da morte de si mesmo ou de algum outro, no caso aquele a quem pensará salvar


o Real mesmo é três, a saber: o gozo, o corpo, a morte, na medida em que estão enodados, enodados somente, desde sempre, por esse impasse inverificável do sexo.


fórmulas quânticas da sexuação


O ser sexuado não se autoriza senão de si mesmo


Isto seria incontestavelmente verdadeiro salvo que - coisa curiosa - parece que ainda que isso se tenha espalhado desde o começo dos séculos, levamos muito tempo para enganchá-lo a esses termos - como por azar, impróprios - a esse termo de homossexual, por exemplo.É curioso que eu possa dizer impróprios, é totalmente impróprio como nominação. Muito antes não se dispunha desses termos, enfim. Por exemplo, enfim, se lhe chamava, por um lado - e o fato de que de se os distinguia de uma maneira séria a ponto de lhes dar um lugar diferente no mapa geográfico é já suficientemente indicativo - se chamava a isso, por um lado, de sodomitas


Que o analista não se autoriza senão por si mesmo


Isso não quer dizer que ele esteja sozinho para decidir, como acabo de lhes fazer observar no que se refere ao ser sexuado


Então, se digo, que o analista não se autoriza senão por si mesmo - isso é alguma coisa tão avassaladora, enfim, pensar nisso - que se o analista é alguma coisa, que é um do modo ser nomeado-para à análise, se posso dizer, à análise, sob essa forma que quer dizer: membro associado, membro titular, membro não sei o quê. Tudo o que, assim, tentei, com o que quis fazer rir em um pequeno artigo marcando os níveis do que denominei as Suficiências, os Sapatinhos, até as Beatitudes… Ser nomeado-para a Beatitude, não é algo que em si pode fazer rir um pouco? Isto fez rir, mas não muito, porque na época em que escrevi isso, não interessava mais que aos especialistas, e eles não riram de si, claro, pois estavam no sistema.


Quer dizer, independentemente disso, seria preciso que se inscreva naquilo que eu espero que venha a se escrever, porque não é como quando invento, como quando invento o que rege a escolha do ser sexuado, aqui eu não posso inventar, pela razão de que um grupo, um grupo é Real. E inclusive é um Real que não posso inventar pelo fato de que é um Real recém surgido. Porque enquanto não havia discurso analítico não havia o psicanalista. Por isso enunciei que há o psicanalista, por exemplo, eu, fui testemunha, mas isto não pode querer dizer que há um psicanalista. Seria uma visada propriamente histérica dizer que ao menos há um, por exemplo.
Não sigo em absoluto essa inclinação, não estando por natureza na posição da histérica. Eu não sou Sócrates, por exemplo. Onde me situo, enfim, já veremos isso, eventualmente, porque não? enfim.
Mas por hoje não necessito dizer mais.


ao não se autorizar senão por si mesmo ele não pode senão se autorizar também de outros. Me reduzo a esse mínimo porque precisamente espero que algum coisa se invente, se invente do grupo sem voltar a deslizar pela velha rotina, essa que resulta, que é em razão de velhos hábitos, contra os quais, depois de tudo, se está tão pouco precavido. São eles que constituem a base do discurso chamado universitário e fazem que se seja nomeado-para um título.


Interpretar a arte é o que Freud sempre descartou, sempre repudiou, o que chamam psicanálise da arte é ainda mais descartável que a famosa psicologia da arte, é uma noção delirante. Da arte nos precisamos aprender lição. Aprender a lição e alcançar os mesmos resultados só que para outra coisa, quer dizer, fazer dela esse terceiro que ainda não está classificado, essa alguma coisa que se apóia na ciência, por um lado e, por outro, toma a arte como modelo. E iria ainda um pouco mais longe: que não se pode fazê-lo senão na espera de ter que se dar ao final por vencido.


se justamente o próprio da lógica, como ciência do Real, é precisamente fazer da verdade um valor vazio, quer dizer, exatamente nada de nada, algo do que simplesmente podem escrever que não, não-V é F, quer dizer falso, ou seja uma maneira de tratar a verdade que não tem nenhum tipo de relação com aquilo que chamamos comumente verdade.


