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Freud Fundamental As Ideias e as Works com Pedro de Santi

Freud Fundamental As Ideias e as Works com Pedro de Santi

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Freud Fundamental: As Ideias e as Obras

COM PEDRO DE SANTI

AULA 1

A Origem da Psicanálise

A história da psicanálise é a história de como Freud abriu mão da Neurologia Abriu mão da prática médica para inventar uma ciência humana chamada psicanálise com a intenção de entender e atender pacientes histéricos. A psicanálise nasceu da histeria , e a partir da do entendimento da histeria expandiu-se para outros Campos, para outras formas de sofrimento, para todas as formas do sofrimento e para uma teoria geral da mente humana. Tá mas fundamentalmente isso Freud passou a entender que esse sintomas eram verdadeiros, eram sofridos realmente pelas pessoas mas a causa desse sintoma não tinha como causa uma lesão física.

Olá meu nome é Pedro dos Santi sou psicanalista e Vou conduzir com vocês esse curso de seis aulas sobre as principais ideias, conceitos e obras de Sigmund Freud inventor da psicanálise, para saber com quem vocês estão falando né: eu sou graduado em psicologia e tenho uma carreira acadêmica feita de uma especialização em filosofia e psicanálise na Unicamp, um mestrado em filosofia sobre a obra do Freud na filosofia da USP e um doutorado em psicologia Clínica , de volta na PUC de São Paulo sobre Montaig, e Freud um livro que acabou de ser lançado, depois falando sobre isso, e tenho um pós-doc mais recente na ESPM onde eu sou professor sobre relações de consumo: qual é o papel do consumo na experiência da gente hoje no mundo cada vez mais conectado. Sou também professor da ESPM, da pós-graduação da Puc de São Paulo, de uma pós-graduação da ECA, também da comunicação da USP e aqui da casa do Saber desde 2006 e mais sobretudo principalmente sobre Psicanalista Clínico né.

Na clínica que começam e terminam , as nossas interações teóricas nossas reflexões sobre a vida e isso tem a ver com esse curso absolutamente né. Tudo começa com alguém que em sofrimento procura pela gente em busca de escuta, acolhimento, em busca de ter uma vida melhor de alguma forma dentro do possível , e num trabalho de reflexão , então sobretudo ser analista né. Sobre esse curso acho que é legal começar a dizer que é quase que indecente querer fazer uma apresentação do Freud em seis aulas de meia hora, falar de livros tão importantes tão extensos, mas obviamente é essa negociação que a gente faz com o mundo , é o curso num formato que ele é viável que ele é palatável para um público que está sendo produzido no tema e a gente procura então fazer isso de uma forma que não seja Leviana , que não seja superficial mas sobretudo como diria meu orientador de doutorado Luiz Cláudio de Figueiredo esse curso vai deixar a desejar , e deixar desejar significa não vai satisfazer plenamente, vai deixar espero se tudo correr bem , desejando que cada um de vocês se aprofunde né, vá atrás dos livros, vá atrás dos comentadores, vá atrás de uma experiência clínica da mesma maneira tá.

Então começamos aqui , E aí eu vou essa primeira aula teve como texto de referência o texto muito bonito não dos mais conhecidos do Freud um texto de 1899 chamado As recordações encobridoras , chegaremos a ele ao final da aula , eu vou começar apresentando um pouco acho que era importante Dizer para vocês um pouco biograficamente o Freud De onde veio , Essa Ideia dele de onde veio essas questões que Levaram ele a criar psicanálise né. Então primeiro lugar biograficamente o Freud nasceu em 1856 numa cidadezinha chamada Fiber , que fica hoje na República Tcheca, na época o país chamava-se Moravia, as fronteiras no meio da Europa sempre se movem como se movem no momento as fronteiras lá estão sempre em movimento , chamava-se Morávia hoje é a República Tcheca lá. Quando tinha três anos de idade a família dele Judaica mudou-se para Viena, o pai dele Yacume Freud foi morar em Viena trouxe a família, fora de lá ficou dos três anos de idade até 1938, um ano antes de morrer. Lá ele se criou, estudou medicina, virou o Freud, vou falar mais disso no instante como é que essa história dele virou o Freud né. Em 38 como todo mundo sabe a Áustria foi indexada , pela Alemanha nazista, não resistiu abriu as portas.
A guerra já começou no ano seguinte quando a Polônia tentou resistir e não conseguiu , era a Ucrânia da época , a Áustria não fez essa resistência abriu as portas e de repente ele viu livros dele sendo queimados na porta dele, viu a filha favorita Anna Freud presa um dia pela Gestapo,, a coisa ficou feia, ele pretendeu sair e já não conseguia, já não podia, mas conseguiu como intervenção internacional passar um último ano de vida em Londres. De 38 para 39 foi para Londres , E lá ele chegou a gravar um áudio para Rádio BBC tem imagens dele já idoso com 82, 83 anos de idade , lá então no ano ele morreu né.
Quem aprecia a personalidade, a obra do Freud, tem dois museus para ver: um em Viena na bergaça 19 , no endereço do Freud quase que a vida adulta inteira dele e um outro Museu Freud em Londres Onde estão objetos, as coisas do Freud foram junto com ele naquele exílio final , exílio que informa sobre Como o mundo é, como as coisas são né.

Aproveito já passo uma referência que vale para hoje, para o nosso ambiente também de muita violência, a violência do Brasil, violência no mundo num texto muito importante do Freud chamado Porque a guerra ele começa a discutir Como é que os seres humanos sendo civilizados sendo educados com tanto tempo de Cultura acumulada entra em guerra e depois de muito falar sobre natureza humana, ele finalmente termina o texto dizendo sendo nós quem somos A questão não é porque a guerra, é como tem tão pouca guerra sendo nós quem somos. E esse sendo nós quem somos conta como que o Freud sendo um médico neurologista foi virando um psicólogo, um psicanalista, um filósofo né. Alguém que entende o que tem uma certa concepção sobre a experiência humana como um todo né. Isso biograficamente ajuda um pouco a entender e então para ser um pouco mais específico Freud estudou medicina, a época do Freud não existiam coisas como Psicologia ou psiquiatria, ele é um dos inventores da psicologia na virada do século 19 para o século XX a psiquiatria tampouco existia o que tinha a ver com o comportamento naquela altura era de uma forma a Neurologia, a formação do Freud é Neurologia, e curiosamente ele é uma espécie de proto neurocientista. É claro imagina que que era Neurologia a 140 anos né; Mesmo assim era essa a pegada do Freud ao se formar ele começa a atender e ele vai atender uma paciente que tem os problemas que qualquer um levaria hoje num neurologista: dores crônicas paralisias tremores cegueira porque levaria qualquer um de nós hoje é um neurologista levavam os pacientes do Freud e ele atendia com a Neurologia tosca que tinha mas atendia né. E aí a questão chave é que começa aparecer no consultório do Freud pacientes que tendo sintomas na dimensão neurológica paralisias anestesias quando examinados não parecem sintomas não tinham uma origem física. Não eram sequer corretos anatomicamente, eram sintomas errados biologicamente, tinha paralisia em pedaços do corpo que não correspondiam à anatomia cerebral, eram paralisias no senso comum por assim dizer do leigo , que chama perna de uma coisa enquanto biologicamente neurologicamente perna é uma outra coisa, eram sintomas muito esquisitos né, a pessoa sofria de verdade no entanto não parecia existir uma causa física específica para esses sintomas né.

Freud foi então descobrir que esses pacientes eram chamados pejorativamente já na época histéricos , mulheres e homens, mais mulheres do que homens, mas a época do Freud embora historicamente histeria seja ligada à feminilidade, a palavra histeria deriva de útero em grego, ainda assim a época do Freud já se sabia já se falava , que existia a histeria masculina também, não tinha a ver com a materialidade do útero, mesmo assim o sofrimento histérico era descrito na medicina de língua alemã o Freud tava lá em Viena , a como não existente, como fingimento, se não havia lesão física logo não existia doença, era frescura, fingimento, a gente chamaria de mimimi hoje, alguma coisa assim né. Só que daí o problema do Freud segue porque que segue? segue porque o que tem na frente dele é uma pessoa sofrendo e pedindo ajuda, o paciente fala cara Você é médico, Eu tô sofrendo, me ajuda, o livro fala esse cara não tá doente, se não tem lesão não tem doença né, entre uma pessoa sofrendo , e o livro dizendo a doença dele não existe, desqualificando o sofrimento, Adivinha com quem que o Freud fica? o Freud fica com o paciente , então adianto para vocês essa primeira informação importantíssima , sobre essa história , a história da psicanálise é a história de como Freud , Abriu mão da Neurologia, Abriu mão da prática médica para inventar uma ciência humana chamada psicanálise. Com intenção de entender e atender pacientes histéricos. A psicanálise nasceu da histeria , e a partir do entendimento da histeria expandiu-se para outros Campos, para outras formas de sofrimento, para todas as formas sofrimento e para uma teoria geral da mente humana.

Tá mas fundamentalmente isso Freud passou a entender que esses sintomas eram verdadeiros, eram sofridos realmente pelas pessoas, mas a causa, esse sintoma não tinha como causa uma lesão física. Ele desenvolveu uma teoria da mente que eu vou apresentar brevemente para vocês em seguida , uma teoria da mente especificamente na qual esse sintoma vai ser entendido como expressão de uma outra coisa. Então pulando novamente o curso é rápido , Eu não posso contar as etapas disso , mas pulando já 10, 15 anos dessa história mesmo um gênio como Freud leva 10 15 anos para elaborar bem uma ideia , como é que o Freud começa a entender a mente humana como um todo , da seguinte forma o Freud entende como a gente entende hoje também a nossa mente como um sistema de memória um sistema de representações ideias representações traços de memória e ideias que são implantadas na mente pela experiência da gente por isso a memória, a mente é uma grande nuvem, é uma nuvem razoavelmente estável, você pode chamar de eu, de ego, de mente, psique fique à vontade , o Freud chamava de Eu , Não de ego ele nunca usou essa palavra na vida foi o tradutor que inventou. Um eu que é uma nuvem razoavelmente estável de representações que procuram então manter uma estabilidade da pessoa e a cada vez que chega uma informação nova, um dado novo para pessoa, uma experiência nova para pessoa, que deixará marca, deixará representação, o eu procura integrar, Reconhecer essa representação e encaixá-la de alguma forma nesse sistema de memória, o nosso eu vale dizer já é uma máquina conservadora que não gosta de ser assustada. o nosso eu é uma máquina de produzir sentido produzir certezas, reconhecer coisas. Nós preferimos boas teorias da conspiração à angústia, a não entender, a desentender, o eu é aquilo que deixa, é o que procura evitar angústia criando sentido até para o que não tem, mas então Freud percebe, vai criar uma teoria assim né. E se o eu em sua busca de reconhecimento, de integração das representações, das experiências que chegam, tem um limite eventualmente, chegam a ele representações, chegam a ele experiências radicalmente novas, que não podem ter um preparo prévio da mente para sua recepção, esse estímulo para o qual a mente não tem resposta é o que o Freud chamará de trauma é o radicalmente novo, é uma experiência muito intensa que pega o eu despreparado Sem condição de reagir né, Sem condição de responder a isso, esse trauma paralisa a pessoa, é um estímulo para o qual a pessoa não tem resposta né.
Isso trava o sistema, isso cindi o sistema né, onde houver um trauma, conceito importantíssimo pra gente, o tempo está parado, onde você tiver, eu tiver, todos nós temos muitos deles né, onde há trauma, ali na sua vida o tempo tá parado, o trauma deixa uma paralisia por minha ausência de condição de responder né.

Imagi, um namoro que termina, um tá muito bem na história, decidiu o final do namoro e toca a vida, elabora a perda e vai reviver, vai viver outros amores né. O outro ficou parado, passa um ano, dois, três, os amigos não aguentam mais ouvir o cara falar da mesma história, mas para esse segundo cara, o traumatizado dois anos depois, é sempre o dia 1 onde é um trauma, é sempre o dia 1 a 2, a dor dói sempre igual, o tempo não passa, o tempo não vai né.

Isso tudo pode vir a acontecer por amadurecimento, por terapia ou se quer acontecer na vida da pessoa, mas então o Freud entende que essa experiência traumática cinde a mente, por que ela cinde a mente? Porque essa experiência ao acontecer não consegue ser integrada ao eu, não pertencerá ao eu, ao sistema regular daquela Nuvem de representações que Eu mencionei a pouco. E vai cindir a mente em eu e não eu, vai haver um sistema de memória, um eu que é memória acessível, que é a qual me identifico e um segundo sistema de memória, que é o inconsciente. Inconsciente porque essa representação do trauma não pode ser implantada dentro do eu, ela fica marcada, o trauma deixa a marca, mas essa marca fica fora do eu num segundo sistema de memória que eu fui chamar de inconsciente né. E essa ideia então está fora da memória a pessoa não sabe do seu trauma , a gente não sente Como pode dizer o tempo todo, ah sofreu um trauma porque não sei quem ganhou ou perdeu a eleição , mas rigorosamente na teoria a pessoa não tem consciência daquilo porque essa representação justamente ficou fora, se ela pudesse ter sido integrada não teria sido traumática, o trauma consiste nessa cisão da mente.

Essa representação no entanto , Ela é muito poderosa , Ela é muito intensa Ela não fica de lado quietinha, ela vaza e é justamente essa ideia. Se uma ideia pode como pensamento sub- ideia pode ser representada lembrada na sua consciência ela existe dentro do eu e você pode controlar ela de alguma forma, uma representação excluída do eu está fora do controle do eu, mas ela é potente, e se ela não pode existir enquanto o pensamento consciente, ela existirá enquanto ato, ela vai vazar como sintoma.

Então essa primeira teoria causal do Freud né. Nós, a gente tinha um sintoma que estava no corpo de um paciente e qual era a lesão que estava em jogo, Freud propõe: a lesão está numa representação não tá no cérebro não é um neurônio é uma ideia aquele sintoma que está no histérico é uma representação, é a expressão, é a explosão de uma ideia que está na mente, ela é muito poderosa e ela extravasa de forma disruptiva e inadequada porque ela não pode ser incluída enquanto ideia, representação, pensamento, essa primeira teoria causal né, causa e efeito: os sintomas histéricos são os efeitos de qual causa? da exclusão de uma ideia com relação a consciência, da impossibilidade de lidar com ela, uma ideia traumática enquanto for traumática, o sintoma vai estar ali né, quando em condições de amadurecimento normal, ou terapia a pessoa puder integrar, entender a referência daquela ideia, incluir na nuvem do eu, o sintoma desaparecerá. É um esquema Iluminista bem clássico: causa e efeito, exclusão da ideia com relação ao eu, efeito sintoma , e a terapia portanto já pode ser entendida, toda terapia buscará ganhar consciências sobre essa representação, tentar conviver com esse sofrimento,

Esse é um pedaço da psicanálise para chegar , nas Recordações encobridoras , a gente passa então a ter uma outra ideia. o Freud vai elaborando a noção de trauma até passar por um cerca de dois anos da sua teoria para ser específico 1895 a 1897, o Freud qualificou que esse trauma sobre o qual acabei de falar, ele é de natureza sexual, o trauma teria sido um abuso sexual, O Freud vai dizer então que todo paciente então histérico, neurótico é o nome mais abrangente para histeria e outras formas de Sofrimento mental, todo paciente histérico ou ainda desse grupo maior: neuróticos como obsessivos e fóbicos né, todos Eles teriam passado na primeira infância por um abuso sexual em casa né, como nós sabemos hoje também a maior parte da violência sexual acontece dentro de casa, fora tem muito, mas dentro tem mais e o Freud vai dizer o quê esse paciente sofreu ali ele acaba relatando como trauma, um abuso sexual sofrido pelo pai e mãe, Alguma coisa muito próxima e horrorosa assim isso existe nós, sabemos que existe mas a compreensão seguida do Freud leva ele a uma outra percepção né. Frequentemente essas lembranças que a pessoa traz de trauma essas lembranças não podem ser digamos averiguadas, a gente não pode conferir a Verossimilhança dessa lembrança, ela frequentemente pode ter acontecido, Pode não ter, ele próprio lembra-se de cenas dele de abuso que acabam não fechando muito bem cronologicamente, ele começa a perceber que a memória, esse é um avanço essencial do Freud, a nossa memória não é um registro objetivo de coisas vividas, a memória faz traduções a cada momento presente que eu vivo por assim dizer, eu retraduzo o meu passado, eu retro visito as minhas marcas de memória e isso vai criando deformação sobre deformação, eu posso ter uma lembrança Cristalina, alucinatória, eu confronto com meu irmão Ele lembra diferente. Isso acontece muito com muita frequência, o Freud percebe então alguma coisa muito importante que é: primeiro existe abuso sexual, é óbvio e isso é traumatizante, mas algumas pessoas que relatavam abuso sexual podiam ter passado ou podiam não ter passado, podiam ter fantasiado, mas fantasia não é mentira, fantasia é realidade psíquica; Freud em 1997 abandona a teoria da sedução percebendo isso , a pessoa pode, a pessoa traz uma recordação de abuso, esse abuso pode ter acontecido, acontece muitos abusos, a gente não vai negar isso, mas muitas vezes a cena pode ter sido uma reconstrução que a pessoa foi fazendo ao longo da sua história, mas mais espantoso do que isso , Essa reconstrução é eficiente psicologicamente, quer a minha memória corresponde ou não seja verossímil ou não aos acontecimentos da minha vida né, se eu tenho essa crença se eu tenho essa representação da minha história, eu sofro de acordo com essa representação e a isso foi chamar a realidade psíquica quando ele faz isso começa a psicanálise

Ele imagina então se uma criança foi capaz de fantasiar uma cena de sedução, muitas coisas estão implicadas aí, a primeira dessas coisas , é que a fantasia é autônoma se eu acredito em algo na minha história essa crença funciona eficazmente na minha vida, na minha felicidade, infelicidade. Eu Não Preciso conferir com a família do cara se é verdade ou não, tudo que importa é o que esse cara trás e assim a gente trabalha a princípio na psicanálise, eu não vou conferir se confere ou não a história que Ele conta, o que interessa é a compreensão, escuta interna dessa história que ele apresenta e essa criança que fantasiou então eventualmente fantasia sexualmente e fantasia sexualmente com os pais vai aparecer na teoria da memória como eu contei para vocês, na memória que é transformável de presente em presente, uma memória que é eficaz para produzir alegria e sofrimento.

