
Seminar 11 Os quatro concepts fundamental da psicanalise
Seminário 11 - Os quatro conceitos fundamemtais da psicanálise
Todos sabem que a política consiste em negociar e, desta vez, por atacado, aos pacotes, os mesmos sujeitos, ditos cidadãos, por centenas de milhares.
Mas, se a verdade do sujeito, mesmo quando ele está em posição de mestre, não está nele mesmo, mas, como a análise o demonstra, num objeto, velado por natureza - fazê-lo surgir, esse objeto, é propriamente o elemento de cômico puro.
condição de tratar o real pelo simbólico.
Que nisto ele encontre menos ou mais imaginário tem aqui valor apenas secundário.
Como disse uma vez Picasso, para o maior escândalo das pessoas que o rodeavam - Eu não procuro, acho.
·
-não me procurarias se já não me tivesses achado
O já achado está sempre por trás, mas atingido por algo da ordem do esquecimento. Não é assim uma pesquisa complacente, indefinida, que se abre então?
O que especifica uma ciência é ter um objeto. Podemos sustentar que uma ciência é especificada por um objeto definido, pelo menos, por um certo nível de operação, reprodutível, que chamamos experiência.
E a análise didática não pode servir para outra coisa senão para levá-lo a esse ponto que designo em minha álgebra como o desejo do analista.
Na verdade, a manutenção dos conceitos de Freud no centro de toda discussão teórica nessa cadeia fatigante, fastidiosa, ingrata - que ninguém lê além dos psicanalistas - que se chama literatura psicanalítica, não impede que se fique muito por fora em relação a eles que, na maioria, são falseados, adulterados, rompidos, e que os que são muito difíceis sejam pura e simplesmente engavetados - que, por exemplo, tudo que se elaborou em torno da frustração relativamente aos conceitos freudianos, de que deriva, seja nitidamente retrógrado e preconceitual.
Mas à análise não cabe encontrar, num caso, o traço diferencial da teoria e querer explicar, com ele, por quê sua fllha é muda - pois, o de que se trata é de fazê-la falar, e este efeito procede de um tipo de intervenção que não tem nada a ver com a referência ao traço diferencial.
A análise consiste justamente em fazê-la falar, de modo que poderíamos dizer que ela se resume, em último termo, na suspensão do mutismo, e foi isto que se chamou, num certo momento, com o nome de análise das resistências.
O sintoma é, de começo, o mutismo do sujeito suposto falante.
O traço diferencial da histérica é precisamente este - é no movimento mesmo de falar que a histérica constitui seu desejo.
desejo com a linguagem
os mecanismos do inconsciente
Que - para curar a histérica de todos os seus sintomas, a melhor maneira seja satisfazer seu desejo de histérica - que é para ela o de colocar aos nossos olhos seu desejo como desejo insatisfeito - deixa inteiramente fora de campo a questão específica do por quê ela só pode sustentar seu desejo como desejo insatisfeito.
um certo pecado original da análise. É preciso mesmo que haja um. O verdadeiro é talvez apenas uma coisa, é o desejo do próprio Freud, isto é, o fato de que algo, em Freud, não foi jamais analisado.
quatro dos termos introduzidos por Freud como conceitos fundamentais, nominalmente o inconsciente, a repetição, a transferência e a pulsão
revalorizar aos olhos deles esse instrumento, a fala - para lhe devolver sua dignidade, e fazer com que ela não seja sempre, para eles, essas palavras desvalorizadas de antemão que os forçavam a fixar os olhos em outra parte, para lhes encontrar um fiador
Assim é que passei, pelo menos por algum tempo, por ser obsedado por não sei que ftlosof i a da linguagem
a recusa do conceito
o inconsciente determina a neurose
Pois o inconsciente nos mostra a hiância por onde a neurose se conforma a um real - real que bem pode, ele sim, não ser determinado.
Perigo do discurso público, no que ele se dirige justamente ao mais próximo
fenômeno do inconsciente. No sonho, no ato falho, no chiste - o que é que chama atenção primeiro? É o modo de tropeço pelo qual eles aparecem.
Aqui
Nessa hiância, alguma coisa acontece. Es sa hiância, uma vez cos i da su a boca, estará curada a neuros e ? Antes de mais nada, a questão está se mpre aberta. Só que a neuros e se tor n a outra coi s a, às vez e s si mples enfermidade, ci c at r i z , como diz Freud - nfo cicatriz da neuros e , mas do inconsciente
A Etiologia das Neuroses - e o que é que Freud acha no buraco, na fenda, na hiância característica da causa? Algo que é da ordem do não-realizado.
que não é mesmo outra coisa, como o próprio umbigo anatômico que o representa, senão essa hiância de que falamos.
mas o fato de Jung, relé dos termos do incons ciente romântico, ter sido repudiado por Freud, nos indica bastante que a psicanálise introduz outra coisa.