Pois é. É bem evidente, - não é? - que - eu já indiquei isso de maneira incidental porque gastei tempo me explicando com os filósofos - é bem verdade que este é meu próprio materialismo.
Sim. Bem, o digo apenas porque não estou nem aí para o materialismo. Esse certo materialismo que está ali desde sempre, e que consiste em beijar o cú da matéria em nome de que ela seria mais Real que a forma, enfim, isto por certo já foi condenado.Foi condenado a partir do materialismo histórico, que estritamente não é outra coisa que uma ressurgência da Providência de Bossuet.


Que essa exploração se torne possível, - não é? -, quer dizer… precisamente - se vocês traduzem a modalidade como lhes ensinei a fazer - quero dizer, que isso cessa de se escrever, e de nenhum modo o contrário.É preciso que isso cesse de se escrever para que prove alguma coisa. Quer dizer, que não cessa de partir outra vez. Mas justamente essa é a escansão que tento lhes dar uma ideia, uma escansão que é curiosa. Porque a pulsação que implica, a saber - o que todos sabem - que só pode ser necessário o possível, a saber, o que situo pelo cessar de se escrever e, justamente, o que não cessa de se repetir - alguma coisa que temos sido capazes de tocar, - não é? -, nessa função produzida genialmente por Freud, a repetição.


verdade, não invento, a verdade, a trazem para mim, tenho baldes inteiros


E ser amado - pois vocês me amam, claro - ser amado por um ou por outro, não é nada parecido, hein. O dizer que o objeto a comporta, enfim, é toda classe de coisas que inclusive eu mesmo coloquei por escrito, hein, Subversão do Sujeito e Dialética do Desejo, e patati e patatá, isto é um caminho muito diferente da exibição da voz. Quer dizer, de um testemunho - se há que dizer - patético - não é? - de sua cunhagem em todo esse caso.


o desejo de saber. Por certo não foi comigo que o agarrou. Eu jamais cheguei a sugerir uma coisa parecida, heim. Sim. Não há sombra de desejo de saber, à parte aquilo sobre o que me interrogo e sobre o que não tenho nada que lhes dizer porque nada sei dele, é que existem as matemáticas, que não podem prosseguir, me parece, a menos que se trate de um efeito inconsciente, que não produzem o menor desejo, mas, contudo, é curioso ver que a matemática, isso continua. Se imagina que há entre as pessoas de vossa espécie, enfim, que os matemáticos estão aqui, penso que talvez não existam dois nesta sala, falo de verdadeiros, aficionados: não existe o menor desejo de saber. Não existe o menor desejo de inventar o saber.


Enfim, há um desejo de saber atribuído ao Outro. Isto se vê. Assim surgem as manifestações de complacência da criança em seus porquês. Tudo o que perguntam está feito para satisfazer o que ele supõe que o Outro queira que ele pergunte.


Há a histérica. A histérica é outro caso - heim? Terei que retomar meu esquema - não é? - para lhes mostrar o lugar exato que ocupa o saber - não é? - para a histérica:


  • É um saber particularmente especificado, não é? - É um saber de que ela pega a coisa. Sim.
  • É um saber que não leva muito longe - É um saber que - para nos atermos a origem, muitas vezes não é produzido pelo discurso, o desejo do Outro, mas repassado, por assim dizer.
    Quero dizer que é bem possível que uma pessoa que não tenha o menor desejo de saber nada - não é? - igualmente se tenha dado conta de que, na sociedade, o discurso universitário assegura aos que sabem um bom lugar, e se o entrega para a menina, a garota que se torna histérica - e justamente por isso - lhe repassa que isso é um meio de poder.Naturalmente, ela recebe a coisa, ela, sem saber que é por isso, recebe em sua primeiríssima infância, e este é um caso bem freqüente de transmissão de desejo de saber, mas é algo adquirido de uma maneira totalmente secundária. Em outros termos, o que trata de lhes meter na cabeça e a propósito desta experiência da criança que naturalmente lhes fala desses porquês? desses porquês? que concernem a porque isso?, porque é que as crianças nascem? etc. E tudo o que eles querem é, é ouvir algo que dá prazer, mostrar que fazem tudo como se se interessassem, mas quando já sabem o recalcam - vocês sabem bem - e o recalcam imediatamente, não pensam mais nisso, enfim, é preciso ter uma ideia um pouco mais clara do que se passa realmente. Esse desejo de saber, na medida em que toma substância, toma substancia do grupo social