A ideia de que criança tenha sexualidade, ela tem desejo, ela já seja desejante de uma cena inclusive sexual, inclusive relativa aos pais, mas sendo relativo aos pais que fantasia é essa com os pais? Começa a surgir no pensamento do Freud após a ideia de inconsciente um interesse por sexualidade infantil e ainda sobre essa triangulação criança pai e mãe que vai virar muito adiante o complexo de Édipo né. Então quando a gente chega nesse primeiro Limiar em 1899 tá na beira da psicanálise ser de fato inaugurada.

Na segunda aula nós falamos de inauguração em 1899, no texto Recordações encobridoras a teoria do Freud está quase pronta nesse sentido é um trabalho sobre memória, processo de tradução de memória, sobre eficácia de memória e como esses mitos pessoais pelas quais eu estou aderindo são eficazes na produção de Sofrimento, de alegria, em suma o Freud começa com histeria desqualificada pela medicina da época e cria um método de discuta , de compreensão e de atendimento dessa pessoa entendendo que os sintomas tem causa sim, o sintoma é verdadeiro, o sofrimento é verdadeiro , e a causa do sofrimento é Mental, é psicológico, é uma inibição de consciência de certo acontecimento terrível que repito que pode existir enquanto pensamento vaza sobre a forma de sintoma.

Esse é o primeiro modelo psicológico do Freud e que vai gerar o modelo terapêutico tornar o inconsciente consciente, ganhar consciência sobre aquilo que se eu puder pensar não vai ser atuado como sintoma.

AULA 2

O Inconsciente

Sintoma não é algo de que reclamam sobre você, um sintoma é um estranho que habita você. É o que você acha louco em você porque é que eu faço isso, eu odeio fazer isso, jura que nunca mais vai fazer de novo, o Agora eu quero fazer isso tá na hora, vai ser legal para mim, faz sentido na hora, o boicoto procrastino né, essa coisa que eu acho louca em mim, não combina comigo, eu odeio fazer, eu tento não fazer mais, se impõe com uma compulsão ou inibição, essa estranheza, isso que não faz sentido para mim, em mim, isso é um sintoma.

Olá a todos começamos na nossa segunda aula desse curso que dá um Panorama Geral de obras, conceitos , do Sigmund Freud né, o criador da psicanálise, na segunda aula o texto de referência é um monumento do século XX um livro chamado a Interpretação dos Sonhos de 1900 com qual Freud considera, ele próprio considera que inaugurou a psicanálise, ela vinha , sendo gestada por 15 Anos Antes. Vários textos anteriores a essa data já são textos muito importantes de psicanálise, mas esse é um grande Marco né. o Freud foi bem bem bom mercado logicamente mesmo pensando nesse livro ele terminou em 1899 Mas ele pediu para editor carimba aí 1900 para não parecer de um ano para o outro livro do século passado e o livro Poderia chamar se você se lembra da aula anterior seria mais correto chamar o livro de a interpretação dos sintomas, os modelos teóricos que o Freud criou, Ele criou a partir dos sintomas neuróticos , mas ele pensou também mercadológicamente ele pensou bem no seguinte se ele chamasse A interpretação dos sintomas entenderiam que essa teoria aplica-se só a pessoas doentes especificamente doentes né. Ele entende que aquele modelo de vazamento , de uma ideia traumática que a gente apresentou na semana passada, na aula passada, desculpem ela se aplicaria a todas as pessoas em outros fenômenos da mente e não só para pessoas especificamente doentes. Então ele pega um fenômeno onde ele acha que o inconsciente se expressa também o sonho né, ele pensa se eu puder demonstrar, argumentar que o sonho também vem com ideias inconscientes, eu vou poder dizer que todo mundo tem inconsciente, é um fenômeno comum, um lembra mais, um lembra menos né, mas enfim eu vou poder trabalhar com essa ideia e generalizar que a mente funciona dessa maneira, Que significa a nossa mente, o nosso eu não dá conta da totalidade das nossas representações, nós temos um grupo muito consciente, muito próximo da consciência e ideias que eu penso cotidianamente fazem parte do meu dia a dia, tem ideias mais ou menos periféricas que não são mais significavas hoje: tipo aniversário da ex-sogra você já pode esquecer, aplicativos que você não usa mais, matéria que você passou na prova vão ficando periféricos, não tem problema mas sobretudo Como eu disse , há um limite do pensado na mente , como acontecia com a ideia traumática, outros conteúdos vão estar no inconsciente , E esse inconsciente vai sendo cada vez mais compreendido pelo Freud como um lugar de Desejos, desejos incompatíveis com o eu que vão vazar e o sonho será afinal de contas uma dessas formas.

Só para dizer para vocês o Freud tinha uma expectativa muito grande de sucesso desse livro, ele foi um razoável fiasco no primeiro ano, vendeu se não me engano 80 exemplares, coisas assim levou um certo tempo cinco 10 15 anos para esse livro ganhar a dimensão que finalmente ganhou como uma das grandes obras do século 20 né, mas fundamentalmente teve essa ideia genial é um livro de 800 páginas, é um catatau gigantesco, que vai levando o leitor para a seguinte ideia: sonho é a realização alucinatória de um desejo reprimido da infância, cada uma dessas palavras é muito grande, é muito densa, a gente vai falar sobre algumas dessas palavras né. Para começar avançando daquele modelo que eu trabalhei na aula anterior , o trauma escrito fora do eu, essa representação de memória fora do eu, sendo poderosa, vazando sobre a forma de sintoma, o Freud avança na questão do desejo como também comentei com vocês no final da aula passada, a questão da cena de sedução ter sido desejada, fantasiada pela criança. Aí o Freud a transfere ou amplia faz um upgrade daquele modelo do trauma para o modelo que a gente chama como Conflito repressão retorno do reprimido é um modelo causal também mas é um modelo teórico que o Freud abre em 1900 e vai funcionar muito bem na teoria do Freud até os anos 20 até aparecer outras questões, com outros impulsos. A gente fala sobre isso em momento, mas durante muito tempo durante uns 20 anos da obra do Freud 1900 já quase 1920 esse modelo: conflito repressão retorno do reprimido é o grande modelo de compreensão da neurose, da Psicose, do sofrimento das pessoas

O que significa esse modelo? significa o Freud entende então que todo mundo é muita gente todo mundo tem muitos Desejos, todo mundo é cheio de desejos e obviamente aquela nuvem Central, o eu né, Ela é um cobertor curto né, se eu tô que nesse momento falando com vocês, eu não estou falando, fazendo uma série de outras coisas que eu poderia desde já também fazer né, Então essa nuvem vai estar sempre se movendo, tentando ser um partido político que tenta integrar ao máximo as forças que estão em conflito naquele momento, representá-las da melhor forma possível né, as demandas da pessoa naquele momento, ninguém sai totalmente satisfeito, se possível ninguém sai totalmente de fora, mas então há desejos nas pessoas , que são realmente, fundamentalmente incompatíveis com o sistema do eu da pessoa, eu tenho desejos contraditórios, eu tenho desejos incompatíveis com meus impulsos Morais né. Nós assistimos recentemente não sei quando vocês verão ou se verão esse curso, mas pessoas do bem loucas para matar outras pessoas né, e não é fácil integrar pessoas que se identificam como de bem saindo Armadas e dando tiros em outras. É de alguma forma difícil integrar no mesmo eu.

Freud conta muitos casos clínicos como de uma moça, um caso clássico de Elisabeth sobre a histeria né, que amava muito sua irmã, então essa irmã morre de doença, ela ficava em luto, mas ela então fantasiava: vou pegar meu cunhado, eu vou ficar no lugar da minha irmã e morre de culpa por isso né. Há determinados desejos da gente que a gente deixa de lado, não gosta de ter, mas tem consciência, há certos desejos da gente que nos parecem inconcebíveis , com aquilo que eu penso a meu respeito como identidade, ameaçam a minha identidade.

O Freud entende então que ante determinados desejos que causam um desprazer insuportável à pessoa né, a mente tem um mecanismo de defesa chamado repressão, a quem chama de recalque, na tradição lacaniana é mais comum chamar recalque, a tradição literal do Alemão é repressão, eu mantenho a tradição freudiana que eu realmente considero mais correta, com o perdão dos meus queridos amigos lacanianos né, em todo caso repressão é o nome desse conceito né. E esse é contra pressão do Alemão para o português. Aí então esse mecanismo significa que essa ideia, esse desejo que causa desprazer, faz pressão para se apresentar à consciência, o eu faz contrapressão, não deixa essa ideia aparecer, ela fica então também no inconsciente. Já havia Aparecido na aula passada a ideia de Uma Mente cindida, eu, não eu, esse não eu inconsciente Onde estão marcadas ideias traumáticas acrescente-se agora como conteúdo do inconsciente desejos reprimidos e que estiveram na consciência, pertenciam ao eu, mas causam desprazer tão grande que para me defender delas eu expulso da consciência né, eu reprimo essa ideia, não deixo que ela chegue na consciência e a finalidade da repressão é evitar o desprazer. Quando uma ideia chega à minha consciência e causa um desprazer insuportável a nossa mente aciona o mecanismo involuntário, não é voluntário, que bloqueia o novo acesso dessa ideia consciência, isso chama repressão, não é voluntário, não adianta você dizer não quero mais pensar nela: um dois três e ela está aí. Vou começar terapia, Vou Lembrar da minha infância, não acontece nada, não é voluntário, é uma espécie de automatismo de termostato psíquico , que faz com que uma ideia chegando a uma certa temperatura de Sofrimento, o seu acesso seja bloqueado, o que os olhos não veem o coração não sentirá. Essa é a repressão né.

A repressão no entanto nunca é totalmente bem sucedida, Então temos o conflito como eu falei para vocês, conflito não qualquer conflito, Vivemos em conflito e conflitos é bom são bons, nós acabamos de aprender também, nós gravamos essa aula agora em 2022 logo depois das eleições a gente tava com saudade de conflito, a gente tá vivendo no mundo sem conflito, sem cisão né, conflitos são bons fazem parte da mente né. O problema não é o conflito, o problema é um conflito que chegando num tal nível de dor seja então insuportável. A identidade da pessoa se veja ameaçada e aciona esse mecanismo de repressão, a repressão ela é boa, ela é necessária, eu não poderia conviver com todas as minhas dores, Imagina aí você que tá vivendo ouvindo, se eu tivesse consciência constante de cada dor da minha vida, cada decepção, cada frustração, cada trauma, cada pé na bunda, cada sofrimento, seria insuportável , dar um passo à frente né. Eu preciso do esquecimento.

Erasmo de roterdã no elogio da loucura fala “a minha irmã, o esquecimento, a loucura fala, imagina se eu não pudesse esquecer”, se eu tivesse consciência constante de cada dor, eu não poderia dar um passo à frente, então esse esquecimento é necessário a um mínimo necessário de repressão que me poupe da dor de certas memórias, ausência de repressão para o Freud significa individualmente Psicose, livre fluxo das ideias que chegaram a minha consciência como as alucinações, socialmente caos social, a guerra de todos contra todos, estado de natureza do Thomas Hobbes, então há um nível de repressão que é imprescindível, um certo controle do fluxo das representações, Mas é claro que a repressão custará um custo muito alto, um custo em perda de memória, perda de nachos de nachos e nachos e conjuntos de cachos de memórias que vão desaparecer junto para não lembrar de uma ideia dolorosa, muitas outras desaparecerão também porque por Associação eu me lembraria dela. Então a repressão representa esse ganho de não sofrer, mas ela representa empobrecimento do campo representativo, empobrecimento dentro da memória, mas sobretudo ela representa um congelamento.

A ideia reprimida diz o Freud sintetiza: você está diante de um conflito, se você tentar resolver o conflito Você pode até resolver, quando você reprime, você desiste de resolver, você tira uma ideia da parada, Mas essa ideia na qual você então já não pensa, ela congela o Freud dirá o inconsciente é atemporal assim como no trauma , o trauma é sempre o dia 1, a ideia do inconsciente, ela é sempre , então eternizada, quando ela vier ela voltará do jeitinho que ela tava com o mesmo sofrimento, é um barato que sai caro, a repressão né. E é isso que está reprimido, de toda a maneira voltará assim como no caso do trauma né. Repete o mesmo modelo, um desejo pode ser pensado e se ele puder ser pensado eu tenho algum controle sobre ele, se um desejo legítimo meu é calado pela repressão, ele continua existindo, mas vai existir em detrimento do meu controle, ele vai me atravessar sob forma de sintomas, mas agora também sonhos, atos falhos, alucinações, o Freud percebe que há outras formas desse retorno do reprimido se dar. Esse é o modelo: conflito insuportável, repressão de uma das correntes do conflito e então o retorno do reprimido. Aquilo que está reprimido vaza , aquilo que você sabe sobre você, você tem algum controle a respeito. O que você não sabe sobre você te controla,

O que que é real, Mas você finge que não é né, finge que não vê, ou faz força para não ver, voltará te atropelando né, tudo que é real vai aparecer por bem ou por mal. Nesse caso um desejo aparecer por bem, ele aparecer enquanto pensamento, eu posso ter um desejo que me constrange muito, que eu tenho vergonha dele, que eu tenho nojo de mim mesmo, mas se ele pode estar na minha consciência, eu tenho algum controle sobre ele, o desejo que não tá lá, esse é o jogo da Democracia ok né, todo idiota tem que poder falar, se você não deixa um idiota falar ele vira mito né, se o idiota puder falar, ele se expressa e ele mostra que é idiota, é importante essas vozes poderem falar ao máximo, as vozes poderem falar, a diversidade de vozes poder falar. A repressão é sempre emburrecedora e ela potencializa aquilo que foi reprimido. De novo, um tanto de controle do fluxo das representações é necessário, um tanto de repressão é necessário.

No entanto a repressão custará esse preço, aquilo que foi calado à força voltará, voltará violentamente nos sintoma, eventualmente, menos violentamente no sonho; O que que é o sonho né? O termo específico do livro do Freud , o sonho aparecerá então para o Freud como uma das formações do inconsciente, uma das formas de retorno do reprimido né. O que que é um sonho para falar muito vagamente né: um sonho é uma experiência alucinatória , que todo mundo tem, uns lembram mais uma época outra da vida, mas um sonho é uma coisa impressionante, porque eu apago E então passa na minha mente um filminho, um filme no qual eu sou ator, eu sou roteirista, eu sou diretor, eu sou produtor, eu assisto e atuo ao mesmo tempo, a gente sonha todo dia e Nem dá bola para isso, mas sonhar é enigmático. Como é que pode eu apagar e aparecer que mistura pessoas e épocas e cria cenas fantásticas.