Tropeço, desfalecimento, rachadura. Numa frase pronunciada, escrita, alguma coisa se estatela. Freud fica siderado por esses fenômenos, e é neles que vai procurar o inconsciente. Ali, alguma outra coisa quer se realizar - algo que aparece como intencional, certamente, mas de uma estranha temporalidade. O que se produz nessa hiância, no sentido pleno do termo produzir-se, se apresenta como um achado. É assim, de começo, que a exploração freudiana encontra o que se passa no inconsciente.
a surpresa - aquilo pelo que o sujeito se sente ultrapassado, pelo que ele acaba achando ao mesmo tempo mais e menos do que esperava - mas que, de todo modo, é, em relação ao que ele esperava, de um valor único.
Ora, esse achado , uma vez que ele se apresenta, é um reachado, e mais ainda, sempre está prestes a escapar de novo, instaurando a dimensão da perda.
Vocês verão que, mais radicalmente, é na dimensão de uma sincronia que vocês devem situar o inconsciente - no nível de um ser, mas enquanto pode se portar sobre tudo, isto é, no nível do sujeito da enunciação, enquanto segundo as frases, segundo os modos, se perdendo como se encontrando, e que, numa interjeição, num imperativo, numa invocação, mesmo num desfalecimento, é sempre ele que nos põe seu enigma, e que fala, - em suma no nível em que tudo que se expande no inconsciente se difunde
Trata-se sempre é do sujeito enquanto que indeterminado.
Assim, o inconsciente se manifesta sempre como o que vacila num corte do sujeito - donde ressurge um achado que Freud assimila ao desejo - desejo que situaremos provisoriamente na metonímia desnudada do discurso em causa, em que o sujeito se saca em algum ponto inesperado.
falando da função do desejo, como falta-a-ser.
ao que é propriamente da ordem do inconsciente, - é que ele não é nem ser nem não-ser, mas é algo de não-realizado.
o que a experiência analítica nos permite enunciar, é bem mais a função limitada do desejo
Não estou certo, tenho dúvidas.
Ora, - é aí que Freud enfatiza com toda a sua força - a dúvida, é o apoio de sua certeza.
originada na experiência da histérica para fazê-la situar em seu justo nível - o desejo do homem, é o desejo do Outro - é para o desejo do pai que a homossexual acha uma outra solução - esse desejo do pai, desafiá-lo.
Aqui
Literalmente, ela não pode mais conceber, seni f o abolindo-se, a função que tinha, a de mostrar ao pai como se é um falo abstrato, heróico, único, e consagrado ao serviço de uma dama.
O tempo lógico é constituído por três tempos. Primeiro, o imtanie de ver - que não é sem mistério, se bem que bastante definido nessa expe riência psicológica da operação intelectual que é o insight. Depois, o tempo pa ra compreender. Enfim, o momento de concluir. Isto é apenas uma re· cor dação.
A exp e riência lhe demonstra depois que, no que diz respeito ao su jeito, ele encontra limites, que são a não-convicçã ’ o, a resistência, a não cura. A rememoração comporta sempre um limite. E, sem dúvida, podem obtê-la mais completa por outras vias que a da análise, mas elas são inope rantes quanto à cura.
A angústia é, para a análise, um termo de referência crucial, porque, com efeito, a angústia é o que não engana. Mas a angústia pode faltar.
Na experiência é necessário canalizá-la e, se ouso dizer, dosá-la, para não ser por ela submerso.
O real suporta a fantasia, e a fan tasia protege o real.
Af i rma-o consti tuído, essencialmente, não pelo que a consciência pode evocar, estender, discernir, fazer sair do subliminar, mas pelo que lhe é, por essência, recusa do.
Aqui, no campo do sonhó, estás em casa.
Falem de ácaso, meus senhores, se isto lhes ag r ada, eu, em mi nha experiênci a , nã o constato ai nenhum arbitrário, pois isso se ent r ecr u zo de tal modo que escapa ao acaso.
Freud é um mestre. Mas se tudo que se escre ve como literatura analítica nl fo é puro e simples jogo de palavras, funcio na sempre como se o fosse - o que põe a questão de saber se esse pedículo poderá ser, um dia, diminuído.
E o que é sua auto-análise - senã “o o mapeamento genial da lei do de sejo suspensa ao Nome- d o-Pai? Freud avança sustentado por certa relação a seu desejo e pelo que é seu ato, isto é, constituição da psicanálise
O real é aqui o que retoma sempre ao mesmo lugar
O real está para além do autôm a ton, do retorno, da volta, da insistência dos signos aos quais nos vemos comanda dos pelo princípio do prazer
O real é o que vige sempre por trás do autô maton, e do qual é evidente, em toda a pesquisa de Freud, que é do que ele cuida.
Nossa experiência nos põe entã ’ o um problema, que se atém a que, no seio mesmo dos processos primários, vemos conser vada a insistência do trauma a se fazer lembrar a nós.
uma outra localidade, um outro espaço, uma outra cena, o ent r e percepçã o e consciênci a .
Assim, o encontro, sempre faltoso, se deu entre o sonho e o desper tar, entre aquele que dorme ainda e cujo sonho não conheceremos e aquele que só sonhou para não despertar
É no sonho somente que se pode dar esse encontro verdadeiramente único.