durante toda a semana até a manhã em que acordo em vossa intenção - posso dizer, por exemplo, esta mesma manhã - até esse momento tenho sempre a esperança de que esta será a última vez, que eu poderei dizer f-i-m, fim. O fato de que esteja aqui - porque quando o disser será antes de começar - o fato de que esteja aqui lhes prova que por mais particular que seja para mim essa esperança, ela é desapontada


Só que é muito difícil de encontrar, está esgotado, apareceu na América. Que incômodo. Não seria nada mal que fizessem fotocópias.


É bem claro que esta pergunta - como todas as outras - só se faz à partir da resposta


No Real, isto quer dizer: o que não depende da ideia que eu tenha dele. Um passo a mais com a mesma cola no pé: aquilo em que não importa que eu pense. Que eu pense nele, o Real está pouco se fodendo para isso.


É o sujeito do saber suposto a sua arte.


São tão bem secundados que nem tem espaço para viver.


Foi preciso esperar Boole para que em 1853 saísse An Investigation of Laws of Thought, uma investigação sobre as leis do pensamento, que tem a vantagem de, sobre Aristóteles, dar um passo, uma tentativa de colar ao que ele pretende observar, fundar em suma, à posteriori, como constituindo as leis do pensamento


Por exemplo, se fazemos, desses anéis de fio, o Simbólico, o Imaginário e o Real, o que restará, enfim, o que restará em uma posição centrífuga, isto todavia vocês tem de verificar, quero dizer, que devem perceber que ao bascular S a I, ao final, R resta centrífugo.Há uma boa razão para isso, se vocês viram bem a última figura, será R, quer dizer, o


Real, ele terá que bascular para obter a última figura que ela mesmo será destrógira e será totalmente centrífuga


por exemplo aqui, tomando uma das faces do quadrado, vocês tirarão, vocês reconstituirão o cubo à partir disso, de que é sempre em uma disposição diagonal - diagonal em relação a uma das faces do cubo - que se encontram os quadrantes cuja orientação é da mesma espécie, e particularmente, nesta ocasião, da espécie levógira.
Apenas lhes sugerirei isto: que o que sai dele, â partir da função do gozo, é que em alguma parte, em uma dessas extremidades do tetraedro:

  • Em alguma parte se situa o xx, não existe nenhum x para dizer não ao Φ de x - Em alguma parte, e vamos colocar, xx existe alguma coisa como Φ de x - Em algum lugar lá, xx, quer dizer que todos fazem dele função - E em algum lugar vocês tem xx não todas.

De alguma maneira deveremos colocar em questão isso: o não (pas), não (non) o não (pas) exclusivo como o de agora, o não (pas) do que existe para dizer não (non) à função fálica. Por outro lado temos o que diz que sim, mas está dividido, a saber, que existe o todos, por um lado, e por outro o não-todos , dito de outra maneira, o que qualifiquei como não-todas.


O nó borromeu está aqui justificado por matematizar, por apresentar essa referência à escrita. O nó borromeu não é, nesta ocasião, mais do que modo de escrita. Em suma, ele presentifica o registro do Real.


Quando no começo me perguntava o que era o inconsciente, entendi tomá-lo só à nível do que constitui efetivamente a experiência analítica. Nesse momento, de nenhuma maneira eu tinha elaborado o discurso como tal, a noção, a função de discurso só chegaria mais tarde. Foi na medida em que esse discurso está ali onde se situa um laço social - e, portanto, tenho que dizer, político - foi na medida em que esse discurso o situa, que falei de discurso. Mas eu só partia da experiência, e nessa experiência está claro que a linguagem é alguma coisa que incontestavelmente se impõe na prática da análise, que a prática da análise está fundada em um patetismo, um patetismo que se trata de situar, e se trata de situar como intervém. Intervir faz surgir a noção de ato. É igualmente essencial pensar essa noção de ato e demonstrar como pode chegar a consistir em um dizer.
Eu acreditei, em outro tempo, como se diz, que devia fazer observar que o analista não somente não opera a não ser com a palavra, senão que se especifica por não operar a não ser por ela.