Sonhar é um ato criativo maravilhoso e antes de você poder interpretar pelo Freud, pelo espiritismo, pela neurociência, lembra disso: o sonho é enigma que me informa que minha mente é maior do que eu, quem foi, da onde é que veio aquilo né. Aquilo é meu e não é meu ao mesmo tempo, eu apaguei e se deu em mim essa experiência na qual, em geral, eu não me dou conta de que estou sonhando, por isso, que é alucinatório.

Descartes já sabia Isso, faz parte da argumentação cartesiana da dúvida metódica, quando eu estou sonhando eu não sei que tô sonhando, Então quem pode dizer que agora, que eu tenho certeza que estou acordado, eu estou mesmo acordado, eu não tô sonhando, que sou o Pedro gravando a aula pra casa do saber né. Tem gosto para tudo isso, são pesadelo.
Talvez Mas pode ser, o argumento do Descarte faz muito sentido, todo a representação desde o mito da caverna do Platão, passando pelo Descartes, Matrix 1, aquele filme que tinha roteiro diferente dos outros três, uma suspeita, o que eu tô vendo é representação ou é a coisa? Então o sonho é essa Alucinação, eu acordo e percebo que estava, Descarte vai falar assim: eu acordo e percebo que estive sonhando. Em geral não tenho contenção lúcido enfim, mas a princípio a Alucinação, e que Alucinação é essa para o Freud? A expressão de desejo satisfeitos o jogo é assim, está lá o eu , acordado, desperto né, reprimindo certas ideias, a ideia faz pressão ou eu faço contrapressão, quando a gente dorme, quem dorme? Quem dorme é o próprio eu e nesse relaxamento há um desbalanceamento de forças, as ideias contidas começam a poder vazar.

Sabe quando você passa você está muito angustiado e pega o seu dia e entope de trabalho e compromisso para não pensar, mas então você deita a cabeça na cama e os fantasmas aparecem, é mais ou menos isso né. A esse desbalanceamento e aquilo que está não realizado aparece. O que é que faz um sonho para o Freud? Desejos não realizados. Desejos inconscientes, desejos conscientes, ruídos que te atrapalharia durante a noite.

Uma piadinha que eu adoro fazer na graduação é: começa a falar sobre sonhos, os alunos de 18 anos começam a contar vantagem, seus sonhos sexuais. Sonhei que transei com não sei quem, com eu não sei quantos, com não sei quantas, e vão contando até o professor dizer: você no sonho, você realiza sonhos não realizados, se você só sonha com sexo, você só sonha com sexo, fizesse um pouquinho mais, tinha mais coisa para sonhar a respeito. É uma piada clássica para a gente que conta vantagem com seus sonhos eróticos né. Você sonha com o que você não faz e o sonho é justamente isso para o Freud: essa distensão noturna de desejos não realizados que aproveitam o relaxamento do eu para vazar. Só que se esses desejos simplesmente se apresentassem como tal essa pessoa despertaria em desespero se é o desejo é inconsciente, a pessoa não suporta esse desejo, então a expressão simples, o vazamento direto desse desejo levaria a um despertar, perda do repouso e horror e desprazer e desprazer que levou a reprimir. Portanto Freud percebe que o sonho vai fazer um acordo de novo é um partido de centro, não é o centrão, veja bem é um partido de centro, negociador né, que o acordo é o seguinte: durante a noite o desejo inconsciente poderá aparecer desde que se deforme a tal ponto que a pessoa não ganhe consciência do desejo inconsciente que está envolvido.

O sonho é simbólico, alegórico, ele é uma fantasia que tem como combustível o desejo inconsciente, um desejo inconsciente que é o motor e o Freud vai dizer: o capitalista do sonho , que tá implicado ali mas ao mesmo tempo, o sonho vai ser tão deformado que a pessoa não vai entender. Você sonha e não entende o seu sonho, o que você entender não é isso o sonho, é um acordo, o inconsciente vaza e distende um pouco mas você nem acorda, nem reconhece. Se você acordar como Pesadelo, Freud suspeita que talvez você tenha sentido, está no livro de interpretação dos sonhos: sentindo algo, o cheiro do desejo de consciente e acordado para evitar que esse conteúdo continuasse a aparecer né. O sonho então é esse artifício. Mas o importante dizer ainda nessa aula quando nós dizemos que o sonho é simbólico ele não é simbólico segundo uma chave fechada, não dá para pegar um dicionário de símbolos e fazer correspondência: sonhou com isso, quer dizer aquilo, vai jogar no bicho então o número né. O sonho é simbólico de um simbolismo intrínseco a linguagem do sonhador, a cada sonho, eu preciso perguntar para cada elemento em que você pensa, quando pensa nisso o que isso significa para você? do que que você lembra quando?

Os pacientes odeiam isso , eles esperam uma resposta e eu pergunto Quais são suas associações. Freud chama o sonho de conteúdo Manifesto, aquilo que se manifestou e o desejo inconsciente de conteúdo latente. O desejo inconsciente subjacente ao sonho e a gente entende que a partir dos sonhos sonhados eu posso em terapia tentar encontrar o desejo latente, o desejo inconsciente e interpretando mas mais uma vez interpretação de sonhos não é o uso de chave simbólicas né, de bons existem maravilhosos dicionários de mitologia, mesmo assim , só ela de símbolos de mitologia, mas o sonho é sonhado por um sujeito singular que tem uma lingua-imagem própria, uma linguagem própria né. O costume dá como exemplo, só como exemplo bobinho, em qualquer simbologia do mundo: mar é um símbolo de mãe, de útero, líquido amniótico para o bebê , então o mar é um símbolo recorrente de mãe, não se seu pai for o Aber Klinky, , Se o seu pai for o Aber Klink que quando você sonhar com o mar, lá vai papai de novo numa aventura. De repente tem a ver com mãe indiretamente, mas enfim é outro código né.

Nós trabalhamos com linguagem, a própria linguagem verbal é um símbolo que a gente compartilha, mas a palavra tem um sentido para mim e para você que ouve tem outro, a linguagem não é fechada, Freud saca isso também por isso então esse Grande aborrecimento a cada sonho sonhado , o Freud vai então pedir pra pessoa associar, tentando então com essa Associação de ideias achar Nexos de sentido que remetam ao desejo inconsciente.

Fechando a Interpretação dos Sonhos apresento o que o Freud chama de primeira tópica, topos é lugar em grego a primeiro o primeiro entendimento da mente como distribuído em lugares agora na interpretação dos sonhos para frente até 1920 23 , são três lugares a consciência que é o foco imediato da minha atenção, um sistema que ele chama de pré-consciente é o conjunto de representações que eu evoco com facilidade quando eu bem entender , e finalmente um outro sistema Esse é o inconsciente essa é a sacada do Freud.

O inconsciente, o Freud não foi a primeira pessoa a falar inconsciente, todo século XIX, todo o romantismo do século 19, falava sobre inconsciente, os nossos maravilhosos contos de terror do século XIX, médico e o Monstro, Edgar Allan Poe inteiro fala sobre o inconsciente , esse mundo obscuro que aparece sob certas condições, mas o Freud qualifica esse inconsciente é mental, ele é feito de representações, quer representações traumáticas, quer desejos inconscientes, mas que enquanto uma vez que estão neste lugar psico chamado inconsciente existem com potência e como eu falei na primeira parte da aula de aula anterior , esse essas representações vão vazar, conflito, repressão, retorno do reprimido, volta como sintoma.

Vamos lá, vamos só para completar hoje o que que é um sintoma? Um sintoma não é algo de que outra pessoa reclame em você, a namorada fala assim: se não fizer terapia para corrigir o sintoma, não namoro mais com você. O coordenador da escola te puxa pela orelha e vai fazer se não te expulso da sala, sintoma não é algo de que reclamam sobre você. Um sintoma é um estranho que habita você, é o que você acha louco em você porque é que eu faço isso, eu odeio fazer isso juro que nunca mais fiz de novo o Agora eu quero fazer isso tá na hora vai ser legal para mim faz sentido na hora eu boicoto, procrastino essa coisa que eu acho louca em mim, não combina comigo, eu odeio fazer eu não fazia mais se impõe com uma compulsão ou inibição, essa estranheza isso que não faz sentido para mim em mim, isso é um sintoma, e se não faz sentido é especificamente por isso o sentido tá no inconsciente esse comportamento está aí no lugar de um pensamento.

Esse ato disruptivo inadequado está aí no lugar de um desejo, ele não existindo enquanto pensamento existe enquanto ato, enquanto atuação disruptiva e portanto mais uma vez o que toda terapia vai querer fazer é o tema da nossa última aula eu vou deixar Mais especificamente por lá e tornar o inconsciente consciente quanto maior a minha consciência sobre mim, menos serei atropelado pelos meus sintomas, mas o Freud ganhará a humildade, vai dar para gente essa humildade, saber temos inconsciente nós nunca vamos nos conhecer plenamente, nós Nunca seremos plena consciência, é uma primeira humildade da psicanálise, você não faz terapia para esgotar seu inconsciente, mas talvez para saber que você tem um e que você jamais será totalmente da sua casa. você jamais será Total mesmo fazendo uma sequência de brincos de auto-ajuda, que não sirvam para nada, de toda maneira mas de toda maneira você não vai adquirir controle sobre você.

Humildade número um: eu sou maior do que eu né, eu tenho em coisas maiores que minha consciência podem aprender e essas coisas me movem elas são motores, elas são desejos e o desejo é mais real em mim do que aquilo que eu penso a meu próprio respeito do que a minha auto imagem.

É sobre esse inconsciente que o Freud Então essa primeira revolução do Freud a apresentação dessa dimensão de um inconsciente poderoso, ativo, mental, individual não é transcendente não é alma imortal, não é cérebro, tão pouco, é mente, Uma Mente cindida né, entre o que pode ser representado e o que não sendo representado será atuado, agido disruptivamente. o sonho tende a ser mais brando a não ser quando é um pesadelo naturalmente, mas no sonho já está implicado essa dimensão do estouro, do vazamento daquilo que estava não dito, o não dito será gritado né, sobre sonhos menos grave do que os seus sintomas.

AULA 3

A Sexualidade

Explode a ideia de normalidade sexual, muita gente sofre né, me sinto normal, eu devia ser de uma forma, eu devia ser de outra forma. O Freud explode. Na fantasia, não há fantasia normal e anormal, não há um jeito certo de desejar, ninguém nasce hétero, ninguém nasce homo, não há um destino para a Sexualidade humana, os caminhos são como contingentes. A fantasia é livre, a normalidade deixa de existir como critério absoluto porque a natureza mandou, porque Deus mandou, sexualidade é busca de prazer e agora tem um outro limite que é o outro, no meu limite não é mais a minha fantasia, ser doente ou não, mas no meu ato, minha fantasia tem limite e diz respeito a encontrar parceria consciente adulta que compartilha a fantasia comigo.

Olá a todos, terceira aula desse curso que pretende dar um Panorama Inicial , de convite para que vocês vão estudar, vão pensar a respeito né, vão buscar mais referências sobre obras do Freud, conceitos do Freud, nesta terceira aula a gente vai se dedicar o conceito importantíssimo da psicanálise chamado sexualidade né, todo mundo já ouviu falar.

Ah todo mundo vai pensar que tudo que a gente faz tem a ver com sexo, é verdade, ele pensa mesmo, mas vocês poderão saber , daqui meia hora é que sexualidade não é igual a relação sexual né. Ah isso ficará mais claro porque pode ver que em toda ação humana, a Sexualidade fará um sentido diferente para vocês, uma vez que venha uma ideia conceitual a respeito né, mas na sequência do que viemos vendo, vimos no comecinho da psicanálise com a histeria, o trauma, conflito, sonho e a ideia de que a terapia consiste portanto de tornar o inconsciente consciente. Se os sintomas são causados pela ausência de consciência, passar a entrar em contato progressivamente com aquilo né, conforme o Freud vai fazendo isso, aliás, conto para vocês no comecinho da psicanálise antes de 1900 O Freud procurava acesso ao inconsciente através de uma técnica muito comum do século XIX chamada hipnose que era corriqueira, banal no século XIX, o Freud e muita gente percebeu o limite da Hipnose. Imagina isso, a pessoa não suporta uma ideia, você hipnotiza e fala: lembre, a pessoa lembra, não suporta A ideia, reprime de novo. Freud percebeu rapidamente que não adianta, não dá para cortar caminho, terapias vão ter que fazer um outro caminho.

Voltaremos na última aula a isso mesmo, assim adivinha Quando o Freud coloca as pessoas então conscientes mesmo, sem hipnose mesmo a lembrar ao longo de sessões e sessões, começa a ganhar consciência sobre inconsciente. Adivinha que tipo de conteúdo aparece recorrentemente como reprimido? O Freud percebe com muita clareza que vem sendo muito reprimido: sexualidade, é muito comum que conteúdos que estão no inconsciente sejam reprimidos né. O Freud entende assim como Thomas hobbes, O Freud tem bastante a ver com o filósofo Hobbes né, que se a gente fosse deixar solto nossos impulsos primários de prevalecer sobre o outro a gente se mataria e portanto impulsos muito primários como agressividade, sexualidade, precisam mesmo ser domados, canalizados, eventualmente, reprimidos para que a gente possa conviver socialmente né, e a Sexualidade segue sendo mesmo no século 21, segue sendo extremamente reprimida, né.

Não é porque as pessoas transam mais e a gente a princípio aceita mais uma certa variedade de gêneros , ou de expressões de vida sexual que haja menor repressão. A repressão vai aparecer, vocês poderão perceber ao longo dessa aula também, sobre quando uma certa imposição externa, moral, social, simples era o desejo de uma pessoa, mas vamos devagarinho né. Vamos lá, a repressão lá no século XIX, mencionei para vocês na aula passada sobre inconsciente, o caso Elizabeth, uma moça muito boazinha, uma donzelinha que então percebe que tem um desejo sexual pelo seu cunhado e a irmã morreu e ela sente culpa disso tudo e ela reprime o desejo dela e vai pagar com sintomas né. Imagina em outra cena hoje uma menina digamos de 15 anos de idade, hoje 2022 quando gravamos esse curso né, E ela tem uns 15 anos de idade, digamos 15 anos pode ser um pouco menos, mas todas as amigas dizem que transam com os namorados, quer transem ou não né, mas dizem que sim né. Essa menina quer um namoradinho, Ela também quer ter um namoradinho, ela não tá com vontade de transar, mas ela quer um namoradinho que nem todo mundo tem, ela arranja um namoradinho e o namoradinho por obrigação social começa, ele pode até não querer tanto, mas porque ele é homem e tem que querer ele vai começar a pressionar né, as amigas falam que transam, o namoradinho chora, bate a cabeça na parede, fala que vai embora Se ela não transar, ela finalmente transa com o namorado e não goza. Como é que se chama isso? repressão sexual, mas ela não transou? transou, mas ela não transou por desejo, o desejo dela não estava implicado ali, ela transou para não perder o namorado, ela transou para ser normal né, vocês podem não acreditar muita gente transa assim né. Não por desejo, prazer, mas por puro medo de perder a companhia, não é para você abandonado para ser normal, onde impera esse medo e esse imperativo social, onde for imperativo transar né, Você tem então repressão sexual porque o desejo singular, aquela pessoa não está contemplado ali né. Então entendam repressão sexual existe hoje, bastante como existia em outras formas, da que existia sempre em 120 anos atrás tá, as pessoas transarem mais não quer dizer que haja prazer nesses encontros, haja desejo desses encontros né. Mas então o Freud percebe o contingente de fantasias sexuais implicadas, reprimidas e que vem à tona e mais do que isso quando essas essas repressões vem, o que estava reprimido vem à tona, o Freud começa a ouvir sobre desejos que para eles são estranhos né.

As pessoas deram por exemplo de eventos infantis, curiosidade sexual na infância de querer tentar flagrar os pais transando, masturbação infantil, manipulação dos genitais para ter prazer, Freud estudou medicina e na medicina ele aprendeu que criança não tem sexualidade e aí fica uma coisa esquisita. Ele tem um conceito de sexualidade, ele não lembra dele mesmo, repressão né, mas ouve a pessoa falar, ele começa a falar no consultório ou começa a ouvir falar de coisas muito diferentes do que ele aprendeu sobre sexualidade, porque no consultório, adianto a vocês, a pessoa tem uma garantia absoluta de privacidade, o que ela fala ali não sairá dali definitivamente, por isso o terapeuta não pode ser um amigo, a mãe de um amigo, tem que ser alguém que não pertence a sua vida e portanto, você não tem medo de falar o que você quiser falar. Eu ouço muito no meu consultório, eu vou te dizer agora uma coisa que eu nunca falei para ninguém, nem para mim e a pessoa pela primeira vez inclusive para se anunciar. Essa garantia de privacidade, permite que as pessoas vão muito além em sua expressão de privacidade do que numa mesa de bar com um amigo, do que com a namorada que no dia seguinte pode não ser mais amigo, nem namorada ,

Então existe essa liberdade né, então aparecem coisas estranhas, o Freud Então vai escrever um livro muito importante em 1905 que é o livro de referência dessa aula: três Ensaio sobre a teoria da sexualidade, escrevia muito, ele não escreveu só esse livro, entre cada livro tem muitos outros livros importantes, mas esse é um outro de referência. Nesse livro clássico Três ensaios sobre sexualidade o Freud vai discutir a noção de sexualidade que existia à época dele e vai propor uma teoria nova, matéria dele, do que seja psicanálise, do que seja sexualidade humana né.