O lugar do real, que vai do trauma â fantasia - na medida em que a fantasia nunca é mais do que a tela que dissimula algo de absolutamente primeiro, de determinante na função da repetição - aí está o que precisa mos demarcar agora.
Aí está, de resto, o que, para nós, explica ao mesmo tempo a ambigüidade da função do despertar e da funç ã o do real nesse des p e rtar. O real pode ser representado pelo acidente, pelo barulhinho, a pouca-realidade, que testemunha que não estamos sonhando. Mas, por outro lado, essa realidade não é pouc a , pois o que nos desperta é a outra realidade esc o ndida por trás da falta do que tem lugar de representação
O despertar, como não ver que ele tem duplo sentido - que o des p e rtar, que nos restitui a ur n a realidade constituída e representada, tem duplo emprego? O real, é para além do sonho que temos que procurá-lo -no que o sonho revestiu, envelopou, nos escondeu, por trás da falta de re presentação, da qual lá só existe um lugar-tenente. Lá está o real que co manda, mais do que qualquer outra coisa, nossas atividades, e é a psicaná lise que o designa para nós.
Não mais que em Kierkegaard, não se trata em Freud de nenhuma repetição que se assente no natural, de nenhum retorno da necessidade. O retorno da necessidade visa o consumo posto a serviço do apetite. A repe tição demanda o novo. Ela se volta para o lúdico que faz, desse novo, sua dimensão
Quando Freud percebe a repetição no brinquedo de seu neto, no f ort-da reiterado, pode muito bem sublinhar que a criança obstrui o efeito do desaparecimento de sua mãe fazendo-se o agente dele - este fenômeno é secundário.
Wallon sublinha, não é de saída que a criança vigia a porta por onde saiu sua mãe, indicando assim que espera revê-la ali, mas, ante riormente, é o ponto mesmo em que ela o deixou, o ponto que ela abando nou perto dele, que ele vigia.
Eu vi, também eu, vi com meus olhos arregalados pela adivinhação maternal, a criança, traumatizada com a minha partida a despeito de seu apelo precocemente esboçado na voz e daí em diante mais renovado por
meses e meses - eu a vi, bastante tempo ainda depois disso, quando eu a tomava, essa criança, em meus braços - eu a vi abandonar .a cabeça sobre meu ombro para cair no sono, o sono unicamente capaz de lhe dar acesso ao sig n if i cante vivo que eu era depois di data do trauma.
A descrição dos estágios, f ormadores da libido, não deve ser referi da a uma pseudo-maturação natural, que permanece sempre opaca. Os está gios se organizam em torno da angústia de castração. O fato copulatório da introdução da sexualidade é traumatizante - aí está um fi sgamento de vulto - e tem uma função organizadora para o desenvolvimento.
tiquê e autômaton A angústia de castração é como um fi o que perfura todas as etapas do desenvolvimento. Ela orienta as relações que são anteriores à sua apari ção propriamente dita - desmame, disciplina anal etc. Ela cristaliza cada um desses momentos numa dialética que tem por centro um mau encon tro. Se os estágios são consistentes, é em função de seu registro possível em termos de mau encontro.
O mau encontro central está no nível do sexual. Isto não quer dizer que os estágios tomam uma coloração sexual que se difundiria a partir da angústia de castração. �. ao contrário, porque essa empatia não se produz, que se fala de trauma e de cena primitiva.
Não será o que se exprime no fundo da angústia desse sonho? - isto é, o mais íntimo da relação do pai ao fi lho, e que vem a surg i r, não tanto nessa morte quanto no fato de ela estar mais além, no seu sentido de destino.
Pois, depois de tudo, por que a cena primitiva é tão traumática? Por que ela é sempre muito cedo ou muito tarde? Por que o sujeito encontra nela ou prazer demais - pelo menos foi assim que primeiro concebemos a causalidade traumatizante do obsessivo - ou de menos, como na histérica?
Por que ela não desperta logo o sujeito, se é verdade que ele é tão profun damente libidinal?
A psicanálise não é nem uma Weltanschauung nem uma fi losof i a que pretende dar a chave do universo. Ela é comandada por uma visada parti cular que é historicamente def i nida pela elaboração da noção de sujeito.
Ela coloca esta noção de maneira nova, reconduzindo o sujeito à sua de pendência signif i cante
Não poderíamos, certamente, nos contentar de modo algum com isto, pois que nosso fi m é abordar o conceito de transferência.
Isto não exclui de modo algum, onde não haja analista no horizonte, que ali possa haver, propriamente, efeitos de transferência exatamente es truturáveis como o jogo da transferência na análise
O inconsciente é a soma dos efeitos da fala, sobre um su jeito, nesse nível em que o sujeito se constitui pelos efeitos do signif i cante.