o patetismo dos sentidos


a ideia de ativo e de passivo, sem que se possa saber, aliás, nessa polaridade chamada do sujeito e o mundo, quem é o ativo e que é o passivo. Não existe necessidade alguma de um ativo para que o patético subsista e se ateste no vivido por nós que, como se diz - não é? - nós sofremos


Então, o que eu quero dizer é que o saber inconsciente, o que Freud supõe, se distingue desse saber no Real, de tal forma que, qualquer que seja, mesmo a ciência chega a fazê-lo providencial, o saber, quer dizer que alguma coisa - um sujeito - o assegura como harmônico. O que Freud propõe - mas não é tudo, eu aponto de passagem - é que este saber não é providencial, ele é dramático, feito de alguma coisa que parte de um defeito em ser, de uma desarmonia entre o pensamento e o mundo e que esse saber está no coração dessa alguma coisa que chamamos ex-sistência, porque insiste do exterior e é perturbador.


Deus não crê em Deus


Mas pergunto se não existe estrita consistência entre o que Freud propõe como sendo o inconsciente e o fato de que Deus, não há ninguém que creia nele, principalmente ele mesmo, porque nisso consiste o saber do inconsciente.


Eu disse saber por outro lado, mas também assinalei que se essa dimensão de saber toca nas bordas do Real, que é entra, joga com o que eu chamaria de as pregas, as bordas do Real, é porque boto fé no que só a escrita suporta como tal a esse Real e que posso dizer alguma coisa que está orientado simplesmente, simplesmente orientado.Porque dizer a verdade está, se posso dizer, ao alcance de todo o mundo e, de certa maneira, a verdade, para nós, na experiência analítica, é nosso material. É nosso material - em quê?

  • em que é a verdade sobre esse patetismo, sobre esse sofrimento que como tal designei, o que leva a esse cerramento de uma experiência estruturada como um discurso.

Então, de que se tratava quando na vez passada lhes recordei os quatro termos, as quatro pontuações, pontuações escritas da identificação que nesta ocasião não chamarei sexual senão sexuada, quando recordei que o nó borromeu permitia situar cada uma dessas escrituras em alguma coisa que se localiza à partir do nó primitivo, do nó que lhes mostrei como pude, com anéis, com anéis de fio que tinha em minha mão, nos quatro quadrantes que eles determinam, que eles determinam à partir de uma primeira planificação, e de uma primeira planificação em que é preciso que dois deles - e disse dois e não os mesmos, não o mesmo já que, se fosse o mesmo, voltaria ao mesmo lugar - a saber que fazem falta dois, e dois diferentes para que possamos chegar a um quadrante que se homologue ao primeiro estabelecido.
Naquele momento acreditei poder mostrá-lo no quadro de uma maneira evidentemente aventurada, como puderam ver e, diante da minha grande exasperação, ali fracassei, não é? Fracassei porque, coisa curiosa, em suma - e isto é o que significa essa experiência - é alguma coisa que ainda não se domina - vocês vão saber, eu vou indicar, vou relembrar - que ainda não está dominado na ordem dos nós. É estranho, é singular, embora alguma coisa disso possa ser antecipada: que o nó borromeu foi identificado com a trança de seis movimentos, seis e não três como pareceria, isto já é alguma coisa. E o que hoje lhes mostro, coloco, relaciono com o que eu já tinha marcado, escrito como sendo a forma mais simples do nó borromeu, que é muito exatamente esta, quer dizer, aquela onde em nenhuma parte existe um terceiro anel, pois o terceiro anel aqui está representado só por uma reta que vocês me permitem supor infinita.