Os três ensaios são né.
No primeiro: as aberrações sexuais, é esse que é o mais importante, o segundo é sobre sexualidade infantil, um grande escândalo hoje, imagina o que que era aí falar sobre isso 120 anos atrás , e um terceiro sobre adolescência, transformações da puberdade, mas o quente do livro é o primeiro ensaio, as aberrações sexuais que é um livro, na verdade é um texto sobre semântica, sobre o que que é sexualidade normal. No começo deste ensaio as aberrações sexuais o Freud diz o seguinte: dizem que, é a medicina da época, sexualidade humana é um instinto biológico que surge de verdade, busca sempre a união dos genitais do sexos opostos e Visa sempre à reprodução.

Isso é o que a medicina da época dizia apoiada na fisiologia transplantava esse conceito para a vida humana e passava então a dizer, a se dizer que eu esqueci tinha um critério absoluto porque baseado na Biologia, para se definir bom uso e mau uso da sexualidade, normalidade e anormalidade da sexualidade. O Freud então ouve as pessoas sofrendo , para tentarem ser normais, corresponder a uma definição de sexualidade que é apresentada na sociedade nessas formas, nesse sentido a medicina do século XIX anterior ao Freud, o Freud vai discordar de tudo isso né, mas a medicina nos séculos 19 vai criar um monte de nomes para sexualidade, para dizer normalidade e anormalidade, a palavra héterossexualidade , nasce no final do século XIX, hetero é outro como em heterogêneo , heterossexual é alguém que prefere outro sexo, como se houvesse só dois, é uma ingenuidade do século XIX. Nesse sentido Esse é o normal, um parceiro de sexo oposto, União dos genitais, reprodução mesmo que você não reproduz a cada transa. Espero que não , os seus atos sexuais vão na direção daqueles atos que poderão levar a reprodução, de resto doença , e existe então um catálogo de doenças: aquilo que tiveram um chamado os invertidos sexuais, que passam a ser chamados também de homossexuais. Hétero é outro, homo ou mesmo é alguém que busca alguém do mesmo gênero, perversão, doença porque é o mesmo sexo, não tem genital de sexo oposto, não tem reprodução, masturbação ou o nome técnico onanismo, nomes técnicos como exibicionismo, veuyorismo, sadismo, masoquismo, ebefilia tara por adolescente, pedofilia, necrofilia ou zoofilia, o século 19 cria um monte de nomes de doenças sexuais, perversões.

O que significa perversão? pereversão, versão desviante, perversão é desvio da Norma, então que voltando para o comecinho, o Freud recebe pacientes que sofrem de sintomas, bota essas pessoas para falarem, vem conteúdos inconscientes, muitos, muitos desejos de fantasia sexuais estão reprimidos, E quando aparecem, aparecem sobre essa pedra , o meu desejo é nojento, o meu desejo é anormal, é degenerado, eu não suporto o meu desejo, eu atendo hoje um paciente de 30 e poucos anos de idade , que aos 20 anos de idade fez a primeira terapia, ele é evangélico e o na primeira terapia ele dizia por favor, tira isso de mim, minha homossexualidade né, Eu sou evangélico eu quero ser boa pessoa, eu tenho uma coisa monstruosa em mim, dizia esse 10 anos atrás, esse é o conflito que vai levar a repressão, hoje aos 30 e pouco ele procurou ter análise de novo comigo já sendo evangélico e homossexual para falar de outros assuntos né, mas ele basicamente tinha esse sentido sobre o diabo, eu sou do mal, eu tenho um desejo que habita em mim, eu preciso me livrar desse desejo.

O Freud entende que a definição biológica de sexualidade como reprodução quando é transplantada para a vida humana, para comportamento humano, transforma-se num instrumento repressivo muito horroroso, muito poderoso, instrumento que diz: existe uma Norma, existe saúde, saúde é reprodução, ou comportamentos que vão na direção da reprodução, qualquer outra coisa, fantasia, comportamento é doença, degeneração, desvio, anormalidade, perversão, isso pesa muito, poderosamente, como vocês podem imediatamente perceber , sobre qualquer pessoa que deseja diferidamente, que deseja outras coisas do seu corpo e da sua vida sexual que não a união dos genitais.

Isso é claro tem a ver com a homossexualidade, mas não só com a homossexualidade, mesmo um heterossexual que queira ter fantasias, queira fazer brincadeiras, quer dizer, explorações com seu parceiro, parceira, queira brincar de alguma forma, vai achar também que essa brincadeira vai ter uma conotação de Tara. O Freud entende então que existe uma Norma adotada pelo eu das pessoas Lá na Europa né, que faz com que muitas, quase todas as suas fantasias sejam tomadas como nojentas, aversivas a elas mesmas que no Anseio por serem normais, reprime esse desejo, Freud vai perceber que essa definição de sexualidade como reprodução não só não é verdadeira Como faz mal à saúde. Ela é opressiva e faz com que qualquer forma de fantasia caia nessa peça, então ele o Freud vai se dedicar a desmontar essa definição. Aquela que dizia sexualidade, instinto, adolescência, união de genital, reprodução, o Freud discorda absolutamente dessa definição e ele vai tratar de desmontar.

Como é que ele desmonta essa essa definição né? Sobretudo batendo na definição de instinto, o que que é um instinto? Um instinto é um comportamento universal adaptativo de uma espécie, onde houver um instinto, eu tenho comportamento dos universais, não aprendidos né, adaptativos da espécie, então vejam só, ter fome não é instinto, instinto é ou seria reconhecer Na natureza o que é alimento e o que não é, sem ter aprendido né.
Até desejo sexual não é instinto, instinto seria saber a quem desejar, como chegar na pessoa e como transar direitinho. como todos que me ouvem sabem a gente não tem nada disso a gente não sabe a quem querer, não sabe chegar legal na pessoa e só sabe só sabe transar depois de treinar muito, treinem mas é preciso treinar muito né, preciso ter muita prática, a gente não nasce sabendo nada disso né, o instinto não é um impulso, o instinto é uma resposta, é um comportamento adaptativo a uma situação que se apresenta à pessoa.

E aí é muito fácil bater nisso para eu dizer que nós temos um instinto sexual eu teria que dizer que 98% da população mundial independente da época ou cultura é heterossexual e ponto caiu argumento, não mas qualquer pessoa sabe que nós remanescentes heterossexuais não somos 98% da população nem nessa época, nem em nenhuma época né, mas se houvesse um instinto reproduz tira ali 2% de mutação genética, 98% da humanidade independente da época ou cultura seria heterossexual, isso sozinhos desmorona. Basta olhar, Basta ver a variedade de manifestações e aí e aí nesse ponto que o Freud vai ele falar sobre como em cada cultura, normal e anormal é definido Diferentemente, como de pessoa, pessoa ao longo da vida dela, a sexualidade é um lugar diferente, o Freud começa a argumentar pelo Bem Estar, pela variedade das manifestações da sexualidade, pela variedade das definições de Norma sexual, de Cultura para cultura, época para época.

Mas vai lá lembrar na Grécia antiga, o belo amor do velho sábio pelo jovem adolescente, a gente não dá para chamar de homossexualidade Aquilo. é esse conceito do século XIX mas é a definição de Belo e de desejo era completamente diferente, não dá para chamar a Grécia antiga de doente né, você tem que ser muito doente pra chamar Grécia antiga de doente né, ah é outra cultura, é outra referência, é outro valor né, mas é uma variedade disso, então o Freud vai argumentar contra a ideia de uma universalidade do instinto apontando a variedade de expressões da sexualidade de Cultura para cultura, de pessoa para pessoa né. E aqui Vale fazer uma referência importante à questão da tradução desse termo né. Ah isso que a gente traduzir português por instinto chama instinto nas principais traduções do Freud , que nós temos de português hoje. Ele usa duas palavras em alemão , quando o Freud fala desse comportamento em animais não humanos ele usam a palavra que é Instinct de origem Latina semelhante ao nosso extinto, quando ele fala do animal humano ele usa o modo termo de origem alemão trieB que é impulso também de origem germânica né, quando vai traduzir português Vale instinto para os dois né, mas ao longo do tempo sobretudo nos anos 80, os personagens começaram a achar que seria interessante usar um outro termo né, instinto para esse que é universal, para esse que é adaptativo, que animais têm, quando é esse impulso no ser humano Quando é o Trieb propõe-se já a 40 e poucos anos que chamasse de pulsão ou impulso sexual, seria interessante, Seria bacana diferenciar esses termos. Mas os tradutores do Freud tem mantido instinto E cria o mal entendido. É uma pena que mantém o instinto, faz sentido do Alemão para português, mas em psicanálise é importante diferenciar também.

Então quando você ler instinto sexual no Freud nas traduções em português entenda que Justamente não é instinto né, ele vai argumentando pela diferença pela variedade pela singularidade dessa manifestação de forma que o que é prazer para um pode ser indiferente para um segundo, pode ser nojento para um terceiro e batendo , na universalidade do impulso observando aquilo que o Caetano chamou de Vaca profana 40 anos atrás: de perto ninguém é normal né. Essa percepção da singularidade leva Freud a ser um cara revolucionário em termos sexuais , É aquele cara que vai dizer nós não temos instinto, não há um destino heterossexual, ninguém nasceu homo, ninguém nasce hetero., Ninguém nasce bi, Ninguém nasce tri, ninguém nasce assexual. O Freud começa a dizer, basta olhar isso, não é uma teoria ouve as pessoas, veja as pessoas, a variedade de manifestação né, quando eu tô em sala de aula, costuma dar a seguinte referência fica mais mais fácil de garantir para vocês aí né, se obter uma sala de 50 alunos como frequentemente eu tenho, eu falo: olha se eu fizesse ainda delicadeza de perguntar para cada um de vocês como é sua vida sexual, Qual é a sua cena mais legal de vida sexual e acontece uma coisa interessantíssima, com tudo que a gente tem em comum, mídia, época, cultura, São Paulo, língua portuguesa, e acontece uma coisa muito interessante, com tudo que a gente tem de bombardeio de marketing, não iam ter duas pessoas nomeando a mesma cena sexual como felicidade sexual. A mulher mais linda do mundo para mim você chocha para o seu gosto desinteressante, para o seu gosto, o que para mim é super prazeroso, pode ser indiferente para o meu vizinho, nojento para o meu vizinho do outro lado, e veja só de novo, a gente tinha tudo para ser mais parecido com bombardeio de mídia, e não tem nem de perto na singularidade, o que o que é desejo para um, pode não ser para outro.

Essa extrema diversidade faz o Freud chegar a uma definição dele do que seja sexualidade , definição do Freud que vale para a gente hoje ainda: Sexualidade humana não é reprodução, sexualidade é busca por prazer. Ponto final Ah mas é muito vago, sim é muito vago, não consegue dizer todo mundo busca prazer com tal frequência, com tal tipo de objeto sexual, com tal tipo de cena sexual. Um conceito tem que dar conta da universalidade dos fenômenos, tudo que o Freud vê é que buscamos prazer, o resto é contingente: com quem, quantas vezes, em Que cena né. E nesse sentido a ideia de sexualidade de Freud transcende a relação sexual. Para muita gente prazer sexual é um orgasmo, é a relação sexual, uma vida sexual sem corpo, sem orgasmo, é impossível mas para um outro tanto de gente relações online, à distância deixa muito feliz também, para muita gente que a gente chama de assexual porque não tem relação sexual, vive seu prazer esteticamente, intelectualmente, o amor ao próximo Cristão né.

O Freud consegue perfeitamente uma pessoa possa ser feliz sexualmente sem relações sexuais, que ele encontre seu prazer em algo que transcende muito ao corpo, as zonas erógenas e de fato isso é concebível por Freud, buscamos prazer os objetos, a forma é absolutamente contingente né. Isso é variado justamente tem gente que vai precisar na vida sexual de muito corpo, muito muita relação sexual, tem gente que Definitivamente não e ninguém é normal ou anormal por causa disso né. O Freud passa as fichas para o prazer retira as fichas , da relação sexual, então quando você ouviu dizer o Freud acha que tudo que a gente faz na vida tem a ver com a sexualidade, entenda que é disso que ele tá falando, onde quer que nós estejamos, desejo, busca por prazer. Então tem gente que não transa porque reprime seu desejo, tem gente que não transa porque não arranja parceria, é triste né. Tem gente que não transa porque não quer, não deseja isso né, deseja outras coisas para ser né.

Eu dei essa aula na turma de graduação neste semestre e numa prova uma aluna escreveu Obrigado Professor essa aula foi Libertadora para mim eu não gosto tanto assim de transar e me sentia em dívida e agora eu sei , que isso não é uma dívida a pessoa pode estar reprimindo, mas a pessoa pode desejar outra coisa e tá tudo bem né. Sexualidade é a busca de prazer, prazer pro Freud é a diminuição de tensão, ou de extensão de tensão, quanto maior a tensão que você descarregar, a maior o seu prazer, quanto maior a tensão que vier antes, maior o prazer que você pode ter, prazer é diminuição de tensão então entenda-se também o prazer que você pode ter é diretamente proporcional ao desprazer que vem antes desse prazer grande. Promessa de prazer grande, desprazer pequenininho, prazer pequenininho, não corre risco, beleza pouco prazer quer ter muito prazer? Risco.

Tipo amar alguém é arriscado para caramba é mais fácil ficar pelo aplicativo é muito mais seguro só dá umas ficada de vez em quando e tá tudo certo seja feliz mas esse essa segurança te dará pouco prazer. Quer um prazer grandão? Quer se entregar, quer se rasgar de amor por alguém? Rasgue-se e você vai pagar o preço, vai acabar né, quando vai , E vai doer para caramba e eventualmente terá valido a pena.

O modelo Vinícius de Moraes , entregue-se, despedace-se e viva de novo, cada vez vai ser maravilhoso e muito doloroso. O modelo aplicativo com segurança nunca repete o parceiro E aí você vai ter pouco sofrimento, mas certamente pouco prazer.

Pra concluir essa aula a principal consequência da definição sexuais do Freud é ética, não é normal, o Freud Explode a ideia de normalidade sexual, muita gente sofre né, me sinto normal eu devia ser de uma forma, eu devia ser de outra forma, o Freud explode: na fantasia não há fantasia normal e anormal, não há um jeito certo de desejar, ninguém nasce hétero, ninguém nasce homo, não há um destino para a Sexualidade humana. Os caminhos são contingentes. A fantasia é livre. A normalidade deixa de existir como critério absoluto porque a natureza mandou, porque Deus mandou, sexualidade é busca de prazer e agora tem um outro limite que é o outro. O meu limite não é mais a minha fantasia ser doente ou não, mas no meu ato minha fantasia tem limite e diz respeito a encontrar parceria consciente adulta que compartilha a fantasia comigo, então na fantasia não tem normal e anormal, no ato tem, no outro tem. Então usar o outro para meu gozo? não né. Se o outro compartilha, se o outro é adulto, capaz de deliberar e compartilhar a minha fantasia, não há limite para nossa possibilidade de gozar. Mas do outro lado há alguém capaz de deliberar, um adulto, não pode ser uma criança, não pode ser alguém bêbado na balada né, mas se eu tenho na minha frente alguém adulto com poder de deliberar não tem certo, errado para nossa possibilidade em duas três 20 pessoas , e um móvel , se for o caso, fiquem à vontade né, do prazer poder ser exercido , mas esse é um limite que não é interno não há natureza para sexualidade né. Não há certo e errado numa sexualidade, a busca de prazer que precisará encontrar na vida, na sociedade, na relação para com outro caminhos possíveis de expressão e realização.

AULA 4

Narcisismo

Narcisismo é autoestima, é o quanto de energia você volta a você, diferencia você de outras pessoas, é um não que você diz a outra pessoa, agora é um não né. Eu sou esta pessoa, eu tenho este limite, eu não me confundo com você, eu posso te amar, formar parcerias com você, mas eu não sou você, esse é o meu limite, meu eu, é a fronteira do meu eu, que delimita eu, existo diferente de você.