É por isso que pus em relevo, no conceito desconhecido de repeti ção, esse recurso que é o do encontro sempre evitado, da chance falhada. A função do ratear está no centro da repetição analítica. O encontro é sem pre faltoso -é isto que constitui, do ponto de vista da tiquê, a vaidade da repetição, sua ocultação constitutiva
O que nã o po de ser rememorado se repete na conduta
Digo em algum lugar que, o inconsciente, é o discurs o do Outro. Ora, o discurso do Outro, que se trata de realizar, o do inconsciente, ele nl f o está do lado de lá do fechamento, ele está do lado de f ora. É ele que, pela boca do analista, apela à reabertura do postigo.
O que é que pode, no fi nal das contas, levar o paciente a recorrer ao analista para lhe pedir algo que ele chama saúde, quando seu sintoma - a teoria nos diz isto - é feito para lhe trazer certas satisfações?
O eu o engano provém do ponto onde o analista es pera o sujeito, e lhe remete, segundo a fórmula, sua própria mensagem em sua sig n if i cação verdadeira, quer dizer, em forma invertida.
Ele lhe diz -nesse eu o engano, o que você envia como mensagem é o que eu mesmo lhe exprimo e, f azendo isto, você diz a verdade.
A SEXUALIDADE NOS DESFILES DO SIGNIFICANTE
a transferên ci a é a atualização da realidade do inconsciente
O in consciente, são os efeitos da fala sobre o sujeito, é a dimens ã o em que o sujeito se determina no desenvolvimento dos efeitos da fala, em conse qüência do que, o inconsciente. é estruturado como uma linguagem.
a ligação do sexo com a morte, com a morte do indivíduo, é fundament a l.
Sustento que é o nível da análise - se algum passo ã frente pode ser dado -que se deve revelar o que é desse ponto nodal pelos qual a pul sação do inconsciente está ligada ã realidade sexual. Este ponto nodal se chama desejo, e toda elaboração teórica que persegui esses últimos anos vai lhes mostrar, ao passo a passo da clínica, como o desejo se situa na depen dência da demanda - a qual, por se articular em signif i cantes, deixa um resto metonímio que corre debaixo dela, elemento que não é indetermina do, que é uma condição ao mesmo tempo absoluta e imp e gável, elemento necessariamente em impasse, ins a tisfeito, impossível, desconhecido, ele mento que se chama desejo.
E se Freud opõe o princípio de realidade ao princípio do prazer, é justamente na medida em que a realidade é aí defini da como dessexualiz a da.
A idéia de que a funçi r o do princípio do prazer é de se satisfazer pela alucinação está aí para ilustrar isto - é apenas uma ilustraçí r o. A pulsi r o apreendendo seu objeto, aprende de algum modo que ni r o é justamente por aí que ela se satisfaz. Pois se se distingue, no começo da dialética da pulsi r o, o N ot e o Bedürf nis, a necessidade e a exigência pulsional - é justamente porque nenhum objeto de nenhumN ot, necessidade, pode satisfazer a pulsi r o.
O recal cado primordial é um significante, e o que se edifica por cima para consti tuir o sintoma, podemos considerá-lo como um andaime de sig n if i cantes.
Recalcado e sintoma são homogêneos, e redutíveis a funções de signif i can tes. Sua estrutura, embora ela se edif i que por sucessão como todo edifíc i o, é contudo, no fim , inscritível em termos sincrônicos.
Esta teoria está presente em Freud. Ele nos diz em algum lug a r que o modelo ideal que poderia ser dado de auto-erotismo, é o de uma só boca que se beijaria a si mesma. - metáfora luminosa, resplandecen te mesmo, como tudo que se encontra em sua pe na, e que só exige se r completada por uma questão. Se rá que, na puls ã ’ o, ess a boca nã ’ o é o que se poderia chamar uma boca fl echada? - uma boca cosida, em que vemos, na análise, apontar ao máximo em certos si lêncios, a instância pura da pulsão oral, fechando-s e sobre sua satisfação.
O objeto a minús culo nã ’ o é a origem da puls ã o oral. Ele nã ’ o é introduz i do a título de alimento primitivo, é introduzido pelo fato de que nenhum alimento jamais satisfará a pulsão oral, se nEo contornando-se o objeto eter n amente faltante.
O que é que se passa no voyeurismo? No momento do ato do voyeur onde está o sujeito, onde está o objeto? Eu lhes disse, o sujeito não está lá enquanto tratando-se de ver, no nível da pulsão de ver. Ele está lá en quanto que perverso, ele só se situa no ating i r n ento do fec h o. Quanto ao objeto - é o que minha topologia escrita no quadro não pode fazê-los ver, mas lhes permite admitir - o fecho dá a volta em torno dele, ele é míssil, e é com ele que, na perversão, o alvo é atingido.
O objeto aqui é olhar - olhar que é o sujeito, que o atinge, que faz mosca no tiro ao alvo. Basta que eu lhes lembre o que disse da análise de Sartre. Se esta análise faz surgir a instância do olhar, não é no nível do outro cujo olhar surpreende o sujeito que está olhando o buraco da fechadura. É que o outro o surpreende, ele, o sujeito, como inteiramente ol h a r escondido.