Que se falamos - como já disse, já evoquei anteriormente - se falamos do nó, fazemos alusão ao abraço, ao estreitamento. Mas outra coisa é a maneira como faz irrupção na vida de cada um, esse gozo que, faz parte, podemos dizer, a um desses corpos, mas ao outro não se lhe aparece senão com essa forma, podemos dizer, de referência a um outro como tal, mesmo que alguma coisa, no corpo, possa lhe dar um suporte tíbio, quero dizer, ao nível desse órgão que se chama clitóris.


O que a linguagem de alguma forma sanciona é o fato de que, em sua formalização, impõe outra coisa que a simples homofonia do dizer. É que é uma letra - e o significante nisto mostra, mostra uma precipitação pela qual o ser falante pode ter acesso ao Real - é na medida em que desde sempre, cada vez foi questão de configurar alguma coisa que de certo modo fosse o encontro do que se emite, do que se emite como queixa, como enunciado de uma verdade, cada vez se trata de tudo o que tem a ver com esse meio-dizer, meio dizer alternado, contrastado, canto alternado do que deixa separado em duas metades o ser falante, é sempre por uma referência à escrita o que na linguagem pode situar o Real.


como a coisa não pode se repetir depois de um certo limite, hoje será a última vez que lhes falo, este ano.
Isso me força, naturalmente, a mudar de direção, o que não deve me reter já que, em suma, sempre há que terminar mudando de direção. Não sei muito bem como estou metido aqui dentro, pois a Universidade, se ela é o que lhes explico, talvez seja A Mulher. Mas a mulher pré-histórica, pois vocês vêem que ele é feita de rugas.
Evidentemente ele me alberga em uma dessas pregas. Não se dá conta disso. Quando se tem muitas pregas não se sente grande coisa. Do contrário - quem sabe? - ela iria me encontrar talvez como um incômodo. Bem.


é muito difícil abordar a semiótica.


no sentido de que o saber inconsciente, ele, é um saber com que temos de nos haver, e é nesse sentido que se o pode dizer no Real.


ao Isso que é uma ideia extraordinariamente confusa: como Freud o articula, é um lugar, um lugar de silêncio.


muito simples de um tipo de intercâmbio com o entorno, o inconsciente é um parasita. É um parasita que aparece em certa espécie, entre outras, se adapta muito bem, mas é na medida em que ela não sente os efeitos, é preciso dizer, enunciar que são, quer dizer, patógenos. Quero dizer que essa feliz relação, essa relação pretensamente harmônica entre o que vive e aquilo que o rodeia, é perturbada pela insistência desse saber, desse saber sem dúvida herdado - não é por acaso que ele está lá - e que o ser falante, para chamá-lo como eu o chamo, o ser falante o habita, mas não o habita sem todo o tipo de inconvenientes


a vida, como disse Bichat:
É o conjunto de forças que resistem a morte.


Esse gozo está evidentemente muito mais ligado a lógica da vida do que se crê. Mas o que descobrimos é que em um ser privilegiado, tão privilegiado como Aristóteles o era com relação ao conjunto do humano - em um ser privilegiado, essa vida, se posso dizer, se varia (se varie) ou inclusive se avalia (s’avarie), se mensura (s’avarie) ao ponto de se diversificar - para o quê? - bem, é disto se trata, justamente se trata dos semas, a saber, dessa alguma coisa que se encarna na lalíngua. Para isso deve se resolver a pensar que a lalíngua é solidária da realidade dos sentimentos que ela significa.


Se o corpo, em sua motricidade, está animado no sentido que acabo de lhes dizer, a saber, o da animação que dá um parasita - a animação que talvez eu dou a Universidade, por exemplo - bem,isso vem de um gozo privilegiado distinto do gozo do corpo. É certo que falar dele, enfim, produz muito mais embaraçamento, porque dizê-lo assim é risível, e não por nada é risível porque faz rir. Mas é muito precisamente isso o que situamos no gozo fálico.O gozo fálico é aquele que aporta, em suma, para os semas. Já que hoje, já que hoje - ocupado como estive pelo Congresso de semiótica - me permito adiantar a palavra sema.


semiótico


ainda que também isto o comichasse à ponto de entrever, de quase dizer isso no Mal Estar da Civilização - a saber, que o sentido não é sexual senão porque esse sentido substitui justamente o sexual que falta