Então nessa quarta aula a gente vai trabalhar o conceito de narcisismo, tendo como referência o texto fundamental do Freud chamado Introdução ao narcisismo, em alemão era mais, para introduzir o narcisismo 1914 né. E já começo dizendo, isso é importante, talvez dos conceitos do Freud, o que hoje na psicanálise contemporânea, Século 21 né, é mais trabalhado, é mais vivo até para compreensão de formas de sofrimento é narcisismo. Ele é realmente um conceito muito importante né, esse conceito nasceu, na realidade, apareceu no Freud né. É claro a primeira referência é o mito do Narciso né: aquele que antes de nascer, a mãe pediu aos Deuses que lhe desse um filho lindo e perfeito, os deuses concederam essa graça, mas pediram a ela como condição que ele próprio nunca visse a própria imagem, ele seria feliz e Belo, se nunca visse a própria imagem. Ela topa, a mãe, ela Topa e ele nasce e ele é Belo e ele é o filho que todo mundo se apaixona por ele, ele por ninguém; o mito tem vários episódios, mas o desfecho trágico é um certo dia ele tá andando sozinho por um bosque, tem sede, se debruça num riacho de aguas calmas para colher a água e aí acontece a tragédia, aquilo que os deuses disseram Para não acontecer, ele vê o rosto dele refletido na superfície da água e se apaixona como todos por ele. A tragédia do Narciso é esta paixão por si mesmo, ele fica em duas versões gregas né, numa versão ele fica paralisado, vendo sua imagem como a gente fica quando tá apaixonado e um fio de baba pinga pelo canto da boca, você não consegue não dar bandeira né, ele fica apaixonado pela própria imagem né, E ali fica, acaba-se definhando de fome, morre. Lá onde ele morreu nasce a flor Narciso né. Numa segunda versão também grega, apaixonado por aquela imagem, ele pula para cima daquela imagem que nem a gente faz no aplicativo né, ah que imagem bonita, pula com tudo que nem a gente no aplicativo, morre afogado, era só fachada. Era só a representação. E aí vai então, se afoga.

Um autor genial do século 19 Oscar Wild sabia tudo de narcisismo, o Dorian Grey já é um exemplo, mas tem um poema chamado Narciso que conta que depois que Narciso morreu, Alguém passou e viu o rio chorando e a pessoa que passou perguntou para o rio: você tá triste porque o Narciso morreu? ele falou: Olha nem sabia que Narciso existia e era bonito, a questão é que eu tô triste porque enquanto tinha um cara parado na minha frente eu podia ver a mim mesmo refletido nos olhos dele, então nós temos dois Narcisos, Narciso , e o próprio rio que queria mesmo ver a si mesmo. É uma compreensão do que é paixão, paixão é narcísica, paixão é buscar por si próprio né, projetado, refletido sobre o outro. Narcisismo tem a ver com eu né, o conceito de narcisismo apareceu no Freud, o termo o Freud fala nasceu no século XIX, outros autores criaram o termo narcisismo, mas ele se apropriou e transformou o termo no que a gente conhece hoje e em 1910 num texto sobre paranoia no caso Schreber, famoso caso Schreber.

E no caso, Um textinho chamado Uma recordação infantil de Leonardo Da Vinci onde o Freud Levanta a hipótese do Leonardo da Vinci ter sido um homossexual Que nunca efetivou uma vida sexual, teria sublimado todo o seu desejo na arte, conhecimento, mas haveria essa dinâmica homossexual no Leonardo; E da homossexualidade e da Paranóia de ser perseguido por alguém constantemente, o Freud cria esse conceito de narcisismo né, Que vai amadurecer em primeiro lugar no texto, que é o tema da nossa aula introdução ao Narcisismo, o que que é narcisismo né? Para começar é um investimento de energia no próprio eu. A gente pode considerar que é um pouco que o senso comum chama hoje de autoestima né, é quanta energia eu devoto a mim mesmo, é claro que no senso comum Nós aprendemos aqui narcisismo a falar dele não tão pejorativo, a pessoa é narcisista. Ela é egoísta, indiferente ao outro, enfim ela só pensa em si mesmo, ela é muito vaidosa, não tá errado, mas narcisismo é também um não que eu dou ao outro, é um limite. Eu não, eu né. É digamos eu que tenho uma agenda muito cheia, eu moro, eu falo ok, vou desligar o telefone, não ouvir mensagem agora, eu vou dormir por 8 horas, quem dera dormir 8 horas né. Agora eu não vou atender a demanda do Chefe, a demanda do filho, da mãe, da namorada, do pai né. O narcisismo também é um limite que eu coloco ao outro dizendo: Ok isso gosto de você, mas eu não sou você, é um limite colocado, é uma preservação colocada dentro dessa relação para com outro. narcisismo É necessário, é imprescindível você dormir, é narcisismo, é um recolhimento da energia para dentro né.

Eu escrevi durante a pandemia um livro sobre essa vida no mundo Conectado e escrevendo isso eu criei para mim o seguinte hábito: sexta-feira uma da tarde até segunda-feira 8 da manhã eu não abro mensagem de trabalho, ponto final né. Eu me dou de presente essa preservação narcísica, eu abri com os cotovelos, eu não vou responder mensagem de trabalho de sexta-feira 1:00 da tarde a segunda-feira às 8:00. É saúde mental, o outro me desculpe, eu preciso me recompor para segunda-feira estar inteiro para trabalhar com você né. Então esse é um primeiro sentido de narcisismo como autoestima e investimento em si, mas o que é mais importante do narcisismo é um aspecto de desenvolvimento né.

Narcisismo é também para Freud e para a tradição na lacaniana, que segue Freud né, a formação em torno de um ano de idade, pela primeira vez de um eu, de um ego. Aproveito para dizer, eu já mencionei numa outra aula. O Freud nunca disse as expressões ego ID superego que é a segunda tópica, a primeira do consciente inconsciente e pré consciente, a segunda Será nos anos 20, ego, íd, o super ego, eu, sobre eu e isso. Isso sendo um pronome indefinido em alemão. Es é como se fosse o ça em francês, it em inglês, em português seria isso, mas isso é demonstrativo. Não fica legal em português, em todo caso é eu, um sobre eu, e um isso, um ID né.

O Freud não usava essas expressões, Narciso é a formação do eu e o narcisismo também é um conceito que vai obrigar o Freud a fazer a segunda tópica 10 anos depois né. então A ideia é que em torno de um ano de idade a criança ganha pela primeira vez uma representação de ser, um controle corporal, vocês conhecem isso no dia a dia da criança né, a criança mais ou menos com um ano idade começa a andar sem apoio, começa a dizer as primeiras palavras, estão nascendo os dentes, ela começa a ganhar alguma autonomia, alguma Integração no seu corpo né. Esse momento chama para o Freud narcisismo ele vai usar duas expressões, dois modos dizer mas ele fala criança nasce numa condição de auto erotismo. É uma enorme fragmentação dos seus impulsos, sem unidade, e então, Ela atinge o narcisismo com um ano de idade, Freud usa duas expressões que são Narcisimo primário que equivale a alto erotismo e narcisismo secundário que é o narcisismo propriamente dito.

Mas o que que é esse narcisismo propriamente dito? É o retorno da libido desde o objeto. O que é que isso quer dizer? é uma expressão do livro introdução narcisismo, significa o seguinte: de onde vem a primeira imagem que a criança tem? a primeira identidade que a criança tem? Freud percebe isso mas Lacan leva isso muito além na realidade né, de uma primeira relação fusional mãe-criança, a criança humana, nós sabemos todos, tem como condição original um desamparo muito grande, uma impotência muito grande, outros mamíferos parentes da gente nascem, ficam em pé e vão mamar né, um cabrito vai fazer isso, uma égua fazer isso, um potrinho vai fazer isso. O ser humano não como outros primatas, como cachorro e gato, a gente nasce prematuro, Totalmente Dependente de um outro humano, essa condição humana é essencial para entender comportamento e mente humana. A condição de desamparo no qual a gente nasce, a condição de dependência de um outro do qual a gente nasce, sem esse outro a gente simplesmente vai morrer. Então a criança estabelece desde muito cedo uma ligação fusional para com esse outro que cuida chamemos de mãe né.

Mas mãe a gente sabe é quem cuida, mãe não é necessariamente a mãe biológica né, a tradição lacaniana chama isso de função materna né, para deixar bem claro que é uma função de cuidado, pode ser a mãe biológica, o pai, a irmã, avó, atendente do Abrigo da prefeitura, mas esse adulto que se disponibiliza para receber a criança né, esse adulto vai então exercer essa função de maternagem. A criança então vai aderir a um primeiro momento na experiência da criança que é uma fantasia de onipotência, uma fantasia de fusão, ela e esse outro que cuida dela são um só e são um só onipotente, esse encontro vai se chamar célula narcísica. O Freud chama isso de célula narcísica, e célula narcísica é fechamento, do lado da criança, essa criança depende totalmente do adulto para sobreviver, se vocês quiserem pode-se pode dizer o seguinte: a primeira necessidade humana, necessidade psicológica, para assim dizer, é existir aos olhos de um outro humano. Você pode dizer bonitinho ser amado por outro humano, você não estará errado se disser isso, mas basicamente, é existir Aos olhos do outro. É perceber que esse outro de quem ele depende olha para ele e não vai abandoná-lo. De um lado então, a criança tem essa cara do lado do adulto tem quem? Do lado do adulto, daquele que cuida da criança, digamos, um adulto tem um sujeito em falta que passou pelo seu Édipo, assunto da próxima aula né, que tem então a sua vida, até então realizou da vida do que mais melhor podia fazer. Mas olha para esse filho cheio de desejos né, Cheio de desejos de reparação narcísica, o que que leva alguém a querer ter um filho? diz o Freud 1921 psicologia das massas análises do Ego né: o que na verdade do Eu né, O que leva é um desejo de reparação. Vamos tentar ver se isso fica melhor: que que é um adulto? é uma espécie em extinção né, que funciona assim: um dia eu tive muitos desejos, muitas expectativas, muitos projetos, aí eu me tornei adulto, comecei a trabalhar e me relacionar e eu tive que negociar: não dá para você chegar ao poder e não negociar com o centrão, você vai se sujar, não tem jeito né, assim é no trabalho, você vai ceder, não vai ser como você queria, assim vai ser no relacionamento, você vai fingir que não viu umas coisas, você vai viver o que necessário para fazer o compromissos necessários para sobreviver. E então né, você então decepciona, você se frustra, não era bem isso que você queria quando sonhou com você, quando você vai querer ter um filho, o que que vem na sua mente? uma projeção narcísica, esse filho Continuará aquilo que eu gosto em mim, se eu sou psicólogo, eu quero que minha filha seja, se eu tenho firma na família, eu quero meu filho faça um curso de administração e toque a firma da família né. Eu vou querer que ele continue aqui, no que eu gosto de mim, mas sobretudo, E aí o bicho pega, eu quero que o meu filho repare o que eu não Vivi, não vai passar pelo que eu passei, não terá problemas que eu tive né.

Meu filho vai ser Eu ideal né, eu projeto sobre meu filho os meus ideais narcísticos que eu tinha na minha infância e que eu frustrei ao virar adulto e eu repasso a praga né, meu filho vai reparar o que eu não pude fazer de mim né. Eu sempre quis fazer francês, não fiz francês, meu filho com 2 anos já está na Aliança francesinha Mandando Bala no francês, quer ele queira ou não. Eu coloco roupas inacreditáveis no meu filho que era Como eu queria ter me vestido e assim a maldição vai passando, a praga vai passando né.

Então o que que nós temos nesse desenho? uma criança que depende para sobreviver de um adulto, um adulto que sonhou, desejou essa criança, sonhando, essa criança projeta sobre ela seus ideais. Conto uma ceninha desse encontro. Acho que ajudará a entender como é que é feito esse narcisismo infantil, de onde vem a primeira autoimagem de uma criança né. Há uns professores de humanas nós gostamos talvez mórbidamente de passear em corredores de maternidade, eu explico né, conforme eu ando em corredor, juro que eu não entro nos quartos, mas o que que eu o que que eu vejo no corredor da Maternidade? cada porta tem um sonho, tem um enfeite, enfeite feito por alguém, ali da família, de Outra Geração comprado numa loja chique, tem um time de futebol, eu sempre digo isso em aula a criança nem nasceu, já não tem Mundial, pode ser campeão por 11 vezes no Brasileirão, mas não tem Mundial, nem nasceu, já não tem Mundial né, mas sobretudo naquela plaquinha da porta, muito importante para a gente, tem um nome né. E esse nome , que vai ser impresso na criança que acabou de nascer, esse nome implica um desejo, um nome tem um sentido, um nome é um voto, é um desejo. Esse nome tem um valor para quem? Esse nome é uma homenagem a alguém, é um é alguém de muito valor, eu vi do livrinho de nomes o significado, o nome atribuído a cada um de nós conta pra gente o desejo Consciente e inconsciente dos Pais da gente sobre a gente. Então é isso que faz o narcisismo de um lado, uma criança carente precisando ser amada, ser reconhecida existir aos olhos de um outro, Sem o qual ela morre né, do outro lado, um adulto que é um ser em falta, esperando completar sua falta, depositando os seus desejos sobre aquela criança.

Então há um momento mítico de fusão mãe-criança condição materna da criança, quando os dois se fundem e essa criança não tem opção, Se não tentar corresponder né, essa criança precisa de novo, Ser amada, se meus pais quiserem que eu seja Pedro Luiz Ribeiro meu nome completo, eu vou tentar ser, meus pais queriam que eu fosse médico. Eu também briguei muito com essa ideia, por muito tempo né, eles querem que você seja homem, eu vou tentar ser homem, eu vou tentar corresponder a isso que espera-se de mim. O narcisismo é essa identificação que a criança tem com uma imagem que vem de fora, vem do Olhar dos Pais, vem do desejo dos pais, eu vou tentar corresponder a isso, o grande medo de uma criança é abandono, a grande punição a uma criança não é bater na criança, é quando os pais falam: não gosto de você quando você faz isso. Isso arrepia a criança, é o medo de perder o amor aí.

Então o narcisismo é, como eu falei para vocês, a expressão do Freud , é assim o retorno da libido desde o objeto. Que que significa retorno da Libido do objeto? a pulsionalidade da criança vai em direção ao objeto de amor que devolve para ela uma imagem, meu filho bem-vindo, não bem-vindo, é menino, é menina, sonhei com você e sonhei com você aquilo. Seu nome é tal e aí nesse encontro vai se formar Então esse primeiro momento de fusão mãe criança, identificação da criança, que quer ser reconhecida, quer ser amada pela mãe e vai incorporar aqueles valores como primeiro eu, como o primeiro imagem.

Narcisismo é então , a formação de um primeiro eu, no encontro criança mãe com a identificação da criança, com aquilo que ela pode perceber né, como desejo dos pais sobre ela, da mãe sobre ela. Freud fala lá então narcisismo: a criança Tava lá toda fragmentada no auto erotismo e então aparece uma unidade que a gente chama de eu né. Lá por um ano de idade e eu não sei bem como isso acontece, pro Freud é muito duro dizer eu não sei, podem acreditar é difícil ele falar eu não sei como é que passa daqui para lá né. Um seguidor do Freud, brilhante, um francês chamado Jacques Lacan, psquiatra foi nessa portinha autoerotismo, narcisismo, o Freud não sabe, foi lá e teorizou o primeiro grande conceito do Lacan: estágio do espelho. Conta essa passagem, especificamente, foi a entrada bacanérrima do Lacan na história da psicanálise,

Mas então esse eu tá constituído E se eu constitui-se como onipotente, como fechado né.
A gente entende que na dinâmica narcísica é fechada, é aquilo que derivadamente leva alguém a ser um Psicótico, se esse fechamento, se essa cela narcísica não for rompida pelo que vem na aula que vem: complexo de Édipo né, Esse fechamento da criança numa representação que vai de fora vai manter a criança presa no ambiente que é alucinatório, presa num ambiente que é eu comigo mesmo, eu fechado em mim mesmo, sem poder ter acesso ao mundo real lá fora né. Uma dinâmica narcísica que se Estenda à vida adulta que não seja rompido no complexo de Édipo, É que um psicanálise entende que se forma o sofrimento do Psicótico.