O que o voyeur procura e acha é apenas uma sombra, uma sombra detrás da cortina. Aí ele vai fantasiar nã ’ o importa que magia de pres e nça, a mais gracios a das mocinhas, mesmo que do outro lado haja apenas um atleta peludo. O que ele procura mro é, como se diz, o falo - mas justamente sua ausência, donde a preeminência de certas formas como objetos de sua pesquisa.
Em suas prem i ssas, e em seu próprio texto, Freud se contradiz propriamente quando ele nos diz que a ambivalência pode passar por uma das características da reversão da Verkehrung da pulsão. Mas quando ele a examina, ele nos diz mesmo que não são de modo algum a mesma coisa, a ambivalência e a reversão.
Jamais em parte alguma ele sustenta que, psicolog i camente, a relação masculino-feminino seja apreensível de outro modo senão pelo represen tante da oposição atividade-passividade
repartição que constituo ao opor, em relação à entrada do inconsciente, os dois campos do sujeito e do Outro. O Outro é o lugar em que se situa a cadeia do signif i cante que comanda tudo que
vai poder presentif i car-se do sujeito, é o campo desse vivo onde o sujeito tem que aparecer. E eu disse - é do lado desse vivo, chamado à subjetivi dade, que se manifesta essencialmente a pulsão.
Que seja a pulsão, a pulsão parcial, que entí i o o oriente, que só a pulsão parcial seja o representante, no psiquismo, das conseqüências da sexualidade, aí está o signo de que a sexualidade se representa no psiquis· mo por uma relação do sujeito que se deduz de outra coisa que não da se xualidade mesma. A sexualidade se instaura no campo do sujeito por uma via que é a da falta.
a pulsão, a pulsão parcial. é fundamentalmente pulsão de morte, e repre senta em si mesma a parte da morte no vivo sexuado.
na relação fundamental da pulsão, o movimento é essencial, pelo qual a fl echa que parte para o alvo só preenche sua função na medida em que realmente dele emana, para retornar ao sujeito. O per verso, neste sentido, é aquele que, em curto-circuito, mais diretamente que
nenhum outra, tem sucesso no seu golpe, integrando o mais profundamen te sua função de sujeito à sua existência de desejo.
Para manter essa dimensão, a via filosófica teria bastado, mas ela se mostrou insuf i ciente para isto, por lhe faltar uma definição suf i ciente do inconsciente. A psicanálise, então, nos lembra que os fatos da psicologia humana não se poderiam conceber na ausência da função do sujeito def i nido como efeito do significante.
Toda a ambigüidade do signo se prende ao fato de ele representar al go para al g uém. Esse alguém pode ser muitas coisas, pode ser o universo in teiro, na medida em que nos ensinam, há algum tempo, que a informação circula por ele ao negativo da entropia. Todo nó em que se concentram signos, no que eles representam algo, pode ser tomado por qualquer um. O que é preciso acentuar, em contrário disto, é que um signif i cante é o que representa um sujeito para um outro signif i cante.
Quando se crê que se po de fazê-lo dizer o que se quer, é que não se compreendeu nada - é preciso dizer que os psicanalistas não se explicam muito bem. A interpretação não se dobra a todos os sentidos. Ela só designa uma única série de signif i can tes. Mas o sujeito pode com efeito ocupar diversos lugares, conforme se o ponha sob um ou outro desses significantes.
É impossível não integrá-lo, por exemplo, à própria fantasia -é $ .. a .S barrado, punção de a minúsculo). Não é possível não integrá-lo também a esse nó radical onde se conjugam a demanda e a pulsão, que designa o $ .. D .S ba”ado, punção de D maiúsculo., e que poderíamos chamar de grito.
Essa alienação, meu deus, não se pode dizer que ela não circula hoje em dia. O que quer que se faça, sempre se está um pouquinho mais mais alienado, quer seja no econômico, no político, no psicopatológ i co, no es tético e assim por diante. Não seria mau, talvez, ver no que consiste a raiz dessa famosa alienação.
A bols a ou a vida. Se escolho a bolsa, perco as duas. Se escolho a vi da, tenho a vida sem a bolsa, isto é, uma vida decepada. Vejo que me fi z suf i cientemente compreender.
Foi em Hegel que encontrei legitimamente a justificação dessa apela ção de vel alienante. Do que se trata, nele? - economizemos nossos tratos, trata-se de engendrar a primeira alienação, aquela pela qual o homem entra na via da escravidão. A liberdade ou a vida. Se ele escolhe a liberdade, pronto, ele perde as duas imediatamente - se ele escolhe a vida, tem a vida amputada da liberdade.
Uma falta é, pelo sujeito, encontrada no Outro, na intimação mesma que lhe faz o Outro por seu discurso. Nos intervalos do discurso do Outro, surge na experiência da criança, o seguinte, que é radicalmente destacá vel - ele me diz isso, mas o que é que ele quer?