Porque não? Eu não recuo diante de nada


Bom, então, de onde temos de partir - vocês vêem, isso arrasta e já é tarde, bem - é desta forte afirmação de que o inconsciente não é um conhecimento. É um saber, e um saber enquanto que eu o defino pela conexão de significantes. Primeiro ponto. Segundo ponto: é um saber desarmônico que de nenhuma maneira se presta a um casamento feliz, um casamento que seria feliz. O que está implicado na noção de casamento, é isso o que é enorme, que é fabuloso. Quem conhece um casamento feliz? Não?
Mas enfim, continuemos…No entanto, o nome é feito para expressar a felicidade.


isso que é um tanto paradoxal: é isto o que estou tentando rejeitar, a saber, que existe conhecimento, que existe alguma harmonia entre o que é do gozo, do gozo corporal e o seu entorno.


Ele tem boas razões quando mete cúnhecimento em seu título.


Se trata de elaborar, de permitir, a quem chamo o analisante, elaborar, elaborar esse saber, esse saber inconsciente que é nele como um cancro, não tão profundo, como um cancro. Isto é outra coisa, claro, outra coisa que o conhecimento. E evidentemente faz falta uma disciplina ligeiramente outra de uma disciplina filosófica. Não é?


porque de tempos em tempos não vejo porque eu cuspo sobre os escritores, mas eles são menos estúpidos do que os outros


Porque eu tinha escrito no quadro: x x, o que quer dizer: é preciso que exista um que diga não ao gozo fálico. Graças a que, e somente graças a que: x x existem todos os que dizem sim.E eu pus vocês de frente para o fato de que existe - tive de me prestar a confusão - há outros para quem não existe um quem diga não: x x. Só que isto tem a curiosa consequência de que entre esses outros, enfim, existe não todos os que diz sim: x x.


Eu gostaria de terminar com isto, que extraí de Peirce: que foi quem observou que a lógica, a lógica aristotélica é uma lógica


puramente predicativa e classificatória. Então ele se pôs a meditar ao redor da ideia da relação, a saber, o que é de maneira perfeita, o que naturalmente… o que é fácil e sem complicação, fácil e sem complicação concernente - não ao engate funcional a um só argumento e que acabo de lhes dar, por ser ele o da identificação que remete a coisa no bolso da mulher - se pôs a meditar ao redor de x, R - R, signo de uma relação ideal, esvaziada, ele não disse qual - R e y : x R y, uma função de dois argumentos


os sentimentos são sempre recíprocos


não é porque se ama que se é amado. Jamais ousei dizer semelhante coisa.


Mas se o x da relação que poderia se escrever como sexual é o significante enquanto que conectado ao gozo fálico, devemos também tirar daí a consequência. E a consequência é esta: se o inconsciente é o que lhes disse, e de cujo suporte hoje lhes falei, a saber, um saber, tudo o que eu gostaria de lhes dizer este ano a propósito dos não tolos que erram, bem, isso quer dizer que quem não está apaixonado de seu inconsciente, erra.
Isso não diz absolutamente nada contra os séculos passados. Eles estavam tão apaixonados como os outros, de seu inconsciente e, portanto, não erraram. Simplesmente, não sabiam para onde iam, mas que estavam apaixonados de seu inconsciente, isso estavam. Imaginavam que isso era o conhecimento. Pois não é necessário se saber apaixonado de seu inconsciente para não errar.
Há que se deixar levar, ser seu tolo.


Pela primeira vez na história lhes é possível, a vocês, errar, quer dizer, se recusar a amar a vosso inconsciente, porque, enfim, vocês sabem o que é: um saber, um saber fastidioso. Mas é, talvez, nesse errar - e, dois r, e - vocês sabem, essa coisa que se prende ali,


quando o navio começa a balançar - que podemos apostar para encontrar o Real, um pouco depois. Observar que o inconsciente talvez seja desarmônico, mas que talvez nos possa levar um pouco mais à esse Real além dessa muito pouca realidade que é a nossa, a do fantasma. Que talvez nos possa levar mais adiante: ao puro Real.


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