Aí entra só pra gente poder completar a aula de hoje: dois termos , o Freud, usa de forma intercambiável: Eu ideal e o ideal do Eu, , mas há uma definição legal que pode ser porque que é psicanálise posterior a Freud e eu vou aproveitar a aula para falar sobre isso também. Uma diferença feita Entre esses dois termos que ajuda a entender , a Eu ideal é a representação de que eu sou perfeito. Então eu numa situação sei lá amorosa onde a correspondência desse amor no auge da Paixão, quando eu acho que ela, ela acha que é eu, eu me fecho narcisicamente e eu não quero saber de trabalho, eu não quero, eu apago o aplicativo, eu não quero saber de ninguém, eu quero mergulhar naquela história, e ela me preenche totalmente. Esse momento que eu posso reviver na minha vida, eventualmente, não dura muito, mas ela é muito bom quando acontece. É uma revivência , do momento narcísico de onipotência, eu sou o eu ideal. Eu com meu candidato na rua, dizendo ganhamos né, conseguimos, o meu ideal ganhou, o mal foi afastado e o bem imperou, o amor ganhou, o ódio perdeu. Estamos fazendo isso nesse momento em que gravamos essa aula, esse sentimento de enorme potência é o narcisismo revocado na vida adulta. Eu me sinto meu eu ideal, eu fundido com meu amor, eu fundido com meu Deus. eu fundido com o meu ídolo.

Em diferença ao Eu ideal que somos, sou eu perfeito, Agora tem um outro conceito chamado ideal do Eu. O eu ideal é o narcisismo, ideal do Eu é a percepção que virá, veremos na próxima aula onde imperfeição é agora uma imperfeição jogada pra frente, eu sei que eu não sou perfeito, mas o dia em que eu sei lá, o que fantasias aparecerão, eu restituirei o narcisismo perdido, o narcisismo é equivale ao hermafrodita do banquete do Platão, um dia eu fui um E então eu vou cair do Paraíso, mas tudo que eu espero na minha vida é a restituição narcísica, eu espero isso do amor, eu espero isso da religião, eu espero isso dos meus ídolos, que eles possam me restituir uma sensação de completude perdida, a criança nunca foi completa, a mãe nunca foi só dela, mas a criança pode alucinar no começo da sua vida que aquela mãe presente com ela está presente desde sempre para sempre.

A criança idealiza uma mãe só boa, a Melanie Klein vai chamar de mãe boa, seio bom né, uma seguidora de Freud também, a criança idealiza que um dia a mãe foi ela, a mãe foi dela, o mundo é fundido com ela e ela é perfeito e onipotente. Nós tivemos essa experiência que é alucinatória, a mãe já era uma pessoa que ora ela estava lá, ora não estava, mas a criança em sua fragilidade de entendimento vai viver uma mãe desde sempre e para sempre, um paraíso absoluto, a gente viveu isso e nós temos então como eu falei no mito do Hermafrodita do Platão vai colocar também essa reminiscência, um dia eu fui um, eu desejo muito restituir, sentir de novo esse um, esse um foi vivido como narcisismo, Eu ideal e na pessoa que quebrou e perdeu o narcisismo e agora a fantasia de futuro, eu quero um dia encontrar o objeto de desejo tal , que eu restitua a integridade narcísica, que eu volte a ser um, que eu volte a pertencer a um ambiente onipotente né.

É uma queda do Paraíso que a vida real me impõe né, mas que eu desejo poder restituir, reparar através do meu desejo para ajudar no futuro, é o que nós veremos na aula de Édipo. Narcisismo, formação do eu né, No ano primeiro de vida adesão a imagem que vem de fora, A criança precisa ser amada pela adulto, vai tentar corresponder ao desejo desse adulto, do jeito que puder, ser aquilo que ela possa entender, que o adulto espera dela para garantir esse amor. Dali vem foi o primeiro eu, daí vem esse é o meu primeiro espelho, é a primeira representação que eu visto sobre mim, naturalmente, ao longo do crescimento, meus espelhos se multiplicam, as minhas referências se multiplicam, Isso vai ser Tornado Muito mais complexo, mas essa primeira formação na vida adulta para a gente poder concluir mais uma vez: narcisismo é autoestima, é o quanto de energia você volta, você diferencia você de outras pessoas, é um não que você diz a outra pessoa, agora é um não , Eu sou esta pessoa, eu tenho este limite, eu não me confundo com você, eu posso te amar, formar parcerias com você, mas eu não sou você, esse é o meu limite de eu, é a fronteira do meu eu que delimita eu existo diferente de você

AULA 5

O Complexo de Édipo

Édipo à grosso modo é o seguinte: a criança humana ao nascer precisa ser acolhida por um outro humano senão ela morre; esse é o narcisismo. Esse é o abraço da função materna, senão a criança vai morrer, ela tem que ser acolhida, nomeada né, Amada ali né. E então tão imprescindível, tão importante quanto este acolhimento Inicial, para que a criança progressivamente seja exposta ao mundo lá fora, ao mundo onde tem mais gente, no mundo onde tem lei, onde tem limite, onde tem civilização né, onde a gente aceita resultado de eleição né, processos limpos foram feitos no mundo simbólico né, que não é dobrável ao meu desejo né, a gente chama esse abraço de função materna. Essa exposição de função paterna, na minha casa eu sou o Centro do Mundo, Eu sou muito especial, lá fora no mundo eu sou só mais um. Édipo não é amar o papai e matar a mamãe ou amar a mamãe e matar o papai. Édipo, esse processo em que da criança ser inicialmente acolhida e progressivamente exposta ao mundo de frustração. Então retomamos aqui.

O nosso curso , na quinta aula sobre complexo de Édipo. O Freud não tem um grande livro, Por incrível que pareça, sobre esse conceito que é tão importante. Todo mundo sabe , complexo é um conceito muito importante na obra dele, mas não tem um grande livro. Alguns textos pequenos, eu acabei escolhendo, para poder falar a respeito também um pouquinho, um livro que é o meu favorito é um dos principais Talvez o principal livro do Freud, um livro muito conhecido também, chamado o mal-estar da civilização de 1931 onde tem toda a psicanálise do Freud até ali, uma grande reflexão sobre sofrimento, sobre cultura, sobre culpa, um livro muito importante. Recomendo fortemente a vocês a leitura, mas também aparecerá lá dentro o conceito de complexo de Édipo né.

Para começar a falar de Édipo, até mencio, na primeira aula quando o Freud abandonou a teoria da sedução, é porque ele imaginava então que existia cena de abuso da criança com relação aos pais, quando tem uma cena de abuso quem é o sujeito da cena? o adulto é o sujeito da cena e a criança é um objeto de gozo perverso desse adulto. Quando o Freud percebe que a criança pode ter fantasiado uma sedução, muda o sujeito da cena, o sujeito agora é a criança que desejou, fantasiou sexualmente com relação à triangulação ali dos seus pais né. O Freud vai percebendo quando ele abandona a teoria da sedução, isso é Setembro, 21 de setembro de 1897, o Freud declara numa carta a um amigo que abandonou a teoria da sedução, no mês seguinte, em outubro, ele começa a falar para esse mesmo amigo chamado Wilhems Fliess, um cara em Berlim que é um locutor importante dele. Lembra do mito do Édipo? Engraçado ali tem alguma coisa, aquele cara que matou o pai, transou com a mãe, não sabia que fez isso ao fazer isso, não sabia que estava fazendo, mas a peça passa, a gente fica emocionado com isso, ali tem alguma coisa, vai aparecendo no Freud uma referência ao mito do Édipo, na interpretação dos sonhos também aparece, no capítulo muito bacana da interpretação dos sonhos chamado Sonhos sobre a morte de pessoas queridas um capítulo sobre Pesadelo para gente falar: Ah bom mas o mito do Édipo compara com Hamlet né. E aí ele fala basicamente: a questão é o Freud pergunta porque é que o mito Édipo né, a peça, Édipo Rei de Sofócles, encenar e 2.500 anos depois, ainda é tão impactante, quem não viu a peça, veja o filme, tem no YouTube a versão do Édipo Rei do Pier Paulo pasoli, e o diretor italiano tem 67 teve a manha de filmar um lindo Édipo Rei né. Aí você assiste, se impressiona, como é que é uma peça de 2.500 anos impressiona a gente? e aí diz o Freud: Olha bem, ele diz isso, olha o Édipo não tinha complexo de Édipo, ele matou o Laio sem saber que era o pai, ele transou com a Jocasta sem saber que era a mãe, mas a gente tem essa peça chama a nossa atenção porque essa história do parricídio que mata o pai e incesto que transa com a mãe mexe com uma fantasia infantil da gente. Freud amadurecendo essa ideia, o Édipo tem a ver ele fala ah neurose se organizando em torno de um complexo no Lar, ele vai ele vai caminhando com essa, digamos, essa impressão que vai amadurecendo até aparecer apenas em 1910 , o conceito: complexo de Édipo né. Não existia antes, só em 1910, ele vai recorrendo de alguma forma no Freud até virar textos pequenos, mas nunca tem um grande texto. O que que é complexo de Édipo né? Complexo de Édipo, Ah é o pro Freud, o conceito que dá conta da Constituição do sujeito do Nascimento até cerca de 5 6 anos de idade forma-se uma infraestrutura mental, há uma constituição psíquica sendo formada e os dois conceitos fundamentais são narcisismo primeiro e então para quebrar o narcisismo: complexo de édipo.

O Freud vai contar e eu vou contar para vocês também de forma imaginarizada: envolve o pai, a mãe, tem pênis, não tem pênis, passa por ali o Édipo, mas o Édipo não depende da família burguesa ocidental como tanta gente depois criticou o Freud né. Édipo, não é papai e mamãe filhinho e filhinha tem pinto não tem pinto , é tipo grosso modo é o seguinte: a criança humana ao nascer precisa ser acolhida por um outro humano, se não ela assim ela morre, esse é o narcisismo, Esse é o abraço da função materna, senão a criança vai morrer, ela tem que ser acolhida, nomeada né, Amada ali né. E então tão imprescindível, tão importante quanto esse acolhimento Inicial é que a criança progressivamente seja exposta ao mundo, lá fora, ao mundo onde tem mais gente, no mundo onde tem lei, onde tem limite, onde tem civilização né, onde a gente aceita resultado de eleição né, processos limpos foram feitos no mundo simbólico né, que não é dobrável ao meu desejo né, a gente chama esse abraço de função materna, essa exposição de função paterna, na minha casa eu sou o Centro do Mundo, Eu sou muito especial, lá fora, no mundo, eu sou só mais um.

Édipo não é amar o papai e matar a mamãe, ou amar a mamãe e matar o papai. Édipoesse processo em que a criança é inicialmente acolhida e progressivamente exposta ao mundo de frustração né, a imagem Horrorosa que eu proponho a vocês é, às vezes, vem um aluno e fala ah professor o senhor está me perseguindo, essa nota que o senhor me deu, o senhor está me perseguindo e eu respondo antipático como eu sou não, eu não estou te perseguindo, o meu cara, eu te perseguir você tinha que ser importante, você não é, para você, para eu te perseguir, eu tinha que pensar em você, eu não penso né, você não é uma pessoa especial sobre a qual alguém pensa. você é um aluno entre 300 alunos. e é tudo né, o mundo não gira em torno de você. Isso é complexo de Édipo, a primeira experiência do narcisismo é essa, Eu sou o mundo, o mundo gira em torno de mim, agora vai ter uma experiência de quebra. Como é que o Freud apresenta o complexo de Édipo? Na realidade, ele apresenta lá na interpretação dos sonhos, antes de chamar de complexo de Édipo, com a seguinte experiência um dia a criança era a Sua Majestade, o bebê, por um ou dois ou três anos, criança única numa casa, e o mundo gira em torno dela, vai ter barulho, não vai ter barulho, vai ter férias, onde vão ser as férias, se o casal tem vida íntima ou não, tudo tá em termos do dever por um ou dois anos, então nasce um irmãozinho depois de dois, três anos e a criança vai experimentar o que? Uma perda de lugar, muito daquilo que ela achava que ela era, que era dela, que pertencia a ela, é deslocado para essa outra criança e a experiência dessa primeira criança mais velha, agora de perda de lugar, ela vinha da posição narcísica né, e agora essa posição narcísica é perdida para essa outra criança, e aí o medo de abandono, o medo de morte é enorme. Esse nascimento do irmão é a primeira forma que o Freud fala sobre a função do pai, depois a função paterna né, a entrada de um terceiro , que separa mãe e criança para deixar bem claro que o que vai ser a função simbólica do pai não tem que ser a pessoa do pai, a primeira representação é do irmão né.

Então imagina é a seguinte perda narcísica, um dia imagina vocês aí Jovens, jovens adultos, adultos, velhos adultos né, um dia o olho de alguém quando olhava para você brilhava, você chegava no lugar, a pessoa, o rosto dela se iluminava, o olho dela brilhava, super legal sentir isso, de repente, essa mesma pessoa olha para você e o olhar dela está opaco, zero de brilho. Ela olha para alguém do seu lado e você vê o olho dela brilhando para outra pessoa. Isso é desolador, isso é Avassalador, sabe, ver ex feliz, não dá para ver ex feliz, a gente não aguenta essa experiência né, você não quer voltar, você não queria tá lá, mas dói ver o ex feliz, você achava que aquele brilho era só seu, então você entende que você é mais um, dói demais essa experiência de perda de lugar né.

Aí eu conto a seguinte historinha bonitinha das minhas filhas também clássica: tá lá minha filha mais velha com sei lá cinco anos de idade, o dedo cheio de danete tocando o meu piano com teclas de massinha, meu piano Tcheco, com o numerado bonitinho dos anos 40, mas eu acho lindo minha filha tocando piano né, num ano depois nasceu a irmã, ela vai tocar piano, ops tá shiu, quietinha, sua irmã tá dormindo. Opa a coisa mudou, eu era o centro, eu podia tudo, agora o outro nasceu, diz então para falar desse terceiro que nasce que acontece então? A criança vai do narcisismo dando-se conta, ao longo do tempo, que ela e a mãe não são um ser só, ela é um ser, a mãe é outro ser, tem um eu e tem um não eu que é a mãe e essa separação dói muito, a percepção de que o outro não é eu, o outro pensa diferente de mim, o outro não corresponde ao meu desejo, dói muito, é uma dor de separação né, muita gente acha na paixão de novo isso, o outro entende telepaticamente, sabe de mim telepaticamente, não, não sabe, tem que dizer, tem que contar e é chato, é doloroso perceber isso né, então o que vai acontecendo é uma desfusão, a mãe vai recolhendo o seu desejo de volta, ama seu filho, sobretudo, mas quer dormir de novo, quer trabalhar de novo, quer namorar de novo, quer fazer maratona de série de novo, quer trabalhar em casa, durante a pandemia, e a criança percebe então que ela percebe que a mãe existe porque amadureceu a perceber a mãe também recolhe. Ela Quer de novo, dormir 5 horas seguidas, um luxo para quem tem bebê em casa né, A mãe também Recolhe e é importante que isso aconteça, uma desfusão mãe-criança né, essa desfusão mãe-criança vai ser preenchida com uma fantasia.

Existe um terceiro, um ser malvado, um terceiro que roubou a mãe de mim, fato, eu e o outro não somos uma coisa só, fantasia né, a criança não dá conta de eu sou um, o outro é outro, o mundo não funciona e não faz sentido né, a criança identifica a separação, idealizando então um terceiro: mamãe não está comigo por que né? papai roubou ela, mamãe não está comigo por que? ela está trabalhando, mãe não está comigo porque tá dormindo, porque tá com meu irmão né. E esse terceiro que entra entre criança e mãe vai fazer aquilo que faz a gente chama então de função paterna, na tradição lacaniana né, é alguém que corta, desfunde a relação mãe-criança nessa triangulação.

De novo não é bem uma trinagulação, é desfusão, mas a criança não aguentando o vazio, entifica o vazio, um ser do mal que me prejudique, me rouba, ela idealiza e morre de raiva desse terceiro né. Nasce com relação a esse terceiro pela primeira vez, nossa agressividade, para a psicanálise a agressividade não é um impulso primário , ela é sempre reativa, impulso primário é ter prazer e sobreviver, pro Freud, agressividade é derivada eu me sinto violentado e eu reajo com raiva. Alguém roubou uma posição minha, me despojou da minha posição, pegou algo meu, eu senti que sofri violência e aí eu sinto raiva dessa pessoa e quero atacar e destruí-la. Agressividade é sempre reativa. é reativa , e eu tenho raiva desse terceiro e fantasio, se esse terceiro não existisse mamãe seria minha de novo e eu quero destruir esse terceiro, eu quero bater no meu irmão, eu falo mal do trabalho, eu não quero meu pai, eu quero concorrer com ele, e aí esse terceiro entra nessa triangulação, entra constituindo a quebra do narcisismo, e lançando a criança no mundo mais complexo, mundo Tríadico, simbólico, agora onde é um terceiro que intermedeia as relações, esse terceiro miticamente é o pai, mas obviamente como eu já falei para vocês não precisa ser a pessoa do pai e o Freud escreve isso como o nascimento de irmão para começar né.