Nesse intervalo cortando os significantes, que faz parte da estrutura mesma do significante, está a morada do que, em outros registros de mev, desenvolvimento, chamei de metonímia. É de lá que se inclina, é lá que desliza, é lá que foge como o furão, o que chamamos desejo. O desejo do Outro é apreendido pelo sujeito naquilo que não cola, nas faltas do discur so do Outro, e todos os por-quês? da criança testemunham menos de uma avidez da razão das coisas. do que constituem uma colocação em prova do adulto, um por que será que você me diz isso? sempre re-suscitado de seu fundo, que é o enigma do desejo do adulto.
Não há meio de me seguir sem pàssar por meus signif i cantes, mas passar por meus sig n if i cantes comporta esse sentimento de alienação que os incita a procurar, segundo a ·fórmula de Freud, a pequena diferença.
Pela separação o sujeito acha, se podemos dizer, o ponto fraco do casal primitivo da articulação signif i cante, no que ela é de essência alienante. É no intervalo entre esses dois signif i cantes que vige o desejo oferecido ao balizamento do sujeito na experiência do discurso do Outro, do primeiro Outro com o qual ele tem que lidar, ponhamos, para ilustrá-lo, a mãe, no caso. É no que seu desejo está para além ou para aquém no que ela diz, do que ela in tima, do que ela faz surg i r como sentido, é no que seu desejo é desconhe cido, é nesse ponto de falta que se constitui o desejo do sujeito.
Esses representantes, mas é o que chamamos comumente, por exem plo, o representante da França. O que é que eles têm que fazer, os diplo matas, quando dialogam? Eles não representam, um frente ao outro, mais do que essa função de serem puros representantes e, sobretudo, não é pre ciso que intervenha sua sig n if i cação própria. Quando os diplomatas dia logam, eles são supostos representar algo cuja signif i cação, aliás movente, está para além de suas pessoas, a França, a Inglaterra, etc. No diálogo mes mo, cada um deve reg i strar apenas o que o outro transmite em sua pura função de sig n if i cante, não deve levar em conta o que o outro é, como pre sença, como homem, mais ou menos simpático. A ínterpsícolog i a é uma impureza nesse jogo.
O ceticismo é algo que não conhecemos mais. O ceticismo é uma ética. O ceticismo é um modo de o homem se manter na vida, que implica uma posição tão difícil, tão heróica, que não podemos mesmo mais imag i nar - justamente talvez em razão dessa passagem achada por Descartes e que conduz a procura do caminho da certeza a esse ponto mesmo do vel da alienação, para o qual só há uma saída - a via do desejo.
A certeza não é, para Descartes, um momento que se possa ter por assentado uma vez que foi atravessado. É preciso que ele seja, de cada vez, por cada um, rep e tido. É uma ascese. É um ponto de orientação particular mente difícil de manter no incisivo que constitui seu valor. É, propriamen te falando, a instauração de algo de separado.
Penso que vocês apreciam a elegância de uma tal solução que, de toda uma parte das verdades, e precisamente as eter n as, deixa o encargo para Deus. Entendam bem que Descartes quer dizer, e diz, que, se dois e dois são quatro, é porque Deus quer, muito simplesmente. É problema dele.
Com efeito, Descartes inaugura as bases de partida de uma ciência com a qual Deus nada tem a·ver. Pois a característica de nossa ciência e sua diferença para com as ciências antigas é que ninguém mesmo ousa, sem ri dículo, se perguntar se Deus sabe algo dela, se Deus folheia os tratados ma temáticos moder n os para estar em dia.
O fi m do meu ensino tem sido, e permanece, o de formar analistas.
A formação dos analistas é um tema que está na ordem do dia da pesquisa analítica. Contudo - já lhes dei disso testemunhos -, na litera tura analítica, os princípios escapam.
Pois não há para o psicanalista nenhum além, ne p . hum além substancial ao qual se pudesse reportar aquilo em que ele se sente fundado para exercer sua função.
pantomima
O analista, eu lhes disse, mantém esse lugar, no que ele é o objeto da transferência. A experiência nos prova que o sujeito, quando entra em aná lise, está longe de lhe dar esse lugar.
Quem não sabe, por exp e riência, que podemos não querer gozar?
Quem não sabe disto, por experiência, para saber esse recuo que impõe a cada um, no que ele comporta de atrozes promessas, a abordagem do gozo como tal? Quem não sabe que podemos não querer pensar? - aí está, para nos dar testemunho disto, todo o colég i o universal dos profes sores.
Mas o que pode sig n if i car nã o querer desejar? Toda a experiência analítica - que não faz mais aqui do que dar forma ao que está para cada um na raiz mesma de sua experiência - nos testemunha que não querer desejar, e desejar, são a mesma coisa
Primeiro um Jc h, um /ch def i nido objetivamente pelo funcionamen to solidário do aparelho do sistema nervoso central com a condição de ho meostase, conservar as tensões a um certo nível, o mais baixo.
Você gosta de guisado de carneiro. Você não está certo de desejá-lo.
Tomem a experiência da bela açougueira. Ela gosta de caviar, só que ela não o quer. É por isso que ela o deseja. Compreendam que o objeto do desejo é a causa do desejo, e esse objeto causa do desejo é o objeto da pulsão - quer dizer, o objeto em torno do qual gira a pulsão. Pois que estou num diálogo com alguém que trabalhou meus textos, po sso me exprimir em fórmulas cerradas. Não é que o desejo se prenda ao objeto da pulsão - o desejo faz seu contorno, na medida em que é dele que se trata
na pulsão. Mas nem todo desejo está forçosamente em jogo na pulsão. Há também desejos vazios. desejos loucos. que partem justamente do seguin te - trata-se apenas do desejo de que. por exemplo. alguém lhe proibiu al guma coisa. Pelo fato de lhe terem proibido, você não pode fazer outra coisa. durante algum tempo. senão pensar naquilo. É desejo ainda. Mas de cada vez que você lida com um objeto de bem, nós o designamos - é uma questão de terminologia, mas é uma terminologia justificada - como objeto do amor.
No discurso comum, aquele que fala, pelo menos na sua língua mater n a, se exprime de maneira tã ” o segura, e com um tato tão perfeito, que é ao utilizador mais comum de ur n a língua, ao
homem não instruído, que se recorre para saber qual é o uso próprio de um termo
Se posso me dirigir a psicanalistas e tentar destacar a qual topologia implícita eles se reportam ao usar cada um dos termos que acabei de enu merar, é evidentemente que, no conjunto - por mais incapazes que eles sejam freqüentemente, por falta de ensino, de os articular - fazem deles correntemente, com a mesma espontaneidade do homem do discurso co mum, uso adequado. Certamente, se eles querem absolutamente forçar os resultados de uma observação e compreender o que eles não compreen dem, os veremos fazer desses termos um uso forçado. Neste caso, haverá pouca gente para os retomar.
A interpretação não é aberta a todos os sentidos. Ela não é de modo algum não importa qual. É uma interpretação signif i cativa, e que não deve faltar. Isto não impede que não seja essa significação que é, para o advento do sujeito, essencial. O que é essencial é que ele veja, para além dessa sig· nificação, a qual signif i cante - não-senso, irredutível, traumático ele está, como sujeito, assujeitado.
O que é que lhes demonstra toda observação? É que a cada etapa da vida do sujeito, algo veio, a cada instante, manejar o valor do índice deter· minante que constitui esse signif i cante original. Assim é percebida pro· priamente a dialética do desejo do sujeito como se constituindo pelo dese· jo do Outro.
Tantos tempos que vêm enriquecer o desejo inconsciente do sujeito de algo que deve ser posto, como significação constituída na rela· ção ao desejo do Outro, no numerador.
Como retomar sua abordagem? A transferência é impensável, a não ser tomando-se partida do sujeito suposto saber.
Vocês vêem melhor hoje o que ele é suposto saber. Ele é suposto sa ber aquilo a que nenhum poderia escapar, ur n a vez que a formule - pura e simplesmente, a signif i cação.
Essa signif i cação implica certamente - e é por isso que fi z primeiro surgir a dimensão de seu desejo - que ele não possa recusar-se a ela.
O sujeito entra no jogo, a partir desse suporte fundamental - o sujei· to é suposto saber, somente por ser sujeito do desejo. Ora, o que é que se passa? O que se passa é aquilo que chamamos em sua aparição mais comum efeito de transferênci a . Este efeito é o amor. É claro que, como todo amor, ele só é referenciável, como Freud nos indica, no campo do narcisismo.
Amar é, essencialmente, querer ser amado.
É o desejo do paciente, sim, mas no seu encontro com o desejo do analista.
Esse desejo do analista, não direi de modo algum que não o nomeei ainda, pois como nomear um desejo? Um desejo, o cercamos. Muitas coisas na história nos dão aqui traço e pista.
Falo do senhor em Hegel, não do senhor antigo, de quem te mos algum retrato, e nominalmente o de Alcebíades, cuja relação ao dese jo é justamente bem visível. Ele vem pedir a Sócrates algo que não sabe bem o que é, mas que chama de agalma. Alguns sabem o uso que há algum tempo fiz disto. Retomarei, esse agalma, esse mistério que, na bruma que envolve o olhar de Alcebíades, representa algo para além de todos os bens.
Sócrates lhe responder, não o que lhe dizia quando ele era jovem - ocupa-te de tu a alma -mas o que convém ao homem maduro e amadurecido - ocupa-te do teu desejo, oc u p a -te de tu as cebol a s.
A voz da razão é bai x a, diz Freud em algum lugar, mas ela diz sempre a mesma coisa
Não se chega a juntar que Freud diz exatamente a mesma coisa do desejo inconsciente.
Ele, também, tem a voz baixa, mas sua insistência é indestrutível. É talvez porque haja uma relação entre um e outro. É no sentido de algum paren tesco que teremos que dirigir nosso olhar para o escravo, quando se tratar de discernir o que é o desejo do analista.
O traço unário, no que o sujeito a ele se agarra.
está no campo do desejo, o qual só poderia de qualquer modo constituir-se no reino do signif i cante, no nível em que há relação do sujeito ao Outro. É o campo do Outro que determina a função do traço unário, no que com ele se inaugura um tempo maior da identificação na tópica então desenvol vida por Freud - a saber, a idealização, o ideal do eu.