Então o Édipo é esse processo na Constituição psíquica em que o narcisismo será quebrado e a criança será lançada em um outro mundo muito mais complexo né, onde tem mais gente no mundo, agora é sua vez, agora é a vez do seu irmão, agora isso é seu e sobre o meu amiguinho, eu gostei do brinquedo do meu amiguinho, sim é dele, devolve para ele né, E aí começa então a colocação de limites né, É como se você pudesse dizer sobre esse pai: a criança vê um desenho da Marvel, a capitã Marvel e a vê voando, a menina sobe na cadeirinha e pula para voar, e se esborracha no chão, função paterna, o real que avisa que o mundo não é você, o mundo não é para você né. Essa frustração que aparece aí, ninguém gosta de fazer essa função de limite né. Essa função de limite é dizer não para o outro, é frustrar o outro, o outro ficar bravo né, exercer essa função de lei e de limite frustra.

Então exemplos meus que acontecem com muita gente, a pais separados, veem a filha e fala: pai, pode fazer tal coisa ou para responder não é errado fazer tal coisa, a criança responde mas na casa da minha mãe pode, gosto mais de la do que daqui aí, você treme, Opa Se eu disser não, eu vou perder o amor da minha filha, do meu filho né, e muitos pais e mães se recusam a fazer essa função de frustrar, fazer que se recusam a fazer, essa função de então Expor a criança a realidade lá fora, a alimentação dela por medo de perder o amor, essa função de lei, essa função de pai é dificíl de exercer, em geral, uma batata quente que não joga para o outro, pode pai? pergunta para sua mãe, pode mãe? Pergunta para o seu pai, você vai jogando a batata quente da mão de um para o outro né. Porque é muito difícil exercer , esse trabalho de pai, é um trabalho de frustração ,

Há duas versões do desenho do Édipo, As duas são verdadeiras ao mesmo tempo, numa versão estava a criança no Paraíso com a mãe, vem papai malvado, Deus do velho testamento, expulsa do Paraíso, Joga no Vale de Lágrimas, numa outra versão você estava confuso, perdido no desejo da sua mãe, vem seu pai e te salva da sua mãe, rompe essa relação mãe-criança e bota você para ver outras pessoas, bota você para fazer outras coisas no mundo né, as duas versões são verdadeiras concomitantemente; na versão freudiana , mais estritamente Freudiana, como é que ele Conta essa história de Édipo? já adiantando, na teoria né, a criança primeiro, narcisicamente, sente-se completa, então em algum momento lá pelos três anos e meio de idade ela descobre a diferença sexual, ver outras crianças mais ou menos da mesma idade e descobre que tem meninos e meninas, uns têm pênis, outros não tem pênis e o Freud acha que em torno Dessa descoberta da diferença sexual muita coisa se joga na fantasia da criança por que que um tem, o outro não tem, quem tem pode perder né? quem não tem, um dia tinha e tiraram e meninos e meninas realmente fantasiam muito com relação a isso. O Freud acha que essa questão de diferença sexual é um desses jogos, digamos, o cenário onde se joga a descoberta de diferença né, O que tá em jogo é separação, o que tá em jogo é lei, o que tá em jogo é descobrir que o mundo não é você, mas isso é vivido em termos Freudianos em torno da questão do ter, não ter pênis, o que gera inúmeros Mal entendidos né.

Sobre Freud todo mundo já ouviu falar que o Freud acha que a mulher tem inveja do pênis, isso gera uma grande confusão, porque o Freud é machista, mas de novo, só para vocês terem isso muito claro, homens e mulheres saem do Édipo da mesma maneira, alguma coisa vai ser castrada simbolicamente, vai ser cortada simbolicamente, que não tem nada a ver com pênis ou não pênis, quem é castrado no édipo em última instância é a própria mãe, é a crença de uma mãe completa com a qual eu posso vir a ser completo. O que está em jogo como castração né, é um corte da relação mãe-criança que lançará ela no mundo, no mundo onde há lei, onde há outro, onde tem respeito ao outro, onde tem isso, frustração de Monte, vocês já ouviram falar na expressão castração simbólica, que o Freud joga em torno dessa questão do pênis no pênis, mas de novo castração simbólica para a psicanálise é castração da figura materna, é a percepção de que a mãe não é inteira e em ela não sendo inteira, eu não posso vir a completá-la, não é de pênis que se trata, é de um conceito que o Freud chama de falo, o falo um elemento simbólico, é isso que representa o que falta, eu posso ter o falo do outro e completá-lo, eu posso ser incompleto e projetar o que eu não tenho em representações fálicas de valor. Falo com não representa pênis, falo representa o nome daquilo que falta, na fantasia daquilo que já possa se complementaria.

Então num sentido comum a pessoa foi muito castrada, isso significa mutilada, cortada, é ruim, para psicanálise Freudiana ou lacaniana castrar, é bom, é necessário ser castrado, é o que me tira do narcisismo e me lança no mundo, é o que me faz acordar de um mundo fusional e entrar no mundo onde é que qualquer complexo, que é de falta, que é de desejo, mas é um mundo real lá fora. A castração simbólica é o processo pelo qual o narcisismo é quebrado e a criança é então lançada humildemente , no mundo, no mundo onde é a falta né, o final do complexo de Édipo para o Freud é uma compreensão muito aguda de incompletude, é uma noção muito aguda de perdi o paraíso, é um exílio.

Quem conhece a peça do Édipo sabe, Édipo Rei termina num exílio , e a história é essa, o final do Édipo é um perceber que não tem para onde voltar, eu não completo minha mãe, ela também não me completa né, ninguém completa ninguém, e o que nasce então do Édipo para poder começar a fazer esse caminho né, como é que as pessoas saem do Édipo? homens e mulheres da mesma maneira com uma sensação de incompletude, com uma angústia de base, uma inquietude de Base, a situação normal da gente né, Essas são de inquietude, o Freud vai chamar essa situação normal de neurose, por opção Psicose que ela tá preso no narcisismo lá atrás, a maior parte das pessoas estatisticamente normais o Freud chama de neurótico.

Nós neurótico somos pessoas inquietas, angustiadas com um reminiscência platônica-Freudiana de que um dia nós fomos, um dia foi perfeito, mas eu sei que eu não sou perfeito, e nasce aqui desejo né. O pessoal da filosofia, Deleuze e Guatarri ataca muito a psicanálise por aí né, o antiÉdipo, pro Freud, pro Lacan, desejo nasce de falta, sim para o Freud e para Lacan desejo nasce de falta, eu senti unidade narcísica, eu perdi o objeto narcísico, e porque eu perdi, porque eu estou em falta, nasce agora um movimento que vai em direção a objetos que supostamente poderiam suprir minha falta, nasce o ideal do Eu que eu falei na aula sobre narcisismo, eu não sou perfeito, mas o dia em que eu, agora fantasias, ideal do eu, tiver tal emprego, tiver tal amor, tiver tal experiência, tiver tal saber, agora, nasce do Édipo.

Um sujeito em falta que fantasia e deseja projetando no futuro né. Essa consciência de em sendo imperfeito um dia isso pode passar, eu crio então um fantasias infinitas, insaciáveis, de o dia em que eu sei lá o que, eu restituirei a integridade narcísica. Édipo é essa consciência de falta de finitude, de morte, de exílio, de não ter para onde voltar, de que o presente é frustrante, o presente é imperfeito e a criação mais uma vez de um sujeito desejante né. Eu posso criar desejos e não realizá-los dizer para sempre. Ah é por isso que eu nunca fui feliz, ou mais tragicamente, eu posso ter desejo e realizá-los, então perceber que a realização de qualquer desejo por mais prazeroso que seja, esse desejo e essa organização , não vai me Completar, novos e novos desejos nascerão;

Complexos de Édipo, castração significa não existe a felicidade com o F maiúsculo, existem felicidades, muitas, no plural, mas como f minúsculo né, o sujeito é insaciável, a frase Bíblica do Édipo não vai passar, viver dói, viver de auto-ajuda é bem mais fácil né, mas o discurso é: viver dói, viver é trágico, viver é intenso né, e eu vou criando o desejo, da perspectiva do sujeito desejante, a causa do desejo é a privação do objeto, eu sou infeliz porque ela não me ama, se ela me amasse eu seria feliz, eu sou infeliz porque eu não tenho aquele computador, se eu tivesse… Da perspectiva do sujeito desejante, a causa do desejo é a falta do objeto. O Freud inverte de tudo né, Eu sou desejante porque eu sou humano, porque eu sou pulsional, porque eu vibro né, eu tenho urgências de achar objetos capazes de poder então suprir o meu desejo, eu primeiro sou desejante, então eu dou nomes para o meu desejo, o nome da minha angústia é: … Ela não me ama, o nome da minha angústia é: conhecer tal coisa, e nós vamos arranjar álibis né. Para dar nome para essa inqietude enquanto isso vivemos, amamos, escrevemos, aprendemos, trabalhamos. Que bom né, mas nada disso vai poder me dar uma sensação duradoura, pelo menos de satisfação absoluta. Essa é a decepção da realização do Desejo, ao realizá-lo, eu serei feliz na proporção da dificuldade da realização desse desejo, mas então descobrirei que eu sigo Vivo e pulsante e com urgência e em busca de novos objetos, há uma insaciabilidade que está constituída na neurose.

Aí para completar essa aula de Édipo né, com relação a castração simbólica é também o Édipo e a castração simbólica que vão definir a psicopatologia Freudiana, a psicopatologia Freudiana tem três grandes grupos, um grupo chamado psicoses: esquizofrenia, paranoia, melancolia, Mania, depressão, as perversões, Freud manteve esse nome e aí dentro vai ter psicopatia, um monte de coisas é o Freud manter inclusive homossexualidade aí dentro, e as neuroses estaria nós, não precisam fobia aquilo que a gente chama de normalidade são três grandes grupos neuroses, perversão, Psicose e o que defi, esses três grandes grupos é justamente a posição com relação à castração. Na Psicose, Freud, na sequência Lacan, a castração não operou, a pessoa permanece presa no narcisismo, no mundo interno alucinatório, rompe com a realidade, na perversão, a castração opera o bastante para pessoa não alucinar, no entanto, o perverso consegue driblar de alguma forma, recusar os efeitos da castração né, eu sei, mas mesmo assim Eu recuso a castração o bastante para não alucinar, Mas eu ainda tenho um desejo onipotente que faz com que Exerça o meu desejo e o gozo usando o outro como objeto do meu desejo, sem consideração de culpa, sem consideração de limite do outro, a perversão é um meio do caminho muito delicado , onde acontece isso, o meu desejo ainda é onipotente, eu não respeito o outro enquanto tal, então eu uso ele para meu gozo como objeto mesmo né.

Ah mas eu não alucino como um psicótico alucionaria, a neurose seria a terceira posição, onde a castração operou, eu não sou perfeito, eu aprendo a esperar, se eu quiser o amor do outro, eu tenho que conquistar esse amor do outro, respeitá-lo, ir ao desejo dele, seduzir, negociar com a realidade né. E então eu tenho uma organização chamada neurótica, onde a castração operou, não há hierarquia Ok, não entendam que uma é melhor do que a outra, mas a psicopatologia Freudiana que não tem nenhum tipo chamado normal, alguém que seja referência, que você quer caminhar naquela direção, tem Psicose, tem perversão e tem neurose e o que defi, pra completar é o édipo, sobretudo a operação de castração, se ela operou, operou completamente ou incompletamente, é aí que tá a chave, não da psicopatologia Freudiana do que constitui a gente como sujeito, a nossa organização que vai então durar pela vida dentro, é no final do Édipo, 5, 6 anos de idade, que a definição de identidade de gênero, preferência de desejo, a Constituição da gente de base se dá do Nascimento até uns cinco seis anos de idade, nós mudaremos muito de personalidade pela vida dentro, são os aspectos mais superficiais, mas sobre uma infraestrutura que é constituída na primeira infância, isso vale para Freud, vale para Lacan, não vale para outros autores importantes como por exemplo Melanie Klein e Winnicott, é outro barato, é outra onda, não cabe aqui dizer, mas sim para Freud uma infraestrutura psíquica é constituída na quebra do narcisismo em direção ao Édipo. Essa é a Constituição do sujeito para essa análise e Freudiana

AULA 6

A Clínica Psicanalítica

O que que é uma análise? Uma análise, no sentido freudiano do termo, é um avanço no processo de Luto interminável Pelo objeto perdido, aquele primeiro objeto, mãe em última Instância que me fez sentir onipotente, que eu perdi e a cuja perda eu respondo e eu quero restituir o tempo todo. Uma análise não vai não vai terminar essa dissolução, não tem como dissolver a relação com a origem, não tem como ter Édipo bem resolvido, mas eu avanço na compreensão.

Olá para essa sexta e última aula desse curso, Primeira Lembrança, É claro, sempre lembrem primeira aula do curso é um convite a que vocês estudem, é para deixar a desejar, é muito rápido tudo que a gente está falando, mas espero que tenha feito uma linha narrativa para vocês do que a gente está podendo estudar E convide, de verdade, que vocês vão a esses textos, já outros, vai ver o material também a mais do curso com indicações de leitura, de possibilidades de abrir esse conhecimento né, que é apenas convite, é apenas de todo ano eu espero que não esteja sendo leviano ao falar tão rápido para vocês, mas justamente a gente é incompleto né, tem que lidar com incompletude aqui.

Também essa última aula é para falar sobre a condição, a clínica Freudiana , como é que ele concebeu a clínica dele, eu indiquei dois textos principai, um texto curtinho já nos últimos, um ano antes do Freud morrer, muito bonito chamado Construções em análise, e o outro texto menos evidentemente Clínico mas para mim ele é um paradigma da clínica para Diana que é um texto belíssimo de 1917, chamado Luto e Melancolia,. Um Dos textos favoritos do freud é luto e melancolia e Mal-estar na civilização são textos monumentais sobre a vida né. Então como é que é a Clínica Freudiana né, eu falei voltando às primeiras aulas uma vez que o Freud fez o modelo segundo qual os sintomas dos pacientes são as formas de expressão de ideias, que são no inconsciente, se elas pudessem ser pensadas na consciência, não seria um sintoma, elas são sintomas porque Não pode ser pensadas pela consciência e vazam disruptivamente sobre a forma de sintomas, como eu falei para vocês, o princípio de toda boa psicoterapia, desde o comecinho do Freud é tornar o inconsciente consciente.

Vale a pena dizer que o Freud criou a primeira psicoterapia, uma terapia que não envolve medicação, procedimento físico nenhum, senão a palavra, a linguagem, a relação humana que se estabelece ali, é claro que sempre tantos anos depois existem dezenas de teorias, técnicas com qualidades variadas também, muitas excelentes, mas o Freud foi Quem criou esse modelo da psicoterapia né. Vale a pena dizer isso e como é que era essa primeira psicoterapia? Como eu falei para vocês, Freud chegou a usar hipnose. Era uma técnica muito comum no século XIX, a pessoa adormece, você pede para a pessoa lembrar e continuar lembrando quando acordar, a pessoa acordava e reprimia de novo né. Aí lembrava de fantasias e não tinha eficiência, os sintomas voltavam, o Freud foi então percebendo que para fazer efetivamente tornar o inconsciente consciente era preciso que a pessoa tivesse acordada, vencendo resistências, a pessoa começa a falar, sofre, resiste, muda de assunto, e aí vai. Em todo caso, o Freud vai começando a entender, inicialmente, que o trabalho de chegar no inconsciente é, como eu falei na aula sobre sonho, nossa segunda aula, tentar a partir daqueles conteúdos manifestos, para tentar chegar nos conteúdos latentes, a partir do sintoma, do ato falho, do sonho para buscar decodificar Quais são os desejos inconscientes implicados ali né.