Descrevi em outro lugar a visada em espelho do ideal do eu, desse ser que ele viu primeiro aparecer na forma de um dos pais que, diante do espelho, o se gura. Ao se agarrar à referência daquele que o olha num espelho, o sujei to vê aparecer, não seu ideal do eu, mas seu eu ideal, esse ponto em que ele deseja comprazer-se em si mesmo.
Há um campo, o da análise, onde em suma - se é que em alguma parte - o sujeito só está para procut : ar sua habilitação à livre pes quisa no sentido de uma exigência verídica, e só pode considerar-se autori zado naquilo a partir do momento em que opera livremente
Quando eles tiverem encontrado seu caminho, seu modo de pensar, seu modo mesmo de se deslocarem no campo analítico, a partir do ensino de uma certa pessoa, é por meio de outros, que eles consideram como imbe cis, que eles tentarão encontrar a autorização, a expressa qualificação, de que são mesmo capazes de praticar a análise.
Eu te amo, Mas, porque ine x plicavelmente Amo em ti algo mais do que tu -o objeto a minúsculo, Eu te mutilo.
A psicanálise só toca a sexualidade no que, na forma de pulsã ’ o, ela se manifesta no desf i le do signif i cante, onde se constitui a dialética do sujeito no duplo tempo da alienação e da separaçã ’ o. A análise não cumpriu, no campo da sexualidade, o que se teria podido, a se enganar, esperar dela de promessas, ela não cumpriu isto porque não tem que cum prir. Nã : o é seu terreno.
Seria no entanto singular que esse sujeito sup o sto sa ber, sup o sto sa ber algo de vocês, e que, de fato, não sabe nada de vocês, pudesse ser consi deradQ como liquidado, no momento em que, no fim da análise, ele come ça justamente, sobre vocês pelo menos, a saber um pouco.
O que é que se passa quando o sujeito começa a falar com o ana lista? - ao analista, quer dizer, ao sujeito suposto sa ber, mas do qual é certo que ele não sabe nada ainda. É a ele que é oferecido algo que vai primeiro, necess a riamente, se formar como pedido. Quem não sabe que é aí que está o que orientou todos os pensamentos sobre a análise no sentido do reconhecimento da função da frustração? Mas o que é que o sujeito pede? Aí está toda a questii’ o, pois o sujeito bem sa be que, quaisquer que sejam seus apetites, quaisquer que se jam suas necessidades, nenhum encontrará satisfaçii’ o ali, senão, no máximo, a de organizar seu menu.
Quero dizer que a operaçt r o e a manobra da transferência devem se r regradas de maneira que se mantenha a distância entre o ponto desde onde o sujeito se vê amável, - e ess e outro ponto em que o sujeito se vê caus a do como falta por a, e onde a vem arrolhar a hiância que constitui a divisão inaugu ral do sujeito.
Eu lhes dei elementos para comoreendê-lo ao lhes dizer que o obje to a pode ser idêntico ao olhar.
Ora, quem não sabe que foi ao se distinguir da hipnose que a análise se instituiu? Pois a mola fundamental da operação analítica é a manuten ção da distância entre o I e o a.
Para lhes dar fórmulas-referência, direi - se a transferência é o que, da pulsão, desvia a demanda, o desejo do analista é aquilo que a traz ali de volta. E, por esta via, ele isola o a, o põe à maior distância possível do I que ele, o analista, é chamado pelo sujeito a encarnar. É dessa idealização que o analista tem que tombar para ser o suporte do a separador, na medi da em que seu desejo lhe permite, numa hipótese às avessas, encarnar, ele, o hipnotizado.
Essa travessia do plano da identif i cação é possível. Cada qual daque les que viveram até o fi m comigo, na análise didática, a experiência analí tica, sabe que o que eu digo é verdade.
O desejo do analista não é um desejo puro. É um desejo de obter a diferença absoluta, aquela que intervém quando, confrontado com o signi ficante primo. dial, o sujeito vem, pela primeira vez, à posição de se assujei tar a ele. Só aí pode surgir a signif i cação de um amor sem limite, porque fora dos limites da lei, somente onde ele pode viver.
O mais escabroso é inventar uma pontuação, pois que cada escanção - vírgula, ponto, travessão, parágrafo -decide do sentido. Mas obter um texto legível era a este preço, e é segundo os mesmos princípios que o texto de todos os anos do seminário será estabelecido.
Não ser á como, meus Escr i tos, cujo livro se compr a : dizem, ma s é pa ra nã o se ler.
Não é de se tom a r por acidente, porque eles sejam di ficeis. Escre vendo Escr i tos no invólucro da coletânea, é o que eu ouvi a a mim mesmo prometer-me: um escrito, a meu ver, é feito par a não se ler.
É que isso diz outra coisa.
O quê? Como é onde estou por meu dizer presente, aqui f aço ques . tão de ilustrá-/o, conf or m e meu costume.
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