Durante bastante tempo, a clínica freudiana foi uma clínica da interpretação, tentar a partir daquilo que aparecia, de novo sintomas, sonhos, atos falhos, tentar achar os desejos inconscientes, deduzir aquilo, essa interpretação, como eu já disse para vocês de umas outras, em outras aulas, não é uma interpretação por um código de símbolos, sonhou com isso, quer dizer aquilo, mas por uma interrogação, por uma escuta, o que isso quer dizer para você? o que isso quer dizer para você? fala mais disso, fala mais daquilo, faz, Vai tentando abrir redes associativas para encontrar cruzamentos de associação em outros planos e buscar sentidos né. Qual é a técnica fundamental que Freud usa para esse trabalho de interpretação que de novo é o primeiro modo de trabalhar, vai aparecer um outro mais importante né, Ah ele chama isso a um conjunto de textos de 1911 a 1914 que são chamados escritos técnicos, a psicanálise já era grande, já tinha muita gente, já tinha revista de psicanálise, o Freud começou a treinar outros psicanalistas e começou a falar mais a respeito da técnica psicanalítica. E aí quando é a principal técnica tem duas regras para o Freud que definem uma situação como um enquadre psicanalítico, uma situação psicanalítica, uma regra da parte do analisando, paciente, analisando e o mundo analista, da parte do analisando a regra chama-se Associação livre quando você faz um contrato quando de análise, Como eu faço regularmente, fala: Olha você vai vir aqui na sua sessão e vai dizer o que tiver na sua cabeça na hora, não tem compromisso de ser importante, não importante continuar a sessão passada, o que tiver na superfície da sua mente, vai nessa, vai falando, porque vai falando porque o Freud confia no conceito de inconsciente, fale sobre o que você falar, é você falando, o sujeito implicado Nessa fala e vai haver uma repetição e vai haver um lapso e vai haver uma mudança de ênfase, vai haver uma interrupção fala que vai apontar um caminho para o desejo inconsciente.

Então Associação livre é tudo menos livre né, a associação livre é livre de autocrítica, vai falando aí o que for, receita de bolo, a notícia de Jornal, O que você viu no caminho para sessão, o zoom que você tá usando numa sessão online. Fale o que tiver na sua mente, sem qualquer ver com o mínimo de Auto restrição possível né, porque o Freud tem certeza que essas oração livre de autocrítica, ela não é livre de determinação pelo inconsciente. Então essa fala apontará, comece por onde Você pode ler uma notícia de Jornal, A sua entonação de voz é você, é o sujeito se manifestando, esse sujeito vai poder então ser ouvido pela Psicanalista e ele vai ser então apontado. Então uma situação é analítica quando o analisando topa a associação livre e a regra complementar do analista chama-se a atenção igualmente flutuante, há quem chama de atenção flutuante, Mas pode dar entender errado, distração é igualmente flutuante, no seguinte sentido: um analista ao escutar é o grande trabalho da gente, prestar escuta, prestar acolhimento, estar implicado naquele momento, naquela sessão, a atenção igualmente flutuante é que a gente possa ouvir o que vem, sem privilegiar um conteúdo sobre outro, falar de Infância não é mais importante do que contar uma receita de bolo, contar uma mentira não é menos importante que falar sobre sexualidade, tudo que é dito é igualmente expressão subjetiva. Tudo que é dito é o sujeito falando; o inconsciente está lá pulsando e eu devo ouvir isso, o grande trabalho da gente é escutar né. É retirar-me como sujeito, o sujeito Pedro com minha ansiedade, com minha expectativa, com minha teoria, o meu grande trabalho é prestar escuta, acolhimento, implicado com relação a essa pessoa, garantindo que aquilo que vai ser dito Ali, vai preservado, vai ser reservado, não vai ser misturado, não vai ser usado contra ele. Então de um lado, uma associação do analisando que flui e deixa seu inconsciente aparecer é um trabalho de distração é o contrário de um foco, é distraição, assim em última instância, vai falando, vai você lembra, você já fez o quê? Já Fez análise, sabe disso, você vai para a sessão quando não é para o zoom né. Você vai para sessão pensando que você vai falar na sessão. Chega na sessão é tudo diferente, é o mais normal, você vai pensando: ah hoje eu quero tratar de tal assunto, quando você viu a sessão foi para um outro lado, totalmente diferente.

A questão é distrair o eu para poder acessar alguém inconsciente com a associação livre diz respeito a isso e a escuta, e atenção flutuante significa essa capacidade de escutar e acolher o menino que ao começar a atender 38 anos atrás. Eu aprendi algumas coisas rapidamente, a primeira é a sessão era ótima quando não atrapalhava eu sou você, já perceberam eu falo bastante, quando eu não falava muito, quando eu me recolhia, quando eu guardava a escuta, dava espaço para analisando, a sessão era ótima né, quando eu não atrapalhava muito o fluxo da fala, uma sessão de análise não é uma conversa, também não é analista morto e mudo né, mas não é um bate-papo de Boteco. A gente tem o trabalho de escuta, que é superior ao trabalho de fala, mas a fala será pontual, importante quando vier é claro, mas então prestar isso e finalmente eu também aprendi algo muito legal: atender é ótimo, porque durante 50 minutos daquela sessão eu descanso de mim, é ótimo descansar de mim, é muito chato ser eu o, tempo todo né, quando durante 50 minutos você Recolhe e não é sobre você, é uma experiência também muito interessante. Atender né, ser analista é muito interessante, é muito legal, é claro que não é gostoso você ouvir sofrimento mais do que outras coisas, mas é uma experiência muito rica, humana, onde você sai da cena, justamente, você não vai priorizar, você não vai voltar, você não vai guardar informações, você vai prestar-se a escuta e acolhimento daquela pessoa. Isso é muito rico. Isso é muito interessante.

A pessoa vai então dizer coisas que nunca disse para ninguém e vão emergir coisas da sessão muito ricas, partindo do conceito de interpretação do inconsciente, interpretação do sonho, dos sintomas, da associação livre e da atenção igualmente flutuante. A análise do Freud também foi desenvolver um outro conceito que cada vez ganha mais espaço ao longo dos 40 anos que o Freud trabalhou, é um conceito chamado transferência. O Freud percebe muito rapidamente desde o começo da psicanálise que nessa posição de silêncio do analista, de acolhimento analista, muita coisa é projetada sobre ele, de figura de pai, de figura de mãe, de figuras amorosas, figuras de filho, a análise vai projetando o seu Psicanalista, a sua fantasia, mas surgindo uma relação analítica, eu como recebo aquilo, isso é impactado, aquilo chama contratransferência. O analisando quando fala daquilo e transfere sobre mim conteúdos, vai surgindo uma situação analítica ,é muito curioso também atender às vezes, eu tenho 10, 12 pacientes no mesmo dia, e é muito interessante como Cada sessão é completamente diferente, como o tempo passa diferente, tem sessões que parecem que você nem começou, já acabou, tem pessoas que se arrastam, miseravelmente, nunca mais acabam, o que se constitui ali é uma relação analítica , e o Freud começa a perceber o seguinte: além de interpretar o sonho, além de interpretar o sintoma, eu tenho mais um elemento mais importante ainda para analisar que é a relação analítica.

Quem esse cara pensa que eu sou, o que que ele projeta sobre mim, quando ele fala isso e não fala Aquilo em que posição na fantasia dele ele tá me colocando e o Freud percebe que essa relação transferencial, ela talvez seja mais importante. Ela provavelmente é mais importante do que interpretar conteúdos, entender como a neurose da pessoa funciona como espécie de campo magnético, ela se coloca numa certa posição subjetiva e projeta a psicanalista uma posição complementar. E se eu entender essa posição em que posição ele me coloca, eu vou entender então que ele repete essa forma de proceder nas relações afetivas, que ele tem, que traz para dentro da análise, as repetições neuróticas dele para relação analítica. Então na obra do Freud, conforme o trabalho do Freud avança de 1900, de interpretação dos sonhos até 1938 construções de análise, o Freud cada vez dá mais valor para transferência, ele percebe que a gente, frequentemente, não consegue lembrar muita coisa da infância mesmo, a interpretação tira sentido, mas não busca o infantil, que eu tiro mais elementos da transferência do que da interpretação dos sonhos.

Eu digo isso porque muitos Psicanalistas posteriores vão falar: o Freud só interpreta, quem sabe com a transferência foi melanie Klein, foi sei lá, mas não, realmente, é falta de ler Freud , se você ler Freud, chegar nesse texto fundamental de 38, construções em análise, você perceberá então que o Freud fala disso no construções em análise. A gente em geral não consegue recuperar muita lembrança, vem Caco, vem pedaço, vem fragmento, esses fragmentos da história infantil que a pessoa traz, como é que eu completo esse quebra-cabeça, como é que eu componho esses Cacos, eu componho esses Cacos através da relação analítica, através da relação transferencial, da relação analítica e dos pedaços de memória que vem, eu vou fazer uma reconstrução da história infantil. Eu não vou recuperar essa história, eu vou construir ou reconstruir essa história pegando esse campo magnético e esse campo magnético são as bordas do quebra-cabeça. Eu pego as peças que vieram e vou compor e vou construir junto com o analisando uma história infantil, uma narrativa, uma compreensão, um mito pessoal, contado, recontado e transformado. Então a relação analítica é uma é uma narrativa que tenta dar sentido para sua história, um sentido novo e sempre renovado, não é trocar o sentido verdadeiro por um novo, Por um falso, por um verdadeiro, é sempre uma nova possibilidade de invenção e de leitura da sua história, leituras que possibilitem que seu desejo flua. O que você espera da análise, que você espera da análise que Sujeito aproprie-se da sua história, aproprie-se do seu desejo e vai buscar no mundo lugar para poder então efetivar, realizar esse desejo.

Um trabalho de análise também é para poder falar do outro texto, um trabalho de luto, Eu já ouvi falar várias vezes a seguinte ideia, você trabalha com luto para nós Como assim análise é trabalhar luto? E por que é trabalhar luto? porque de uma forma a nossa Constituição infantil permanece em nós, a nossa dor por termos pedido o primeiro objeto de amor e a nossa resposta a essa perda continua ali, o que que é um processo de luto para o Freud? muito brevemente luto e melancolia 1917 é a ideia, de que tudo que faz parte da nossa vida é a gente, é uma projeção do eu, meu carro sou eu, meu endereço sou eu, a casa do saber é meu eu, minha roupa é meu, tudo isso é eu, de forma é uma projeção, é uma extensão da minha pessoa, de fora tudo que eu invisto é um pedaço de mim, de forma que quando eu perco algo, bato meu carro, uma pessoa querida morre, o meu candidato perdeu, eu vivo isso como ferida narcísica, é um pedaço de mim foi cortado.

O que acontece quando um pedaço de mim foi cortado? lembrem da m.usica do Chico Pedaço de Mim, hino absoluto ao luto, aí a energia inteira vai para fora, eu me desinteresso do mundo, eu fico deprimido, eu pareço uma pessoa melancólica, em depressão, mas eu não tô, eu tô de luto, eu recolho a energia, recolhendo energia, eu fico um tempo paralisado, traumatizado, negando a perda e então eu começo a elaborar, trabalhar a perda e esse trabalho significa lembrar, lembrar de novo, chorar, Recordar, manter o objeto vivo, todo mundo já esqueceu, para mim ainda tá vivo e eu lembro uma vez e eu lembro dessa, eu lembro duas. O Freud fala eu pego cada lembrança relativa ao objeto perdido e coloco sobre a mesa e desfio os fios que vão compondo essa relação, para quem tá do lado de fora o Luto é mórbido. Eu repito 20 vezes, 200 vezes a mesma história, mas a ideia do Freud é que eu estou desgastando a memória retirando os fios que ligam na história, eu tô me assumindo a perda e apropriando essa história, conforme eu vou me desligando do objeto através de meses, anos, o tempo que levar esse processo, que é sempre longo, eu vou introjetando esse objeto, conforme eu vou digerindo a perda a atributos daquele objeto fazem parte agora de mim e aí depois de um longo processo de elaboração, incorporação desse objeto, a Assunção da perda, eu começo a ter de novo energia livre.

A energia que estava presa na relação de objeto volta a estar livre, outra canção do Chico, me pega cantando sem nem lembro porque os olhos dos olhos, onde eu me flagro cantando porque eu me vejo no final do luto, Amando de novo, disponível de novo para amar, E aí eu compus, eu, o eu, é uma grande coxa de retalho, o eu, é feito minha identidade, é feita dos pedaços de relação que eu tive e perdi, dos lutos que eu tive, relações que estabeleci com mãe, com pai, com Amor, eles com amigos, com filhos e que eu perdi e que sugerindo luto e compõe essa grande colcha de retalho que compõem a minha identidade, minha personalidade, o efeito dos lutos que eu fiz.

O que que é uma análise? uma análise no sentido Freudiano do termo é a um avanço no processo de Luto interminável Pelo objeto perdido, aquele primeiro objeto mãe e última instância que me fez sentir onipotente, que eu perdi e a cuja perda eu respondo e eu quero restituir o tempo todo. Uma análise não vai terminar essa dissolução não tem como dissolver a relação com a origem, não tem como ter Édipo bem resolvido, mas eu avanço na compreensão, eu já fiz análise, eu tô na minha quinta análise, Possivelmente na vida, eu já fiz algumas momentos diferentes da vida, a cada análise eu entendo um pouco melhor, eu perco um pouco melhor, eu elaboro um pouco melhor, me distancio relativamente de uma origem a qual Serei sempre referido, mas o me distancio progressivamente, entendo, perco um pouco, mais entendo um pouco melhor, a perda, uma análise pro Freud é um trabalho de luto, é um avanço como eu falei agora a pouco, num processo interminável de elaboração das Pedros originais, esse processo, no entanto, que se ele é interminável ele me libera a cada vez mais energia.

Tem uma imagem, eu termino com essa imagem aqui é de um psicanalista Freudiano, chamado Jean Laplanche, um francês passou pelo Lacan, tem uma obra própria, mas ele usa uma imagem muito bonita sobre a relação com a origem e com análise, a ideia de uma espiral entre eu vou ser sempre a mesma pessoa, eu você inteiramente novo, ele fala nem um nem outro ele usa a imagem de uma espiral , e espiral o significa isso, a espiral gira em torno de um centro e o centro e a minha origem é a minha história, é aquilo que eu sempre, aquilo que me constituiu e eu não vou me livrar desse centro, mas conforme eu elaboro e entendo faço luto, amadureço, não me distanciam relativamente, a cada volta da espiral, eu estou relativamente mais longe do centro Qual permaneço referido é uma junção de identidade e diferença, eu sou diferido, mas daquela mesma história, a espiral me conta, esse desprendimento progressivo, porém sempre a se cumprir com relação a origem, então nós temos na análise, o luto do Narciso, o Complexo de Édipo, a renovação da consciência da perda, o entendimento superior dessa perda e quanto melhor eu puder entender essa castração, esse limite, essa finitude humana, mais livre eu posso estar para amar, mais longe, cada vez mais longe, ainda que sempre referido a minha origem, essa origem Eu nunca vou deixar tão pouco ok.

Então assim funciona para Freud, Melanie Klein é outra coisa, Winicott é outra coisa, Lacan é outra coisa, Outra coisa o André Green, aí você sabe a história da análise é viva, ela é muito Viva No Brasil, especificamente, tem muita gente produzindo muita coisa boa em padrão mundial no Brasil, mas é claro o Freud é nosso fundador, esse curso serve para quê, muita gente começa a ler lacan, começa a ler o Winnicott, Cadê o Freud? então sempre é bom poder voltar para a origem, para elaborar e poder se distanciar dela, uma questão importante que faz parte do trabalho do Freud, de muitos grandes pensadores, aliás meu doutorado, eu acabei de editar uma segunda edição de um total de 20 anos atrás chamado A crítica ao eu na modernidade em Montaigne e Freud monten e Freud e muitos outros autores da filosofia do pensamento humano acham uma coisa importante de se dizer é impossível o autoconhecimento, sem ter locução, nesse sentido, não é possível Auto análise, Por que que não é possível Auto análise? porque o olho não se vê, a gente está no ponto cego da gente mesmo. Para uma longa tradição, de autores da filosofia e a psicanálise entra nisso o auto conhecimento Depende de interlocução, eu preciso de um ótimo amigo, um excelente inimigo, para saber de mim porque eu não me vejo, eu estou no ponto cego, Montana fala muito sobre amizade, valorizava amizade sobre todas as outras relações através da grande amizade eu me conhecerei, o Freud institucionaliza o analista , como esse outro interlocutor, em cujo embate eu vou poder ter retornos, espelhamentos sobre o meu modo de funcionamento, mas no limite quanto mais eu faço análise, mais eu aprendo a me ouvir, mas no limite auto análise não é possível porque nós somos seres cegos a nós mesmos, porque nós somos seres relacionais, então sempre vai precisar do outro para se relacionar e inclusive para saber sobre a gente não é apenas uma propaganda mercadológica faça uma análise , mas pode servir também se for o caso de toda maneira filosoficamente , a autoconhecimento Depende de interlocução um bom amigo, um excelente inimigo, um bom analista.